Armínio Fraga, o irrecuperável ingênuo político

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Não duvido da competência do Sr. Armínio Fraga. Ele é uma mistura de um grande caráter com um invejável expertise em direcionamento econômico. Respeitado pelo mundo todo (menos pela escória petista) não tenho praticamente nada a falar de sua competência no que faz. Porém, quando o assunto é política, ocorre praticamente o inverso. Chega a dar agonia ver a inépcia de Fraga para esse tipo de questão.

Por exemplo, em entrevista ao Estadão, lhe foi questionado o seguinte: “Depois de virar o vilão da história durante a campanha, como o sr. se sente agora?”. Veja a resposta:

Estou me desintoxicando da campanha. Eu não sou vilão e me irritava o baixo nível do debate e aquela verdadeira produção de mentiras e de cenas, tudo muito teatral. Eu dizia uma coisa, eles deturpavam ou tiravam do contexto. Dizia outra, eles deturpavam de novo. Então, foi tudo muito frustrante. E eu não sou desse mundo [de campanha, de debate político, de confronto parlamentar].

Ora, se não é deste mundo por que participou então? Ou melhor, por que deixou que te incluíssem na campanha? O sr. não poderia ter chegado ao sr. Aécio Neves e dito “se você citar meu nome, dou-lhe um murro no estômago”?

Mas o que se viu foi o contrário: Armínio foi continuamente atacado pelo PT, enquanto a campanha do PSDB, imperdoavelmente, não o defendeu um segundo sequer. O que a campanha do PSDB praticou em termos de omissão diante de Fraga é algo que não pode ser perdoado jamais. Não há quantidade de pés na bunda que pague isso. É por isso que eu digo: a campanha do PSDB foi um crime moral. E o pobre Armínio não estava preparado para este jogo.

Sobre a experiência da campanha, ele conclui o seguinte:

Estamos vivendo uma enorme crise de valores e isso é gravíssimo. Nós temos exemplo para todo lado, é mensalão, é petrolão, mentiras na campanha, como se tudo isso fosse muito natural. Não é.

Mas a única maneira de fazer um imoral para o preço de suas imoralidades é jogar o jogo político no mesmo tom que ele, o que é bem diferente de usar musiquinhas em campanha. É claro que você não precisa mentir igual seu oponente, mas se não o fizer pagar o preço de suas mentiras, a partir de rotulagens duríssimas e contundentes, a subserviência ao mal converte-se automaticamente em incentivo e até patrocínio da barbárie.

Se no primeiro pacote de mentiras, alguém faz o mentiroso urinar em palco devido a uma quantidade apocalíptica de shamings, talvez o safado se tornasse mais comedido. Mas ao ouvir somente musiquinhas do outro lado, o mentiroso se sente incentivado a avançar ainda mais. Não passa de dinâmica social. Triste, mas verdadeiro, como diria a música do Metallica.

E sobre a economia? Armínio diz:

O Levy largou bem, mas é uma ilha de competência num mar de mediocridade no governo Dilma, com honrosas exceções, como os ministros Izabella Teixeira (Meio Ambiente), Kátia Abreu (Agricultura) e Alexandre Tombini (Banco Central). Sozinho, o Levy vai até um ponto.

Desculpe-me, Armínio, mas tua preocupação não deveria ser elogiar ministério de um governo oponente. Mas não adianta. Se a pessoa se recusa a entender a dinâmica da política, não irá entender isso mesmo. Melhor seria se o PSDB jamais tivesse divulgado seu nome como “possível ministro”. Mas ao fazer isso, deixou que a incompetência da campanha do partido e a própria inépcia política de Fraga (reconhecida por ele próprio) só fizessem atrapalhar. E ele não vai mais parar de atrapalhar.

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12 COMMENTS

  1. O anúncio de Armínio Fraga (que só agradaria os já convertidos) foi, talvez, a maior cretinice já feita durante uma campanha eleitoral em toda a história do Brasil. Os imbecis do PSDB que endossaram isso deveriam ser expulsos da política e proibidos de participar de qualquer assunto do tipo.

  2. Outro que tá engatinhando na guerra política.
    Outro que pensa que o debate político era um concurso de Miss, onde era preciso elegância, bom mocismo, fineza e delicadeza.
    Elogiar o oponente deveria ser imperdoável pelo partido. Não se elogia inimigo. Isso aqui não é futebol, não é concurso da Loira do Tchan onde as candidatas tem que fingir que se adoram.

    Ele devia é agradecer ao Rodrigo Constantino, que foi quem mais bem fez a ele durante as eleições, exaltando a competência dele e o quão benéfico seria com Aécio sendo eleito tendo o Armínio como ministro.
    Constantino fez bem mais do que os marketeiros paraguaios que não saberiam eleger nem um síndico de prédio…

  3. É o fim da picada mesmo. Neguinho apanha, apanha e apanha com mentiras, falsas promessas, calúnias, difamação, blogosfera chapa branca paga por nós e rebate num tom quase de desculpa! PQP!

  4. Trabalhava sim para o George Soros, lembro-me como se fosse hoje, quando ainda estava intoxicado pelo esquerdismo, já ouvia falar no Armínio Fraga e no famigerado George Soros, aliás, o PT era quem fazia essa denuncia.

  5. Armínio é um quadro técnico, não saca nada de guerra política. Certamente é uma deficiência intelectual para quem almeja ao posto de ministro da fazenda. Mostra que estava despreparado. Mas, sinceramente, isso não é o pior. Grave mesmo é a equipe política do PSDB deixá-lo atirado às feras durante a campanha eleitoral. Cadê os profissionais que deveriam blindá-lo? Onde foram os estrategistas que deveriam instruir os quadros técnicos? Já os vi tomando atitudes ainda piores do que do Armínio. Aí não dá…

  6. Ah, eu absolvo o cara. Ele *não* é político, e deixa claro. É ingênuo politicamente e sabe disso.

    Pra mim, o culpado é o figurão do PSDB que resolveu anunciar sua escolha (anúncio que provavelmente não trouxe um único voto, pois quem gosta do Armínio já vota no PSDB) e ainda por cima mandar ele dar entrevista sem orientá-lo.

    Sem contar que a Dilma não é um “governo oponente” pra ele, que nem é filiado ao PSDB (que eu saiba). Ele parece apenas tentar falar de Economia, sem se preocupar com política, que não é a praia dele.

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