Crônicas de um país censurado: jornalista que noticiou morte de Nisman foge para Israel. Enquanto isso Emir Sader faz uma ode à Cristina.

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Você tem ideia do que é viver em um país com mídia censura? Pois é só dar uma olhadela nas notícias recentes da morte do promotor Nisman para ver o nível de caradura de governistas bolivarianos que já tenham obtido o poder de amordaçar a imprensa. Eles realmente perdem todo e qualquer senso do ridículo. E de moral.

Pois fez muito bem o jornalista que noticiou em primeira mão a morte de Nisman em fugir para Israel, conforme a Veja:

Primeiro jornalista a noticiar a morte do procurador Alberto Nisman em sua conta no Twitter, o argentino Damian Pachter, do jornal Buenos Aires Herald, confirmou que se refugiou em Israel neste domingo, segundo o jornal La Nación. O repórter, que também tem cidadania israelense, deixou a Argentina após afirmar que sua vida estava correndo perigo. Antes de chegar ao Oriente Médio, ele passou pelo Uruguai e pela Espanha. Ele publicou, neste domingo, em seu perfil no Twitter que está “a salvo em Tel Aviv”.

Nos últimos dias, o jornalista vinha dizendo que seus telefones estavam grampeados e que estava sendo seguido por desconhecidos. Ele afirmou a colegas trabalho que não voltaria à Argentina “durante este governo”. “Me mandaram uma indireta”, disse, acrescentando que não pôde buscar “roupa nem dinheiro” em casa.
Pachter publicou também neste domingo um artigo no jornal israelense Haaretz, no qual explica os motivos da sua fuga da Argentina. No texto, ele afirma que sofreu intimidações e passou muitas noites sem dormir. “A Argentina se converteu em um lugar escuro conduzido por um sistema político corrupto”, escreveu.

Nisman foi encontrado morto com um tiro em seu apartamento em Buenos Aires, dias após denunciar a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e o chanceler Héctor Timerman por negociar um plano para garantir impunidade e “acobertar fugitivos iranianos”, referindo-se aos acusados do ataque terrorista contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em 18 de julho de 1994.

E enquanto qualquer pessoa independente tenta saber as causas do assassinato de Nisman, o que Emir Sader faz? Escreve um texto culpando todo mundo, incluindo a mídia, os “poderosos” e o que valha. O título desta peça bizarra é “Cristina somos todos”, publicado no Brasil247:

Todas as manipulações apontam para a Cristina, por tudo o que ela representa. Os que levaram a Argentina à pior crise da sua historia, não se resignam a que o país foi resgatado por governos populares, que não se contentaram em retomar o crescimento econômico, mas que o fizeram redistribuindo renda, retomando a trajetória dos governos populares argentinos.

Não perdoam a Cristina ter protagonizado esse resgate, ter sobrevivido às mobilizações golpistas dos produtores de soja de 2007, à própria morte do seu companheiro, Nestor Kirchner, à ofensiva covarde dos fundos abutre. Não se perdoa que uma mulher tenha enfrentado, com altivez, as agressões torpes da mídia, machistas, grosseiras, como corresponde a uma direita complacente com os crimes do terrorismo de Estado. Não perdoam a Cristina e a Nestor ter reaberto os processos contra os responsáveis pelos crimes de Estado. Não lhes perdoam o reencontro de mais de 100 netos, filhos de militantes opositores à ditadura, que além de assassinados, tiveram seus filhos sequestrados, no pior crime humanitário que conhecemos.

Cristina somos todos, porque resistimos juntos às ditaduras militares, solidários na luta, nos sofrimentos, nas perdas, na sobrevivência e na recuperação da democracia. Cristina somos todos porque todos os nossos países são vítimas de manipulações torpes como essa, que hoje são contra a Cristina, contra a democracia argentina, contra as conquistas sociais do seu povo, da sua soberania internacional.

A uma direita que nem sequer consegue ter lideres que os una contra o governo popular de Cristina, lhe dói a liderança da Presidenta da Argentina, sua dignidade, seu vinculo direto com o povo e com a historia de lutas dos argentinos.

Cristina somos todos, porque todos os que lutamos por países justos, solidários, soberanos, dignos, estamos com Cristina e com os argentinos, também nesta hora. Somos todos.

Este é o nível do cinismo, da monstruosidade, da ausência absoluta de empatia, da perfídia…

Vamos falar com o máximo de gentileza possível: ‘Cristina somos nós’ é puta que o pariu, Emir Sader. Qualquer pessoa que defenda Cristina Kirchner merece rejeição social. Nem convide para tua casa. Nem aperte a mão.

Você teria estômago para aturar este tipo de coisa que hoje aparece apenas via blogosfera estatal, sendo também empurrada em nossas fuças via editoriais lidos em horário nobre?

Mas de onde vem essa “percepção bizarra” de Sader? Seria ele um “coitadinho enganado”? Pois relembre um levantamento do Teleguiado, mostrando que ele recebeu mais de R$ 274 mil reais em 2014, sem licitação.

Para essa gente, apoiar ditadores bárbaros é apenas um grande negócio.

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14 COMMENTS

  1. Sinto cheiro de antissemitismo quando um judeu morre estranhamente investigando a morte de outros 82 e outro judeu, jornalista, foge e acabo lembrando do que repetiu Brecht tendo lido
    Niemöller :

    “Um dia, vieram e levaram meu vizinho, que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho, que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia, vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram. Já não havia mais ninguém para reclamar.

  2. Esta “coisa” já foi muito bem definida por Reinaldo Azevedo de Veja: é um lunático que acha que é um Sheik no seu país imaginário, os Emirados Sáderes e que quando o idiota abra a boca terá uma legião de imbecis para lhes prestar “reverência” ao seu “rei”.
    Camisa de força nele gente!.

  3. “Vamos falar com o máximo de gentileza possível: ‘Cristina somos nós’ é puta que o pariu, Emir Sader. ” ADOREI !!! Parabéns Luciano. Faço minhas suas palavras que resumem o pensamento geral de quem abomina tais pessoas como a Cretina Kirchner.

  4. Ele não é cara de pau. É psicopata. Vocês precisam entender que esse tipo de pessoa (Emir Sader, Vladmir Safatle e etc) faz muito mal tal qual um ditador.

  5. E um canalha e um monstro moral desses, no Brasil, é formador de opinião e “intelequitual” nas universidades brasileiras. Gramsci at its finest.

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