Festa no além para Stalin e Hitler: extrema-esquerda e “extrema-direita” se juntam após vitória do Syriza na Grécia

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Já se foi o tempo em que a Grécia era respeitada por seu conhecimento. O tempo de Aristóteles e Sócrates já se foi há muito tempo. Nesta fim de semana, o partido Syriza, de extrema-esquerda venceu as eleições no país. E ganhou o apoio da “extrema-direita”, conforme vemos em notícia da Veja:

O líder da Coalizão de Esquerda Radical (Syriza), Alexis Tsipras, será o novo primeiro-ministro da Grécia graças a uma aliança selada na manhã desta segunda-feira com um partido nacionalista dissidente da direita. O acordo foi firmado durante reunião com Panos Kammenos, chefe dos Gregos Independentes. Juntos, os dois partidos terão no mínimo 162 deputados no Parlamento, mais do que a maioria necessária, de 151.

A aliança entre as duas forças já era esperada desde a semana passada, quando declarações nesse sentido haviam sido feitas por líderes dos dois partidos. O que surpreende é que os Gregos Independentes tenham sido os primeiros a serem escolhidos, já que são uma agremiação de deputados populistas egressos da Nova Democracia (ND), partido de Antonio Samaras, primeiro-ministro derrotado nas urnas.

Nas próximas horas a aliança pode crescer ainda mais. Tsipras deve receber na sede do Syriza outros dois dirigentes: Stavros Theodorakis, líder do partido de centro esquerda To Potami (“O Rio”), e Dmitris Koutsoubas, do Partido Comunista da Grécia (KKE). Com Potami as negociações já haviam sido iniciadas. Já o KKE demonstra mais resistência, por se considerar a verdadeira esquerda radical no país, classificando o Syriza como social-democrata. Na eventualidade de obter o apoio das duas agremiações, Tsipras governará com uma larga maioria de 194 deputados no Parlamento, de um total de 300.

Tsipras deve nomear para o cargo de vice-primeiro-ministro o deputado moderado Yannis Dragasakis, que terá como função supervisionar os ministérios de Finanças e de Economia e liderar as negociações para a renegociação com técnicos da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) em torno da dívida soberana grega de quase 700 bilhões de reais. A dívida da Grécia, que em 2008 era de 112,9% do PIB, fechou 2014 em 177% do PIB, segundo estimativas parciais. Para assumir o ministério das Finanças, o cogitado é Yanis Varoufakis, doutor em Teoria Econômica da Universidade de Atenas, um dos autores do programa de governo e deputado eleito pelo Syriza para uma vaga no Parlamento.

Falando ao Estado na noite de domingo, Varoufakis afirmou que o governo de Tsipras terá três prioridades imediatas: “enfrentar a crise humanitária” que causa grande precariedade a 300.000 pessoas no país, lançar um programa de reformas estruturais para impulsionar o crescimento e, “obviamente”, renegociar a dívida. “Há reformas essenciais a serem empreendidas com o objetivo de reconstituir a base produtiva e restaurar a Justiça e a eficiência do país”, argumentou.

Varoufakis não quis responder se o novo governo proporá aos credores um novo corte da dívida ou apenas o seu reescalonamento, com redução drástica dos juros. “Não farei nenhum pronunciamento neste momento”, disse, ressaltando porém que a negociação será profunda. “Temos de parar de afirmar que a Grécia tem um problema de liquidez, quando temos um problema de insolvência, uma das explicações para a deflação de preços e salários que impacta a Grécia”, sustentou.

Qual o sentido em se juntar extrema-esquerda e “extrema-direita”? Simples. Quase sempre que você ouvir alguém falando em “extrema-direita” e esta pessoa for esquerdista (ou ao menos baba-ovo deles) significa que estamos diante de uma esquerda não-marxista, muitas vezes apelando ao nacionalismo. Só isso. A junção de ambos só veio a comprovar o óbvio.

Aliás, a plataforma do Syriza chega a ser cômica: aumentar os gastos estatais, inchar mais o estado e… reduzir os impostos. Só faltou incluir uma lei para criar o milagre de revogar as leis da matemática.

Em essência, o Syriza vai dar o calote em seus credores, esperando com isso tomar um chute nos fundilhos para sair da União Européia. O problema é que calote não é algo que se faz impunemente.

De um país que praticamente deu o estopim para a nossa civilização, vemos hoje a luta pela volta às eras tribais. E eu não estou com dó.

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28 COMMENTS

  1. Hilário o que aconteceu na Grécia. Sabem aquela estratégia de ‘fabricar a doença para vender a vacina’? Pois parece que os gregos já caíram nessa pela segunda vez…

    Boba será a Alemanha de continuar nessa suruba do Euro, pois se a moda pegar, Itália e Espanha serão os próximos a dar calote.

    • Pra falar a verdade, nunca fez sentido a Alemanha ter entrado no Euro. O marco alemão era uma moeda fortíssima, até por causa da tradicional excelência na condução fiscal da política do Bundesbank.

      • A questão da Alemanha é muito mais profunda. Não se esqueça que a 2ª Guerra Mundial nunca teve armistício e, tecnicamente falando, a Alemanha não é uma nação soberana.

        As bases norte-americanas em território germânico tinham mais função de servir de ameaça ao povo alemão visando o pagamento de dívidas de guerra (que eles pagam até hoje!) do que prevenir um ataque soviético convencional por terra, algo obsoleto pós-Hiroshima.

  2. A Alemanha e a inglaterra tem que pular fora disso!! Pqp!!
    Finalmente têm maioria direitista no parlamente, que recolocou o pais no rumo do crescimento e prosperidade!! Não podem continuar sendo gato e sapato de retardado mental.

  3. Grécia antigamente : berço da democracia. Hoje: berço de um povo fracassado que ficou para trás perante seus irmãos europeus em todos aspectos possíveis.
    Triste, muito triste ver a decadência de uma país ex- exemplo para humanidade e que se tornou um indicador do que NÃO se deve fazer.

    • Uma democracia bastante capenga, diga-se. Mas foi também berço de Esparta e seu regime “ultra-esquerdista” à moda da época: beligerante, eugenista e sem o menor apreço pelo indivíduo.

  4. Um pequeno alerta ao autor: o nazismo nunca foi um movimento de direita, muito menos de extrema-direita. Antes, foi uma expressão do socialismo, ou seja, de esquerda. Não por menos, entre outras coisas, o nome do partido nazista era Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (em alemão: Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei). O termo ‘nazismo’, portanto, vem da junção de ‘nacional’ com ‘socialismo’.

    • Caro, o Luciano sabe disso: efetue uma consulta neste blog, com o termo “nazismo” e verá a quantidade de posts dissecando essa questão.

      Sugiro, aliás, que evite o (pseudo) argumento do nome do partido. O nazismo foi um regime de esquerda, sobretudo e fundamentalmente, pela sua agenda, seus princípios e seu modus operandi.

  5. “Quase sempre que você ouvir alguém falando em “extrema-direita” e esta pessoa for esquerdista (ou ao menos baba-ovo deles) significa que estamos diante de uma esquerda não-marxista, muitas vezes apelando ao nacionalismo.”

    Exatamente assim que é o pessoal que quer a volta da ditadura militar. Não por acaso, muitos falam que liberais também são esquerdistas. Affffff

  6. Muito boa descrição,
    assim os “leigos” entendem fácil… rsrsrsrs

    Uma curta e simples comparação de

    Capitalismo x Socialismo.

    Existe 2.000 pessoas que vão sair de Porto Alegre,
    para Fortaleza.
    Destas:

    No Capitalismo

    800 vão de avião, sendo:
    – 04 de primeira classe
    – 26 de classe executiva
    – 770 de classe econômica

    e o restante:

    – 300 vão de ônibus leito
    – 300 vão de ônibus convencional direto
    – 300 vão de ônibus pinga-pinga (faz várias paradas até
    chegar no destino final)
    – 300 vão a pé.

    No socialismo:

    04 vão de primeira classe no avião

    e o restante (1996 pessoas)
    Vão de ônibus pinga-pinga (faz várias paradas até
    chegar ao destino final).

    Simples … mas… objetivo!!!!

  7. Luciano, segue notícia bombástica sobre a Venezuela: Leamsy Salazar, chefe de segurança de Diosdado Cabello, exilou-se nos Estados Unidos e confirma a ligação direta entre os cabeças do bolivarianismo e as Farc e, subsequentemente, o tráfico de drogas, com direito ao uso de Cuba como rota de narcóticos. Logo, é mais um motivo para que quem seja contrário ao marxismo-humanismo-neoateísmo também seja contrário às drogas, pois seu uso significa financiar essa estrutura toda.
    E vamos para mais desinformação, desta vez vinda de Daniel Aarão Reis, que passa a chamar jihadistas de “direita islâmica”, bem como joga nesse rótulo, acredite, o governo de François Hollande por este simplesmente ter feito o que é normal e esperado após um atentado. Ele acerta ao dizer que Hollande não é representante da Cristandade, mas erra ao não dizer ao público que aquilo que ele representa nada mais é do que o marxismo-humanismo-neoateísmo, apenas em uma modalidade que toma bons vinhos e come bons queijos. Ele não nos fala que o MHN é uma cultura completa que quer regular todos os aspectos da vida humana, inclusive daqueles que nele não acreditam. Como não poderia deixar de ser, o termo “fascista” surge no texto e é atribuído à tal “direita” que na realidade é apenas e tão somente a esquerda que sai do espectro marxista-humanista-neoateísta. Parte do absurdo foi desmontado pelo Rodrigo Constantino, mas creio que alguma outra coisa possa ter ficado de fora.

  8. A “plataforma” de Syriza lembra o que dizia um colega meu, chegado numa birita: “a melhor maneira de evitar a ressaca é continuar a beber”.

    Foi o que os gregos decidiram nas urnas. Para eles, a Comunidade Europeia era um pub boca-livre full-time. Vão morrer de cirrose na sarjeta.

  9. Gostaria de saber quais seriam os elementos a qualificar o Nazismo de “Direita”. Por acaso os nazistas praticavam o “Estado mínimo”?, o não-intervencionismo?, defendiam os valores tradicionais Cristãos? A resposta a todas essas perguntas é obviamente “NÃO”. Engraçado, os regimes de Hitler e Stalin eram parecidíssimos, mas recebem qualificações opostas.Quem pode explicar-me esse fenômeno?

  10. Ou pode ser um esquerdista que ”distorceu” ( e não deturpar) o marxismo como no nazismo. Comunismo e nazismo são ambos ideologias revolucionárias que tinhão a ambição final de cria um ” novo homem”, que pensasse, agisse diferente. Ambos não aceitavam a natureza humana como ele era , e lutaram contra ela para muda-la. Comunismo é baseado ideologicamente numa falsa sociologia, o nazismo é baseado ideologicamente numa falsa biologia. Ambos tinham a sua ideologia baseado um alicerce em sua base científica. A diferença é que no marxismo os a ” guerra de classes” são contra burguesia, e trocou a classe pela nacionalidade e raça. Essa é a diferença entre Nacional Socialismo e Internacional Socialismo.

  11. Se o Stalin era de esquerda, então ele praticava uma forma de esquerdismo. Ora. o esquerdismo nós sabemos muito bem o quê é: uma ideologia baseada em obras de Marx, Engels e outros teóricos revolucionários. O.K. Mas se o Hitler era de direita, então significa que ele praticava um forma de direitismo, só que o direitismo ninguém sabe explicar, ou não existe. Alguém quer tentar? Direitismo é…..

  12. Eu vejo o lado bom da coisa. O calote vai deixar o estado grego tão desmoralizado que no mínimo vai demorar uns bons anos para alguém se arriscar a fazer um empréstimo para ele. Vai ser mais difícil para o estado se endividar.

    Claro que o governo sempre pode recorrer a expropriação dos cidadãos, o que na verdade é até provável, sendo um governo esquerdista. Acreditar que um esquerdista vai resolver o problema de aumento de impostos equivale a contratar um alcoólatra para vigiar uma adega.

    Só lamento que os gregos de bom senso tenham que pagar por uma maioria de idiotas que acham que dinheiro cai do céu. Tal qual no Brasil

  13. Vejam esta tirinha duma página chamada CommunistGreeceball. Nela vemos nada mais do que o modo como funciona a moral psicopata desses caras: está tudo bem que milhões de pessoas sejam massacradas, desde que isso beneficie a revolução e a violência seja direcionada aos opositores, e por ser algo natural desta.

    Pior ainda a frase do segundo quadrinho que joga a culpa sobre o Kuomitang, na época o principal opositor dos comunistas chineses. E está aí a única vantagem de ser socialista: você pode massacrar o seu próprio povo das mais variadas formas possíveis, sugá-lo até a exaustão, oprimi-lo com um Estado onipresente em todos os aspectos da sua vida, cometer todo o tipo de atrocidades, que no final a culpa nunca. A responsabilidade será da oposição, dos EUA, do imperialismo, blablablabla…

    https://www.facebook.com/1429873010594431/photos/pb.1429873010594431.-2207520000.1423266107./1522458081335923/?type=1&permPage=1

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