O patético papel do PSDB na questão Chinaglia X Cunha

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psdb

Eu nunca caí na conversa dizendo “olha, desista do PSDB, ele está sempre mancomunado com o PT”. Até por que não é verdade. E esse discurso geralmente embute algumas armadilhas, pelas quais alguém menos disposto a pressionar os políticos do PSDB e do DEM tenta nos dizer para abandonarmos todas as opções. Implicitamente, muitos deles parecem nos pedir: “agora vamos juntos pedir intervenção militar?”. Não, nunca.

Portanto, assim como ultra-esquerdistas pressionam o PT, devemos pressionar o PSDB. Decerto reconheço que as vezes a tarefa não é fácil.

Antes, vejamos a notícia PSB pressiona Aécio contra apoio tucano a Cunha, do Brasil247:

Em reunião em Brasília, o PSB pressionou o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), a manter o acordo pelo seu candidato na disputa pela Presidência da Câmara. “É bom a gente confiar nas lideranças do PSDB”, disse o ex-governador do Espírito Santo e presidente da Fundação João Mangabeira, Renato Casagrande.

Depois de selar em dezembro o apoio formal à candidatura de Júlio Delgado (PSB), deputados do PSDB já admitem que podem embarcar no projeto de Eduardo Cunha (PMDB) no primeiro turno da disputa, contra o PT.

Depois de participar de evento na Força Sindical, o peemedebista se reuniu com o PSDB paulista na tarde desta segunda-feira. “Daqui até domingo será muita conversa, muita tentativa de convencimento. Já fui na sede e conversei com a bancada do PSDB aqui em São Paulo. Estou disposto a conversar com quem quer que seja”, disse Cunha.

Esta seria muito fácil de resolver. Bastaria que o PSB formalizasse um apoio total a Eduardo Cunha em um possível segundo turno. Agora, se o Sr. Delgado estiver interessado em “pensar em quem vai apoiar no segundo”, então o melhor é já de imediato retirar qualquer apoio a ele.

Isto é nada mais que o óbvio.

Mas agora veja a notícia Aécio, FHC e Alckmin tentam evitar adesão do PSDB a Cunha, do Brasil247:

Os principais nomes do PSDB nacional reagiram à articulação de deputados do partido para implodir a candidatura de Júlio Delgado (PSB-MG) à presidência da Câmara, em favor de Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o senador José Serra (PSDB-SP) deflagraram uma operação para conter os dissidentes e assegurar a manutenção da candidatura do pessebista e o bloco que hoje o sustenta.

“Nós acertamos em dezembro o apoio ao Júlio por entender que era o melhor para a Câmara e para o país. E é isso o que está valendo até aqui”, disse Aécio à Folha. “Faremos uma reunião na sexta-feira (30) para definir o assunto e a decisão que prevalecer será a do partido. Eu reafirmo o compromisso que temos com Júlio e vou defender essa posição internamente”, finalizou.

Já FHC entrou em contato com aliados ainda na noite desta segunda-feira (26) manifestando sua “inquietação” com o movimento pró-Cunha. Nesta terça (27), ele falou com Aécio e defendeu um engajamento forte das lideranças do partido contra a articulação que visa dar ao peemedebista vitória já no primeiro turno da disputa na Casa.

FHC também conversou sobre o assunto com José Serra. O senador paulista teria dito que é um “absurdo o partido priorizar a derrota do PT ao que é melhor para o país”.

Alckmin foi acionado por Aécio no início da tarde desta terça e disse ao mineiro que ligará pessoalmente aos 14 deputados da bancada paulista para demovê-los da operação desembarque e lembrá-los de que ele próprio deu apoio à candidatura de Júlio.

Alguns podem até pensar em protestar, dizendo: “Luciano, não acredite no Brasil247”. Mas temos ali declarações. E essas declarações são mais claras que a neve: o PSDB está apoiando Julio Delgado, o qual estaria fechado com o PT no segundo turno. Ou seja, o PSDB entraria para ajudar o PT.

Qualquer ostra sabe que quanto mais tempo o PT tiver, mais espaço ele conquista, até por ser dono do estado e poder lotear o que quiser. Atrapalhar a eleição de Cunha é precisamente uma ajuda ao PT, especialmente por que Julio Delgado já estaria pronto para apoiar Chinaglia no segundo turno.

O que está acontecendo com o PSDB? Enlouqueceram de vez? Ou realmente querem agir como traidores?

Continuo apostando na hipótese de que o que está faltando é pressão em cima dos deputados e senadores do PSDB para que eles tomem alguma providência em relação às conversinhas de Delgado com Chinaglia.

Eu acharia plenamente justo que o PSDB apoiasse o PSB desde que Delgado assinasse um compromisso (por escrito) de apoiar Cunha em um eventual segundo turno. A indecência não está no apoio a Delgado, mas no apoio a uma candidatura que estaria fechada com Chinaglia.

Ou seja, se o PSDB continuar por esse caminho, e, no final, conseguir ajudar Chinaglia a se eleger (mesmo que vários tucanos votem em Cunha no segundo turno), o partido terá chegado ao ponto mais baixo em sua história.

O que o PSDB está fazendo deixa Neville Chamberlain parecer um dos homens mais honrados da história.

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37 COMMENTS

  1. FHC também conversou sobre o assunto com José Serra. O senador paulista teria dito que é um “absurdo o partido priorizar a derrota do PT ao que é melhor para o país”.

    A resposta óbvia: a derrota do PT é o melhor para o país!

    • psdb x pt, chover no molhado, mais de 20 anos de bandalheira, na época fhc Brasil era uma miseria, o trabalhador mendigava emprego, hj tem emprego, mas nao tem seguranca, nao tem saude, impostos absurdos, liberdade tolhida, roubo de dinheiro publico generalizado… projeto totalitario dos esquerdistas. Alguem já viu politico perder privlegio?? nao ne?? pois é o projeto comunista o pt levará todos esses politicos carreiristas junto, nenhum perderá as mordomias, mas td bem..o luciano ayan vai continuar aqui com os planos mirabolantes dele…mil e uma estrategias que nao levam a lugar nenhum… afsss já deu. Quem nao apoia intervencao é bobo ou mal intencionado. SIM; ERROS DE PORTUGUES; MUITOS; MAS TEORIA CORRETA: obrigada auf wieder sehen!!

      • Onde você estava o tempo todo?

        Há pessoas que dizem que a democracia tende naturalmente para o socialismo.
        Com o efeito eu concordo (é um fenômeno global), mas a premissa na minha opinião está ERRADA.

        A questão é outra: a democracia tende para o lado de quem está ganhando a guerra cultural. E a esquerda a está praticando sozinha des da década de 60, enquanto a direita toma bofetada e não entende da onde está vindo.Patético.

    • Exatamente. O PSDB teve esse mesmo papo na época da deflagração do Mensalão, e todos vimos no que deu. Eles não sabe guerrear e parecem não ter interesse em aprender.

    • A questão não é de acreditar ou não. É de optar por A ou B, sendo que A é o PT. O que resta é pressionar o PSDB, o que nós fazemos, exatamente para dizer que A=B, e, então, deveríamos apoiar intervenção. Este é o “gatilho” mental que temos que estudar.

      Enquanto isso, os petistas protestam contra o PT. Por que? Por que eles exigem coisas…

      O problema do PSDB é acomodação. Por falta de pressão nossa.

      • Aliás, o cheiro de carne queimada deve estar bem forte no Palácio do Planalto. As centrais sindicais estão querendo protestar amanhã. Ai, que preguiça…

      • Luciano, você merece um prêmio pela paciência ao lidar com certas pessoas que aparecem. Como confundem pragmatismo (pressionar o PSDB, tradicional concorrente do PT) com clubismo (ser tucano). O pior são os xingamentos pelo endosso ao Eduardo Cunha (como se o Arlindo Chinaglia fosse melhor e caindo no ardil dos MAV)

  2. Acho que o PSDB é um pouco como os tais direitistas brasileiros (incluindo muitos leitores deste blog) que se dizem a favor da democracia mas não reclamariam se houvesse uma intervenção militar.

    • E olha que o PSDB já fechou com um peemedebista para a presidência do Senado, segundo a Veja. Incoerência? Tô começando a achar que há algum acordo por baixo dos panos entre as lideranças do PSDB e Júlio Delgado…

      • Quem fica com em cima do muro pra falar que psdb nao é oposicao é esquerdista iguala o psdb, está mais que obvio que só aintervencao miitar é a solucao para o Brasil, o restante é embuste. Nao ha mais o que falar…

      • Erika, eu já penso o seguinte: sou contra qualquer espécie de crime e agressão, não importa quem seja o agressor.
        Não é porque o PT quer dar um golpe autoritário, que eu vou defender OUTRO golpe autoritário. Sou contra qualquer tipo de autoritarismo. Autoritarismo só pode ser justificado por meio de uma lógica coletivista, ou seja ESQUERDISTA.
        Eu por outro lado sou defensor do indivíduo e de seus direitos naturais.

        Seu comentário só está me parecendo mais um daqueles esquerdistas não marxistas … ou seja fascistas.Desculpa, falo mesmo.

      • Luciano, você conhece algum intelectual ou coisa do tipo que defende um golpe de estado militar no Brasil?

        Até o Olavo é contra… gostaria de saber qual é a fonte dessas pessoas.

      • Em primeiro lugar o que você entende como golpe?
        E de onde você tirou que o Olavo é contra? Eu é que gostaria de saber a sua fonte.
        Não sou aluno do Olavo mas acompanho tudo que ele escreve faz uns 10 anos e assisti todos os trueoutspeaks e quase sempre ele falava que já era para os militares assumirem o poder. Do ano passado para cá que ele começou a falar que deveríamos esgotar todos os recursos antes de uma intervenção militar.

      • Erandur escreveu: “Não é porque o PT quer dar um golpe autoritário, que eu vou defender OUTRO golpe autoritário. ”

        Só discordo numa ponto. Não é que o PT quer dar um golpe autoritário. O PT e sua linha auxiliar já estão dando o golpe.

  3. Para quem quiser pressionar, segue uma listinha de emails, facebook e twitter de alguns parlamentares do PSDB e do DEM. Não são todos, pois só consegui os emails dos que já ocupavam os cargos na legislação anterior:

    E-mail Senadores
    aecio.neves@senador.leg.br, aloysionunes.ferreira@senador.gov.br, aloysionunes@aloysionunes.com, ataides.oliveira@senador.leg.br; cassio@senador.leg.br, dep.mendoncafilho@camara.leg.br, escritoriocaiado@gmail.com, flexaribeiro@senador.leg.br, jose.agripino@senador.leg.br, lucia.vania@senadora.leg.br, maria.carmo@senadora.leg.br; paulobauer@senador.leg.br; wilder.morais@senador.leg.br;

    E-mail Deputados:
    dep.alexandreleite@camara.leg.br; dep.alfredokaefer@camara.leg.br; dep.bonifaciodeandrada@camara.leg.br; dep.brunafurlan@camara.leg.br, dep.brunoaraujo@camara.leg.br; dep.carlosmelles@camara.leg.br; dep.carlossampaio@camara.leg.br; dep.domingossavio@camara.leg.br;
    dep.duartenogueira@camara.leg.br, dep.eduardobarbosa@camara.leg.br; dep.efraimfilho@camara.leg.br; dep.elicorreafilho@camara.leg.br; dep.felipemaia@camara.leg.br, dep.izalci@camara.leg.br; dep.joaocampos@camara.leg.br; dep.jutahyjunior@camara.leg.br;
    dep.luizcarloshauly@camara.leg.br; dep.mandetta@camara.leg.br; dep.maragabrilli@camara.leg.br; dep.marcuspestana@camara.leg.br dep.mendoncafilho@camara.leg.br; dep.mendoncaprado@camara.leg.br; dep.nelsonmarchezanjunior@camara.leg.br; dep.nilsonleitao@camara.leg.br; dep.nilsonpinto@camara.leg.br; dep.onyxlorenzoni@camara.leg.br; dep.otavioleite@camara.leg.br; dep.pauderneyavelino@camara.leg.br, dep.pauloabiackel@camara.leg.br; dep.professoradorinhaseabrarezende@camara.leg.br
    dep.raimundogomesdematos@camara.leg.br, dep.ricardotripoli@camara.leg.br; dep.rodrigodecastro@camara.leg.br; dep.rodrigogarcia@camara.leg.br; dep.rodrigomaia@camara.leg.br; dep.vanderleimacris@camara.leg.br;

    Perfis no Facebook:
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  4. Desculpe a maneira direta de falar, mas nao gosto dessa sua maneira de ensinar como devemos pensar, parece que vc se acha cheio da razao, e quer ditar o que é certo ou errado. Um jeito de dono da verdade, quando na verdade eu ja vi várias contradicoes suas, erros de analise… houve acertos tambem, mas no geral acho que o blog está num caminho meio cansativo. Vc cismou que é estrategista, mas vc parece mais um daqueles esquerdistas com breves relampejos de direita, gosta bem da zorra que o pt ta fazendo. Ahh falo mesmo, seu blog ta bem ruim…

    • Olha… eu até acho interessante feedbacks. Ajudam a melhorar.

      Mas vc quer comentar a estratégia alheia aparecendo em público e dizendo ‘quero intervenção militar’, o que só permite que os petistas te rotulem e te EXCLUAM do jogo?

      Alias, agora vc critica a estratégia alheia, e antes diz… “esse negócio de estratégia não tá com nada”.

      Sua crítica, infelizmente, é mto vaga e ressentida.

      Abs,

      LH

  5. Para mim o PSDB não é a linha auxiliar do PT de forma direta e sim indireta até porque muito do que o PT defende também é apoiado por muitos dentro do PSDB.

    Assim, para aqueles como eu não que não se alinha a nenhum dos dois partidos deve ver a questão de uma forma pragmática: o PT é o inimigo por motivos óbvios e o PSDB o aliado de ocasião, simples.

    Se todos pensassem com três premissas não haveriam problemas:
    1- se é bom para o PT sou contra
    2- todos que agirem contra o PT irei apoiar desde que não sejam as linhas auxiliares (psol e PCB)
    3- tudo que falarem de ruim do PT irei acreditar independente da fonte e utilizarei como no mínimo uma ressalva para qualquer atuação

  6. Olha, pra falar isso não me praocupa. Ou melhor, não me surpreende.

    Me parece nada mais que uma troca de favores entre o PSDB e o PSB, sendo ambos a terçeira via da câmara (1a = PT, 2a = PMDB).

    Por mais que o discurso do Cunha seja o que mais se alinha com o da direita hoje, o PSDB não responde a direita, mas sim ao próprio PSDB. E o PSDB não deve nada ao PMDB.

    É claro que seria uma coisa horrível se o PT ganhasse no final das contas. Mas acho difícil, nesse caso.

  7. Só vou me manifestar porque não vi ainda uma declaração do PSB considerando o apoio ao PT sobre a candidatura PMDBista. O fato é que isso foi promessa do ano passado e romper acordos faz parte da estratégia de quem não valoriza muito a sua palavra. Sei que isso soa velho mas sempre é uma crise e atrapalha bastante quando se rompem acordos tão claros. No momento eu exigiria um apoio ao PMDB pelo PSB, coisa que aliás os 54 deputados do PSDB vão fazer se o julio delgado nao for para o 2o turno. Porém se o PSDB rompe o tratado, abre um rombo no PSB, partido atualmente na OPOSIÇÃO ao governo e que sofre intensa pressão, principalmente do grupo do Lula, para retornar à base aliada. Aécio teve 51 milhões de votos e não pode jogar esse capital no lixo antes mesmo do início dos trabalhos do Legislativo. É por isso que ouso discordar do blogueiro nesse instante.

  8. Eleições na Câmara: um jogo de traições
    Com quatro candidatos e tensão nos bastidores, a dificuldade dos postulantes ao comando da Câmara é garantir o cumprimento dos votos prometidos
    Marcela Mattos, de Brasília
    Os deputados Eduardo Cunha, Arlindo Chinaglia e Julio Delgado

    Os deputados Eduardo Cunha, Arlindo Chinaglia e Julio Delgado (VEJA)

    Nos corredores da Câmara dos Deputados, uma máxima circula entre os congressistas: vence a eleição para o comando da Casa quem conseguir evitar as traições no voto secreto. Na reta final da disputa que definirá o presidente para os próximos dois anos, tal conceito nunca fez tanto sentido. Com três candidatos competitivos – o quatro é Chico Alencar, do nanico Psol – e uma negociação nos bastidores como há anos não se via, o grande desafio dos postulantes na reta final é assegurar que os seus apoiadores de fato cumprirão o acordo prometido dentro das cabines de votação.

    Leia também:
    Deputados já disputam apartamentos funcionais
    Ministro nega ‘toma lá da cá’ em eleição na Câmara

    A eleição deste ano, marcada para o próximo domingo, acontece no momento em que o Congresso se prepara para passar por um período de turbulências, com a votação dos ajustes fiscais impopulares anunciados pelo governo e a apresentação das denúncias contra os parlamentares envolvidos no escândalo do petrolão.

    Nos últimos dias, ministros petistas e de partidos aliados iniciaram uma ofensiva em busca de votos para Arlindo Chinaglia (PT-SP), ex-presidente da Câmara e atual líder do governo. Na mesa, há a oferta de cargos no segundo escalão da máquina, cadeiras privilegiadas em comissões e na cúpula da Casa e ainda a promessa da liberação das emendas parlamentares.

    A estratégia fez efeito e levou o PRB, por exemplo, a repensar o apoio anunciado no líder do PMDB, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o nome mais temido pelo Palácio do Planalto para vencer a corrida. “A gente quer um poder mais independente e harmônico com o governo, e o perfil do Eduardo nos pareceu que vai empreender um ritmo de valorização da atividade parlamentar”, declarou, em 17 de dezembro do ano passado, o deputado eleito George Hilton (PRB-MG). Agora ministro do Esporte, o PRB mudou o discurso e estuda trocar o voto a favor do petista.

    Dos quatro partidos que oficialmente apoiam Chinaglia, todos ganharam boas cadeiras na reforma ministerial da presidente Dilma Rousseff: PT, PSD, Pros e PCdoB. Ainda indefinidos, PDT e PR também devem confirmar o apoio ao petista – o que não significa, necessariamente, a transferência automática de voto no domingo. No caso do PR, por exemplo, um dos principais articuladores da campanha de Cunha, o deputado Sandro Mabel (GO), tem mantido conversas com o mensaleiro Valdemar Costa Neto para garantir votos ao peemedebista. Da mesma forma, são esperadas dissidências dentro no PDT.

    O dilema da oposição – Uma das mudanças de ventos mais evidente – e que pode ditar o resultado da eleição – está no PSDB. De olho no fortalecimento da oposição no Congresso Nacional, a bancada formalizou, em dezembro, o apoio ao deputado Júlio Delgado, do PSB de Minas Gerais, apontado como o único que teria reais condições de ser independente – já que os outros dois nomes são filiados a siglas declaradamente governistas.

    No entanto, ao avaliar que Delgado corre o risco de ser derrotado ainda no primeiro turno, o partido admite uma debandada em direção a Cunha – a bancada é formada por 54 deputados. “O grande projeto do PSB é derrotar o PT. O problema é que a situação do Júlio está difícil e as contas não batem. Não podemos esperar o PT ganhar essa eleição”, diz um deputado do PSDB paulista.

    Cunha reuniu-se em São Paulo com deputados tucanos na tarde de segunda-feira. No encontro, foi direto ao ponto: tentou convencê-los de que a melhor saída é que Delgado renuncie à candidatura e que o PSDB migre para bloco dele, o que garantiria a tão sonhada vice-presidência da Câmara, hoje nas mãos do PT. Ainda com a possibilidade de, pelo tamanho da bancada, ficar com três comissões e a liderança da minoria, o partido teria a chance de conquistar a projeção desejada nas eleições.

    Para convencer seus aliados, o PMDB abriu mão dos demais cargos na Mesa Diretora para ceder espaços. Também foi oferecida uma comissão para o PPS e outra para o PV – demais partidos que apoiam Delgado. “O Cunha não está atropelando ninguém. Os deputados do PSDB abriram espaço para as negociações. O nome disso não é debandada, é convencimento”, diz um peemedebista.

    Internamente, o PSDB reconhece que ter na presidência da Câmara o PMDB, hoje com seis ministérios no governo e a vice-presidência da República, não é garantia de uma oposição dura ao Planalto. Para selar um acordo, o partido pretende apresentar uma lista de propostas para Cunha, entre elas a criação de um sistema de distribuição igualitária das relatorias e critérios para a Casa aceitar as medidas provisórias enviadas pelo governo. “É óbvio que não dá para confiar no Eduardo Cunha no dia seguinte. Já está claro que ele fará o jogo do PMDB. Mas a verdade é que o PMDB já pensa em lançar candidatura própria em 2018 e está em busca de independência”, ponderou um tucano reeleito para a Câmara.

    Também pesa na decisão dos tucanos a insegurança de um eventual apoio de Delgado em Chinaglia em um segundo turno contra Cunha. Delgado foi quarto-secretário da Mesa durante a gestão do petista e, a despeito da troca de farpas protagonizadas na corrida pela presidência da Câmara, não bateu de frente com o candidato oficial do governo. O PSDB cobra sinais do socialista de que não há um acordo com Chinaglia – e ainda não recebeu qualquer resposta contundente. Nos bastidores, a avaliação é que o silêncio de Delgado tem o objetivo de não quebrar as pontes com petista caso avance para o segundo turno dele contra Cunha. Mas também há risco de, com cada pé em uma canoa, o socialista acabar naufragando sozinho

  9. Não acho que seja necessariamente um erro. Os parlamentares tem mais informações sobre nós. Podem estar agindo assim por algum motivo. Pode ser para manutenção de uma aliança estratégica com o PSB ou porque acreditam que podem influenciar o partido a apoiar Cunha no segundo turno. Prefiro esperar para ver no que vai dar.

  10. O Brasil não irá pra frente enquanto não estiver livre dessas duas tralhas chamadas PT e PSDB. Duas merdas. Duas máfias que há anos se revezam no poder. Um é um partido de corruptos assumidos e o outro é um partido de mariquinhas.

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