Comediante, digo, cientista social Michael Lowy diz: ‘Agora é que a história do socialismo está começando’

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michel

No blog global Conte algo que não sei (ótimo nome, diga-se) há uma entrevista com um tal Michael Lowy, cientista social brasileiro que vive há 40 anos na França fazendo “teses sobre Marx”.

Alguns momentos são risíveis de tão patéticos:

Nasci no Brasil, fui para a Europa fazer tese sobre Marx e vivo na França há 40 anos. Tenho estudado o judaísmo libertário e o grupo de pensadores que articulou a tradição messiânica com a utopia revolucionária. Sou um ateu religioso. Acredito no marxismo e no homem, mas essa já é uma fé profana.

Aqui ele não contou nada que nós já não soubéssemos.

Desde Eric Voegelin, já sabíamos que marxismo não passa de uma religião política. Em Political Religions, escrito pelo autor em 1938, e The Pursuit of the Millenium, de Norman Cohn (escrito em 1957), a charada já tinha sido desvendada.

A maioria dos marxistas funcionais (como parece ser o caso de Lowy, mas sempre há o risco de estarmos errado com essa gente) caiu em um discurso de fé, no qual apenas os beneficiários não acreditam, mesmo que sejam os que mais se aproveitam dele. Senão os únicos.

Ele está certo em falar que é um ateu religioso. Mas a religião no caso é a religião política.

Walter Benjamim denuncia o capitalismo como religião mas diz que o materialismo precisa da ajuda da teologia para ser redentor. Há na tradição judaica o messianismo, promessa de um mundo do qual a opressão, a fome, a miséria, a guerra desaparecerão. Isso tem potencial subversivo, mas não é monopólio dos judeus. O pessoal teologia da libertação, leitor atento do antigo testamento, se apropriou. Há uma relação forte desse elemento profético com o cristianismo da libertação na América Latina.

Na doutrinação de um marxista beneficiário, basta fazê-lo acreditar que o homem resolverá suas contingências (territorialismo, gregarismo, seus instintos, a auto-preservação, e até mesmo a existência de 2% de psicopatas no mundo) para que, ao receber o poder totalitário (na ditadura do proletariado), realmente crie o paraíso em terra – óbvio que esse poder fica nas mãos de poucos. É uma doutrina de salvação, que basicamente transmuta as religiões messiânicas para ações em terra.

Há uma boa confissão quando ele diz que o pessoal da teologia da libertação “se apropriou” de escrituras. Na verdade, fizeram desconstrução. Apenas para poderem continuar usando mais símbolos marxistas fingindo praticar religião tradicional.

O que fracassou nos países do leste foi uma caricatura burocrática do socialismo: o marxismo foi usado só para legitimar um estado que não tinha muito a ver com a essência socialista, em que a sociedade controla democraticamente os meios de produção e consumo. Talvez no começo, havia uma tentativa, mas virou uma ditadura totalitária. Só que não acabou. Na verdade, é agora que a história do socialismo está começando.

Ou temos aqui auto-engano ao nível da loucura. Ou cinismo recorde.

O detalhe é que para as religiões messiânicas, há um demônio no inferno. Para as religiões políticas, o demônio está nos inimigos políticos. Como John Gray dizia, a religião política não acreditava no céu e no inferno, mas não dispensava uma demonologia.

Ao copiar o messianismo religioso para usá-lo em benefício político, as religiões políticas não podiam deixar de se tornar a maior usina de produção de ódio da história da humanidade.

Todo o discurso de Lowy é a negação do que o socialismo de fato é, na eterna treta de dizer que “existe uma versão ideal melhor do que a versão real”. Mas isso pode ser dito de tudo no mundo. Se alguém lançar uma marca de automóvel que fracassar no mercado, por questões de desempenho, bastaria a empresa dizer: “mas na versão ideal o desempenho dos carros era o melhor de todos”.

Eu já perco respeito imediato por qualquer um fazendo uso de truques deste tipo.

O pior é que até na idealização ele mente, pois diz que “o socialismo controla democraticamente os meios de produção e consumo”, mas o próprio Marx falava em ditadura do proletariado. O que não era bem uma democracia. Outro problema lógico, mesmo se aceitássemos sua distinção, é que a questão não é se “socialismo contra democraticamente ou não”, mas se é possível que um sistema com concentração máxima de poder (acima do poder econômico privado) possa ser contido em sua sanha totalitária. Tendo o empirismo negado esta possibilidade, de nada adianta o Sr. Lowy falar em “socialismo promete (x)”. Mas eis os fatos: o empirismo demonstrou que qualquer sistema com concentração máxima de poder não pode ser contido em sua sanha totalitária. Se o socialismo só faz prover concentração máxima de poder, não pode jamais ser acusado de “distorcido”.

Ele diz que “talvez no começo, havia uma tentativa, mas virou uma ditadura totalitária”. Mas o que fez a “tentativa” virar uma “ditadura totalitária”? Sim, fui apenas retórico. Todos nos já sabemos que não havia nenhuma tentativa democrática. Ao contrário do que o Sr. Lowy afirma, tentando enganar seus leitores pascácios.

A parte mais engraçada está no final: “Só que não acabou. Na verdade, é agora que a história do socialismo está começando.”

Não, Sr. Lowy, o que está começando é o despertar de pessoas descobrindo o quanto o marxismo é desonesto, cínico e sanguinário. Esta é a história que está começando. A história na qual começa a ser criada uma verdadeira conscientização do que é realmente o socialismo. Ele não é uma história de “coitadinhos enganados”. É uma história de bestas psicopáticas em torno do poder e da destruição, cujo veículo perfeito é o socialismo.

Talvez Lowy não esteja entre estes marxistas mais espertos (e mais perigosos). Ele pode muito bem ser um iludido merecedor de pena. Mas ele é perigoso enquanto propaga sua fé cega.

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13 COMMENTS

  1. Tinha que ser brasileiro, fazendo declarações típicas de brasileiro, dizendo-se ateu religioso, algo do tipo: sou um macho a moda antiga mas de vem em qdo dou a bunda. Esse truque de dizer que o marxismo foi deturpado é tão bobo, tão puerial que basta entrar em qualquer site de partidos de esquerda e ver qual a bibliografia da formação política, que engloba além de Marx é claro, Stalin, Lênin, Trotsky, Mao, Pol Pot, Guevara, etc, ou seja todos os ícones dos países que deturparam Marx. E tem idiota que vive repetindo isso.

  2. Caramba nenhum cara da Carta Capital tem músculos. Não tem negros, é, e ninguém que tenha trabalhado braçalmente, ou que pelo menos procure exercitar o corpo. Mas o que se esperaria dessa paralisia cerebral esquerdista… “ah uma enxada”.

    • O físico deles tem relação com a capacidade, ou não, de trabalho numa redação?
      A crítica das cotas pode ser válida, mas não creio que a crítica do físico seja.

  3. Se a ideologia foi “deturpada”, o que é na prática senão matar? A demência esquerdista é algo muito sério. É a mentalidade revolucionária, psicopática. Quem continua socialista depois dos 20 anos não tem cérebro. É por causa de sentimentalóides como esse que jovens incautos são cooptados e iludidos. Eu costumo dizer que um biólogo conhece mais dos hábitos dos animais do que o cientista social ou sociólogo conhece ou se recusa a enxergar da sociedade. São os tolos que crêem numa “utopia concreta”. Esse aí deve amar o amanhã como se não houvessem pessoas.

  4. Já tinha lido sobre esse cara. Um sujeito que passa a vida estudando uma farsa só pode ser… uma farsa! Provavelmente seu belo salário sai do meu bolso. Ando cansado de sustentar vagabundo e “intelectual” anencéfalo.

  5. Esqueceu dessa piada também:

    “Estima-se que o derretimento das calotas polares elevará o nível do mar em 70 metros mas basta subir um metro para as principais cidades ficarem debaixo d’água. A sociedade industrial capitalista ocidental nos faz caminhar para o desastre mais rápido do que se esperava. Estamos sob ameaça do dilúvio, como na Bíblia. Precisamos pensar numa alternativa civilizatória radical, determinada pela decisão coletiva e democrática. Chamo isso de ecossocialismo.”

    Olha aí que maravilha que é o ecossocialismo (parte quatrio):

    http://spotniks.com/os-4-colapsos-que-destruiram-o-comunismo/

    Bom, não dá para levar a sério um senhor que mistura religião política com mitologia (lembrando que era Marx que dizia que a Religião é o ópio do povo).
    Sobre o futuro marxista, basta ir em qualquer reunião de sindicato para escutar a mesma ladainha de que o “futuro será socialista”.

    • Quanto ao ecossocialismo e ficar debaixo d’água, há um provérbio holandês que diz: “Deus fez o mundo e os holandeses, a Holanda”, i.e., a terra mesmo, referindo-se àqueles diques enormes que contém o avanço do mar, separando-o da terra. De resto, muito bem observado. Até Slavoj Žižek e congêneres dizem que o futuro pertence ao comunismo. Mas pertencendo ou não (o que é óbvio que não), eles têm de qualquer modo avacalhar o funcionamento do capitalismo.

  6. Luciano, como você refutaria o argumento abaixo:

    Há um racismo velado no Brasil, pois, de acordo com as estatísticas, o ganho salarial e a renda dos negros é menor do que dos brancos, o número de assassinatos cometidos por policiais militares entre a juventude negra é maior do que a da juventude branca, e o grau de escolaridade dos negros é muito menor do que a dos brancos.

    Se quiser ouvir a argumentação na íntegra (5 min), procure no Youtube por:
    “Racismo velado: o racismo no Brasil segundo Florestan Fernandes”

    • Renda de negros menor que de brancos não significa nenhum dado se não estiverem exercendo a mesma função, com a mesma qualificação.
      Número de assassinatos maior contra negros não está comparando se as pessoas cometeram crimes ou não. No máximo, um dado válido seria “número de crimes INJUSTIFICADOS contra (x) ou (y)”.
      Grau de escolaridade dos negros em comparação a brancos pode significar muitas coisas, incluindo maior número deles em classes mais baixas, ou mesmo estados mais pobres que tenham maior população negra.

      Note que o racismo não está sendo negado. Ele existe sim, de ambos os lados. Mas não é como os esquerdistas dizem que é.

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