Como melhorar o transporte sem demagogia: um pouco sobre a aula pública do MBL no dia 23/01

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kimkataguiri

No último dia 23/01, o Movimento Brasil Livre deu uma aula pública sobre como melhorar o transporte, e sem demagogia. Justamente em um período onde as bizarras manifestações do Movimento Passe Livre voltaram à tona. Enquanto estes últimos acreditam em almoço grátis, a turma do MBL aproveitou para usar a razão e a lógica e mostrar que as coisas não funcionam bem assim.

Eventos deste tipo tem seu principal valor na abertura de discussão, como afirma um dos organizadores, Kim Kataguiri: “Foi um evento muito bom, além das expectativas dos organizadores. O objetivo era entrarmos na discussão do transporte, quebrando a dicotomia entre a situação atual e as propostas do passe livre”. Como resultado, o evento foi coberto por órgãos como Folha, El Pais e The Economist.

Não poderiam deixar de aparecer esquerdistas (da turma pedindo “passe livre”). Questionado sobre se atingir também esse público era um dos objetivos, Kim responde: “Com certeza, atingimos um público fora da bolha liberal/libertária/conservadora porque atraímos as pessoas com o show de rock. Muitos indecisos e esquerdistas saíram de lá interessados no liberalismo.”

Uma das inovações do MBL tem sido o discurso mais simples, de forma compreensível para tantas pessoas quanto possível, especialmente aquelas que pertençam às classes mais baixas – pois, como Friedman já ensinou há várias décadas, ali estão os maiores beneficiados de um país com mercado mais livre e menor opressão governamental. Veja mais, nas palavras de Kim: “Acho que a maior parte dessa mudança de aproximação se deve ao nosso trabalho, do Movimento Brasil Livre, largamos o excesso de teoria de radicais libertários e a histeria dos radicais conservadores e buscamos nos aproximar da população da forma mais leve possível, de forma com que ela mal perceba que está aprendendo política.”

O vídeo abaixo dá uma palhinha de como foi o evento, que contou com, além de Kim, a presença de Fabio Ostermann e outros convidados.

Na semana que vem, a aula inteira será colocada no ar. Fiquem de olho na página de Facebook do Movimento Brasil Livre.

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34 COMMENTS

    • blacK BOSTAS!!! Somente no Brasil socialista do NAZIpetismo que criminosos terroristas cometem seus crimes e dão a desculpa de serem ativistas políticos “DE ESQUERDA” para terem seus crimes anistiados.

    • HAHAHAHAHAHAHAHA GENIAL!

      Quisera eu ter o mesmo tempo livre que esse pessoal esquerda-caviar que cola em peso nas manifestações, que marca ela pra dia de semana de tarde. Com certeza eu não ia ocupar o tempo indo em manifestação.

  1. Legal! Pena que não soube dessa… vou ficar de olho nas próximas e participar.

    Legal que tenha gente jovem fazendo isso, porque eu, com 23, escuto muito “ah, você é muito jovem pra já estar com essas ideias reaça”. WTF

      • Fica bem claro que tem gente humilde sendo conduzida e arregimentada por gente com instrução. E a “adevogada” ficou sem resposta quando o cara perguntou, isso é com o estado ou é comigo?
        E esse cara é bem calmo. Eu ali já tinha feito merda. E, sim, não sei se está escrito que pode invadir, mas basta a asquerosa expressão politicamente correta “função social” para abrir a porteira para todo tipo de espertalhão usando os pobres como massa de manobra. Os cgavões marxistas estão todos aí. Eu sou pobre porque você é rico. Vamos tomar na marra!

      • Ele tinha que ser calmo. As alternativas eram ele ter chamado a polícia (provavelmente infrutífera), perder a propriedade dele, ser espancado pela multidão… não tinha muito o que ter sido feito. Num país civilizado essa galera teria sido expulsa a bala, e não seria de “38tinho” nem de uma pessoa só.

      • O argumento da lei, o único que o dono do terreno tinha, não adianta muito quando nos defrontamos com ideologias que põem a justiça social acima das instituições legais. Perceba que o dono até tenta tecer loas ao movimento –– não por puxa-saquismo, creio eu, mas por mero automatismo, já que a ideologia dos sem-terra é muito difundida no Brasil ––, e ainda assim o líder proíbe que ele participe da assembléia do grupo. Para derrotar uma ideologia, só outra ideologia.

      • Ainda bem que só vi o vídeo bem depois de acordar. Claramente dá para ver que o cara do casaco bege e a moça com lenço de palestino são os dois mais proeminentes na multidão toda, o que pode significar no futuro que os vejamos se lançarem candidatos a alguma coisa ou indo pelos bastidores em alguma secretaria da vida em cargo comissionado. Se considerarmos o tal lance de o marxismo-humanismo-neoateísmo no fundo ser um grande negócio em que se terceiriza aquilo que as pessoas em si deveriam fazer por si sós ou em grupos com propósitos bem definidos, podemos dizer que o fato de esse movimento não ser o MTST e os próprios lembrarem que não têm a ver com o Boulos, podemos dizer que sem querer eles mostram que há concorrência até entre os ditos coletivos não eleitos. Claro que a concorrência entre movimentos do tipo em contexto gramscista não é bem concorrência, mas não depositar todos os ovos na mesma cesta, mas ainda assim eles meio que se desmoralizam por mostrar justamente que o ideal é cada um buscar a solução de seus problemas e, caso haja solução única para problemas parecidos, unirem-se sem dar palanque para quem quer usar da situação para se promover.
        O clima hoje em dia já não está tão propício assim para o MHN, mas ainda assim vemos pessoas influenciáveis o suficiente para tal ideologia. Provavelmente no futuro, se não houver um golpe propriamente dito, veremos votações em MHNs sendo dadas por grupos arregimentados e cegados em pensamento, em vez de coletadas do povo inteiro por via espontânea como vimos até então, e já considerando a rejeição crescente que vem surgindo não desde 2014, mas desde as eleições municipais de 2012 (vide a ampla rejeição aos “postes” do Lula). Logo, para que maximizem a votação, precisarão mais e mais dos coletivos não eleitos, por mais insignificantes que eles sejam em relação ao todo da população. Caso quem combate essa ideologia saiba aproveitar bem a coisa, poderá isolar os MHNs ainda mais.

        Há que se deixar os parabéns para o cara que conversou tanto com a duplinha que apontei no primeiro parágrafo quanto com a advogada, pois manteve a calma mesmo tendo uma série de estratagemas despejados em enxurrada sobre ele. É provável que ele seja mais um dos muitos desinformados a respeito do que é o MHN e do porquê não se deve entrar em debate com seus adeptos, mas para o contexto em questão, fez o que deveria ser feito, ainda mais que não se debate com uma turba ensandecida por motivos óbvios de preservação pessoal. Porém, que ele arrume urgentemente uma boa assessoria jurídica a esse respeito, pois já deve ter notado que as leis no contexto atual estão desprestigiando justamente quem as cumpre.

    • Os que participaram desta “ocupação” (eufemismo para invasão) praticaram o crime previsto do art. 161, par. 1, inc. 2.
      Como resolver o problema?
      A autoridade policial deve chegar no local e perguntar quem é a liderança e dizer para esta liderança que eles devem se retirar. Se a liderança do movimento se recusar a sair do terreno então prendê-la(s) e dispersar o resto. Não é possível que um grupo de pessoas de maneira espontânea se reúna no mesmo momento e local pensando em invadir uma propriedade com o mesmo pensamento, é necessário uma mente por trás arquitetando.
      Se tiver algum advogado dizendo que aquilo é legal deve ser preso também porque quem estimula uma prática criminosa está em concurso no crime.
      Imaginem se agora for legal cada um reunir 50 pessoas e invadir um terreno porque acha que podem fazê-lo o que vai acontecer neste país. Aí vira zona. Vejam só o que eles cantam “Com luta, com garra, a casa sai na marra”. Estas pessoas são como animais sem consciência que não conseguem compreender a diferença entre o certo e o errado. Não passa pela cabeça delas que aquilo é uma propriedade privada e o proprietário não é o responsável pela situação deles. A propriedade dele não pode ser tomada assim.

  2. Uma vez te pedi Luciano, para se manifestar sobre os libertários (aka Anarcocapitalistas), eu não sei exatamente qual a sua visão sobre a Doutrina Neoliberal, que também é abordada por John Gray, mas ao observar a postura que acha que simplesmente desregularizando a porra toda o negócio vai funcionar é uma visão religiosa e positivista de mundo também, não sei o que você tem a dizer sobre isso, mas foram poucas as vezes que te ouvi atacar o neoliberalismo.

    Essa visão de que o problema do transporte público se resolve automaticamente com desregulamentação é tão ridícula quanto a sua extrema negativa, ou seja, o MBL está fazendo o papel de um MPL às avessas.

      • Entendo. Eu não acredito que a desregulamentação do setor viário seja algo bom, já foi tentado em outros países sem sucesso.

      • Os setores de mobilidade são os mais problemáticos. É extremamente custoso montar uma estrutura concorrencial, o que confere uma vantagem absurda pra quem já está posicionado no setor, diferente da maioria das outras áreas da economia, em que a quebra da regulação já possibilita concorrência no dia seguinte. Já até li um artigo no Mises com um modelo de privatização das rodovias, mas achei ridículo, e até concordo em parte com a crença religiosa observada na postura de alguns libertários.

        O que muitos falham em ver é que o que realmente gera benefícios para os consumidores de qualquer mercado é a livre concorrência. Se for possível haver livre concorrência, a desregulação do setor vai ser boa, caso contrário, varia, o resultado pode melhorar marginalmente, ficar na mesma ou até piorar.

        No caso específico do transporte público, a idéia seria boa se todas as ruas sempre tivessem sido privadas, e os serviços de transporte idem. Aí o mercado teria levado o desenvolvimento urbano como um todo a uma situação ótima. Se desregular agora, do nada, mesmo privatizando todas as rodovias, isso geraria distorções que a gente nem tem como prever. Muito dos preços dos imóveis, por exemplo, são baseados na infraestrutura de mobilidade existente. Muito dos empregos existentes, e da própria organização empresarial de uma cidade idem. O impacto negativo seria grande demais e imprevisível demais pra sequer se pensar em defender uma idéia como essa, mas ainda assim é possível obter algumas melhorias reduzindo as regulações e quebrando monopólios. Mas elas teriam que ser bem graduais e lentas, sendo testadas, observadas e revisitadas frequentemente. Coisa que não rende dividendos políticos pra ninguém.

      • Não é a total desregulamentação, em algum grau ela é necessária, o que é ruim é o monopólio junto com o tabelamento de preço. O setor público pode fazer certas exigências quanto capacitação de funcionários, ter ar condicionado nos ônibus, determinar as linhas, etc…
        O pior é ter este monopólio praticamente mafioso que vivemos.

      • E eu li Luciano, alguns textos antigos seus, pqp, o pau cantou legal aqui, e nem foi há muito tempo não, 7 meses atrás tava rolando um combate firme aqui.

    • Se você desregulamentar, e fazer SÓ isso, obviamente vai ser uma merda mesmo.

      Na economia, a reforma liberal mais urgente hoje (na minha opinião), de longe é a reforma tributária e despolitização dos setores públicos.
      Ok, soa também como reformas de centro-esquerda, mas como metas 0 e 1 para a economia no meu ponto de vista é um bom começo nessa direção (da mesma forma que tirar o PT do poder deve ser a meta 0 na politica, e tem natureza de centro-esquerda tb).

      Mas desregulamentação dos tranportes a fim de quebrar o cartel atual e estimular a competição não tem como não melhorar, já que estamos perto do fundo do poço. É a mesma história das provatizações do FHC: por mais que sejam mal feitas (criou-se um monte de orgão regulamentador e burocracias), é algo que não tem como não melhorar se for feito.

      • Eu li o livro do John Gray, Al Quaeda e o que é ser moderno e afirmo que essa mentalidade é tão religiosa quanto a outra, é claro que desregulamentação irresponsável gera caos no setor, nem precisa ser gênio, tem que haver um caminho mas programático, senão vira bagunça

    • Falando de forma simples sobre o anarcocapitalismo:

      Pergunta 1:
      O que é o horror para o ANCAP?

      ( ) O Estado Islâmico
      (x) Pagar 1% de imposto para combater o Estado Islâmico.

      Não dá pra levar a sério alguém que pensa ser possível viver sem um Estado organizado. É uma pena, porque eles poderiam se unir aos liberais moderados pra travar a guerra política. No entanto, preferem votar no PT anulando os próprios votos.

  3. O Flavio e o Kim são otimos interlocutores e divulgadores de idéias. Muito bom!!

    O outro fulano lá (esqueci o nome) queimou um pouco (ou muito). É importante ter em mente que o discurso para a pessoa comum tem que ser simples, amigavel e pouco/nada ideológico. Se ideologia pura ganhasse eleição, hoje o PSOL seria o maior partido do Brasil. Quero dizer, o discurso do outro fulano me soou ideológico, e não pragmático.

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