Por que Eduardo Cunha está certo ao ignorar pedidos por impeachment neste momento?

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eduardocunha

O dia 2/1 deveria ter trazido alívio para os que tem lutado arduamente na defesa da liberdade. Isto dado que ontem vimos a vitória de Eduardo Cunha para o cargo de presidente da Câmara dos Deputados. E sim, ele é da base aliada. Ao mesmo tempo, é opositor das principais demandas totalitárias do PT. Não por outro motivo, os petistas hoje vivem clima de funeral.

Entre alguns da direita, o sentimento nem de longe é tão depressivo, mas ainda assim decepcionado, especialmente por Eduardo Cunha ter dito que não apoiaria um pedido de impeachment de Dilma. Só que eu não vejo nisso motivo para decepção. Vejo sim outro motivo para alívio.

O fato é que esta direita, seja de linhagem purista ou apressada (ou uma mistura de ambas), tem a mania de sair atacando os partidos mais alinhados com eles (se comparados ao PT) quando estes não transformam suas ideias fixas em prioridades de votação. Enquanto eu defendo que seria muito melhor que os congressistas aceitassem nossas pautas, especialmente aquelas mais viáveis, com bom “timing”, além de atender tanto nós como eles, muitos apressados já vão ignorando as preliminares.

Cabe aqui a pergunta: quem definiu como prioritária a demanda por impeachment? Não foi o Cunha, nem o PMDB. Não foi Aécio, nem o PSDB. Esta prioridade foi determinada por grupos de pessoas um tanto apressadas, mais interessadas em atingir o governo petista (com impeachment) do que esperar um tiro certeiro para enfim ter um argumento arrasador em mãos. Sei que alguns não vão gostar do que tenho a dizer aqui, mas é fato que a caixa de comentários deste blog já mostrou à exaustão dizeres como “e (x), não é motivo para impeachment?” ou “agora você não pode negar que (y) é motivo para impeachment”. Mas a verdade é que impeachment só vai se tornar um fato político de verdade no dia que surgir uma prova incontestável de dolo de Dilma no Petrolão. Enquanto a coisa está só no “disse me disse”, esqueçam.

Não se pede impeachment como se vai comprar pastéis na esquina. Quem pede impeachment necessita de provas contundentes em tal quantidade que ninguém poderá abrir a boca para te chamar de “golpista”. Diferentemente do que ocorre com quem já pediu impeachment por mais de 10 motivos diferentes. Entretanto, estes direitistas mais apressados não tem uma imagem a zelar, contrariamente ao que ocorre com os principais deputados dos maiores partidos. Seria absurdo se estes vivessem dando tiros nas nuvens.

Chega a ser arrogante descartar qualquer político que pode aceitar boas pautas que interessem ambas as partes apenas por ele renegar uma demanda desenhada sem o menor cuidado estratégico. Lembro que isso já ocorreu diante da fúria de muitos direitistas que também descartaram Aécio Neves por ele não ter pedido impugnação das eleições. Pois tanto Neves naquela época como Cunha agora fizeram o certo. Será que vale a pena correr atrás de demandas inatingíveis (ao menos no momento) que servirão apenas para facilitar que o adversário o rotule?

Foi por isso que em um segundo sequer eu prestei qualquer atenção a demandas como “impeachment Já”, “anulação das eleições” e até a malfadada “intervenção militar”. E olhe que pode até ser que no futuro eu fale muito de “impeachment”. Quando surgir um momento político, evidências fortes, etc. Mas agora não é o momento. Eu não tenho interesse em perder tempo pedindo coisas que não vão acontecer e, pior, só servem para permitir que os adversários políticos apontem em sua direção e digam: “lá vem mais um daqueles…”

Quem quiser continuar com suas manias, que o faça, mas saiba que isso é muito mais o apego ao seu ego do que a execução de uma ação política efetiva. Sair pedindo uma demanda radical (especialmente neste momento, e de forma tão desestruturada) tem o mesmo valor político que você ir jogar uma partida de Pro Evolution Soccer com seu irmãozinho. Pode ser divertido. E é. Não vai gerar nenhum resultado. Ao menos não agora.

Existem outras demandas aí sim estratégicas e viáveis para o momento. Demandas estas que atendem os interesses tanto da nova bancada, como dos tucanos e de nós. É com elas que devemos nos preocupar.

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41 COMMENTS

  1. O intervencionista deve ter em mente o seguinte: É preciso pavimentar o caminho para a possível intervenção militar no caso de todos os meios democráticos se acabem, portanto a prioridade é militar contra a unificação e desmilitarização das polícias.

    Os adeptos do impeachment devem seguir o mesmo raciocínio, devem combater com unhas e dentes a regulação dos meios de comunicação pois esta inviabilizaria um impeachment caso as provas viessem a tona e a queima de arquivos jamais seria noticiada.

  2. Luciano, tu acha que há espaço para entrar com um projeto pedindo o fim do voto eletrônico e a volta do papel? Sempre insisto nisso porque esse é o melhor meio de “auditar” uma eleição, pois são pessoas do povo fazendo a apuração dos votos e a fraude fica restrita aos locais e não pode ser feita em escala pelo TSE.

  3. Eu já entendi seu raciocínio, Luciano. A gente deve esperar a oposição se consolidar, ganhar mais peso e relevância. E enquanto isso não acontece, guerreamos com foco nas decisões do governo que atentam contra a democracia, como a regulação da mídia e unificação das polícias. Nesse meio tempo ganhamos mais adeptos.

  4. Tenho certeza que um petista treme bem mais na base quando vê uma pessoa da oposição dizendo que vai pressionar contra a CENSURA DE MÍDIA, ou contra a DESMILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS, ou outras demandas bem específicas, do que quando escuta alguém latindo que quer impeachment.
    Ele vê que não se trata, como o Luciano disse, de “mais um daqueles”, e sim de alguém que está prestando atenção no jogo, que sacou a jogatina e vai atacar os pontos específicos.

    Ao ouvir “au au au quero impeachment”, como estão cobrando que Aécio e Cunha latam, eles só riem. Sabem que agora não vai acontecer e dizem “que oposição mais burrinha…”.

    Não sejam desses, vai.

  5. “Chega a ser arrogante descartar qualquer político que pode aceitar boas pautas que interessem ambas as partes apenas por ele renegar uma demanda desenhada sem o menor cuidado estratégico.”

    Cansei de dizer isso nas eleições pra alguns idiotas que, pra ter ideia, antes mesmo do Eduardo Campos sofrer o acidente e da Marina entrar no lugar dele, já estavam resmungando “aaaaiii, não quero Aécio, aaaaiii”, como alguns afetados ainda insistem em fazê-lo, por sinal.

    Uns trouxas andaram votando Levy Fidélix falando que esse era o candidato da família. Obrigado, empata-fodas, que jogaram voto no lixo.

  6. Planalto ensaia armistício, mas Cunha acelera reforma política que contraria petistas
    Governo Dilma tentou pacificar relação com novo presidente da Câmara; peemedebista reforçou independência entre os poderes
    por Maria Lima, Isabel Braga, Fernanda Krakovics, Simone Iglesias, Carolina Brígido
    03/02/2015 6:00

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    BRASÍLIA – O governo Dilma Rousseff tentou nesta segunda-feira pacificar sua relação com o novo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mas a tarefa poderá ser árdua. Em seu primeiro dia no cargo, Cunha reforçou a independência entre os poderes, definiu a relação com o Planalto como institucional, reiterou que votará prioritariamente o Orçamento Impositivo e anunciou que porá em votação uma proposta de reforma política que contraria o PT. Além de precisar aprovar no Congresso medidas do ajuste fiscal em curso, o Palácio do Planalto teme que Cunha coloque em votação projetos que aumentam gastos do governo.

    — Amanhã (hoje), vou apresentar um requerimento para aprovar, diretamente no plenário, a admissibilidade da reforma política que o PT estava segurando na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Em seguida, vou criar a comissão especial para fazer a reforma andar imediatamente — disse Cunha ao GLOBO.

    O PT trabalha contra essa proposta, principalmente porque é contra incluir na Constituição a possibilidade de doação de empresas privadas para campanhas eleitorais, na contramão do que está para ser decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Pelo texto que deve ser posto em votação por Cunha, os partidos poderão optar por três tipos de financiamento de campanhas: público, privado ou misto.

    A proposta também acaba com o voto obrigatório e com a reeleição para cargos executivos. E inova na forma da eleição de deputados, dividindo os estados em regiões para a disputa eleitoral. Os deputados fariam campanha nessas regiões, e não em todo o estado; o voto proporcional seria mantido. O texto ainda prevê o fim das coligações partidárias nas eleições para deputados e vereadores e cria a cláusula de barreira para que o partido possa ter acesso ao Fundo Partidário e a tempo de TV.

    Cunha também está empenhado em concluir esta semana a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Orçamento Impositivo, que obriga o governo a executar recursos do Orçamento da União reservados por deputados e senadores para obras e programas por meio de emendas parlamentares.

  7. Luciano, o que vc escreveu faz muito sentido pra mim. Não tenho competência pra analisar leis, mas se o que o Ives Gandra disse sobre o embasamento legal para o impeachment tb estiver correto, mesmo assim vc acha que este assunto ainda é prematuro?

  8. Há um obstáculo legal sério: se provado o crime, não caberia o impeachment, já que teria ocorrido no mandato anterior, e não nesse. Seria a desculpa mais furada da face da terra, mas é a lei.

    • Não creio. O impeachment é por assim dizer um julgamento político, não jurídico-formal. Não havendo a menor condição moral, lato sensu, de um presidente ocupar a cadeira, as condições estão postas, vide Collor. Pense no caso de haver um prova contundente, e não apenas indícios, da participação da presidente no esquema, como uma chefe estado/governo poderia continuar se 80% do país não a quisesse? Difícil.

      • Certo, é que o Collor pouco se importava com maioria no Congresso, tampouco se encarregou de que a maioria dos ministros do STF fossem indicados pelo seu partido. Foi bom, nesse último aspecto. Mas devemos ficar atentos.

        Lembrando de que até um subalterno (?) falou em apelar para a OEA, quando a justiça que esperava ser feita pelos seus pares não foi a que desejava.

  9. Falando em Cunha, excelente comentário este que Reinaldo Azevedo gravou para a TVeja:

    https://www.youtube.com/watch?v=WWI2-XUI2y0

    Só discordo um pouco da noção de que a oposição (leia-se: PSDB) “perdeu” ao apoiar Delgado. Na verdade ela saiu ganhando, pois agora Aécio sabe que pode contar com 100 votos da Casa para esse início de mandato. Com os 267 votos que Cunha recebeu, a oposição já não está mais tão isolada assim.

  10. Prá que o caldo do impeachment engrosse, é necessário sim que alguns funcionais da direita bradem por ele desde já. Não quer dizer que os congressistas da oposição e da base não alinhada ao PT devam ecoá-lo imediatamente, mas eles devem estar cientes de que é inaceitável repetir o que se fez em 2005, quando todos os elementos para chutar Lula estavam postos e o PSDB, em mais um de seus ridículos erros de cálculo (estou sendo bonzinho ao chamar aquilo de erro), optou por um imaginado sangramento público de Lula até as eleições de 2006. Se não houver alguma pressão sobre os líderes oposicionistas, o mesmo erro pode ser repetido. É nesse aspecto que eu discordo parcialmente do espírito deste post.

    Se levarmos em conta algumas recentes intervenções públicas como as de FHC (dando um ultimato para que mudanças sejam feitas antes que elas venham “de fora”), Ives Gandra (apontando os elementos jurídicos para o impeachment) e até do extremista de esquerda Renato Janine Ribeiro (colocando o sentido do impeachment em discussão), notaremos que o assunto não está em pauta apenas em isolados espaços virtuais da direita. Ele está ganhando corpo. Por isso que eu avalio como um erro estratégico arrefecer os ânimos daqueles que estão empenhados com esta pauta. Se fizermos isso, uma tese como o sangramento público de Dilma pode prevalecer – e aí nós sabemos onde isso pode desaguar.

    Quanto aos rótulos adversários, o receio a este aspecto também deve obedecer a um ‘timing’ bem calculado. Os petistas exageraram tanto no estelionato e a situação do país está caminha tão fortemente para o colapso que não estamos longe do momento em que um rótulo petista se converterá em atestado instantâneo de idoneidade para o alvo. Mesmo a extrema esquerda, conformada com os fatos, tem abandonado a tese do golpismo prá atacar o impeachment. Acho que o mais importante neste momento não é temer estes rótulos, mas tomar as precauções para que a esquerda não tenha como se reagrupar em torno, por exemplo, de Lula, caso todos, inclusive o PT, resolvam jogar Dilma aos tubarões. Este sim me parece o verdadeiro objeto de avaliação estratégica neste momento.

  11. Ok, concordo que o pedido de impeachment é algo que deve ser proposto em um momento estrategicamente certo, e com provas cabais pra que não sirva de chacota pra os que pedem, porém acho que já temos provas o suficientes, crimes como o de lesa pátria já comprovados, empréstimos internacionais ilegais aos nossos comparsas latino americanos, onde a Dilma passou por cima da constituição pelo fato desses empréstimos não passarem pelo senado e câmara federal e serem devidamente aprovados como manda a constituição e emprestar sem mais nem menos, só isso já considerado não algo ilegal, mas sim caracteriza se como um ato INCONSTITUCIONAL, o que por si só já é matéria o suficiente para impeachment, e detalhe isso tudo é feito na maior cara de pau. Entretanto, faltam culhões das lideranças partidárias de oposição para que alguém entre com um processo de impeachment. A grande maioria esta com a saia presa nesse sistema de “um cobre o furo do outro” e alguns órgãos que poderiam faze lo (diga OAB) também, estão já aparelhados. Vejo que poucas pessoas podem levar consigo nossa esperança de que algo como impeachment aconteça num processo de dentro pra fora, mas vale lembrar que há também por conta da desvalorização da Petrobras, e das “inimizades de dona Dilma” um pressão de fora pra dentro,ou seja, uma pressão internacionais de países, banqueiros, investidores que estão perdendo seus milhões por conta das baixas nas ações, que não estão nada felizes com isso, e estão bem atentos a tudo o que está ocorrendo aqui no Brasil.

  12. O que não entendo é que estes comunas dizem e fazem o que querem e bem entendem, e não estão nem um pouco preocupados se vão chamá-los disso ou daquilo, e os que não compactuam com esta quadrilha no poder do Brasil, tem que pisar em ovos para não serem chamados de golpistas, etc. Não seria justamente por isso que chegamos nesta situação? Enquanto nos preocupamos em não sermos tachados de defensores das torturas militares, golpistas, politicamente incorretos e tal, eles avançam na nossa já minguada democracia.

    • Vera,

      Me desculpe, mas eles se preocupam muito com o que dizem. Tanto que as propostas deles, mesmo totalitárias, são desenhadas para jamais serem chamadas de totalitárias. Enquanto isso, alguns da direita estão na fase ainda de falar o que vem a cabeça. Os intervencionistas são um exemplo…

      Abs,

      LH

  13. Acredito que ele não julga ser o momento certo, porque o PMDB seria prejudicado também e eles sabem que com o voto do povo, não chegarão ao poder novamente. Só quando for possível o Michel Temer assumir o cargo o impeachment será viável .Não estão pensando no povo não, apenas neles como partido.

  14. Impeachment é uma decisão política e não jurídica, pelo menos assim foi no caso Collor, cujo o processo seria aberto caso ele não renunciasse, mas na esfera judicial ele foi absolvido.
    No caso da Dilma é a mesma coisa. Tem que haver uma decisão política, o que não haverá (pelo menos eu acredito que não haverá), para haver o Impeachment, pois ela ainda tem apoio popular devido ao estelionato eleitoral do Bolsa Família. Então a demanda mesmo deve ser para que mude a regra de votação para 2018 saindo a urna eletronica. E bater nas bases desse governo incansávelmente durante esses quatro anos. Acho que esse trabalho está sendo bem feito até o momento, mas precisa ser ampliado.

  15. Clima para impeachment havia era no tempo de Collor (1992), por causa de 1 bilhão de dólares, um fiat elba e uma reformazinha na casa da Dinda…

    Quando o FêTê achava que i$$o, sim, era corrupção e roubalheira e desatou a fazer comícios pró-impeachment pelo país, com Lulla – atual amiguinho de infância de Collor.

    Hoje – 2013, o que são 88 bilhões de dólares em corrupção e roubalheira?

    Pinto, neruscas.

    Nenhuma condição para impeachment.

    Nada não, né?!

  16. Vc sabe que eu iria boicotar seu blog, ne?? Mas impossivel pq gosto de ler várias opinioes, e lá vem vc novamente apoiando o pt. Entao nao ha provas contundentes para Impeachemnt??? Ahh luciano Ayan, vc brinca com a inteligencia dos seus leitores. Espero que, em breve, vc ou um familiar seu nao estejam entre as 56.000 vitimas de mortes violentas causadas por esse desgoverno. Talvez vc vai pensar um pouco mais na definicao de “provas contundentes”. Mas é aquele velho ditado., só quando acontece a tragédia bate a nossa porta pordemos ver que como é…Enquanto for no vizinho… deixa quieto. Vc como Olavo de Carvalh, e muitos outros politicos dao a impressao que até gostam de ver o circo pegar fogo: isso vende…

  17. Não haverá impeachment agora porque não é vantajoso para o PMDB. Tal fat,o nessa altura do campeonato, teria como consequência a convocação de novas eleições. O PMDB ganharia alguma coisa com isso? Óbvio que não! Eles não têm candidato forte para vencer nas urnas. Entretanto, dentro de menos de 2 anos o impeachment de Dilma resultará na ocupação direta da vaga por Michel Temer (pmdebista). Concluindo, impedimento da Megera só em 2017 a menos que um escândalo muito grande envolvendo Dilma e o PT venha à tona. Até lá, oremos.

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