Líder tucano diz que “impeachment não é golpismo”. Que tal parar de se defender e partir para o ataque?

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cassio_lindbergh

Como já disse várias vezes, basta que a oposição (e a direita incluída) comece a jogar a guerra política em larga escala para o PT, enfim, se dar mal. Por enquanto, a natureza está dando conta do recado. Mas não podemos contar com a natureza sempre, certo?

Vejamos o que disse o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), sobre a questão do impeachment e a acusação, lançada pelo PT, de que todos que falam nisso são “golpistas”:

Não se pode falar em golpismo quando se fala a palavra impeachment. Está na Constituição. E a Constituição tem que ser cumprida em todas as suas letras. Ao pronunciar a palavra não pode haver arrepios ou nem sequer reações que podem ser traduzidas como golpistas. Não estamos falando nisso. Mas quem fala nisso, e em tom cada vez mais alto, é o povo brasileiro. Cabe-nos serenidade e cobrança crítica ao governo. Não será no isolamento que a presidente encontrará a saída para este instante grave.

Está entendido. E, tecnicamente, ele está correto. Mas, em termos de guerra política, ele defendeu-se demais e atacou de menos. Quase todas as palavras foram para esclarecer o que ele “não é” ou o que ele “não quer”, ao invés de atacar o governo.

Melhor faria se tivesse dito que “O PT fala em impeachment desde os tempos de Fernando Collor, que hoje é aliado deles. Então eles terão que assumir que são golpistas. Mas agora é diferente: o pedido de impeachment vem do povo. E se o PT ataca o direito do povo se manifestar por impeachment, não só é golpista, como também tirano”.

Onde está defesa aí? Em lugar algum. Precisamos exigir que os tucanos comecem a aprender a se expressar desta forma.

Alias, Lindbergh Farias (RJ), reagiu, e, conforme dita o manual, sempre atacando:

Vocês estão sendo maus perdedores. Falar em impeachment depois de um processo eleitoral democrático é golpista. O que estou vendo aqui é grito de quem perdeu a eleição e não está querendo aceitar o resultado. Não se pode acusar o povo de golpista, mas tem uma minoria golpista se organizando sim. E estimulados pelo PSDB, que questionaram as eleições. Acho vergonhoso. Tenho visto uma minoria golpista.

Mais uma vez o discurso de ataque poderia ser o coringa, transferindo o golpismo ao PT, tanto por terem apoiado o impeachment de Collor, como por estarem renegando o direito do povo se manifestar. Então, golpista e tirânico.

Mas é preciso começar a atacá-los para que o povo perceba isso.

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20 COMMENTS

  1. Depois da fala do Lindberg, houve um aparte do senador Ataídes Oliveira, do PSDB/TO, que aniquilou o petista, levantando justamente a questão do Collor e dos caras pintadas. A gravidade aí reside no fato do Cássio Cunha Lima ser o líder tucano, o que dá peso às suas palavras. Deveria ser mais assertivo sim, sem sombra de dúvida.

  2. O senador perdeu uma oportunidade e tanto de atacar Lindbergh pq ele era o líder dos caras pintadas pelo impeachment de Collor e ainda foi citado pelo Paulo Roberto Costa na delação premiada já aceita.

  3. Sem a cara pintada mas tendendo a cara de pai o Lindi critica o que o consagrou.
    Luciano, no G1, se não me engano, o Mendes Tame PSDB-SP, já tem um tom mais agressivo.

  4. Luciano, O tal do Rafinha bastos está deixando a mascara cair agora dizendo que abomina a posição política do Danilo Gentili. Isto é a democracia liberal. O que será que o saad acha de ter um cara que apoia a tomadas de seus bens.

  5. Eu teria respondido de forma bem mais direta e impactante, diria algo como:

    “Golpismo é chamar o processo de impeachment golpe, atropelando a constituição e a autoridade democraticamente conferida pelo povo aos seus representantes no legilsativo.”

  6. Lendo o texto da Lei 1079/50, quantos crimes vocês acham que a Dilma cometeu?

    Vejamos o Art 4º:

    Art. 4º São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentarem contra a Constituição Federal, e, especialmente, contra:

    I – A existência da União: (Foro de São Paulo?)

    II – O livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário e dos poderes constitucionais dos Estados; (Mensalão e Petrolão?)

    III – O exercício dos direitos políticos, individuais e sociais: (Regulação da Mídia?)

    IV – A segurança interna do país: (Foro de São Paulo?)

    V – A probidade na administração; (Petrolão?)

    VI – A lei orçamentária; (Mudança da LRF?)

    VII – A guarda e o legal emprego dos dinheiros públicos; (Petrolão?)

    VIII – O cumprimento das decisões judiciárias (Constituição, artigo 89).

    E ainda querem falar em golpismo? Golpe é deixar a Presidente no cargo.

  7. Esses coroinhas… muito precisam aprender ainda sobre o “quem está se defendendo, está perdendo”.

    Sorte dos coroinhas que o próprio passado do PT vai contra ao que estão esbravejando agora. IMPEACHMENT NO PT! Aguenta o tranco, aguenta que é só o começo…
    Acho que estamos diante de um novo 2014, outro ano que pode ser fantástico politicamente.

    Eu to louco pra brigar. Vcs não?

  8. “Lógica” esquerdista:
    Pedido de impeachment do governo petista = golpe.
    Pedido de impeachment collor/1992 = manifestação democrática.

    PS: Caso as pessoas peçam intervenção militar, isso pode abrir precedente para o PT aplicar um “contra golpe”?

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