Guerra política não é uma bala de prata

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werewolf

Um amigo me lançou um questionamento sobre guerra política, o qual compartilho com vocês a seguir:

Luciano, da forma como você apresenta, a guerra política seria a solução para a direita. Porém, hoje em dia o PT está tomando uma bola nas costas atrás da outra, mesmo tendo jogado a guerra política conforme você sugeriu. Isto não mostraria limitações na guerra política?

Eu adoro objeções, mas esta, a meu ver, parece ter surgido de um erro de interpretação do que significa guerra política, que nada mais é do que entender a política como uma guerra, perceber todos os jogos que ocorrem nesta guerra, e, enfim, direcionar suas ações de acordo com as regras do jogo. Isso não promete nenhuma garantia de vitória, mas o direito à sua participação no jogo.

Imagine-se como um jogador de futebol que não compreenda o básico das regras de um jogo de futebol. Sua vida se baseará em empilhar goleadas impostas sobre você em seu currículo, tornado mais vergonhoso a cada dia que passa. Mas se em um determinado dia você conseguir assimilar as regras do jogo, poderá enfim se preparar de acordo com essas regras. E a partir daí sua garantia de derrota se transforma em chance de vitória. Que dificilmente será aproveitada se você não se capacitar suficientemente. Mas de novo: de que adianta você se capacitar se não conhece as regras do jogo?

Como se percebe, aderir à guerra política é um diferencial, e efetivamente a “chave” para a direita. Mas ela não funciona como a cura de todos os males. Decerto ela é fundamental para nós pois a extrema esquerda hoje se encontra fragilizada. Por isso, se nós aprendermos o jogo e começarmos a jogá-lo, de acordo com as regras, vencemos a contenda. Não por que a guerra política é uma panaceia. É por que nosso adversário é frágil e tem como seu único diferencial jogar o jogo. Que muitos de nós ainda não conhecem.

Quanto ao fato do PT estar caindo pelas tabelas mesmo dando um show de guerra política no horário eleitoral em 2014, isto novamente se deve ao fato de que aderir às regras da guerra política não significa uma bala de prata. É evidente que jogar o jogo fez com que o PT conseguisse ganhar uma eleição dificílima para o partido, mas tentar se sair bem com uma boa imagem depois da destruição do Brasil, além da comprovação de um baita estelionato eleitoral, já desafia até mesmo a guerra política. Aí o negócio seria continuar jogando o jogo, aparelhar definitivamente todo o estado, censurar a mídia e, de quebra, pedir a ajuda de um santo milagreiro.

Vista por outra ótica, a derrocada da popularidade do governo petista é mais outro argumento em favor de que a guerra política é um diferencial, mas não serve como garantia de vitória em todas as situações. Muito menos quando os dois lados estiverem jogando.

A retirada do excesso de expectativas sobre a guerra política só tem a ajudar quem resolver jogar por suas regras, pois evita que lancemos falsas esperanças. O que é meio caminho andado para a decepção e o abandono do jogo.

Entender o real poderio da guerra política para a direita se baseia em compreender um princípio e um princípio apenas: para qualquer competição em que você adentrar em sua vida, é sempre melhor que você conheça não apenas as regras do jogo, como também os melhores métodos para se obter resultados neste jogo. É isto que a guerra política pode fazer por você. Dar chance do seu lado político finalmente participar do jogo. E, melhor, em um momento favorável para nós.

Deste modo, temos um motivo adicional para deixarmos de viver alienados da política. Não há nada mais a ser prometido que não isso. É melhor assim.

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20 COMMENTS

  1. Eu tive uma dúvida no raciocínio abaixo:

    “É evidente que jogar o jogo fez com que o PT conseguisse ganhar uma eleição dificílima para o partido, mas tentar se sair bem com uma boa imagem depois da destruição do Brasil, além da comprovação de um baita estelionato eleitoral, já desafia até mesmo a guerra política. Aí o negócio seria continuar jogando o jogo, aparelhar definitivamente todo o estado, censurar a mídia e, de quebra, pedir a ajuda de um santo milagreiro.

    Vista por outra ótica, a derrocada da popularidade do governo petista é mais outro argumento em favor de que a guerra política é um diferencial, mas não serve como garantia de vitória em todas as situações. Muito menos quando os dois lados estiverem jogando.”

    Não sei se foi essa a intenção, mas no primeiro parágrafo compreende-se como “regras” da guerra política tanto o uso de meios lícitos, como de ilícitos, como atentar contra o Estado de Direito e as liberdades individuais, especialmente a liberdade de imprensa.

    E eu não entendi o que você quis dizer com “a derrocada da popularidade do governo petista é mais outro argumento em favor de que a guerra política é um diferencial”. Como isso pode ser um argumento favorável à guerra política?

    Embora eu esteja convencido de que política é de fato guerra e que segue regras muito particulares, eu acredito que há casos em que a liturgia desse manual não se aplica, como no caso de organizações criminosas.

    Imaginemos o PCC, por exemplo, ante a sua própria natureza, qual benefício teria se seguisse a risca todos os ditames da cartilha da guerra política??

    A meu ver, quando a natureza criminosa e hedionda do PT passa a ser tornar auto-evidente, mesmo ante a quase absoluta ausência de uma direita politicamente ativa e eficiente, não há estratégia de atuação política capaz de reverter ou minimizar certos danos, o jeito mesmo é partir para atentados cada vez mais evidentes à ordem jurídica e à democracia, como boicotar investigações judiciais e pretender a censura da mídia.

    • Dennys,

      As regras da guerra política são aquelas que determinam quem se posiciona à frente. Mas, como em textos anteriores sobre o assunto, essas regras devem se adequar ao sistema moral do praticante. É como no futebol: há times catimbeiros e há times que jogam o futebol arte. Mas as regras são as mesmas para eles.

      Logo, se o seu sistema moral não implica que você deva ser valorizado por fazer crimes (enquanto o trotskismo pede isso), então você, pelas regras do jogo, deve desenhar estratégias para DEMONSTRAR CORRETAMENTE ao público a dimensão da imoralidade do crime do outro. Agora, se você ignorar as regras do jogo e resolver fazer discursos aristotélicos e os discursos “de defesa”, obviamente o seu adversário vai ganhar de você, mesmo mentindo, e mesmo que você esteja dizendo a verdade.

      Um detalhe: pretender censurar a mídia, via argumentação, e pela votação de plenário, não é ilegal. É IMORAL.

      Mas também é imoral que não denunciemos as fraudes contidas no discurso deles, sendo que já sabemos quais são essas fraudes.

      Alias, você deu uma sugestão a respeito de uma ação militar que ATENDE às regras da guerra política, no INVERSO da sugestão da maioria dos intervencionistas.

      Há também um problema no discurso de Olavo, que é chamar o PT de “tropa de ocupação”. Este discurso carrega âncoras que subconscientemente colocam o seu “time” no clima da guerra tradicional, e, portanto, muitos deles optam apenas por intervenção militar. Acho que Olavo errou feio nessa estratégia de estimulação psicológica.

      Abs,

      LH

      • A minha dúvida é sincera e ainda persiste:

        Pelo que eu fui capaz de entender a guerra política (que não é a guerra tradicional) e própria política amplamente considerada deve atuar sempre no campo da legalidade, no nosso caso e da maioria dos países ocidentais, no campo da constitucionalidade. E a mim, como eterno estudante, é muito difícil raciocinar fora da Constituição.

        Por exemplo, dois grupos políticos estão em conflito a respeito da construção de uma ponte, ou da criação da um Ministério ou da concessão de benefícios a parlamentares. Excetuando a hipótese em que ambas as teses — a favorável e a desfavorável ao tema controverso — seja igualmente benéficas aos interesses gerais de determinada comunidade X, é provável que alguém esteja mentindo e camuflando seus verdadeiros interesses, enquanto o outro lado busca demonstrar a legitimidade de sua contenda.

        Nesse aspecto, é perfeitamente possível falar-se em legalidade moral ou legalidade imoral, pois o ato de construir pontes, criar Ministérios e conceder benefícios, a depender das consequências, podem ser igualmente lícitos e morais, ou lícitos e imorais.

        No entanto, ao contrário do que você afirmou, censurar a mídia será sempre ilegal, da mesma forma que é aparelhar a Administração Pública com sovietes, ou o próprio Poder Judiciário com indicações indignas ou mesmo constituir partidos políticos que se animam em “evidente” propósito de corromper o Estado de Direito (que é o Estado submetido a uma ordem jurídica) e o Estado Democrático (que é o Estado que concilia a vontade majoritária e os princípios fundamentais da liberdade individual que se desenvolveram ao longo de séculos na história da Civilização Ocidental).

        Alias, censura a mídia via argumentação, como você expôs, não existe. Liberdades individuais só se limitam pela via da ação coercitiva do ente estatal e não por argumentação. A argumentação pode ser um meio a produzir uma norma estatal censora, mas nunca um fim em si mesma. O que se pretende com a ação é fragilizar a Democracia e não existe hipótese em que isto possa ser considerado legal, dentro da ordem jurídica democrática.

        Por outro ângulo, todo mundo sabe que o Partido Nazista é ilegal no Brasil, especialmente porque a ideologia nazista atenta contra os valores, as tradições e a cultural brasileiros. Mas se indivíduos que militam essa ideologia, infiltrados em um ou vários partidos, ascendem ao Poder pela via da guerra política, e passam a controlar os três Poderes da República, poderão mais tarde converter o Estado de Direito em Estado Nazista e se utilizar dos recursos do Estado para implementar sua política de pureza racial?

        Partindo dessas premissas, eis a dúvida: o grupo político pode livremente se movimentar além dos limites constitucionais, violar o Estado de Direito e o Estado Democrático e atentar contra a soberania e a independência do País, desde que não o faça por meio da guerra tradicional, assim como Hitler fez na Alemanha, ou Hugo Chaves na Venezuela?!

        A meu ver, ninguém está acima da Constituição e por isso mesmo a doutrina constitucional moderna se refere aos Poderes da República como sendo “poderes constituídos”, pois a sua legitimidade é decorrente de um poder constituinte inaugural e originário, e o mesmo vale para aos indivíduos e entidades de direito privado como partidos, associações, empresas, etc.

        E o exemplo do time de futebol é mais do que conveniente. Equipes que cometem faltas graves têm seus atletas expulsos, partidas podem ser canceladas e o time pode ser, inclusive, desclassificado e eliminado da competição, independentemente do apelo e da gritaria de suas torcidas, mesmo que numericamente superiores as demais.

        Mas e se o time da truculência aparelho todos os juízes de futebol e a própria entidade que define as regras dos jogos, de modo que as regras do jogo passem a contemplar a violência excessiva e o golpe baixo. Os demais times devem seguir o jogo segundo as novas regras dos truculentos e se submeter aos seus juízes sabidamente comprometidos??

        Em conclusão: eu apenas entendo que dentro do Estado constitucional há limites que não podem ser ultrapassados, evidentemente cuida-se de situações excepcionalmente graves capazes de pôr em risco a sua própria subsistência tal como fora originalmente concebido.

        E o núcleo desses limites encontram-se de forma bastante clara a qualquer cidadão nos primeiros artigos, especialmente os artigos 1º, 2º, 3º, 4º e 5º da Constituição.

        As maiorias eleitorais, as parlamentares e as de órgãos judiciais não podem violar quaisquer esses princípios, nem mesmo pela via da guerra política, e é estritamente quanto a esse aspecto que eu entendo que a guerra tradicional é inevitável, não importa que a ameaça provenha de um grupo estrangeiro ou de um nacional. É o último recurso, o mais detestável dentre todos, mas ainda assim é um mecanismo legítimo de defensa nacional.

        E quanto ao que Olavo, bom, é difícil resistir a percepção que de petistas e linhas auxiliares não são brasileiros e não visam os interesses de brasileiros. Talvez para você os petistas (e seus amigos cubanos e guerrilheiros das FARC) estejam realmente interessados defender e preservar os interesses do Brasil e alcançar os objetivos do artigo 3º da Constituição.

      • Dennys,
        Vamos lá.
        A guerra política não determina que se deve atuar dentro da legalidade. É TEU SISTEMA moral (e o meu) que diz isso. É como as regras do futebol, elas existem para ambos, mas um time pode se dar bem no fingimento se o outro não é capaz de denunciar o fingimento.
        Em relação a “censurar a mídia” e “aparelhar a administração pública com sovietes” não são definidos como legais ou não, mas como IMORAIS ou não. Mas o que é imoral não é necessariamente ilegal.
        Na verdade, por ser IMORAL o que ele está fazendo, ele dependerá de que você não jogue o jogo, pois, se jogasse, poderia ser fácil para você expor o quanto ele é imoral, e então dificultá-lo em seu empreendimento de transformar algo imoral em uma LEI.
        O que é a implementação da censura sutil? Eles jogaram o jogo demais, mas foram imorais, e o outro lado, mesmo moral, recusou-se a jogar o jogo, empurrando então o benefício do totalitarismo para eles. Na política, não existe o vazio.
        Essa sua definição está errada: “Liberdades individuais só se limitam pela via da ação coercitiva do ente estatal e não por argumentação”.
        A realidade é diferente. Para implementar uma ditadura através das vias democráticas (como os bolivarianos fazem), eles argumentam, e muito, com uma série de truques. Mas o outro lado se omite do jogo, assistindo passivamente, e então acontece o esperado. Aí, é claro, vira coerção de um grupo contra o outro, mas isso é uma construção mútua feita por (1) um imoral esperto e jogador, (2) um moral desatento e/ou conivente.
        Sua confusão é entre imoralidade e ilegalidade e são coisas diferentes.
        É bem verdade que leis imorais podem ser implementadas, mas a culpa nesse caso também é compartilhada pelos morais que não jogaram o jogo.
        Abs,
        LH

      • “Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.

        § 1º – Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.

        § 2º – É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.”

        A respeito da censura da imprensa esse é o norte e não há argumentação lícita contra essa regra, independentemente de sua perspectiva moral. A liberdade de informação jornalística é pressuposto fundamental da democracia e atentar contra essa regra é atentar contra a própria democracia e a reação deve ser enérgica.

        Leis (atos formais emanados do Poder Legislativo), sejam leis stricto senso ou mesmo emendas constitucionais, não podem afrontar o fundamento da Democracia: os poderes constituídos podem muito, mas não podem tudo.

        E dentro das regras do jogo democrático há o controle de constitucionalidade tanto das leis como das próprias emendas constitucionais. E o controle de constitucionalidade é variação da regra democrática do artigo 2º: os poderes são harmônicos e independentes.

        E se a ação de aparelhar o Estado avançou também sobre o Judiciário e este declara constitucional uma regra legal (seja lei ou emenda) que elimina, vulnera ou inviabiliza a plena liberdade de imprensa?

        É nesse aspecto que eu me posiciono: a ação política não pode atentar contra a Constituição, especialmente contra os fundamentos que lhe dão forma, assim como o médico-cirurgião não pode remover as suas cordas vocais, os seus olhos e os seus braços, enquanto você está anestesiado e vulnerável.

        Se um determinado grupo age deliberadamente no sentido de amputar ou mutilar a democracia é legítimo o direito de se espernear. Se o cirurgião, o anestesista e os enfermeiros estão todos intencionados a afrontar as regras éticas da medicina, é legítima a ação do segurança do hospital ou de qualquer indivíduo que ali esteja presente se utilizar inclusive da violência para defender a integridade do indivíduo em vias de ser atingido por ação, cuja imoralidade é inaceitável sob qualquer pretexto ou argumentação.

        De modo algum eu rejeito ou ignoro a importância da direita assumir para si a responsabilidade que lhe cabe dentro do ambiente democrático, e nesse aspecto, eu acredito que o Olavo, mesmo não sendo o dono da verdade, tem provado ser um exímio jogador e incentivado milhares de indivíduos a se posicionar e ocupar espaço. E eu sei que você reconhece isso.

        No entanto, por décadas a direita literalmente inexistiu, e um grande responsável por isso foi o regime militar. E por essas e outras razões, a cada instante que passo a melhor compreender as nuances da guerra política, me convenço que para esta e as próximas décadas a proposta à democracia e a ascensão da Direita como força política é a restauração da Monarquia.

        Desde 1889 a Direita, a cada crise, encolhia a medida que o poder do Estado se expandia exponencialmente e essas crises são cíclicas, regulares e inevitáveis. Conheço a sua posição, mas os fatos demonstram que o Brasil não estava preparado para a mudança do regime e ao longo de 125 anos, em cada um deles, essa certeza se confirma, e o poder estatal cresce na mesma velocidade que a insatisfação popular que pede cada vez mais por mais Estado.

        Não há freios institucionais, não há freios políticos, e agora vivemos uma época onde é rarefeito o freio à criminalidade organizada, ao terrorismo, à ação de grupos armados e à associação destes com determinados grupos políticos.

        A Direita recém ressurgida, em grande parte pelo longo e solitário trabalho do Olavo de Carvalho, encontra-se diante de uma crise política, social e econômica sem precedentes na história, totalmente refém do socialismo fabiano, pois tem pouca musculatura para se fazer perceber e sentir em todo território nacional por si mesma. Ou compreendemos e abraçamos a Monarquia Constitucional, ou sucumbiremos ao novo ciclo de tirania, a tirania do narcoterrorismo.

      • Dennys
        A respeito da censura da imprensa esse é o norte e não há argumentação lícita contra essa regra, independentemente de sua perspectiva moral. A liberdade de informação jornalística é pressuposto fundamental da democracia e atentar contra essa regra é atentar contra a própria democracia e a reação deve ser enérgica.
        Esta argumentação legalista não funciona em política, pois o PT viria com “regulação econômica de meios”, que não entra em conflito com a constituição, e permitiria o uso de regras obscuras para distribuição de verbas estatais. Mas aí o que você propõe? Deixar que o PT use os truques que usa, evitar lutar contra esses truques (pela via do desmascaramento da guerra política) e depois dizer “foi inconstitucional” (quando não foi)?
        É por isso que eu digo que guerra política depende de uma MUDANÇA DE ESTRUTURA MENTAL.
        E se a ação de aparelhar o Estado avançou também sobre o Judiciário e este declara constitucional uma regra legal (seja lei ou emenda) que elimina, vulnera ou inviabiliza a plena liberdade de imprensa?
        Aí devemos entender por que um grupo foi conivente com os truques de seu adversário, deixando o fazer isso. E entender por que este mesmo grupo conivente agora vai pedir intervenção militar, para violar a constituição do mesmo jeito. Ou rasgar a constituição de uma vez.
        É por isso que digo que não temos escapatória senão jogar o jogo político mesmo, ao invés de cair na retórica militarista.
        É nesse aspecto que eu me posiciono: a ação política não pode atentar contra a Constituição, especialmente contra os fundamentos que lhe dão forma, assim como o médico-cirurgião não pode remover as suas cordas vocais, os seus olhos e os seus braços, enquanto você está anestesiado e vulnerável.
        A ação política do seu oponente VAI atentar contra a constituição, se ele DEFINIR que será assim, e se o nosso grupo for conivente com os truques do outro. Infelizmente, o regime militar criou uma geração de pessoas que não lutam politicamente, e depois, bizarrice das bizarrices, reclama que o PT obtem resultado após resultado.
        Se um determinado grupo age deliberadamente no sentido de amputar ou mutilar a democracia é legítimo o direito de se espernear.
        Claro, mas isso não implica em pular em uma piscina de giletes, por exemplo. Eu sei qual é a proposta que muitos defendem: para que a mente acomode a ideia de que “vencer PT é impossível pela via democrática” (o imprint de Olavo), então é preciso admitir como natural violar a democracia para vencer quem “já violou a democracia antes”.
        O duro é que isso já é jogar o jogo errado. Ou pior, se recusar a jogar. O petista jamais vai dizer “eu vou violar a democracia por que meu oponente violou antes”. Eles jogam o jogo.
        De modo algum eu rejeito ou ignoro a importância da direita assumir para si a responsabilidade que lhe cabe dentro do ambiente democrático, e nesse aspecto, eu acredito que o Olavo, mesmo não sendo o dono da verdade, tem provado ser um exímio jogador e incentivado milhares de indivíduos a se posicionar e ocupar espaço. E eu sei que você reconhece isso.
        Ao mesmo tempo que motiva, ele criou uma legião de pessoas usando um discurso que só ajuda o PT. Ainda vou escrever um texto, que já tem um título “Olavo, para o bem e para o mal”. Para piorar, essa legião NÃO VAI assumir sua responsabilidade no jogo político.
        O cérebro não trabalha com crenças conflitantes no nível fundamental. Ou seja, você não vai se tornar um exímio médico se você achar que medicina é um pecado.
        Então se alguém aposta em intervenção militar, podemos observar que essa mesma pessoa NÃO CONSEGUIRÁ jogar o jogo político. São crenças conflitantes. São estruturas mentais DIFERENTES.
        E por essas e outras razões, a cada instante que passo a melhor compreender as nuances da guerra política, me convenço que para esta e as próximas décadas a proposta à democracia e a ascensão da Direita como força política é a restauração da Monarquia.
        Eu sugiro que seja feita uma pesquisa para ver como “restauração da monarquia” se sai na Janela de Overton. A meu ver, é tiro no pé.
        Não há freios institucionais, não há freios políticos, e agora vivemos uma época onde é rarefeito o freio à criminalidade organizada, ao terrorismo, à ação de grupos armados e à associação destes com determinados grupos políticos.
        Note que a crença é conflitante. Sua mente TRABALHA com a hipótese de que “não há freios”. Mas a mente de quem adentrou à guerra política sabe que os freios existem, mas dependem de sua ação política. Assim como para os esquerdistas os freios à ação do oponente estão na ação política deles.
        Respeito seu ponto de vista. Mas sua forma de pensar e justificar suas ideias ainda mostra que guerra política ainda não é algo que você tenha comprado. As “garantias” que você busca (na monarquia, por exemplo) são para quem não acredita que a guerra política dê resultados. Entendo como seu sistema de pensamento funciona. Mas discordo dele.

    • Dennys, tem um tempo já que tenho procurado argumentos a favor da monarquia (no momento gostaria de um blog ou alguma coisa mais resumida mesmo, porque estou com uma fila de livros e não quero colocar outros nela agora, mas gostaria de conhecer pelo menos superficialmente o quanto antes os argumentos em favor da monarquia), e tenho tido dificuldade em encontrar sites decentes nesse sentido. Você tem tem alguma sugestão?

  2. Talvez o questionador devesse considerar que a relação da esquerda com a Guerra Política é como a relação entre um vendedor e seu produto: suponha um vendedor (PT) de gêneros alimentícios, que entenda muito bem de táticas e estratégias de marketing, porém o único gênero alimentício que ele vende é “bosta”, isso mesmo, excremento, dejeto, algo que, definitivamente, não serve para comer. O conhecimento das “manhas” de vendas pode até fazer com que o vendedor (PT) empurre seu produto por um bom tempo, aliado ao fato do concorrente (direita, liberais, conservadores), apesar de terem um bom produto comestível, não serem muito bons de marketing. O produto, bosta, é ruim para comer e ponto, uma hora os consumidores vão “cair na real” e não vai existir estratégia que mantenha as “vendas”. Portanto, a limitação não está na estratégia, está na “ruindade” do produto mesmo!

  3. E quanto a nova tática de Lula, copiada de Maduro em usar ameaça, e em colocar um ‘exército’ para brigar, possivelmente até com jagunços contratados, você acha que amedrontará manifestantes anti-corrupção? Ou esses manifestantes acreditam que, se a polícia tiver que intervir saberá diferenciar manifestantes dos baderneiros agressivos, tipo aqueles jagunços covardes que atacaram em grupo um manifestante e em outra ocasião um funcionário da Petrobras?

  4. Prezado Luciano,
    Ora, mas o Olavo e você tem objetivo diferentes. Quando o Olavo manda alguém “tomar no seu cu” é óbvio que isso seria usado por alguém. Porém, como seu (dele) objetivo é outro, alcança perfeitamente o quer comunicar.

    Outro assunto: sei que não é objeto de seu site, mas bem que você poderia aplicar tais conceitos ao mundo empresarial e nos brindar com alguns textos.

  5. Onde está Marina Silva?

    Boa pergunta e uma boa resposta: “Marina Silva, flor do jambu de 4 em 4 anos”

    http://www.oantagonista.com/posts/descobrimos-onde-esta-marina-silva

    Dois comentários de leitores extraídos do post acima:

    ” … nunca votei e jamais votarei em petista ou ex-petista (coisa que tenho certeza não existir).”

    ” … Marina Silva faz parte da estratégia do pt para dividir os votos da oposição. Já não engana mais ninguém e nem tenta disfarçar …”

    No segundo comentário cabe “um porém”: Daqui 4 anos muitos ainda “cairão no conto da Marina novamente”.

    Brasileiro é imune a aprendizado!

    • Ou seja, nem lula nem dilma podem posar de democratas. 🙂
      E esse Moreno eu nem leio mais. Ele tenta fingir que não é petista, mas não consegue, é mais forte do que ele.

    • É isso que sinto falta por aqui, esse tipo de liberdade. Gosto dos textos de estratégia do Luciano, mas gosto mais ainda dos textos comentando notícias, flagrantes. Como aqui não preciso comentar com meu sobrenome, apenas meu primeiro comum nome, lá vou descendo a lenha na vulgaridade que sempre me foi característica aqui:

      Esse sujeitinho do O Globo ganha um pouco do respeito meu por não falar presidenTA. Quem fala presidenTA, pra mim, vá a merda. Lambedor de bola murcha.
      Mas, em seguida, já perde o pouco respeito que ganhou e até o qual não tinha, por dois erros:

      1. “a presidente que a maioria elegeu”
      NÃO, caralho. NÃO!
      Não foi a maioria que elegeu.

      Isso, aliás, é preciso ficar claro: ELA. NÃO. FOI. ELEITA. PELA. MAIORIA.
      A maioria quis que ela saísse.
      É simples matemática: pega os votos do Aécio e os votos nulo. Deu mais do que a Wilma recebeu?
      ENTÃO NÃO FOI A PORRA DA MAIORIA, CARALHO.

      A própria Dona Encrenca após o 1o turno falou em palanque que “a maioria quis que ela ficasse”. Não. Não foi a maioria. A maioria quis a saída dele. Matemática, idiota.

      Logo, esse jornalistazinho com cara de cobrador de ônibus, que vá a merda.

      2. ele prova que não sabe fazer conta mais uma vez, ao dizer “apenas 2 meses de mandato”.
      Isso atéééé seria um pouquinho válido se ela tivesse entrado agora.
      Mas não, cacete.
      Não, bola do meu saco!
      Não, diabo!

      ELA. JÁ. TÁ. AÍ. HÁ. 4. ANOS.
      VAI ENGANAR SUA MÃE, COBRADOR DE ÔNIBUS.

      Quem tá pedindo pra ela cair fora já o quer porque há anos ela tá aí fazendo cagada em cima de cagada.

      Vai defender a puta que pariu, infeliz.

      E quanto a Vadia do Corsário, essa eu quero que bata muita siririca pensando em caras que ela já defendeu, como o Champinha. Que se foda, vagabunda do caralho.

  6. Ayam, uma dica.Pega essa postagem da Maria do Rosário e coloca em baixo a nota do PT defendendo a ditadura da Venezuela (pode também colocar aquele texto do PC do B defendendo o ditador da Coréia do Norte).Maria do Rosário deu brecha para ser desmoralizada e cair no próprio livro de regras.

    Abragos!

  7. Luciano, como cancelei minha conta no fb e desta maneira não consigo comentar no “crítica política”, gostaria de lembrar que o José Guimarães é o dePUTAdo dos “dólares na cueca”!!! E claro, irmão do CRIMINOSO mensaleiro condenado Genuíno.

  8. Além da PREGUIÇA MENTAL, a qual já referi em participação anterior, eu noto que tem pessoas da Direita que erroneamente associam a “Guerra Política” à “Ladroagem”, o que nada tem de verdade: Guerra Política é como dois vendedores de carro usado: Ambos tem o necessário “tino” para negócio, só que um é honesto e ou outro não!
    Infelizmente alguns não compreendem isso e rotulam de cara: “Político é tudo picareta”. Aí não vamos a lugar algum.

    • Boa! Aquele papo do “não vou me igualar”. Enquanto o cidadão ficar com essa frescura, tão falsa e viadada quanto aquela frase feita “o que vem de baixo não me atinge” (tenho uma raiva de quem fala essa frase imbecil, vc não faz ideia), nessa frescurite monstrenga, o adversário vai o atingindo, e atingindo, enquanto o direitista fica querendo explicar boas maneiras, regras de etiqueta e que não use palavrão pois vovó Mafalda não gosta. Ê povo que nem na categoria “não ajuda mas não atrapalha” serve, é o tipo que atrapalha mesmo.

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