Por que conservadores religiosos que afirmam “Eu não sou Charlie” cometem um dos maiores erros estratégicos dos últimos tempos?

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Não chegamos a uma semana de campanha do crowdfunding para a edição do livro “A Urgência de Sermos Charlie” e já obtivemos 30% do valor necessário. Ainda temos 54 dias pela frente, mas quanto mais cedo chegarmos lá, melhor. Novamente, agradeço a todos que já contribuiram e divulgaram. Clique aqui para contribuir ou acessar o link pelo qual você poderá divulgar a campanha. Abaixo temos um conteúdo do posfácio do livro, que esclarece alguns pontos importantes. 

Quando escolhi o título mencionando o valor da expressão “Eu Sou Charlie”, esperava a rejeição de alguns religiosos. Não tanto quanto a extrema esquerda rejeitaria, mas é grande o número de religiosos que odiava os cartuns do Charlie Hebdo, e, por isso, achava que eles deveriam ser censurados. E se fossem assassinados, o problema não seria tão grande, pois “eles mereceram”. Mas foi exatamente por isso que escrevi o livro que escrevi. É surpreendente que em pleno 2015 tenhamos comportamentos deste tipo percebidos como normal.

Muitos ataques não são civilizados e contém a mesma carga de ódio dos radicais islâmicos. Já outros ataques ao Charlie Hebdo são mais, digamos, argumentativos e merecem respeito, como o de um leitor que fez o seguinte questionamento: “Por que você não homenageou Charles Mattel ao invés de Charlie Hebdo?”.

Charles Mattel, também conhecido como Carlos Martel, foi o líder que comandou a vitória ocidental na Batalha de Poitiers  em 732 d.C., que tradicionalmente é considerada a ação que salvou a Europa do expansionismo  muçulmano, que, na época, já havia conquistado a península Ibérica. Doravante, não houve mais invasões muçulmanas nos territórios francos. Por isso mesmo a vitória de Carlos é um marco na história mundial como o ponto onde a Europa ocidental foi preservada da islamização.

Não nego que ele seria um excelente tema para no mínimo um livro. Inclusive relacionado à questão do terrorismo e da islamização européia dos dias de hoje. Mas meu livro não é sobre a questão islamismo X Ocidente, mas sobre a liberdade de expressão, ultimamente violada por uma série de truques retóricos, usados tanto por radicais islâmicos como por adeptos de tiranias de esquerda. É urgente “sermos Charlie” por que cada vez mais estamos vendo a liberdade ser esmagada por pessoas encontrando distinções de emergência para censurar a divergência. O atentado ao Charlie Hebdo foi apenas o símbolo maior de que chegamos ao limite do desrespeito à liberdade de expressão.

Outros religiosos enchem-se de orgulho ao falar “eu jamais serei Charlie”. Quando lhes questiono o motivo para esta rejeição, dizem: “Veja, Luciano, olhe esta charge que fizeram. Você acha que eles merecem homenagem? Hein? Hein?”. Neste caso, o leitor me mostrou uma charge onde a trindade era ridicularizada em um “trenzinho”. Para quem não sabe, “trenzinho” é uma expressão que denota mais de duas pessoas em relação sexual. Apenas o primeiro da fila é unicamente passivo. O restante é passivo e ativo ao mesmo tempo, menos o último da fila que é apenas ativo. E no “trenzinho” havia um anjo (ao que parece) e Jesus, no meio da fila.

Eu acho tal imagem repelente, no mínimo. Desagradável. Exagerado. Pornográfica. E extremamente desrespeitoso com os religiosos. Eu já fui um religioso, diga-se, e sei exatamente como um religioso se sente ao ver seus símbolos expostos dessa forma. Eu diria que isto é o máximo de desrespeito que alguém pode ter em relação às crenças do outro.  Mas já vimos imagens de Richard Dawkins ridicularizado como se fosse um homossexual (por causa da ideologia “bright”) e outras do mesmo padrão com Karl Marx e Che Guevara.

Uma das maiores ofensas que alguém pode fazer a uma pessoa respeitada (do seu lado) é chamá-la de homossexual caso ela não o seja. Claro que não é problema algum chamar alguém de homossexual se esta pessoa for um e reconhecer que é. Mas se a pessoa não reconhece ser um, chamá-lo de homossexual é extremamente ofensivo. Isto ocorre por que biologicamente sabemos que a homossexualidade, atribuída a alguém que não seja um, é um ataque a reputação de um reprodutor.

Assim, podemos classificar todas estas charges como extremamente ofensivas. E capazes de indignar tanto cristãos, como neo-ateus e, nos últimos dois casos, marxistas.

Aonde quero chegar, no entanto, é no direito que os adeptos de quaisquer das doutrinas acima “desrespeitadas” tem de se indignar, e de rebater com críticas, charges e outras piadas. Eu particularmente recomendo outras charges, pois como Saul Alinsky disse, o “ridículo é a arma mais poderosa do ser humano”. Ademais, a melhor forma de se rebater uma piada é com outra piada. Mas em todos os casos, não há o direito moral de rebatermos piadas deste tipo com violência fascista. Não é possível que ainda aceitemos um mundo onde leitores de “Deus um Delírio” entrem em sua redação fuzilando quem tenha feito a charge com Richard Dawkins que acabamos de ver. Pior ainda, é inaceitável que alguns digam que os chargistas “fizeram por merecer”. Mas por sorte neo-ateus e cristãos não são tão raivosos quanto os fundamentalistas islâmicos. É por isso que o Charlie Hebdo teve sua redação invadida de forma inaceitável, tendo como consequência 12 mortos.

Quaisquer que sejam suas crenças, elas não podem impedi-lo de negar o fato: todos os chargistas acima são corajosos, ainda que desrespeitosos, e usaram sua liberdade de expressão. Algumas pessoas podem dizer que Richard Dawkins poderia reclamar de injúria, pois ele ainda está vivo, enquanto Jesus Cristo morreu há 2.000 anos. Marx e Guevara também estão mortos. Juridicamente, porém, é muito difícil condenar alguém pela charge contra Dawkins. Mas voltemos ao principal: eles exerceram sua liberdade de expressão, mesmo direito que pode ser exercido por aqueles que não gostaram das charges.

Um dos argumentos mais usados pelos cristãos diante do politicamente correto é o seguinte: “Ok, vocês são espertinhos ao ridicularizar a religião cristã, mas duvido que teriam coragem de fazer o mesmo diante da religião islâmica”. Fábio Porchat, humorista esquerdista do Porta dos Fundos, disse o seguinte:

A gente tem batido em coisas que, na verdade, merecem apanhar. No idiota que inventou a Ku Klux Klan, no padre pedófilo. Eu, por exemplo, não faço piada com Alá e Maomé, porque não quero morrer! Não quero que explodam a minha casa só por isso (risos). Mas, de um modo geral, a gente vai fazendo, vai falando.

Enfim, quantas vezes já não ouvimos religiosos exigindo que o Porta dos Fundos tivesse coragem de atacar a religião muçulmana assim como faziam contra a religião cristã? Pois foi exatamente isso que o Charlie Hebdo fez, ao atacar tanto o Islã como o cristianismo. Assim como atacavam símbolos da direita, da qual faço parte. Isto não muda o fato de que foram corajosos ao exercer sua liberdade de expressão, mesmo diante do Islã.

Eu também não seria hipócrita de impedi-los de criticar o pensamento da direita, pois eu sou o primeiro a endossar páginas de Facebook como Humans of PT, Socialista de IPhone e Titica Anta Cruz Revorts, dentre outras. Ora, se eu quero este direito para mim, por que devo retirá-lo dos outros? Em suma, se eu quero ter o direito de rir daquilo no que os esquerdistas acreditam, devo defender o direito deles rirem do que acredito. Se ateus querem ter o direito de rir de religiosos, devam dar aos religiosos o direito de rir deles também. E, repito, em todo esse turbilhão de charges, o Charlie Hebdo se destacou por sua coragem, pois desrespeitaram os símbolos de um dos grupos mais fascistas da história da humanidade, os islâmicos radicais.

Se eles foram corajosos, ao mesmo tempo não podemos deixar de reconhecer que a reação dos terroristas que mataram os chargistas inaceitável. Não há ato de violência recente diante da liberdade de expressão tão odioso, imundo, nojento, vil, canalha como o daqueles que invadiram a redação do Charlie Hebdo. Simplesmente não há desculpas e não há atenuantes para a invasão de uma redação de jornal, com armas na mão, fuzilando pessoas em série, apenas por que um punhado de tinta foi colocado em um papel desrespeitando símbolos que alguém admira. Simplesmente chegamos no limite da barbárie.

Somos logicamente obrigados a levantar dois pontos:

  1. Em respeito à liberdade de expressão, difícil imaginar um ato de coragem tão grande e valoroso como o do Charlie Hebdo em publicar charges em todas as direções, mesmo contra islâmicos que os tenham ameaçado de morte
  2. Em desrespeito à liberdade de expressão, difícil imaginar um ato de covardia e barbarismo tão nojento e monstruoso como o do atentado ao Charlie Hebdo

A expressão “Je Suis Charlie” (“eu sou Charlie”) nasceu da conjunção dos dois fatores acima. E “ser Charlie”, conforme defini, significa “reconhecer que o desrespeito à liberdade de expressão já ultrapassou o limite do suportável em nossa civilização, e precisamos urgentemente fazer algo em relação a isso, pois este tipo de desrespeito está levando a diversas formas de totalitarismo e barbarismo”. Não é mais complicado do que isso e não tem absolutamente nada a ver com validar o conteúdo das charges deles.

Quando vejo alguém dizendo, orgulhosamente, “Eu não sou Charlie”, noto esta pessoa geralmente não valoriza suficientemente a liberdade de expressão. Ela optou por fazer uma “troca” pela qual acha lícito violarmos a liberdade de expressão mas apenas se os seus símbolos são desrespeitados. Mas é exatamente este o problema que levou os terroristas a se considerarem justificados a matar os chargistas. É esta reação ao contraditório que precisa ser contestada. Sem perceber, muitos que gritam “Eu não sou Charlie”, acabam ajudando a criar as condições para que pessoas revidem com violência meras piadas. Mesmo que algumas dessas pessoas tenham dito no passado o seguinte: “Eu duvido ver quem tem coragem de fazer piadas com islâmicos”. Pois quando o Charlie Hebdo teve essa coragem, e foi vitimado por uma violência absurda, muitas dessas pessoa dizem: “Mereceram”. No mínimo, isto é contraditório. E muitas dessas pessoas dizendo “Eu não sou Charlie” são as primeiras a rir de piadas feitas contra Marx ou Guevara, ou contra qualquer socialista. Mas o desrespeito à liberdade de expressão é sempre assim: seletivo.

Aquele religioso que conseguir superar sua indignação, porém, irá reconhecer que o Charlie Hebdo agiu heroicamente em nome da liberdade de expressão. E os terroristas que assassinaram os chargistas agiram para nos emitir um sinal de alerta dizendo que a era da tolerância ao desrespeito com a liberdade de expressão chegou ao fim. Está na hora de criarmos um marco. Eu não quero viver em um mundo onde pessoas são assassinadas ou oprimidas por fazerem críticas, emitirem opiniões ou lançarem piadas. E se aproveitarmos a simbologia contida na tragédia do Charlie Hebdo para fugirmos deste mundo bárbaro, ótimo. Este é o momento. Quem quiser viver neste mundo, seja ele cristão ou ateu, direitista ou esquerdista, deve reconhecer neste momento tanto o heroísmo do Charlie Hebdo como a monstruosidade de seus assassinos. É isso que “Eu sou Charlie” significa. Não implica em que alguém tenha que gostar ou mesmo deixar de ter repulsa por algumas de suas charges. Mas sim que você precisa ter repulsa por um mundo bárbaro onde pessoas que fazem charges (mesmo que você não goste) são assassinadas por isso.

Algumas ironias são até sádicas. Especialmente aquela mostrando que os religiosos proferindo “Eu não sou Charlie” são ingratos, pois com seu martírio ninguém fez mais pela liberdade de expressão do que os cartunistas mortos do Charlie Hebdo. E mais que nenhum outro grupo, os conservadores religiosos tem sido vítimas de violação à liberdade de expressão, sempre massacrados pelo ativismo judicial da extrema esquerda. Se os religiosos possuem qualquer tipo de esperança de saírem desta opressão contínua, precisarão contar com os resultados obtidos pelos que valorizam a liberdade de expressão. Ou seja, precisarão contar com os que lutem pela mesma causa do Charlie Hebdo. Podemos até dizer que os que dizem “Eu não sou Charlie” apenas por questões religiosas não sabem o que dizem, para lembrar uma expressão bíblica. É por isso que religiosos como Rachel Sheherazade e Reinaldo Azevedo, como vimos no capítulo 2, se lançaram em favor do Charlie Hebdo e em repulsa pelos terroristas.

Não nutro esperanças de que todos os que dizem “eu não sou Charlie” percebam o absurdo contido no que estão dizendo. Eu até entendo que extrema esquerda precise dizer “eu não sou Charlie”, pois eles lutam dia a pós dia para criar regimes totalitários. Para eles, o cerceamento à liberdade alheia é um grande negócio. Por outro lado, os conservadores  religiosos não ganham nada com a rejeição ao Charlie Hebdo. Enquanto fazem isso, no máximo ajudam a confeccionar as cordas que os enforcarão.

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73 COMMENTS

  1. Luciano, sou evangélico conservador, te leio há tempos, e foi este o único artigo que não resisti a ter que lhe apoiar! Detesto certas charges que fazem com meus valores, mas o princípio é este mesmo que você falou -e alertou- irmãos de fé, pois se continuarmos pensando que alguns não tem o direito de criticar e ironizar, estaremos, como bem disse, confeccionando as cordas que nos enforcarão.

  2. Quem é o autor do livro ? Apenas acho que Esse pasquim era demasiadamente esquerdista… Sou fã do Lucyan e concordo quanto à liberdade de expressão mas dai dar publicidade ao referido periódico ??

    Enviado via Ipad

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    • Concordo plenamente. É verdade que ele acaba dando publicidade indiretamente, mas é o preço a ser pago por pegar carona nesse incidente pra chamar a atenção para a necessidade de se lutar pela liberdade de expressão. Embora eu concorde com o fato deles serem corajosos, não concordo com isso “Em respeito à liberdade de expressão, difícil imaginar um ato de coragem tão grande e valoroso como o do Charlie Hebdo em publicar charges em todas as direções, mesmo contra islâmicos que os tenham ameaçado de morte” nem com isso “pois com seu martírio ninguém fez mais pela liberdade de expressão do que os cartunistas mortos do Charlie Hebdo”.

      Concordo que ninguém SOFREU MAIS por exercer sua liberdade de expressão do que eles, pelo menos que nós saibamos, e que merecem ser tratados como mártires dessa causa, mas quem fez DE VERDADE foram os malditos terroristas. Se eles não tivessem matado os cartunistas, até hoje o Charlie seria ignorado em toda a parte do mundo em que antes era, e “liberdade de expressão” continuaria a ser um assunto menos debatido do que é hoje. Isso não quer dizer que eu esteja justificando o ato terrorista, nem homenageando os monstros que o cometeram. Inclusive achei pouca a punição deles, embora humanamente não seja possível impor uma pena maior.

      Mas, embora concorde com o tom usado no livro, e eu vá continuar a defender que o lixo humano – como o pessoal do Charlie, do Brasil 247 e do resto da Blosta, do Gregório Duvivier, etc. – continue a vomitar merda, enquanto nós apontamos e demonstramos pra todas as pessoas normalmente idiotas que aquilo é merda, não acho que os cartunistas merecem tantas honras, nem “sou Charlie”.

  3. Luciano, os assassinados da revista Charlie não são mártires da liberdade de expressão, o que eles faziam era ofensa gratuita, e ninguém em sã consciência defende liberdade de expressão absoluta, tudo tem um limite. Se “liberdade de expressão” é desenhar Cristo sendo sodomizado, então seremos contra a chamada liberdade de expressão.

    A comparação feita por você entre Humans of PT x Charlie Hebdo justamente reforça isso, são casos bem diferentes, um é liberdade de expressão legítima e outro não. Veja a declaração do Papa sobre o atentado: http://www.bbc.co.uk/portuguese/videos_e_fotos/2015/01/150113_papa_reage_hb

    Charlie Hebdo deve ser punido sim, não por particulares é claro, mas pelo Estado. Violência e censura não são coisas necessariamente ruins, se bem usados são coisas boas. Numa sociedade católica genuína o Estado jamais permitiria ofensa pública e gratuita contra Deus.

    Você pode dizer que nós religiosos somos farinha do mesmo saco que islamismo, comunismo e fascismo, não te culpo por isso, pois o islamismo é uma sátira do cristianismo, o Islã nasceu de uma heresia cristã muito antiga, a heresia do arianismo, o Islã é uma caricatura do cristianismo. Comunismo e fascismo também são caricaturas, se você ler Eric Voegelin vai ver que são versões modernas de heresias muito antigas.

    • Luciano, os assassinados da revista Charlie não são mártires da liberdade de expressão
      Então existe algum mártir da liberdade de expressão hoje? Alguém que seja melhor? E quais os argumentos para isso?
      o que eles faziam era ofensa gratuita
      Ofensa gratuita contra quem? Contra “sentimentos”?
      e ninguém em sã consciência defende liberdade de expressão absoluta, tudo tem um limite
      Eu escrevi um capítulo inteiro só sobre isso. Mas o limite não pode ser definido, logicamente, por distinções de emergência.
      Se “liberdade de expressão” é desenhar Cristo sendo sodomizado, então seremos contra a chamada liberdade de expressão.
      Então este é o limite que você definiu. Me parece bastante autoritário, pois se alguém desenhar Marx sendo sodomizado talvez você não reagiria da mesma maneira.
      A comparação feita por você entre Humans of PT x Charlie Hebdo justamente reforça isso, são casos bem diferentes, um é liberdade de expressão legítima e outro não.
      O que define a legitimidade?
      Veja a declaração do Papa sobre o atentado: http://www.bbc.co.uk/portuguese/videos_e_fotos/2015/01/150113_papa_reage_hb
      Talvez uma das piores declarações de um Papa em todos os tempos. Um guia de falácias transforma o discurso dele em pó.
      Charlie Hebdo deve ser punido sim, não por particulares é claro, mas pelo Estado.
      Qual punição você defende?
      Violência e censura não são coisas necessariamente ruins, se bem usados são coisas boas.
      Pelo menos você é honesto em reconhecer isso em público.
      Numa sociedade católica genuína o Estado jamais permitiria ofensa pública e gratuita contra Deus.
      Pretendo publicar teu conteúdo em um posfácio sem citar o seu nome. Um dos motivos para o livro ter sido escrito é a existência de pessoas como você.
      Você pode dizer que nós religiosos somos farinha do mesmo saco que islamismo, comunismo e fascismo, não te culpo por isso, pois o islamismo é uma sátira do cristianismo, o Islã nasceu de uma heresia cristã muito antiga, a heresia do arianismo, o Islã é uma caricatura do cristianismo. Comunismo e fascismo também são caricaturas, se você ler Eric Voegelin vai ver que são versões modernas de heresias muito antigas.
      Então só não pode zoar o cristianismo. O resto está liberado, certo?

      • Me refiro apenas à liberdade de expressão, já que outras liberdades são muito mais complexas e, pelo menos para mim, muito mais difíceis de definir se podem ou não ser limitadas. Por exemplo a liberdade de dirigir sem carteira, a liberdade de fumar ou mesmo de cometer suicídio.

        Para um crente cristão (e acredito que para um judeu também) é muito difícil de aceitar o conceito defendido aqui, já que para tais, HÁ uma autoridade máxima que, alegadamente, teria todo o direito de estabelecer limites para a liberdade – toda e qualquer liberdade. Aliás o livro básico do cristianismo, a Bíblia inicia com uma clara fixação de limites à liberdade humana e explica o aparecimento do Mal como uma violação desses limites.

        Já fui cristão fundamentalista e por isso compreendo a dificuldade que tais têm em aceitar a liberdade irrestrita de expressão.

  4. Luciano, sei que existe há muita divergência quanto a esse assunto e que você é autêntico e independente em relação aos demais direitistas que fizeram parte com você do MSM, acontece que isso é um diferencial da direita, que prefere o pensamento livre e individual ao centralismo ideológico.

    Dito isto, um dos caras que eu mais admiro na direita, mas que tem se fechado muito em seu “radicalismo” é o Leonardo Bruno, o Conde Loppeaux de Villanueva, ele vai na sua contramão em relação a esse ponto da liberdade. Não li a introdução do livro, mas acho que o ideal seria você respeitosamente discordar dele e pegar os seus argumentos, dissecando-os, digo isso pois ele sistematizou o “Eu não sou Charlie” e tem fortes argumentos, logo, uma intervenção sua nesses argumentos abarcaria uma grande quantidade de pontos que você vai encontrar esparsos nos diferentes proponentes desse discurso.

  5. Lu-lu, você tem razão!

    É duro para o cristão “cortar na carne”, aceitar que a liberdade de expressão é um direito absoluto.

    Mas é… o que se há de fazer!?

    Quando propõe objeções, não é a razão que falando, mas uma ferida profunda, uma mágoa sofrida por tantas humilhações que sofre por sustentar sua fé neste mundo pós-moderno. Eu falo com profundo conhecimento de causa.

    Sou cristão, sou conservador e militante da liberdade de expressão. Me solidarizo com meu xará acima, não reafirmo o titulo do livro “eu sou charle” porque seria até pecado, devido ao nível máximo de blasfêmia cometido por esta publicação; mas digo: SOU DEFENSOR DA LIBERDADE DE EXPRESSAO; SOU MILITANTE DA LIBERDADE DE PENSAMENTO.

    DISCORDO ABSOLUTAMENTE DE CHARLIE

    DEFENDO FERRENHAMENTE O DIREITO DELE SE EXPRESSAR LIVREMENTE

    Parece contraditório, mas não é. Se eu quero liberdade expressão, tenho que proporciona-la aos demais, mesmo que isso signifique algo com conotação negativa pra mim num primeiro momento. Isto serve para qualquer tipo de ideia, é o principio fundamental de qualquer democracia que se preze. Tem de haver contraditório e livre debate de idéias. Arena Pública, Debate Público, Construção de Consenso ou Dissenso de forma Democrática, Republicana… diria até, civilizada.

    Que você acha da minha linha de raciocínio?

    Ah! E parabéns pelo livro, só não gostei do título; para conquistar corações conservadores o melhor seria: “Em Defesa da Liberdade de Expressão” ou algo semelhante. Fica a dica. Um abraço, amigo.

    • Interessante sua linha de raciocínio.

      As críticas ao título do livro estão sendo levadas em consideração e serão pesadas. Enquanto isso, veja os excertos do livro que tenho publicado aqui para ter uma ideia de que o livro mais ajuda que atrapalha os religiosos. Até por que vocês, religiosos, tão tomando goleada nas violações à liberdade de expressão. Ex: Rachel, Bolsonaro, Fidelix, Feliciano, etc.

      Abs,

      LH

      • Lu-Lu-ciano

        Você disse:

        “Para mim, quem defende a perda dos direitos de liberdade do discordante (seja do seu lado ou não) não tem o direito moral de reclamar de totalitários.”

        Cara, tô até emocionado!

        Esta é a mesma questão, o “pulo do gato”, é aonde “jiripoca pia”, você achou o fio da meada, “matou a cobra e mostrou …”, mostrou que tem “café no bule”.

        É isso aí, liberdade pra mim, liberdade pra você, liberdade para nós todos. Só tenha um pouco de compaixão por quem não alcançou este nível de maturidade, “belezzz” (?), por favor maninho. Um abraço amigo, “inté” mais.

      • Pra finalizar,

        Um hino libertário SuperFreak:

        “CADA UM NA SUA”:

        http://www.youtube.com/watch?v=DUbxBSL6TXs

        Sou conservador, mas às vezes tenho que reconhecer os pontos positivos de outras correntes ideológicas.; e as tendências autoritárias que às vezes pululam em posicionamentos direitistas.

        Não sejamos a direita Ogro.

        obs. Sou um crente muito louco, tipo do nível “Baby do Brasil”.

    • Fiz um comentário em resposta ao “Tiago” que teria feito aqui, pois entendo perfeitamente como você se sente. Não acho blasfemo dizer “eu sou Charlie”, porque você não está se proclamando um blasfemo, nem defendendo esse tipo de prática, apenas está defendendo que não se ataque com armas letais a quem usa da pena e da palavra como únicas armas. Apesar disso, eu concordo em dizer que NÃO SOU Charlie, porque não acho que eles mereçam homenagem, exceto os cartunistas que foram martirizados por sua coragem (nem dá pra dizer que foram martirizados por defender a liberdade de expressão, foram por exercê-la).

      Por mais que esses tenham sido corajosos, e os atuais continuem sendo, e mereçam respeito por isso, essa é a única virtude que transparece no trabalho deles. No mais, são escória e merecem ser destruídos pelas mesmas armas que eles usam: a pena e a palavra. Embora, graças a seus mártires, tenho absoluta certeza de que NINGUÉM no mundo vai ousar atacá-los tão cedo.

      • Chegando tardão na discussão, mas, só pra constar:

        Sou Charlie porque o ataque que o jornal sofreu é sem discussões. Vi no serviço e até mesmo na faculdade algumas pessoas dizendo que “o jornal era de muito mal gosto mesmo” e que “os terroristas já haviam pedido para pararem de publicar, e eles não pararam”.

        Revejamos essa última frase: “Os terroristas já haviam pedido para pararem, e eles não pararam”.

        Não sei se realmente pediram, se avisaram, ou qualquer merda do tipo. Desde quando terrorista dialoga? Desde quando fanáticos loucos são abertos ao diálogo? PEDIR para que parem de publicar senão haveria um ATENTADO não é PEDIR. É ameaçar. Igual um sujeitinho filho da puta que há algumas semanas me assaltou dizendo que não era um assalto, era um “pedido”, mas que se eu não atendesse o pedido “ia me arrepender”.
        Vá tomar no cu quem pensa assim!

        Nojento quem ache que o jornal se meteu a besta, que o jornal cutucou ninho de cobra e mereceu a picada ou qualquer merda do tipo.
        Vi uns esquerdistas dizendo que “onde já se viu, com tantas mortes no Brasil por X e Y motivos, tem gente lamentando a morte de uns cartunistas”.
        Vai se fuder. É morte, do mesmo jeito. Morte de inocentes.

        Sei não, parece que tá difícil do pessoal entender que dizer “sou Charlie” não significa “acho super legal aqueles desenhos pornográficos que eles faziam, ai que tudo, s2 s2 coraçãozinho”.
        Significa: sou contra a DERRAMADA DE SANGUE e TIRADA DE VIDA de quem não cometeu crime algum.

  6. Bem, parece que você não compreendeu o sentido integral do meu comentário, talvez você não tenha muita familiaridade com a religião cristã, e caso venha publicar no posfácio, sugiro que os adendos a seguir estejam juntos:

    – A liberdade é fundamentada na verdade, e ela deve ajudar no aperfeiçoamento do homem.

    Mais sobre isso você encontrará nas seguintes exortações papais:

    http://w2.vatican.va/content/paul-vi/pt/messages/communications/documents/hf_p-vi_mes_19750419_ix-com-day.html

    http://w2.vatican.va/content/pius-xii/pt/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_08091957_miranda-prorsus.html

    Ou seja, fundamentada na verdade e visando o aperfeiçoamento do homem é o que legitima a liberdade de expressão, é o que da direito dela existir, esses são os limites.

    Mensagens mentirosas, enganosas e ruins não tem direito a livre propagação pública, devem ser censuradas. Além de ser fundamentada na verdade, toda discussão pública deve ser construída na argumentação racional e não na simples ofensa, no simples ultraje.

    Dificilmente você encontrará uma revista católica mentirosa e que visa ofender os marxistas, dificilmente você encontrará uma revista católica com Marx sendo sodomizado na capa.

    O contraste entre o Humans of PT vs Charlie Hebdo é evidente: o primeiro é verdadeiro e frutuoso, o segundo é mentiroso, enganador, ultrajante. Igualar ambos seria uma injustiça para com o primeiro.

    • Justamente pelo meu comprometimento com a Verdade e com o próximo é que não posso ser Charlie; é justamente pela verdade e pelo próximo é que defendo a censura e punição a essa revista infame.

    • O detalhe: o segundo é “ultrajante” APENAS se você for cristão. Para um ateu, não é ultrajante. Notou o problema? Somos um estado laico.

      Mas, enfim, melhor seria se você rebatesse politicamente seus oponentes sem precisar censurá-los. Isso te daria mais autoridade moral, inclusive.

      No livro, este tipo de cosmovisão fascista e anti-laica é refutado também. Mas eu defendo o direito de você se manifestar.

      Abs,

      LH

      • Notei o problema, por isso digo que ninguém tem liberdade para escarnecer e ultrajar alguma religião. Nem mesmo o Islã – religião tradicional, responsável por uma grande civilização – e nem mesmo simples cultos animistas africanos. Os jornalistas do Charlie não querem discutir a religião sinceramente e racionalmente, com espírito de buscar a verdade; eles querem exclusivamente escarnecer e ofender gratuitamente.

      • É bom que você expresse o que sente.

        Há um parágrafo no livro, em que comento um radical de esquerda que disse o seguinte “Essa colônia, que não se mistura, que não abandona sua identidade, é extremamente incômoda. Contra isso, todo tipo de medida é tomada. Desde leis que proíbem imigrantes de expressar sua religião até… charges ridicularizando o estilo de vida dos muçulmanos”:

        Eis o parágrafo

        “Convenientemente, ele diz que os islâmicos são proibidos de “expressar sua religião”. No entanto, o espertinho não dá um exemplo sequer. Mas o que seria “expressar sua religião”? Usar burca em um país que a proíbe (por questões de segurança) ? Extirpar o clitóris de mulheres em países onde esta prática é proibida ? Jogar ácido no rosto de mulheres que não usem a burca ? Forçar todos a seguir sua Lei Sharia ? E, mesmo diante de todas essas afrontas, não dar o direito a ninguém de sequer fazer uma charge com um dos símbolos dessa religião? Não apenas o Islã radical merece sofrer uma saraivada de charges. A esquerda fascista também está merecendo ultimamente.”

        Esse papo de dizer que ninguém tem liberdade de escarnecer e ultrajar o Islã? Mesmo com tantas mutilações femininas? Mesmo com tantos rostos queimados com ácido? tsc, tsc…

      • Notei o problema, justamente por isso digo que Charlie não tem direito de escarnecer qualquer religião que seja; seja o Islã (religião tradicional, responsável por uma grande civilização), ou seja cultos animistas africanos. Os jornalistas do Charlie Hebdo não querem discutir a religião de forma sincera e racional, com espírito de buscar a verdade. Charlie existe única e exclusivamente para ofender e escarnecer as diversas religiões e cultos.

      • O motivo para o qual Charlie existe é irrelevante. A questão é como você vai combatê-los. Você poderia escrever, criticá-los, satirizá-los, etc. Mas opta por censurá-los. Nisto, tenho argumentos para dizer que você está errado em termos morais e estratégicos.

        Aliás, o Islã da mutilação genital não pode sofrer críticas? É isso mesmo que você disse?

  7. Luciano, ao escolher um título, você colhe bônus e ônus. Há quem se identifique e há quem não se identifique. Particularmente, enquanto cristão, não sou nem um pouco favorável à associação de cristãos com o nome ‘Charlie’. Não pela questão da liberdade de imprensa (e isso é um grande engodo e mostrarei porquê), mas pelo conteúdo das publicações. Ao afirmar ‘eu sou Charlie’ é como se eu estivesse chancelando o que está por trás do nome ‘Charlie’. Não, não estou.

    Vc é de direita, certo? E se, de repente, o conceito de direita passasse por uma série de deturpações (já passa) e as pessoas começassem a vincular a direita a algo ruim? Vc, ao ser indagado, não poderia dizer que é de direita sem deixar de, com essa afirmação, assumir tudo o que esse conceito traz, inclusive de ruim, certo? Você, ciente dessa confusão conceitual, teria de dar explicações para se dizer de direita, no sentido de se desvincular desse ‘algo ruim’ abarcado pelo conceito e suas deturpações.

    Ou seja, eu não preciso dizer que sou Charlie para dizer que sou favorável à liberdade de imprensa. Imagine se Dawkins começa a se dizer perseguido por cristãos por não poder apresentar sua filosofia de 5a categoria e, então, uma ATEA da vida inicia uma campanha ‘somos todos Dawkins’ reivindicando liberdade de imprensa. Eu, por ser favorável a tal liberdade, deveria me juntar a estes? Logicamente que não!

    Por último, esse blá, blá, blá de liberdade de imprensa tendo como mote o Charlie é uma grande cretinice. Na França não há liberdade de imprensa irrestrita! Vc pode falar mal das religiões e tem todo apoio pra isso, mas não pode andar com uma camisa de família (pois isso fere os direitos LGBT)… vc não pode andar com símbolos religiosos (pois isso fere o estado laico) e por aí vai…

    • Marcelo,

      Estou levando em conta as racionalizações usadas por quem não quer usar o “Sou Charlie”, ou mesmo rejeitar a definição. Na verdade, o “Je Suis Charlie” foi usado por vários colunistas da direita, que pensaram mais estrategicamente. Mas me surpreendeu o como a direita religiosa ignorou o aspecto estratégico neste caso. Como sempre. É uma pena que não exista mesmo nenhuma intenção de obter resultados. Resta-me tentar entender por que os religiosos fazem esta “troca”.

      Abs,

      LH

      • Luciano,

        Para qualquer pessoa, de qualquer denominação, que tenha fé na Trindade Divina, a charge da sodomização é uma afronta sem precedentes. Deus é considerado Pai, e por isso a charge ofende um ente mais que querido, é uma ofensa a um familiar eminentíssimo… Fica então difícil para um cristão dizer ou escrever “eu sou Charlie”, independente deste cristão considerar justo ou não o assassinato dos chargistas.
        Penso que por conta disto, a frase “eu sou Charlie” afasta a direita conservadora, por melhor que seja a sua estratégia. Não há “troca” como você diz, pois para quem crê na vida eterna após a morte, prometida por Cristo, o que é considerado sagrado é “intocável”.

      • Luciano, o ponto é que, numa reflexão mais ampla, essa estratégia na luta contra a esquerda acaba ficando num patamar secundário para o religioso. Isso se dá por conta das implicações em aceitar tal mote. Por exemplo, afirmar “eu sou Charlie” para um ateu não traz nenhum desdobramento relacionado à moral, visto que os maiores alvos dos ataques do Charlie Hebdo eram/são religiosos. Logo, fazer chacota com Deus e símbolos religiosos de cristãos, judeus e muçulmanos não tem tanta relevância para um ateu, afinal os alvos da chacota são irrelevantes pra ele.

        Para entender a resistência dos conservadores cristãos em apoiar essa causa (com esse mote), tente imaginar que, ao invés do Charlie, o nome escolhido para representar a causa fosse de alguém que fere deliberadamente aquilo pelo qual vc tem apresso. Pergunta: vc sairia gritando por aí “Eu sou Jean Wyllys”, “Eu sou Marcelo Freixo”, “Eu sou Black Bloc”, “Eu sou Luciana Genro”, “Eu sou Lula”, “Eu sou José Dirceu”, “Eu sou Fidel”, “Eu sou Che Guevara”, “Eu sou Maduro”, “Eu sou Mariguella”???
        Um esquerdista vermelho ficaria feliz com isso. Você acho que não! rsrs

        Abs

      • Marcelo,

        A comparação é problemática, pois em todos os casos voce relacionou o INIMIGO FINAL. O Charlie Hebdo, ao desafiar até essa extrema esquerda, não é o inimigo final. E eu não estou dizendo que a pessoa precisa dizer “eu sou Charlie”. Ao contrário, a pessoa pode se posicionar em favor da liberdade de expressão. “Sou Charlie” e apenas a forma simbólica como eu me expressei ali. Na verdade, eu até compreendo um religioso se recusar a dizer “eu sou Charlie”, mas tenho argumentos em contrário quando ele diz “eu não sou Charlie”, pois, dentre outros motivos, é a renegação de um símbolo que só prejudica a extrema esquerda.

        Abs,

        LH

  8. Luciano, um off aqui, já que falei sobre o conceito de direita. Vc ouviu o Mario Sergio Cortella na CBN no Programa Fim de Expediente na 6a feira? A definição de direita dele basicamente coloca direitistas como inimigos da democracia. Alega que o conceito de direita e esquerda vem do horror (fobia) ou não à democracia. Um dos maiores absurdos que ouvi.
    Depois dá uma procurada no texto do Constantino sobre o assunto.
    Abs

  9. Luciano, quantos milênios ainda serão necessários para que as liberdades sejam respeitadas ? Quantos mais tem morrer em seu nome para nos permitir desfrutar dela ? Desejos e pontos de vista não se tornam direitos do indivíduo x sociedade. Quem acha que a divergência (seja por charges de humor ou posts) deve ser eliminada, então deve se juntar aos esquerdopatas e aguentar o autoritarismo derivado. Comunismo não é uma simples questão de opinião a ser respeitada, é uma imposição que deve ser rechaçada. Abs.

  10. Estou entre aqueles que preferem dizer que não são Charlie, mesmo após os seus textos em contrário. O motivo é bem simples: a expressão “eu sou Charlie” traz uma inequívoca carga de apoio ao veículo. Sim, eu conheço a sua definição de ser favorável a liberdade de expressão e ao mesmo tempo ser um crítico feroz do conteúdo publicado. Estou de acordo com isso. Ocorre que essa expressão leva a uma interpretação diversa e a grande maioria das pessoas sequer chega a aprofundar seu raciocínio para diferenciar a liberdade de expressão do endosso ao conteúdo. É mais ou menos a mesma coisa do que dizer “eu sou esquerda” ao defender a existência de uma esquerda democrática, mesmo sendo direitista. É uma expressão infeliz, que dá a entender que sou esquerdista.

    Da minha parte, reconheço a coerência da publicação por atacar a todos. Mas não vejo mérito algum no trabalho deles. É algo completamente imoral e deve pagar o preço por isso, ou seja, o repúdio público e boicote. O crime foi terrível sim, mas não foi o único. O grande escândalo foi ter ocorrido na França, mas há muita coisa pior do que isso acontecendo por aí. Se tenho que “ser” alguém, prefiro ser como os cristãos que morrem todo dia pelas mãos de radicais islâmicos pelo simples fato de terem outra religião. A meu ver, esses sim merecem apoio irrestrito.

      • Peço desculpas, eu não me expliquei direito. Eu não saio por aí dizendo que “não sou Charlie”, como ficou parecendo com a minha resposta. O meu “não sou Charlie” é apenas uma resposta a quem me chama para sair por aí com mensagens de “eu sou Charlie”. Se for para escolher um símbolo, prefiro a letra árabe que é marcada na casa dos cristãos iraquianos perseguidos.

        Meu objetivo com isso é tentar dar mais destaque ao estado da liberdade de expressão nesses países, além de corrigir a visão enviesada de que os cristãos são uma ameaça a liberdade, quando de fato são as maiores vítimas da censura e perseguição. O que ocorreu na França foi um fato isolado e prontamente investigado pelo governo. Muito mais grave é um governo que se omite ou apoia a perseguição.

        Também não condeno quem utiliza o “eu sou Charlie”, desde que isso não implique em um endosso automático do conteúdo deles. Se as pessoas se manifestam pela liberdade de expressão, está ótimo para mim. Eu entendo que defender um esquerdista é estrategicamente bom para a direita. Simplesmente não me sinto a vontade em endossar esse símbolo. Até porque começar uma campanha pública com o nome “eu não sou Charlie” pode desencadear um efeito tão enganoso quanto aquele que eu critiquei. Muitos podem entender que eu acho que de alguma forma eles mereceram o atentado. Essa frase solta é tão ruim quanto a outra.

  11. Sou um conservador evangélico. Quero dizer que não sou fã do Charlie Abedo,mas lamento muito e sofro pela tragédia que abateu sobre eles. O Charlie Abedo não fazia um humorismo sadio. Como você afirmou Luciano, “E extremamente desrespeitoso com os religiosos” E eu sou um religioso. Mas ! Reconheço que o Charlie Abedo como muita gente,inclusive muitíssimos religiosos não souberam usar o LIVRE_ARBÍTRIO. Que é nos é dado por Deus. Por que disse Livre-arbítrio e não Liberdade de expressão. Porque entendo que a segunda existe por causa do primeiro.

    O dicionario define assim Livre-arbítrio : “Livre-arbítrio é basicamente a expressão usada para significar a vontade livre de escolha, as decisões livres.”

    A Wikipédia define Livre-arbítrio: “Livre-arbítrio ou livre-alvedrio são expressões que denotam a vontade livre de escolha, as decisões livres.

    O livre arbítrio, que quer dizer, o juízo livre, é a capacidade de escolha pela vontade humana entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, conscientemente conhecidos. Ele é uma crença religiosa ou uma proposta filosófica que defende que a pessoa tem o poder de decidir suas ações e pensamentos segundo seu próprio desejo e crença.

    E o mais importante o que a Bíblia tem a dizer sobre o Livre-arbítrio. http://www.cacp.org.br/o-que-diz-a-biblia-sobre-o-livre-arbitrio/ MUITO IMPORTANTE !

    Livre arbítrio: expressão que define a liberdade de ação dos indivíduos, é a capacidade dada por Deus para que cada um decida o que fazer da sua própria vida. É graças a esta liberdade que podemos fazer nossas escolhas, sem a interferência dos outros e sem a necessidade de satisfazermos aos anseios e às expectativas de terceiros. É com base nessa breve explanação que sempre digo: Seja o que quiser, faça o que desejar e viva de acordo com aquilo que julga ser o certo, mas banque até o fim as consequências de ser quem você é… ah, e seja feliz! (Filosofei! rs)
    Cristiane Marçal

    Liberdade de Expressão – Pensador
    pensador.uol.com.br/liberdade_de_expressao/
    Liberdade de expressão é você ser livre para falar o que quiser, e eu ser livre … vigilância contra as tentativas de cercear o Estado democrático de direito, é que …. Livre arbítrio: expressão que define a liberdade de ação dos indivíduos, é a … (leiam,muito bom ,artigo do Pensador)

    Não caiam na conversa fiada de que no Islamismo aceita e reconhece o Livre-arbítrio das pessoas.
    Este site explica bem como o Islamismo trata o Livre-arbítrio. http://minceusabertos.blogspot.com.br/2012/05/islamismo-e-o-livre-arbitrio-parte-13.html

    Lembrem-se a palavra Islam significa “Submissão”. O falso deus Alá só espera a “submissão” das pessoas. Não existe a liberdade com amor.

    Por isto digo se não fosse o Cristianismo Bíblico e Verdadeiro (não o cristianismo apostata e falso) não haveria,Liberdade,Democracia,respeito a escolhas,opiniões e vontades diferentes,os homens não seriam livres neste mundo. Por que será que a Liberdade de expressão nasceu no Ocidente ?

    FINALIZANDO ! Como cristão acho lamentável e muito triste o fim dos integrantes do Charlie Abedo que morreram no ataque terrorista ,mesmo com o nível de blasfêmia feito por eles, como lembrou o Thiago.
    Espero ter havido muitos cristãos que exortaram os integrantes do Charlie Abedo a pararem com as blasfêmias e oraram por suas conversões a Cristo. Lembre-se Deus não se compraz com o fim dos ímpios. Creio que até Deus ficou triste com o acontecido aos integrantes do Charlie Abedo. As coisas não precisavam terminar assim. Deus poderia ter livrado Charlie Abedo deste triste fim,mas convenhamos eles usaram o Livre-arbítrio dado por Deus para rejeitar a Ele,seu Amor e sua Proteção.

    Me perdoe Luciano se falei muito mais de Livre-arbítrio do que de Liberdade do Expressão. Mas ! Uma coisa tem tudo haver com a outra. E Livre-arbítrio tem mais significado do que Liberdade de Expressão para um religioso.

    Digo ! Eu sou Charlie ! Pois as pessoas que sofreram,o que eles sofreram,merecem nossa compaixão,amor,solidariedade,mesmo que tenham passado a vida toda usando a sua Liberdade para fazer escolhas erradas. Humor negro como faziam.

    E viva a Liberdade de expressão ! E viva o Livre-arbítrio de todas as pessoas !

    • Os indivíduos são livres para fazerem escolhas e arcarem com as consequências. Mas o Estado não, o Estado não deve dar liberdade ao mal e a mentira; caso contrário, teríamos que extinguir a policia militar e deixar os criminosos livres e impunes sob a alegação de “livre-arbítrio”.

      • Observem a equivalência moral.

        (1) permitir que alguém faça uma charge com seus símbolos
        (2) permitir que alguém mate outra pessoa
        (3) tiago diz que (1) e (2) são iguais

        Está de brincadeira, certo?

      • Equivalência onde? Onde disse que são igualmente graves e errados? Parece-me nítido a clara distinção entre assassinar alguém e usar propaganda mentirosa contra alguém; porém o livre-arbítrio envolve ambos, envolve todo tipo de ação humana, portanto, mostrei como a lógica é falsa em ambos os casos de gravidades diferentes: ninguém pode evocar o livre-arbítrio para reivindicar o direito de fazer o mal aos outros livremente.

        E mais: quem está fazendo equivalência moral são vocês, liberais, pois aceitam igualmente e dão o mesmo valor tanto para o bem quanto para o mal, tanto para a verdade quanto para a mentira.

      • Estranho que vejo muita gente dizendo “ofenderam uma religião, sou contra aos atentados, mas ofenderam a crença dos caras, provocaram, usaram o livre-arbítrio pra isso e colheram o que plantaram” ETC ETC

        Mas aí chega Levy Fidélix dizendo na TV, ao vivo, em um debate presidencial, que os gays são todos abusadores de menores.
        OU SEJA, não é nem uma satirazinha, uma brincadeira, um cartoonzinho, uma pegadinha do Malandro, é uma ACUSAÇÃO. Diante disso, esses mesmos religiosos do “não sou Charlie” saem dizendo: “CANDIDATO DA FAMÍLIA”.
        Já sabem onde enfiar a santificada família brasileira e toda essa incoerência né? Isso, aí mesmo.

        Ou seja: satirizar religião não pode. Associar um grupo que desde sempre é discriminado a um crime sério, pode.

        Mas vamos a um exemplo mais simples e igualitário então.

        Programas de humor satirizando gays sempre existiu. Eu, que sou sim defensor da causa, não vejo problema, já que humor é humor, é feito pra ser escrachado, é ficção, não é jornalismo.

        Se fosse seguir essa lógica do “o Charlie cometeu um erro terrível ao satirizar religiões”, teria de dizer que esses programas tipo Praça É Nossa são sujos, imundos e imorais iguais ao Charlie, por estarem satirizando uma minoria.

        E se o estúdio da Praça É Nossa sofresse um atentado liderado pelo Jean Wyllys por satirizar gays, ia ter de vir com esse discurso vazio de “é, veja bem, sou contra o atentado, mas eles provocaram, pô…”

  12. Hebdo e os Jihadistas são ambos psicopatas. Se um patife faz essa charges, ele só não pega em armas pra matar cristãos por que não quer perder os benefícios e conforto que a sociedade civilizada oferece. Por outro lado, se um dia for possível matar sem perder esses benefícios, como muitos ditadores o faz, esses caras jamais hesitariam em agir assim. Se alguém odeia o sistema de crenças que proveu ao ocidente tanto progresso e desenvolvimento, com hospitais, universidades, etc, não é impossível imaginar que esses caras odiariam as pessoas que se beneficiaram desse mesmo progresso.

    Mas…

    Devemos combater o jihadismo com todas as forças, porque se permitirmos aos jihadistas se tornarem uma policia moral no ocidente, não serão apenas os chargistas a morrerem. Todos, gays, mulheres com mini-saia, comedores de feijoada E os cristãos hão de sofrer, porque para os Jihadistas tudo isso é igualmente imoral.

    Não concordo com seu título, Luciano. Eu não sou Charlie. Mas farei o que está ao meu alcance para impedir que esses “charlie” sejam exterminados. Contento-me em usar meios civilizados para combatê-los. Podem ser dispositivos legais (enquanto a lei ainda está do nosso lado), pode ser a ocupação cultural de espaços, como os católicos fizeram na Bienal de Artes no Ibirapuera, orando o terço na porta do evento vários finais de semana seguidos, transformando algo que teve a intenção de nos envergonhar como uma oportunidade pra mostrar que a vergonha não é nossa, mas de quem joga tão sujo, tão baixo.

    Combatamos, pois, o terrorismo cultural com medidas culturais e o terrorismo bélico com medidas bélicas. A justiça reside na equivalência.

    • É até possível que o título mude.

      Mas gostaria de uma gentileza: você poderia me dizer seus objetivos ESTRATÉGICOS em dizer “eu não sou Charlie”? Eu ouvi motivos particulares. Ouvi apegos à sensações. Apegos a instintos. Mas qual a ESTRATÉGIA envolvida em dizer “Eu não sou Charlie”?

      Abs,

      LH

      • Luciano,

        Nós religiosos lutamos mais pela justiça da batalha do que pela vitória da batalha. Não lutamos porque achamos que vamos vencer dentro de um período determinado de tempo; nós lutamos porque acreditamos que estamos com a verdade.

        Acreditamos que Deus é o Senhor da História e confiamos Nele. Se Ele desejar que sejamos reduzidos a uma minoria perseguida e martirizada, que seja feito a vontade Dele. Mas se Ele desejar que nossa luta seja fecunda e com isso possamos converter toda a sociedade facilmente, que seja feito a vontade Dele. Lutamos por Deus e por sua Religião e isso nos basta, nada disso é em vão, o verdadeiro esplendor e triunfo de Deus estará na Cidade Celeste.

        Para nós o ápice de nosso projeto civilizacional aqui neste mundo passageiro foi no período medieval, foi naquela época que a Cristandade atingiu seu ápice. Infelizmente nossa civilização decaiu tanto que nos parece ser humanamente impossível recuperar o que foi perdido, portanto, confiamos apenas na Providência Divina.

      • Tiago, então você está racionalizando para dizer que NÃO TEM estratégia. Aliás, é bem “justo” com seus iguais entrar em batalhas sem estratégia alguma, fazendo entendimentos literais da religião. Entendimentos esses que você não usa no seu dia a dia, a não ser para tomar decisões na guerra política. A meu ver, sua postura beira a imoralidade.

      • Eu acredito que ao dissermos “Eu Sou Charlie” nós automaticamente validamos o seu discurso psicopata. Mas o problema não são as abominações ditas pelo Charlie Hebdo, o problema é contra quem elas são direcionadas.
        Cristianismo não é algo tão abominável a ponto de merecer esse tratamento. Mesmo que pessoas tenham cometido atrocidades em nome do cristianismo no passado (o que é algo muito questionável uma vez que quem endossa essa visão viciada da história são apenas os marxistas e outros ideologicamente envolvidos com a difamação do cristianismo) a verdade é que HOJE o cristianismo é, indiscutivelmente e de modo geral, um sistema de crenças que provê ordem e desenvolvimento.
        Eu acredito que validar o discurso do Charlie Hebdo é, a longo prazo, aumentar a chance de cercear as liberdades dos cristãos. A partir daí para os Campos de Concentração são dois passos.
        Corrija-me se eu estiver errado, mas aconteceu algo parecido na Revolução Francesa e na Guerra Civil Espanhola: primeiro tornaram o cristianismo ridicularizado, para depois torná-lo abominável para depois torná-lo um alvo a ser aniquilado.

        Um frame que eu usaria para substituir o “Somos todos Charlie” seria: “Não sou Charlie. Mas é necessário proteger até mesmo esse grupo das ações de terroristas”.

        Abraços.

      • Luciano, depois que eu reli meu comentário acima, eu acho que os meus objetivos estratégicos não ficaram muito claros. Tentarei ser mais detalhado agora.

        Eu parto do principio que nessa guerra cultural os inimigos não são apenas os jihadistas, mas tb os secularistas radicais que endossam o discurso de “Charlie” mas censuram algum conservador que andar com uma camiseta do “Manif Pour Tours”, por exemplo.

        A minha estratégia é tentar extrair do evento do atentado aos chargistas meios para combater o extremismo da esquerda juntamente como jihadismo, arrumando uma maneira de não favorecer o discurso de Charlie Hebdo. Caso contrário, eu estaria a dar muitas armas para um inimigo meu derrotar um inimigo em comum e, com isso, permitir que ele se volte contra mim quando o inimigo em comum não for mais uma ameaça.

        Porque eu,assim como todos os cristãos creio, não tenho como objetivo apenas defender a sociedade ocidental, mas também criar um contexto favorável à pregação do Evangelho. Ainda que se tenha liberdade para prega-lo, se eu favorecer, ainda que indiretamente, essas ridicularizações eu estarei sabotando meus próprios esforços.
        Pelo menos do ponto de vista numérico, a Direita Conservadora Cristã é a mais importante de todas as “direitas” ocidentais. Acho que é necessário levar em consideração suas aspirações.

        Abraços.

      • mas tb os secularistas radicais que endossam o discurso de “Charlie” mas censuram algum conservador que andar com uma camiseta do “Manif Pour Tours”, por exemplo.
        Alias, eu abordo isso no capítulo 6. Na verdade, eles dependem da cultura de distinções de emergência. Nisso, eles estão mais bem treinados.

      • Augusto e Tiago, religiosos, repito o que disse mais acima:

        Estranho que vejo muita gente dizendo “ofenderam uma religião, sou contra aos atentados, mas ofenderam a crença dos caras, provocaram, usaram o livre-arbítrio pra isso e colheram o que plantaram” ETC ETC

        Mas aí chega Levy Fidélix dizendo na TV, ao vivo, em um debate presidencial, que os gays são todos abusadores de menores.
        OU SEJA, não é nem uma satirazinha, uma brincadeira, um cartoonzinho, uma pegadinha do Malandro, é uma ACUSAÇÃO. Diante disso, esses mesmos religiosos do “não sou Charlie” saem dizendo: “CANDIDATO DA FAMÍLIA”.
        Já sabem onde enfiar a santificada família brasileira e toda essa incoerência né? Isso, aí mesmo.

        Ou seja: satirizar religião não pode. Associar um grupo que desde sempre é discriminado a um crime sério, pode.

        Mas vamos a um exemplo mais simples e igualitário então.

        Programas de humor satirizando gays sempre existiu. Eu, que sou sim defensor da causa, não vejo problema, já que humor é humor, é feito pra ser escrachado, é ficção, não é jornalismo.

        Se fosse seguir essa lógica do “o Charlie cometeu um erro terrível ao satirizar religiões”, teria de dizer que esses programas tipo Praça É Nossa são sujos, imundos e imorais iguais ao Charlie, por estarem satirizando uma minoria.

        E se o estúdio da Praça É Nossa sofresse um atentado liderado pelo Jean Wyllys por satirizar gays, ia ter de vir com esse discurso vazio de “é, veja bem, sou contra o atentado, mas eles provocaram, pô…”

      • Cauê

        O Fidelix teria

        (1) dito “eles lá e eu cá”
        (2) associação de gays com pedofilia

        Isto é o cerne da campanha neo-ateísta

        (1) dizem “religiosos lá e eu cá”
        (2) associação de padres com pedofilia

        Vale 1 milhão?

        Abs,

        LH

      • Luciano, com todo respeito que tenho por você, essa comparação foi tendenciosa.

        Em especial a (1) pois você sabe bem a diferença entre “eu aqui e eles lá” (caso, por exemplo, dos intervencionistas no protesto amanhã: nós num canto, eles em outro, mas não que precise separá-los da sociedade e tratá-los) e em “eles precisam ficar bem longe daqui, serem tratados, ficar em reclusão, porque ficar junto com todo o resto da sociedade não dá”.
        Na segunda frase, que é o tom da fala do Fidélix, está sendo proposto RECLUSÃO. Isso é coisa que se faz com criminoso ou com quem está sofrendo de algum distúrbio que o impede de conviver em sociedade. Que mal tão grande os gays estão fazendo que o Fidélix quer reclusão a eles?
        Há muita diferença nesse exemplo que você usou e no que o Fidélix propôs.

        Nunca vi ateísta dizer “quero que internem todos os religiosos e os tratem”, como se fosse uma prisão, uma clínica de reabilitação, um campo de concentração. Se algum ateísta propôs isso, é louco e está DISCRIMINANDO.

        E vão me chamar de esquerdista, mas foda-se porque sempre vão chamar de alguma coisa:
        Gays e religiosos sofrem perseguições diferentes. Já relatei aqui, não sei se você lembra, mas por ter um irmão gêmeo que é identico a mim, e gay, já vi como é sofrer essa perseguição. Já apanhei porque me confundiram com ele e depois apanhei de novo, já não confundido, porque “Irmão de viado é viado também”. E não foi uma vez só.
        Um pouco de conversa com amigos dele você ficará sabendo de muitas histórias, algumas de agressão, outras de humilhação, gente que foi expulsa de casa (Bolsonaro mandou um abraço, babaca que diz ser da paz mas declara que “expulsaria filho de casa se fosse gay”, nossa, que paizão!) e por aí vai.

        Agora, vamos aos religiosos. Nunca soube de um filho religioso ser expulso de casa por ter se tornado religioso. Em anos de colégio nunca vi alguém apanhar por pertencer a alguma religião. Nunca vi alguém sentir vergonha de dizer ser de alguma religião.
        Não nego que há preconceito, mas não é preciso pesquisar muito e nem ser religioso ou gay pra saber que as proporções de preconceito e perseguição são bem diferentes aos dois grupos, sendo que com os gays as estatísticas são mais assustadoras e preocupantes.

        Propor reclusão e ENFRENTAMENTO (ele disse claramente: ENFRENTAMENTO) para uma minoria que é perseguida (menos do que já foi um dia, mas continua sendo), é digno de receber uma punição sim

        Já no caso (2) acho bem sério quem associa padre com pedofilia. Mas você usou um exemplo de “uma campanha neoateísta”, é genérico. Fidélix é uma pessoa, está falando por ele, precisa responder por ele. Se algum candidato, fosse qual fosse, chegasse e dissesse ao Pastor Everaldo por exemplo ou a qualquer outro que “padres são tudo pedófilos”, valeria uma bela punição.

        1 milhão? Não sei. Não sei que critérios utiilizaram pra chegar nesse valor.

        E isso não significa que eu não ache que esquerdistas que falarem insanidades do mesmo nível do FIdélix precisam passar impunes, muito pelo contrário. E também me irrita, tanto quanto a ti, o quanto com eles não acontece nada. Mas como já declarei: Fidélix pra mim tá do mesmo lado que eles, pois só muda o grupo atacado, o tipo de violência que se propõe é o mesmo.

        Abs.

      • Cauê
        Em especial a (1) pois você sabe bem a diferença entre “eu aqui e eles lá” (caso, por exemplo, dos intervencionistas no protesto amanhã: nós num canto, eles em outro, mas não que precise separá-los da sociedade e tratá-los) e em “eles precisam ficar bem longe daqui, serem tratados, ficar em reclusão, porque ficar junto com todo o resto da sociedade não dá”.
        Em que momento em comparei o “eu aqui e eles lá” do Fidelix com o discurso de manifestações?
        Na segunda frase, que é o tom da fala do Fidélix, está sendo proposto RECLUSÃO. Isso é coisa que se faz com criminoso ou com quem está sofrendo de algum distúrbio que o impede de conviver em sociedade. Que mal tão grande os gays estão fazendo que o Fidélix quer reclusão a eles?
        Em que momento da fala do Fidelix ele DEFINE que deve existir reclusão. Eu vi ali que ele sugeriu tratamento. Assim como eu posso sugerir um tratamento para esquerdismo. Nada que não seja parte de um debate dialético.
        Nunca vi ateísta dizer “quero que internem todos os religiosos e os tratem”, como se fosse uma prisão, uma clínica de reabilitação, um campo de concentração. Se algum ateísta propôs isso, é louco e está DISCRIMINANDO.
        Então você não leu o livro “A Morte da Fé”, de Sam Harris, onde ele diz que a diferença entre um louco em um sanatório e um religioso é que apenas nos acostumamos a achar normal o delírio religioso. Ele argumenta: “se alguém diz que é Napoleão, internamos em um sanatório, mas se alguém diz que uma bolacha representa o corpo de Cristo, achamos normal.”
        Há um tanto de sátira e paródia nisso, mas é o mesmo caso de Fidelix. Uma retórica de exagero.
        Se Harris é “louco e está discriminando”, por que não foi punido?
        Gays e religiosos sofrem perseguições diferentes. Já relatei aqui, não sei se você lembra, mas por ter um irmão gêmeo que é identico a mim, e gay, já vi como é sofrer essa perseguição. Já apanhei porque me confundiram com ele e depois apanhei de novo, já não confundido, porque “Irmão de viado é viado também”. E não foi uma vez só.
        Então recomendo que você leia “The Way of Men”, de Jack Donovan, que foi traduzido em português para “O Código dos Homens”, que você entenderá a origem da discriminação com os gays. Ele não está na rejeição ao comportamento gay sexual, mas em sensos de identidade biologicamente selecionados. Não há evidências de que discursos como o de Levy Fidelix levem a violência contra gays.
        Um pouco de conversa com amigos dele você ficará sabendo de muitas histórias, algumas de agressão, outras de humilhação, gente que foi expulsa de casa (Bolsonaro mandou um abraço, babaca que diz ser da paz mas declara que “expulsaria filho de casa se fosse gay”, nossa, que paizão!) e por aí vai.
        Na verdade, o comportamento conservador de valorização da família é um instinto com foco na transmissão de genes. O conservador apenas não se envergonha desse instinto que, existindo majoritariamente na população, é bom.
        Agora, vamos aos religiosos. Nunca soube de um filho religioso ser expulso de casa por ter se tornado religioso. Em anos de colégio nunca vi alguém apanhar por pertencer a alguma religião. Nunca vi alguém sentir vergonha de dizer ser de alguma religião.
        Na verdade, a discriminação aos religiosos ocorre em diferentes aspectos, especialmente no mundo acadêmico. O discurso anti-religioso é útil para isso. E nem por isso deveria ser censurado ou gerar punição.
        Não nego que há preconceito, mas não é preciso pesquisar muito e nem ser religioso ou gay pra saber que as proporções de preconceito e perseguição são bem diferentes aos dois grupos, sendo que com os gays as estatísticas são mais assustadoras e preocupantes.
        Que estatísticas? De que grupos? Desculpe-me, mas essas estatísticas não dão muita comprovação ao discurso LGBT.
        Propor reclusão e ENFRENTAMENTO (ele disse claramente: ENFRENTAMENTO) para uma minoria que é perseguida (menos do que já foi um dia, mas continua sendo), é digno de receber uma punição sim
        Ou seja, distinções de emergência para cercear a opinião divergente. Qualquer um pode propor enfrentamento que quiser diante de grupos. Além do mais, o movimento LGBT não é “minoria perseguida”. São um grupo violentíssimo. Pode ser que Fidelix tenha cometido um erro ao tomar o todo pela parte. Mas isso é compreensível, no atual estado de tensão criado pelo movimento LGBT.
        Já no caso (2) acho bem sério quem associa padre com pedofilia. Mas você usou um exemplo de “uma campanha neoateísta”, é genérico.
        Distinção de emergência. Não existe “campanha neo ateísta”. Existem NEO ATEÍSTAS, que, como parte de uma campanha, realizam ações. Valem 1 milhão? Sobre associação de padres com pedofilia, já mostrei nesse blog charges da extrema esquerda contra religiosos. Aqui está:
        http://lucianoayan.com/2013/02/24/a-psicopatia-de-alex-castro-um-esquerdista-que-quer-legislar-como-as-piadas-devem-ser-feitas-para-atender-a-atenda-dele-e-claro/
        Vale processo? Cuidado, muito cuidado…
        Fidélix é uma pessoa, está falando por ele, precisa responder por ele. Se algum candidato, fosse qual fosse, chegasse e dissesse ao Pastor Everaldo por exemplo ou a qualquer outro que “padres são tudo pedófilos”, valeria uma bela punição.
        Eu te mostrei exemplos de charges que “dão a entender” isso. Por que não geraram punição?
        1 milhão? Não sei. Não sei que critérios utiilizaram pra chegar nesse valor.
        Espere aí. Você acabou de dizer que estava certo punir Fidelix em 1 milhão. Depois diz que “não sei que critérios utiilizaram pra chegar nesse valor”.
        Aí você demoliu seu próprio argumento.
        E isso não significa que eu não ache que esquerdistas que falarem insanidades do mesmo nível do FIdélix precisam passar impunes, muito pelo contrário. E também me irrita, tanto quanto a ti, o quanto com eles não acontece nada. Mas como já declarei: Fidélix pra mim tá do mesmo lado que eles, pois só muda o grupo atacado, o tipo de violência que se propõe é o mesmo.
        Nessa questão não está do mesmo lado que eles. Estava do lado dos conservadores religiosos, ainda que tenha sido indelicado. O máximo que poderia ocorrer com Fidelix é uma crítica. Nada além disso. Processar alguém por 1 milhão por causa dessas palavras é um recuo anticivilizacional. Mas é exatamente esta uma das principais teses do livro. Algumas das pessoas vão endossar o jogo do uso de distinções de emergência para arrumar uma forma de censurar a divergência. Mas SÓ QUEM TEM PSICOPATAS para jogar este jogo é a esquerda.
        É uma realidade dolorida: muitos direitistas ajudam a esquerda mais do que pensam.
        Desculpe a crítica ácida, mas o que você propos contra Fidelix tem um nome: opressão fascista.

      • Não Luciano, você não fez associação alguma, eu que associei. Mas foi só ilustração, só para mostrar que há uma diferença entre falar “fiquem ali que eu fico aqui” e entre “fiquem longe de toda a civilização, vocês não estão aptos para o convívio”.
        Usei o exemplo dos protestos porque vi gente achando um absurdo pedirem para separar o pessoal da intervenção do restante.

        E sabe muito bem quando ele disse que deveria haver reclusão: “Eles precisam receber tratamento, mas bem longe, porque perto não dá”. Quem recebe tratamento é quem está com alguma doença ou distúrbio.

        Em suma, o que acha é que ele deveria receber uma crítica e acabar por aí, correto? Que bom que a realidade não foi assim. Fiquei com (muita) raiva dele e não fiquei com pena, muito pelo contrário.

        Nos tempos de colégio, vi de perto como era ser adolescente homossexual há 10 anos atrás e o quanto o mundo era hostil com isso. Não vi gente preocupada com transmissão de genes ou a família e nhénhénhé, essas causas tão imaculadas. Vi gente com ódio, com nojo que nem sabia de onde vinha, preocupada com o que a pessoa estava fazendo na intimidade dela. Se o tempo fechou pra essas pessoas hostis, justiça foi feita. Vi muita opressão fascista, como você mesmo citou, e já que citou tantos os religiosos, não sou conhecedor da Bíblia mas imagino que deve haver alguma passagem que diz que colherá aquilo que plantou. Levy Fidélix plantou, agora que colha, e engula o que colheu.

        Não tem jeito, não conseguirei achar que o que ocorreu com Fidélix foi injusto.

        Abs.

      • Cauê
        Mas foi só ilustração, só para mostrar que há uma diferença entre falar “fiquem ali que eu fico aqui” e entre “fiquem longe de toda a civilização, vocês não estão aptos para o convívio”
        Então se prepare para sofrer muito, pois esquerdistas e direitistas falam isso um do outro o tempo todo. E um exemplo dos neo ateus, dizendo que “religião tem lugar para isso, e tem que ser de forma privada”, e mencionando que uma boa é fazerem tratamento para largar a religião. Não vale 1 milhão.
        E sabe muito bem quando ele disse que deveria haver reclusão: “Eles precisam receber tratamento, mas bem longe, porque perto não dá”. Quem recebe tratamento é quem está com alguma doença ou distúrbio.
        Putz! Quanta associação forçada!
        Você dizer que um oponente político “merece tratamento” é uma técnica retórica. Ademais qualquer um pode dar a opinião que o um outro “merece tratamento” POR QUALQUER MOTIVO. Fazemos exceção à raça, pois é uma característica inerente, não um comportamento. Mas podemos falar isso diante de quaisquer comportamentos…
        Em suma, o que acha é que ele deveria receber uma crítica e acabar por aí, correto? Que bom que a realidade não foi assim. Fiquei com (muita) raiva dele e não fiquei com pena, muito pelo contrário.
        A questão não é de pena ou não, mas de uma visão ÉTICA sobre a liberdade de expressão, que não pode ser violada apenas por que NÃO GOSTAMOS ou NÃO FICAMOS COM PENA. É assim que começa o totalitarismo.
        Nos tempos de colégio, vi de perto como era ser adolescente homossexual há 10 anos atrás e o quanto o mundo era hostil com isso. Não vi gente preocupada com transmissão de genes ou a família e nhénhénhé, essas causas tão imaculadas.
        Er… em termos biológicos, você não precisa CONHECER a origem de sua sensação para que a sensação exista. Alias, no capítulo 5 eu falo mais disso, especificamente na questão das feministas. Ou seja, a transmissão de genes é um imperativo biológico e o INTERESSE SUBCONSCIENTE virá independentemente de você ter consciência ou não.
        Vi gente com ódio, com nojo que nem sabia de onde vinha, preocupada com o que a pessoa estava fazendo na intimidade dela. Se o tempo fechou pra essas pessoas hostis, justiça foi feita.
        Se isso aconteceu precisamos investigar qual a razão DESTE comportamento tão agressivo. Não há qualquer evidência de que o Fidelix estava entre essas pessoas. Então, se o tempo fechou para ele, não significa que fechou para seus colegas de escola. Seu silogismo, desculpe, foi horroroso. Alias, justiça passou ao longe deste argumento teu, sorry.
        Vi muita opressão fascista, como você mesmo citou, e já que citou tantos os religiosos, não sou conhecedor da Bíblia mas imagino que deve haver alguma passagem que diz que colherá aquilo que plantou. Levy Fidélix plantou, agora que colha, e engula o que colheu.
        É um discurso de desabafo, mas você não deu um argumento racional para provar que ele deve pagar 1 milhão e que você não deve pagar 20 milhões pelo que falou aqui.
        Não tem jeito, não conseguirei achar que o que ocorreu com Fidélix foi injusto.
        Desculpe, mas o argumento não é sobre o que você ACHA, mas sobre a LÓGICA dizendo que é justo que o Fidelix pague 1 milhão. Você mesmo disse que não sabia dos critérios, e eu te coloco em várias sinucas de bico, e ao final você conta histórias de sua infância que não tem absolutamente nada a ver com Fidelix.
        A não ser que você queira dizer que contar histórias de infância validam o pagamento de 1 milhão. Mas isso é mais imoral do que a Jandira Feghali fez contra Rachel Sheherazade.

      • Vish. Pelo visto te irritei. Não era intenção, nunca foi, mas mereci pois insisti. Essa questão do Fidélix a mim é pessoal, então não vai haver consenso. Só me preocupa um pouco pois não vejo na chamada “direita” preocupações parecidas com as que tenho. Isso significa então ou que estou bem despreparado, ou que eu não devia estar aqui.

        Vou dar um tempo desse blog e desses assuntos, me preocupar com outras coisas, pois agora não parece ser momento pra querer ser aliado. Deixarei isso aos que estão preparados. E não, não há ironia.

        Abs.

  13. “Uma das maiores ofensas que alguém pode fazer a uma pessoa respeitada (do seu lado) é chamá-la de homossexual caso ela não o seja. Claro que não é problema algum chamar alguém de homossexual se esta pessoa for um e reconhecer que é. Mas se a pessoa não reconhece ser um, chamá-lo de homossexual é extremamente ofensivo. Isto ocorre por que biologicamente sabemos que a homossexualidade, atribuída a alguém que não seja um, é um ataque a reputação de um reprodutor.”

    Nada a ver.
    Eu não sou homossexual e não acho o fim do mundo se me chamarem disso.
    Inclusive, como alguns aqui já me chamaram devido à minha defesa ferrenha a esses, já que dentro da ~~direita tão sábia e imaculada~~ há poucos que eu vejo preocupados com isso, com defendê-los dos conservadores retardados, e defendo por motivos familiares que já expliquei aqui mas ninguém tá interessado, apenas digo para que saibam que uma pessoa é mais do que um comentário que faz aqui, sempre podem haver mais motivos do que simplesmente ser ou não ser uma coisa.

    Já me chamaram aqui de “bichona” por atacar aquele monstro do Julio Severo.
    Não sou homossexual, logo, sou um reprodutor, mas não me importo se assim quiserem me chamar pois não acho que é vergonhoso e ofensivo ser homossexual.

    Mas, se você pensa assim, Luciano, uma pena… boa sorte com o livro, de qualquer forma.

    • Cauê,

      A constatação para isso não é de achismo. Se alguém é homossexual, mas é rotulado assim, isso NÃO É UM PROBLEMA, pois o homossexual não está buscando reputação de reprodutor. Até por sua opção. Mas para um NÃO HOMOSSEXUAL, isso é instintivamente ofensivo, pois afeta a reputação de reprodutor.

      Quando eu escrevi isso foi para compreender por que religiosos se ofenderam tanto com uma charge do Charlie Hebdo que mostrava Jesus em um trenzinho sexual.

      Abs,

      LH

  14. NÃO SOU E NUNCA SEREI CHARLIE, porque o conceito de liberade de expressão que você defende tem viés fortemente libertariano.

    Nunca existirá liberade de expressão plena assim como nunca haverá economia de mercado plena, pois somos humanos e a convivência social exige normas e padrões de comportamento regulados para a boa vivência. Mesmo entre mamíferos não-humanos (felinos, arborícolas, cães etc.) há padrões de comportamento grupal. Nisso, parece-me que falta uma visão sociológica (séria, não o lixo esquerdista que muita gente chama de sociologia) nessa sua abordagem do problema.

    Li uma vez um relato de um libertário que deixou de sê-lo quando teve filhos, simplesmente porque vislumbrou o perigo do libertarianismo para a infância…

    • Meu conceito de liberdade não é exatamente igual ao dos libertários. Mas sim o dos liberais clássicos. E eu entendo que existem limites ao que pode ser cometido pela via da expressão, mas estes limites devem ser claros, não impostos a partir de DISTINÇÕES DE EMERGÊNCIA, ENCENAÇÃO E TEATRO. É este jogo no qual alguns de vocês dizem “mexer com religião nao pode”, mas só vemos perderem processos pessoas que criticam o movimento LGBT (ex. Fidelix, Feliciano, etc.). Ou seja, ao lutar pela manutenção de um jogo (uso de distinções de emergência para censurar opositores), você luta por um cenário onde você perde. Você tem o pleno direito de dizer “Não sou e nunca serei Charlie”, mas é justo que você saiba que está ajudando a manter uma regra que só serve para ser usada contra você. No livro trago vários exemplos.

      • Agora entendi melhor seu raciocínio, mas mesmo o liberalismo clássico, um “filho comportado” da Revolução Francesa, é carente de parâmetros morais e possui uma visão de mundo materialista. Mas à diferença de seus irmãos assassinos socialistas e anarquistas, o liberalismo clássico é defensor da liberdade individual.

        Se considerarmos a História da Humanidade como um todo, vemos que o ápice civilizatório mundial alcançado pelo Ocidente é mérito do Cristianismo com seus conceitos de caridade, defesa irrestrita da vida, liberdade individual e respeito à propriedade: alguns dos pilares morais de nossa sociedade ocidental. Defender essas premissas tão rejeitadas pelo movimento revolucionário esquerdista não pode ser considerado distinção de emergência ou uma regra discricionária, mas a verdadeira questão de sobrevivência.

        Aí vem a questão principal: Charlie Hebdo não é apenas um jornal satírico, mas um inimigo de nossas premissas civilizatórias e, de forma deliberada ou não, aliado dos seus próprios algozes (ainda que de bandeira diferente) na luta contra a civilização ocidental, não podendo passar despercebida a existência de maçons entre as vítimas do atentado.

        A liberdade de expressão tem que ser limitada para que não se torne um instrumento de auto-destruição da própria liberdade. O que Charlie Hebdo faz não é diferente do que Julius Streicher fazia em seu “Der Stürmer” ou Voltaire em suas detrações.

      • Pedro Rocha,

        Não é que o ápice civilizatório é mérito do Cristianismo. O que conhecemos hoje como ocidente tem como mérito TER SELECIONADO uma religião mais adaptável à sua cosmovisão valorizando a liberdade. Este mesmo Ocidente foi mais pródigo em valorizar a liberdade de expressão. Muito provavelmente você atribui um mérito ao cristianismo que talvez nem seja do cristianismo para blindá-lo de críticas. Também há o equívoco de achar que a existência de charges sobre cristianismo “podem acabar com o cristianismo”. É um erro pensar assim.

        Abs,

        LH

      • Muito bom, Pedro Rocha.

        Luciano, como não é mérito do cristianismo? Foi a Igreja a primeira religião a separar Estado e Igreja. Após o colapso do Império romano, somente a Igreja Católica tomou a frente das instituições civis, inventou os hospitais, as universidades, lançou as bases para o método científico, etc. A Civilização Européia/Ocidental foi fruto da Igreja, foi mais de mil anos a Cristandade, cujos pilares são Roma, Atenas e Jerusalém.

      • Tiago,

        É que você está atribuindo responsabilidade às ideias, enquanto eu às pessoas que USARAM as ideias. Ou seja, nossa civilização ESCOLHEU o cristianismo por que ele estava mais ADAPTADO aos nossos interesses por liberdade. Ou seja, o mérito é nosso, e méritos ao cristianismo por ter se adaptado. É exatamente por isso que você deveria defender a plena livre expressão.

        Abs,

        LH

  15. http://www.fabioblanco.com.br/a-impossibilidade-da-moderacao-do-religioso/

    A impossibilidade da moderação do religioso
    31 de março de 2015 por Fabio Blanco
    Um religioso é um apaixonado, é alguém que não apenas acredita em algo, mas o vive em toda sua dimensão, inclusive a eterna. Como querer que ele não fale e não lute por isso?

    Vivemos em uma sociedade laica, que se pretende à parte de qualquer tipo de manifestação religiosa, lançando esta para o âmbito da privacidade, onde não incomode quem dela não faz parte, nem com ela comunga.

    Daí, quando algum religioso tem a pretensão de alçar sua voz para além dos currais eclesiásticos, trazendo para o debate público questões que são caras à fé, logo os amantes do laicismo esperneiam, reclamando que isso é um abuso.

    E veja que tal atitude de histeria não é exclusividade de esquerdistas ideológicos. Há liberais aos borbotões que só de ouvirem falar que algum pastor, padre ou religioso disse alguma coisa em discussão pública, logo se lançam à frente, tentando desmoralizar o indivíduo.

    A religião é, de fato, uma pedra no sapato da modernidade. Esta que, por diversas facetas, tenta se desvencilhar da figura divina, reclamando autonomia e liberdade, encontra no discurso religioso o seu acusador, ainda quando ele não carrega uma acusação em si mesmo.

    É que as palavras da religião trazem à tona uma verdade que os mimados homens modernos, tão acostumados com a bajulação que o espírito de seu tempo lhes oferece, dizendo que são bons, que são livres e sábios, não querem ouvir: que são pobres pecadores, frágeis seres que mal têm controle sobre o próprio destino, quiçá os maiores.

    Acontece com eles aquilo que o apóstolo Paulo já havia afirmado: sentem cheiro de morte no aroma das flores do Evangelho. A cada palavra que um ministro de Deus ousa proferir na ágora moderna, o filhos deste mundo, de todas as matizes, berram, acusando-os de intolerância.

    Querem que os religiosos se calem. Pelo menos se calem publicamente. Pelo menos não tragam, ao debate público, convicções que consideram restritas à fé pessoal. Exigem deles o silêncio reverente ante o deus mundano do laicismo.

    Esperam que os religiosos sejam moderados, como se possível fosse a moderação quando se trata de religião. Um religioso é um apaixonado, é alguém que não apenas acredita em algo, mas o vive em toda sua dimensão, inclusive a eterna. Como querer que ele não fale e não lute por isso? Como esperar que ele se cale, aceitando os pressupostos exclusivamente materialistas oferecidos pelo mundo?

    Uma fé religiosa não é apenas a convicção em relação a uma ideia, mas a certeza de que a existência se explica de uma determinada maneira. Sendo assim, quem a possui não tem a opção de negociá-la ou restringi-la sem antes trair-se. Quando pedem para ele ser mais moderado, o que estão pedindo é que negue a si mesmo, a seu próprio pensamento.

    Ser religioso é ser essencialmente fundamentalista, se isso significar acreditar em uma explicação da vida e tentar viver de acordo com isso. Aliás, a religião, nesse sentido, é mesmo intolerante, pois crendo que sua explicação da existência é a correta, automaticamente entende que qualquer outra está equivocada.

    Não adianta esperar, portanto, que um religioso meça suas palavras. Se for realmente fiel à fé que professa, ele jamais fará isso. Nem adianta querer calá-lo publicamente, pois está na natureza religiosa a pregação. O jeito é aceitar que há pessoas neste mundo que cometem a loucura de crer que são mais do que meras partículas que se extinguirão em algum momento. Precisam se conformar que existem homens que acreditam insanamente em um Deus e são incapazes de se calar diante disso.

    Os senhores da razão jamais entenderão essas coisas, mas não porque a religião nega a inteligência, e sim porque eles é que se perdem na irracionalidade de sua fé materialista, absolutamente cega para o óbvio: de que não existe moderação em ninguém que acredita verdadeiramente em alguma coisa – seja em uma religião, seja nos princípios intocáveis das convicções laicistas.

  16. Referente ao plano estratégico, postei um comentário sobre como é o ideal católico: lutamos mais pela justiça da batalha do que pelas possibilidades de vencê-la. O comentário sumiu? Não foi aprovado? É um comentário muito pertinente, pois liberais filosóficos e libertários não tem a mesma mentalidade dos religiosos tradicionais.

      • Talvez sim, por causa da situação atual, onde as elites caíram no relativismo e degradação, isso limita muita nossa ação política com eles, näo podemos e não queremos dar concessão as crenças e ações erradas, mentirosas e malvadas.

        Não podemos e não queremos adotar uma mentira que não nos representa só para vencer a guerra política. Como dito, preferimos perder a guerra política lutando pelo que achamos o correto, isso é honra, integridade e caridade (amor) – como já aconteceu várias vezes na história, quando os religiosos tornaram-se minorias perseguidas. O próprio Jesus foi crucificado pelos políticos em nome da verdade.

      • É de se perguntar: onde que não pede? Onde Deus concede o direito a liberdade de expressão absoluta? Onde Deus aprova a desarmonia social?

        “Mas Jesus, aproximando-se, lhes disse: Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi.” (Mt 28,18-20)

        “Nós aniquilamos todo raciocínio e todo orgulho que se levanta contra o conhecimento de Deus, e cativamos todo pensamento e o reduzimos à obediência a Cristo. Estamos prontos também para castigar todos os desobedientes, assim que for perfeita a vossa obediência.” (2 Coríntios 10, 5-6)

        “Eis por que eu vos escrevo de longe para que, estando presente, não tenha que usar de rigor, em vista do poder que o Senhor me conferiu para edificar, e não para destruir.” (2 Coríntios 13, 10)

        Mas nem precisa entrar no âmbito da Revelação para chegarmos na obviedade de que ninguém tem o direito a liberdade de expressão absoluta, somente pela razão qualquer um pode chegar nessa conclusão, um pagão romano ou grego poderia facilmente fundamentar isso só usando a razão, pois é altamente prejudicial para a harmonia social. Por isso a Constituição brasileira limita a liberdade de expressão. Isso é algo básico, você e seus comparsas do Charlie estão perdendo a noção de coisas basilares de uma sociedade. Eles fazem isso intencionalmente, eles querem o caos social, e você?

        Art. 208 do Código Penal:

        “Art. 208 – Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso:

        Pena – detenção, de um mês a um ano, ou multa.”

      • Tiago
        É de se perguntar: onde que não pede? Onde Deus concede o direito a liberdade de expressão absoluta? Onde Deus aprova a desarmonia social?
        Se não pede, então pq vc está reclamando?
        Quem disse que fazer piadas sobre religião causam “desarmonia social”?
        Suas citações de Coríntios estão fora de contexto, pois era para uma época em que não haviam noções básicas de direito instituídas. Nos 10 mandamentos, por exemplo, não há nada proibindo a livre expressão de ideias.
        pois é altamente prejudicial para a harmonia social.
        É você que está dizendo que é altamente prejudicial. Me parece uma tentativa de proteger sua religião de críticas.
        Por isso a Constituição brasileira limita a liberdade de expressão. Isso é algo básico, você e seus comparsas do Charlie estão perdendo a noção de coisas basilares de uma sociedade. Eles fazem isso intencionalmente, eles querem o caos social, e você? Art. 208 do Código Penal: “Art. 208 – Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso: Pena – detenção, de um mês a um ano, ou multa.”
        Eu já tratei essa questão no livro. Então eu faço um desafio. Livro: “Deus um Delírio”, de Richard Dawkins. Vá tentar retirar o livro das livrarias usando o art. 208 (lembre-se que ele chama Deus de “delírio”) e volte para me dizer o resultado. Eu aposto que você toma uma litigância de má fé.

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