Como os neo ateus mentem para fingir que “religião é uma causa de guerras” (excerto de “A Urgência de Sermos Charlie”)

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richard dawkins

Acabamos de passar uma semana da campanha (restam 52 dias pela frente), e já chegamos a quase 50% do valor necessário na campanha de crowdfunding para o lançamento do livro “A Urgência de Sermos Charlie”. Novamente, agradeço aos colaboradores. E lembro que temos um caminho pela frente, então precisamos seguir na divulgaçãoAntes de exibir um excerto do capítulo 3, intitulado “Paraíso Maldito”, quero falar um pouco sobre a polêmica com parte da direita religiosa. 

Embora a campanha esteja indo melhor do que esperávamos, resta uma ponta de decepção com alguns religiosos que parecem não ter entendido a ideia por trás do livro. Daí, valorizam dizer “eu não sou Charlie”, como se isso tivesse algum significado político. É claro que nem todos os religiosos agem assim. Reinaldo Azevedo e Rachel Sheherazade, respectivamente um católico e uma evangélica, se manifestaram fortemente a favor do Charlie Hebdo compreendendo que lutar pela liberdade de expressão era o mais importante após este evento histórico. 

O fenômeno basicamente é o seguinte:

1. Após o atentado a extrema esquerda entendeu que a expressão “eu sou Charlie” se tornou terrível para ela, pois queriam manter o frame “liberdade de expressão não é ilimitada”, para censurar a mídia (na época o PT falava muito mais do assunto do que tem falado atualmente – pois hoje o partido está nas cordas). 

2. Irritados, eles começaram a dizer que “Charlie” não poderia ser homenageado pela direita, já que era um “jornal de esquerda”. Aqui havia apenas uma tática, mas muito descarada, pois liberdade de expressão (a sério) é independente de espectro político. Isso se você realmente acredita na liberdade de expressão. Então tanto faz o posicionamento politico do Charlie Hebdo. Alias, quando você promove a liberdade de expressão de quem é contra você aí é que você demonstra defender a expressão “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las”, falsamente atribuída a Voltaire mas ainda assim um belíssimo ditado. 

3. A direita liberal, e até muitos conservadores, mesmo religiosos, perceberam isso. Mas uma parte da direita religiosa não entendeu e começou a dizer “eu não sou Charlie”. Mas aí não havia estratégia alguma, apenas a indignação por que o jornal já havia satirizado sua religião. Sem querer, mais uma vez, uma parte da direita ajudou na campanha da extrema esquerda. 

Para testar o passo 3, eu fiz um questionamento para quem diz “eu não sou Charlie” sobre seus objetivos estratégicos em proferir tal frase. Ninguém apontou qualquer tipo de objetivo neste sentido. Ou seja, enquanto a extrema esquerda profere “eu não sou Charlie” com fins de tomada de poder, uma parte da direita religiosa diz a mesma frase, mas sem objetivo estratégico algum.

Eu não estou dizendo que o religioso precisa dizer “eu sou Charlie”. E na verdade “eu sou Charlie”, conforme simbolizado nas manifestações que se seguiram ao atentado, significava apenas “reconhecer que o desrespeito à liberdade de expressão já ultrapassou o limite do suportável em nossa civilização, e precisamos urgentemente fazer algo em relação a isso, pois este tipo de desrespeito está levando a diversas formas de totalitarismo e barbarismo”. Porém ficaria péssimo ter um livro com um título “A urgência de reconhecermos que o desrespeito à liberdade de expressão já foi além dos limites e precisamos agir logo!”. 

Por que estou dizendo isso? Por que quero que esses religiosos que se irritaram contribuam? Não. Cada um contribui e/ou divulga se assim o desejar. Se sentirem que devem adquirir o livro, ficarei feliz. Se sentirem que não, é o direito de cada um. Mas é relevante que alguns deles saibam que estão lutando contra o adversário errado. Na verdade, no livro, desmascaro estratagemas que tem sido executados muito mais pelos inimigos dos religiosos do que por eles próprios. Aí a coisa já se classifica como uma rejeição a quem tenta ajudá-los (já que a extrema esquerda é ultra desonesta contra os religiosos). E de mais a mais, o livro se chama “A Urgência de Sermos Charlie”, mas um leitor religioso que não aceitar as charges do Charlie Hebdo poderá compreendê-lo como “A Urgência de Lutar pela Liberdade de Expressão com o Símbolo que eu Quiser, até para Criticar o Charlie”. Independentemente do título, o conteúdo é o mesmo. Por fim, se algum religioso quiser fechar os olhos para as dicas (até para a sua defesa, quando algum desonesto estiver diante dele) somente pelo título incluir “sou Charlie”, é óbvio que eu o respeitarei pela decisão.

Enfim, antes de ver o excerto, confira outros textos já publicados: 

Eis o excerto: 

Assustado com esta baixaria cometida por Mello? Não fique, pois ele nada mais fez do que emular discursos fraudulentos criados por outras pessoas. Considere este trecho logo do início do livro Deus, um Delírio, de Richard Dawkins[i]:

Imagine, com John Lennon, um mundo sem religião. Imagine um mundo sem terroristas suicidas, sem o 9/11, sem o 7/7, sem as Cruzadas, sem a caça às bruxas, sem a Guerra da Pólvora, sem a Partição da Índia, sem os conflitos entre Israel e Palestina, sem os massacres entre Sérvios, Croatas e Muçulmanos, sem a perseguição de judeus como “assassinos de Cristo”, sem problemas na Irlanda do Norte, sem “assassinatos por honra”, sem tele-evangelistas de ternos brilhantes e cabelos pomposos sugando dinheiro de pessoas vulneráveis (“Deus quer que você doe até doer”). Imagine nenhum Talibã explodindo estátuas antigas, nem qualquer decapitação de blasfemadores, nem o açoitamento de carne feminina pelo crime de exibi-la na medida de uma polegada.

Diga-me se esta apelação acima não é capaz de emocionar os mais vulneráveis. Não me interessam as razões que o levaram a promover tamanho engodo, mas é evidente que ele se coloca como um verdadeiro Santo Milagreiro. O milagre virá desde que a religião seja eliminada. Daí surgirá o mundo maravilhoso. É incrível que ele escreva assim para pessoas supostamente adultas. Por aí você já sabe o que esperar do resto da argumentação.

Veja agora o que diz Sam Harris[ii]:

Uma olhadela na história, ou em qualquer página de qualquer jornal, revela que ideias que divirem um grupo de seres humanos de outro, apenas para uni-las no assassinato, geralmente possuem suas raízes na religião. Parece que se nossa espécie no futuro erradicar a si mesma através da guerra; não será pelo que estava escrito nas estrelas mas por que estava escrito em nossos livros.

De novo a mesma conversa de sempre. Tudo dá a impressão de que basta comprar o produto vendido por Sam Harris, assim como por Richard Dawkins, que salvaremos o mundo.  E tudo isso de graça? Basta só jogar a religião no lixo e surgirá a salvação. Aleluia! Mas desde que observemos de forma mais crítica o padrão discursivo-comportamental de Marx e seus marxistas propondo paraísos terrestres e construindo infernos de forma olímpica, ficará claro o quanto se tornou vital levar este tipo de conversinha para a arena, onde ela poderá ser submetida a um verdadeiro escrutínio cético.

Nem é preciso dizer que basta um pouco de olhar crítico para que todo esse castelo de cartas desabe. Para dar um fim a este show de demagogia, Vox Day fez um excelente trabalho em seu livro The Irrational Atheist[iii].

Ele começa mostrando que em 232 anos, os Estados Unidos lutaram aproximadamente 17 guerras. Isso dá cerca de uma nova guerra a cada quatorze anos, o que não é exatamente algo pacífico, mas não é nada agressivo se comparado à República Romana Pagã, ávida no lançamento guerras contra seus oponentes na medida de três ou quatro por ano. Qualquer povo diferente que aparecesse pela frente era trucidado via ação militar. Menos aquela famosa aldeia gaulesa…

Das 17 guerras nas quais os Estados Unidos se envolveram, a única merecedora do rótulo “guerra religiosa” seria a tal ação antiterrorismo culminando na invasão do Afeganistão. De resto, só falamos de guerras seculares.

Vox Day também lembra que, de acordo com a Encyclopaedia of Wars, 123 guerras são apontadas como religiosas. Isso ao longo de toda a história. Resultado: temos apenas 6,98% de todas as guerras da história classificadas como “religiosas”. Ele também lembra que 66 de todas essas 123 guerras foram iniciadas por nações islâmicas. Considerando haver um grupo religioso em específico responsável por metade dessas guerras (e retirando-a do quadro), teríamos o resto da “religião em geral” responsável por apenas 3,23% de todas as guerras do globo. A evidência é conclusiva: a religião não é fonte principal de guerras.

Mas Vox Day não se satisfaz. Parece gostar de bater em cachorro morto. Um verdadeiro pentelho, ele chega a definir um “Argumento Ontológico da Religião como Causa de Guerras”.  Vamos a ele:

  1. A religião causa divisão entre as pessoas (Dawkins: “Religião é indubitavelmente uma força divisiva”; Harris: “As divisões religiosas em nosso mundo são auto-evidentes”)
  2. A religião fornece o rótulo dominante pelo qual as pessoas são divididas em grupos. (Dawkins: “Sem a religião, não haveriam rótulos pelos quais se decidiria quem oprimir e quem vingar”; Harris: “A única diferença entre esses grupos é sobre o que eles acreditam sobre Deus”)
  3. Guerras são lutadas por grupos divididos de pessoas com diferentes rótulos. (Dawkins: “Olhe cuidadosamente para qualquer região do mundo onde você encontra violência intratável e inegociável entre grupos rivais. Eu não posso garantir que você irá encontrar religiões como rótulos dominantes para os grupos de dentro e de fora. Mas é uma boa aposta”; Harris: “Religião é uma fonte viva de violência hoje como foi em qualquer tempo no passado”)
  4. Logo, religião é a causa implícita de guerras (Dawkins: “O nome do problema é Deus”; Harris: “Fé… a fonte mais prolífica de violência em nossa história”)

Vox Day pede para que consideremos o mesmo argumento, apenas substituindo três asserções válidas:

  1. Pelicanos comem sardinhas
  2. Pelicanos melhoram as espécies de sardinhas ajudando a seleção natural
  3. A seleção natural é o mecanismo pelos quais a evolução ocorre.
  4. Logo, os pelicanos são a causa implícita da evolução.

Está rindo do quê? Sim, eu sei que parece aviltante, mas a responsabilidade por este mapeamento de padrão vem dos senhores Richard Dawkins e Sam Harris. Pelo menos vou livrar a cara de Daniel Dennett, que foi muito mais elegante, sem respostas prontas, em “Quebrando o Encanto”.

Não é assim que se deve estudar seriamente um assunto tão crítico para nós, principalmente em momentos onde nos vemos abismados com explosões indesculpáveis de violência. Os momentos mais trágicos para a humanidade não devem ser explorados como fonte de sofismas, mas como motivação para estudos à caça das causas reais dos problemas. Doa a quem doer.

É justo criticar a religião, especialmente alguns religiosos. Fiz um bocado de críticas ao comportamento de vários deles no capítulo anterior. Mas não é com safadezas que envergonhariam uma cascavel que devemos seguir neste empreendimento.

Para aumentar o didatismo, também podemos definir o silogismo mapeado por Vox Day como um estratagema: “a religião como causa de guerras”, usado para que os neo-ateus se vendam ao público como paladinos da paz, posicionando os religiosos, seus oponentes políticos, como “proponentes da guerra”.

A coisa é tão apelativa que, já cientes de que a construção lógica do sofisma é horrorosa, eles até dão uma “amenizada”, muitas vezes dizendo que a religião não é a única causadora de guerras, apenas um fator essencial para causá-las, dentre outros fatores. Mas de que adianta uma mentira cheia de pose em relação a uma mentira mais descarada? A falta de honestidade intelectual é a mesma.

O engraçado é que durante os debates muitos deles usam o estratagema de forma empolgada logo na entrada, mas basta um pouco de questionamento socrático para que se compliquem, justamente pela falta de evidências. Um exemplo é o conflito entre protestantes e católicos na Irlanda. Para um neo-ateu, a sentença vem mais rápida que enterro de bexiguento: “a culpa é da religião”. Claro que isso não sobrevive ao menor questionamento. Por exemplo, pergunte: há evidências de que se as religiões fossem as mesmas não haveria a colonização feita pela Inglaterra? Outro questionamento possível: supondo a colonização já em vigência, não haveria a tentativa de luta por liberdade se tanto o povo da colônia como do país colonizador pertencessem à mesma religião? Colocados contra a parede durante o questionamento pelas evidências de que tais “movimentos de paz” adviriam da ausência de religião ou seriam dificultados por tal ausência, neo-ateus começam a tergiversar, atropelando a lógica sem o menor pudor.

Pela experiência no desmascaramento de fraudes intelectuais, aos poucos fui descobrindo como eles montam esse tipo de factoide, com base em uma retórica de quinta categoria. Segue aqui então o método para criar mitos sobre guerras causadas por religião:

  1. Selecione todas as guerras que conseguir elencar, colocando-as numa lista
  2. Tome o cuidado de anotar os lados na guerra, em duas perspectivas, agressão (agressor/agredido) e religião (de cada uma das partes).
  3. Revise a lista agora com a perspectiva olhando pelo fator “agressão”
  4. Caso o país agressor seja um país ateu, retire esse conflito da lista
  5. Para os itens restantes da lista, olhe pelo fator “religião”
  6. Caso a religião entre os dois países seja igual, retire o conflito da lista, da mesma forma que foi feito no item 4
  7. Para os itens restantes, categorize-os todos como guerras religiosas. É o suficiente para que seja iniciada uma sequência de propaganda dizendo que a religião foi fundamental para as guerras em questão.

É simples assim! Desnecessário dizer que ao findar o item 7, o neo-ateu terá em mãos uma grande quantidade de guerras a serem vendidas ao público como “guerras religiosas”. Grande parte da campanha de associação de religião com conflitos foi construída em cima deste tipo de jogo retórico, sempre com o uso de teses mais furadas que orelha de gótica.

Alguns deles até conseguem fazer algum barulho em debates. Não se esperaria uma atitude diferente, pois o número de conflitos restantes na lista após o término do passo 7 é considerável. Entretanto, mesmo que a quantidade seja grande, uma sessão de questionamentos céticos é suficiente para percebermos que tal tentativa não passa de um truque sujo, que, quando exposto, pode se tornar degradante para os neo-ateus. Por exemplo, alguns políticos podem dizer que “Deus justifica a intervenção militar no país (x)”, o que está longe de provar que a crença em Deus causou a intervenção militar.

Qualquer que seja sua idade, se você está lendo esse livro ela já o permite notar que a decisão de um país entrar em guerra não é bolinho. É uma das escolhas mais difíceis a serem feitas, pois isso implicará em perdas econômicas terríveis. Deveríamos nos preocupar, em especial, com a gravíssima consequência do uso de discursos flagrantemente mentirosos ensinando à opinião pública noções falsas sobre como funcionam as guerras no mundo.

Esse tipo de trambique intelectual tem como consequência a alienação das pessoas sobre as verdadeiras razões para os conflitos. Muitas pessoas podem achar que países guerreiam motivados por crenças diferentes sobre se devemos comer carne de porco ou não. Ademais, isso tudo se torna um apelo à ingenuidade da plateia. Os neo-ateus que se valem deste discurso terminam por chamar seus leitores e demais interlocutores de estúpidos. Tudo por que para alguns néscios é a reconfortante pensar que o ateísmo vai levar à “paz no mundo”. Reconfortante mas inútil. Sejamos adultos. Ateísmo não foi feito para isso. É uma opção intelectual legítima e justificável. Não uma proposta de salvação do mundo. Ao propor salvação do mundo pela eliminação da religião, o neo-ateísmo se transforma em uma perigosa religião política. Isto é um sintoma da doença da qual ele pretende ser a cura.

Na verdade, vender teísmo ou ateísmo com estes recursos é o cúmulo da degradação do intelecto ou ao menos da dignidade. Até por que se alguém disser que “a justiça incentiva a invasão militar de (x)” ou “o bem comum pede a aniquilação do país (y)”, o mesmo neo-ateu não alegará que “a justiça” ou “o bem comum” são causas de guerras. Eles deveriam tomar vergonha na cara e parar de usar este tipo de estratagema. Já se tornou degradante demais e tem prejudicado a imagem de todos os ateus.

[i] Isto se encontra logo no início de “Deus um Delírio”, de Richard Dawkins.

[ii] Logo no início do livro “A Morte da Fé”, de Sam Harris.

[iii] O livro The Irrational Atheist, de Vox Day, foi lançado de forma obscura. Merecia melhor destino, pois além de muito investigativo, é bem divertido.

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31 COMMENTS

    • Eu não sou Charlie, muito menos os talibãs, aiatolás, xiitas, etc. Eu sou o que o bom senso, a moral e até o próprio Deus quer nos ensinar. Se quer respeito, dê-se o respeito e respeite. Por isso não sou Charlie… muito menos os “ultra-radicais”!

  1. Luciano, como já disse em outro post. A causa é nobre, o problema está no mote. Um religioso francês é incentivado a sair às ruas com um cartaz ‘eu sou Charlie’, para demonstrar sua luta em favor da liberdade de expressão, DESDE QUE ele não vá às ruas com uma camisa em apoio à família tradicional, pois corre o risco de ser algemado. Irônico, não?! Incentivado pelo governo e a sociedade secular a lutar pela liberdade de expressão, mas tendo privada sua própria liberdade de expressão pelo governo e sociedade secular.
    Vou trazer o exercício de reflexão para este post, ok?
    Vamos lá: O PT alegou recentemente que a sede do partido foi atacada. Já imaginou se os líderes do partido resolvem, com o apoio da mídia, criar um cenário onde se dizem alvos de intolerância de extremistas e que é preciso lutar contra isso? Nessa, o PT convoca os movimentos sindicais e ‘sociais’ para uma marcha em busca da liberdade de expressão. A causa, não há como negar, é nobre. Independentemente se houve ou não o ataque, a luta em favor das liberdades individuais do ser humano são sempre válidas. Agora, uma vez que a causa é nobre, vc apoiaria uma marcha com o mote “somos todos PT”? Penso que não!

    Quanto ao conteúdo que vc tem apresentado, não preciso dizer que apoio totalmente.

    Abs

    • Marcelo,

      O livro menciona o “ser Charlie”, mas dá uma definição para o que significa isso. Ou seja, o leitor pode sair dizendo uma frase mais longa, sem sequer mencionar Charlie. O problema ESTRATÉGICO que eu vejo é sair dizendo “eu não sou Charlie”, e no livro explico bem o motivo.

      Você citou o caso de um religioso correr o risco de ser algemado por usar uma camisa em favor da família tradicional. E você está certíssimo. Esse é um caso grave de violação à liberdade de expressão. O problema é que este é o jogo: uso de distinções de emergência para cercear opositores. Quando o religioso diz “eu não sou Charlie” isso é apenas um desabafo, pois eles não agem estrategicamente para simular distinções de emergência para censurar opositores. Eu argumento no capítulo 2 que este é um jogo que os religiosos não deveriam jogar. Primeiro pq não são hábeis em dissimulação. Segundo pq é até imoral dissimular para capitalizar politicamente. Terceiro pq para ganhar nesse jogo é preciso de teatro e encenação, mas a elite de psicopatas está na esquerda.

      Enfim, no postfácio eu vou tratar mais dessa questão estrategica. Alias, este post explica mais detalhes do problema estrategico que enfrentamos hoje em parte da direita religiosa:

      http://lucianoayan.com/2015/03/31/como-os-neo-ateus-mentem-para-fingir-que-religiao-e-uma-causa-de-guerras-excerto-de-a-urgencia-de-sermos-charlie/

      Abs,

      LH

      Luciano, como já disse em outro post. A causa é nobre, o problema está no mote. Um religioso francês é incentivado a sair às ruas com um cartaz ‘eu sou Charlie’, para demonstrar sua luta em favor da liberdade de expressão, DESDE QUE ele não vá às ruas com uma camisa em apoio à família tradicional, pois corre o risco de ser algemado. Irônico, não?! Incentivado pelo governo e a sociedade secular a lutar pela liberdade de expressão, mas tendo privada sua própria liberdade de expressão pelo governo e sociedade secular.
      Vou trazer o exercício de reflexão para este post, ok?
      Vamos lá: O PT alegou recentemente que a sede do partido foi atacada. Já imaginou se os líderes do partido resolvem, com o apoio da mídia, criar um cenário onde se dizem alvos de intolerância de extremistas e que é preciso lutar contra isso? Nessa, o PT convoca os movimentos sindicais e ‘sociais’ para uma marcha em busca da liberdade de expressão. A causa, não há como negar, é nobre. Independentemente se houve ou não o ataque, a luta em favor das liberdades individuais do ser humano são sempre válidas. Agora, uma vez que a causa é nobre, vc apoiaria uma marcha com o mote “somos todos PT”? Penso que não!

      Quanto ao conteúdo que vc tem apresentado, não preciso dizer que apoio totalmente.

      Abs

  2. O NOVO SUPER-HERÓI BRASILEIRO
    Os EUA tem o Superman, o Japão tem o Ultraman e o mundo tem os X-men. Mas e o Brasil?! Cadê o super-herói brasileiro? Para suprir essa carência, vou criar um super-herói. Vai se chamar Pitiman, porque seu nome original é Impitman, cuja menção causa piti! Reza a lenda que ele surgiu após a passagem do cometa Halley em meados dos anos 80 e que na verdade Pitiman seria um ET que veio à Terra para ajudar a raça humana decadente, principalmente em países banânicos. Outros, porém, acreditam que ele é um ser maléfico pactuado com o tinhoso e que quer somente enganar as pessoas e instituições, criando uma ilusão de justiça, quando na verdade quer levar as almas políticas para padecer eternamente no mármore quente do Foro de São Paulo. O fato é que de vez em quando a população, acuada pelos bandidos oficiais, clama pela ajuda desse super-herói. Mas como Pitiman é meio tímido e precisa do apoio moral de grande parte da população, pois é um sujeito democrático e que segue a lei, demora um pouco para dar as caras. Os críticos insistem que ele só aparece para agir quando se oferece alguma coisa em troca, como a cabeça de um político ou um tempinho na TV. Mas isso é intriga da oposição, ou melhor, da situação. Bem, de qualquer forma, quando Pitiman surge, sua ação é poderosa, traumática e irreversível. Não dá tempo para dizer que não sabia de nada, que é inocente ou que é uma pobre vítima do sistema. Pitiman não escuta esse blábláblá, até porque é surdo. Nada muito estranho, pois ele é primo de Themis, a grande figura representativa da Justiça, que é cega. Além disso, enquanto Themis usa uma espada como símbolo de poder, Pitiman, que é o primo pobre, usa uma panela. Uma panela feita de alumínio, pois faz mais barulho e vibra quando golpeada, principalmente nos cornos dos políticos criminosos e traidores. Veja bem, isso não é ódio ou crueldade, nem dor de barriga por ter comido uma coxinha ou sanduba de mortadela, mas uma técnica para alertá-lo que a pancada teve efeito. Outra arma poderosa é o raio-rotulador, que marca o político com o sinal da má-fé e a população com o sinal da ignorância, mas que não tem efeito duradouro. Pitiman não tem medo da patrulha ideológica ou do politicamente correto, pois, feito o trabalho, desaparece no anonimato e volta a ter uma vida pacata como uma pessoa comum. Como não poderia deixar de ser, Pitiman, o novo super-herói brasileiro, tem um parceiro, chamado Reforman, cujo objetivo é a reforma política inteligente, ética e civilizada. Reforman tem alma nobre, mas é ingênuo, pois dá ouvidos às más línguas, o que perverte sua função. Em outras palavras, se Reforman ficar exposto muito tempo à radiação maligna do Congresso, ele se transforma num ogro interdimensional que quer mudar tudo de qualquer jeito, mas que no fundo não muda nem reforma nada. O pior é que, quando isso acontece, Pitiman perde seus poderes e não consegue agir. Por isso, para a coisa andar bem, Pitiman tem que agir em primeiro lugar e Reforman, em segundo. Embora nossa dupla de super-heróis seja relativamente eficaz para afastar os políticos criminosos, ela não consegue agir contra o principal inimigo do país e quiçá da humanidade: Sinistron (do latim sinistru, significando esquerdo, funesto, ameaçador; ou desastre, acidente, prejuízo). Sinistron é nome popular do Komunistum Squizóides, um ser maligno que mente, agride, perverte, rouba e mata, mas não assume nada e ainda acusa os outros disso, pois para ele os fins (o poder total) justificam os meios (o processo revolucionário). Sinistron, um fóssil vivo, é desprovido de compaixão e ética, mas é provido de raiva e estratégia, o que o torna um inimigo particularmente perigoso. Ele se faz de forte quando está fraco e se faz de fraco ou coitadinho quando está forte, ou seja, vive fingindo e blefando, pois não quer mostrar sua verdadeira face, se é que tem uma, mas quer testar os pontos fracos do inimigo para dominá-lo ou destruí-lo. Os estudiosos têm dúvidas quanto a sua origem. Alguns pensam que Sinistron surgiu na era mesozóica, na região da antiga república do Komunistão, pertencendo ao grupo dos crustáceos, como os siris. Essa hipótese advém do fato que Sinistron apresenta hipertrofia patológica do lado esquerdo, o que o faz andar para o lado esquerdo o tempo todo. Para conseguir andar em frente, ele tem que virar a parte esquerda de seu corpo para frente, o que o faz olhar inevitavelmente para a direita e reclamar de todos aí posicionados como responsáveis pelas batidas e impactos que sofre. Atribui-se a Sinistron a extinção dos dinossauros, pois ele tinha muita inveja e ódio dos dinossauros, que eram grandes, fortes e livres. Ao que parece ele infectou os ovos dos dinossauros com a bactéria igualdadella dyqqual kérjeitum sp., o que fez os dinossauros nascerem mentalmente burros, emocionalmente instáveis, fisicamente frágeis, sexualmente indefinidos e politicamente corretos, levando a sua inevitável extinção, pois ninguém mais queria caçar ou se reproduzir. Outros estudiosos, entretanto, advogam que Sinistron é uma espécie de polvo, ou seja, é um molusco da classe cephalopoda ou cefalophoda, que não tem esqueleto e possui oito braços com ventosas ao redor da boca que, por sinal, não pára de comer, beber e falar sandices. Apresenta, além disso, a capacidade de largar uma tinta escura que serve como camuflagem, pois assim pode estender seus tentáculos por todos os lados, procurando almas e países desatentos para enganar e sugar até a completa desfiguração. Quem fica muito tempo sob os tentáculos de Sinistron, como sua legião de servos na política, na cultura, no ensino e na comunicação, se transforma em marionete ou zumbi, mas que, ao contrário do zumbi verdadeiro, não quer e nem procura cérebros. Infelizmente, Pitiman e Reforman, pela pouca capacidade de perceber a realidade, só conseguem lutar contra as marionetes políticas de Sinistron e não contra o próprio, que continua solto e escondido por seus zumbis, esperando para tomar o poder de um jeito ou de outro. A única maneira de destruir Sinistron é usar uma substância rara chamada conscientina, que pode e deve ser adquirida na banca da verdade, lá na feira da sabedoria. É grátis, mas dá trabalho, leva tempo e exige sinceridade de intenções. Nesse caso a escolha é sua e o herói é você.

      • kkkkkkkkk! Boa observação, Luciano, mas o objetivo era ironizar as soluções políticas, normalmente limitadas. Sei que ficou determinista demais, mas para você ficar feliz, vou modificar o final:
        “Uma das melhores maneiras de se destruir Sinistron, mesmo sem a ajuda de super-heróis, é usar uma substância rara chamada conscientina, que pode e deve ser adquirida na banca da verdade, lá na feira da sabedoria. É grátis e de livre escolha, mas dá trabalho, leva tempo e exige sinceridade de intenções. Nesse caso a escolha é sua e o herói é você.”

    • Fiquei na dúvida, isso é o Inferno de Dantes ou Ilíada de Homero. Como não é muito épico fico com a comédia com certeza. Só espero podermos rir quando as cortinas se fecharem.

  3. Isso me lembra o recente episódio dos “gladiadores do altar” da Igreja Universal. Muitos neoateus e esquerdistas, inclusive da imprensa “séria”, estão tratando o grupo como se fosse uma milícia, apenas porque usam uniformes e fazem coreografias militarescas.Se é assim, daqui a pouco vão implicar com o Exército da Salvação ou mesmo com os escoteiros.

    A histeria anti-religiosa tem atingido níveis alarmantes. A coisa está chegando muito perto da perda da liberdade de expressão. Muita gente de fato acredita que os jovens vão sair por aí batendo em gays ou macumbeiros mesmo sem existir uma única manifestação de incitação a violência como evidência disso. O grau de descolamento da realidade está atingido o nível que permite que um certo grupo seja enxergado como indesejável ou perigoso pelo simples fato de existir. Se esse processo não parar, não vai demorar muito para chegarmos a lista de países com perseguição religiosa.

    • O engraçado é que esquerdistas e neo-ateus atacam e ridicularizam cristãos à torto e a direito, mas não se vê eles agindo do mesmo jeito com o Islã, sendo q os esquerdistas têm uma postura até complacente com este último. E isto mesmo considerando o fato de imigrantes muçulmanos causarem um bocado de problemas nos países europeus nos quais perfazem um contingente considerável da população, além de desprezarem completamente o politicamente correto e os preceitos esquerdistas.
      Outra coisa é falarem mal das Cruzadas sendo q sem elas muito provavelmente não haveria tanta liberdade para esses neo-ateus e esquerdistas ridicularizar, criticar e atacar os religiosos.

  4. Luciano, um vídeo simplesmente fantástico do Herivelton Moreira da Costa falando sobre a mecânica da religião política e o paralelo que ela tem com seitas religiosas no que tange à psiquê das pessoas:

    http://www.youtube.com/watch?v=7mOFZtqSChQ

    Pode ser um vídeo muito útil para explicar às outras pessoas o que é o marxismo-humanismo-neoateísmo e o tamanho da dificuldade que há em se convencer as pessoas que estão imersas nesse tipo de pensamento. Achei pra lá de válido e tudo posto de uma maneira extremamente inteligível.

    • Embora o assunto de que fala o Herivelton neste vídeo já tenha sido tratado algumas vezes pelo Olavo de Carvalho, o Herivelton, com exemplos práticos do Roberto Freire acrescenta fortes evidências quanto à veracidade da denúncia que de fato, explica muita coisa no cenário político brasileiro, principalmente porque nos rolos cheios de dólares do petrolão o PPS, essa iminência parda, sempre está envolvido.

      Tenho divulgado bastante o vídeo porque não sou contra apoiar o PMDB, PSDB ou o Aécio na luta contra o PT, mas acho que devemos saber exatamente onde estamos pisando nesta luta e que ela não terminará com a derrocada do PT, muito pelo contrário, provavelmente será ainda mais violenta contra a esquerda que assumirá o lugar hoje ocupado hoje pelo partido do Governo.

  5. Opa, parabéns pelo livro.Eu tenho algumas dúvidas sobre ele:

    1)O livro será enviado só para aqueles que contribuiram ou será vendido em livrarias?
    2)O livro será vendido em formato digital?
    3)Se a meta do kickante passar os 14.000,00 você pretende colocar outras recompensas?
    4)Você vai usar outros livros ou matérias jornalísticas como fonte para as argumentações?

    Mais uma vez, parabéns pelo livro.

    • Olá, Maxwell, obrigado pelas palavras.

      As respostas:

      1) Será vendido em livrarias. Quem contribuiu vai adquirir antes dos outros.
      2) Será vendido em formato digital também.
      3) É uma boa ideia, conversarei com o editor.
      4) No livro cito vários outros autores e um caminhão de matérias jornalísticas.

      Abs,

      LH

  6. Luciano,as feministas nos comentários do blog da Lola estão dizendo que aquela imagem sobre a morte do filho do alckmin é fake.Tem como provar que a imagem é verdadeira?

  7. O Rodrigo Constantino publicou um ótimo post falando sobre esse assunto de redução da maioridade penal:

    http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/lei-e-ordem/maioridade-penal-um-encontro-dialetico/

    Falando nisso parece que com essa bancada atual do Congresso as coisas até que vão andar bem, com diversos projetos sendo aprovados que jamais sequer sairiam do papel antigamente.

    Tem outros argumentos cretinos que a esquerda usa que o Constantino não citou, mas acho que ali estão todos os principais. Chega de ficar dando ouvidos a ongueiros e outros malucos que vivem sentindo “pena” dos criminosos, mas não dão a mínima para as vítimas.

  8. ========CONFISSÕES DE UM UNIVERSITÁRIO DA MILITÂNCIA DE ESQUERDA========

    1) Na esfera federal, cargos comissionados são geralmente de partidos de esquerda, e como eles são os chefes, os professores e outros concursados “discursam petismo” como uma forma de puxação de saco de chefe buscando a promoções e como forma de impedir qualquer possível perseguição política no trabalho

    2) Os alunos percebem isso rapidamente, e geralmente os menos confiantes ou aqueles que possuem notas mais baixas, resolvem “esquerdar publicamente” como forma de bajular o professor, visando boas notas e aprovação, já que, se apresentar publicamente “como um reacionário” lhe causará intrigas com tais agentes públicos e a eventual reprovação, o que ninguém quer.
    Muitos, levam esse tipo de farsa tão a sério, que pessoas que não possuem um convívio social com elas, que apenas as conhecem pela internet ou na Federal, nunca suspeitariam que aquela pessoa não compactua em nada com a esquerda, e que seu “esquerdamento público” é apenas uma estratégia “da boca para fora” para não ser perseguido na Federal, e para não ser reprovado.

    3) Por tanto, muitos alunos das federais não são esquerdistas, mas adeptos de um cripto-utilitarismo-puro;
    Se esquerdar vai ajudar a eu ser aprovado, então convém esquerdar, para evitar atrito com meia dúzia de agentes públicos que definem a minha nota, e que muitas vezes, também estão fingindo, e as vezes, fingindo a muito contragosto (chuto que uns 30% dos professores estejam nesta situação).

    3.a) Se você está numa federal, logo percebe que existe a divisão, entre os capatazes (professores) e a Troika (administrativo) e ambos os grupos sempre conflitam, e termina em professores com discursos partidários, como forma de “encantar” e receber as benesses da Troika.
    Eu já vi professores mentirem, dizendo que possuíam afiliação partidária, como forma de intimidar outros professores (pesquisei no site do TSE, e fulano não pertencia a partido algum, de nenhum estado)
    Então a ficha caiu – O governo os paga para serem inteligentes – Eles não são pagos para falar a verdade.

    3.b) Eu tive colegas que durante as eleições de 2014, que liam Carta Capital e Diário do Centro do Mundo, várias vezes por dia, para ter assunto para falar em aula e agradar os professores.
    Eu mesmo, nas eleições passadas, fiz vários discursos contra FHC na sala de aula, e fazia publicações elogiando Dilma em meu Facebook, embora eu e toda minha família tínhamos votado no Aécio.
    Eu cheguei a ver gente que ia em protestos na chuva, segurava em bandeira vermelha e pintava cartazes, por que pensavam em ter vantagens na seleção do Ciência sem fronteiras, e pretendiam fazer intercâmbio, e mandar o Brasil e o Governo do Brasil e a Ideologia do governo, pra PQP no primeiro momento que pudessem, e estavam fazendo tudo aquilo pelo sonho de ganhar uma viagem grátis (E o mais incrível, eles conseguiram!)

    4) A solução para a Educação no Brasil seria a privatização imediata de todas as federais e demissão em massa de todos os servidores.
    Mas é aquela coisa, “já que o governo está jogando dinheiro fora, então que ele o jogue aqui no meu bolso”, principalmente por que é uma forma de recuperar o que gastamos com impostos.
    Não é moral, nem ético, mas é o utilitarismo puro. Não escolhemos estas regras, mas já que elas nos são impostas, dançaremos conforme a música, mesmo que a música seja estúpida.

    5) Se existem esquerdistas nas federais, eles são menos de 1% do ativismo real, ou filhos dos cargos comissionados, ou filhos de afiliados a partidos de esquerda, ou ativistas pagos que se inscreveram na instituição.
    A maioria esmagadora de “esquerdistas”, 80% dos que assim se proclamam nas Federais, apenas vivem um teatro público, que pretendem abandonar no primeiro momento que saírem da instituição.

    6) Por fim, só quero lhe dizer que nós, alunos “publicamente esquerdistas” somos utilitaristas puros, apenas damos fantasias para os utopistas, mas na real, morremos de rir de cada uma das fantasias deles.
    O mais triste ainda, é saber que professores concursados, que recebem alto salários, na maioria das vezes também são utilitaristas, e praticam esse tipo de coisa com as suas chefias imediatas, como forma de ganhar vantagens, e tal.

    7) Os cargos comissionados e os cargos por indicação, criaram uma “patrulha política” nas federais, que as transformou em uma Matrix, aonde todos fingem conivência com as ideologias do governo, mas é tudo fingimento.
    E se alguém falar a verdade em público, será chamado de reacionário e repreendido verbalmente, por outros que também estão fingindo.
    É como um manicômio, aonde se alguém se mostrar são, será algemado pelos loucos e receberá a sua merecida camisa de força.

    8) Os diretórios acadêmicos são proibidos de vender produtos dentro das federais, por que tal tipo de venda implicaria em licitação, assim sendo, os DAs na prática, só possuem gastos, e parece que isso é feito propositalmente, para que pessoas normais não tomem a direção do DA, já que ninguém vai querer ter gasto e incômodo debalde.
    Esse arranjo termina banindo os alunos, e favorecendo a partidarização dos DAs, que por fim, concentram os 1% de ativistas reais que existem na Universidade Inteira.
    Geralmente essa partidarização é instalada por cargos indicados que operam dentro da própria reitoria.

    9) Não acredite em tudo o que lê na internet.
    Posso lhe garantir, que uns 80% do esquerdismo que você lê de pessoas vindas das federais, ou até mais, se trata de utilitaristas fingindo esquerdopatia propositalmente.
    Os outros 20%, são daqueles que tem a mente fraca, e se deixam levar, e acreditam e levam a sério as esquerdagens dos outros.

  9. Caro Luciano, bom dia.

    Não sou um profundo conhecedor das obras dos autores citados (Dawkins e Harris) portanto não posso avaliar de maneira taxativa se realmente todo o “movimento” que eles realizam pró-ateísmo se baseia pura e simplesmente nos fatos mencionados acima. Porém, embasado no que aqui li, identifico que há a existência dessa exacerbação de alguns fatos (importantes) em detrimento de outros (também importantes), e discordo desse método. Acredito que as religiões são sim uma causa de guerras, porém não as únicas e tampouco as principais, percebo muitos outros interesses envolvidos do que pura e simplesmente a religião.
    Entretanto, no que se diz a respeito de violência, de modo geral, ao longo da história, e não somente de guerras, a percepção que eu tenho a respeito do assunto é que a religião traz e trouxe grande fomentação para a mesma.
    Partindo de fatos diversos como as cruzadas, a inquisição, ataques terroristas, violência contra a mulher, suicídios coletivos, sacrifícios humanos, mutilações, preconceitos dos mais diversos tipos, o próprio EI entre tantos outros aspectos que eu nem me recordo no momento e que de alguma forma estão intimamente ligado com questões religiosas, qual a sua visão a respeito disso? De a religião como uma das importantes fomentadoras de fatos como esses?
    Lembrando que não estou colocando a religião como problema primordial do mundo e que caso a mesma não existisse tudo estaria resolvido (não acredito nisso), estou apenas buscando saber a sua opinião, e por meio disso obter conhecimentos, a respeito da importante participação da religião em diversos tipos de violências ao longo da história e atualmente.

    • Paroni,

      O problema do argumento de que a religião “traz fomentação para a guerra” está nos dados apresentados. Tanto em uma análise de Robert Pape (que trato no livro e não está nos excertos daqui) como aquela de Vox Day, é difícil sustentar, com dados, que a religião é uma das principais causas de guerras. Ademais, se formos pela ótica da psicologia evolutiva, teremos que retirar este valor da religião, mas atribui-lo a um instinto humano de guerrear BUSCANDO VALIDAR MORALMENTE suas guerras, e aí sim, usando símbolos da religião. Ou seja, a religião seria um adereço, mas não o gatilho para a guerra.

      Abs,

      LH

      • Olá, Luciano.

        Compreendo e compartilho do ponto de vista em torno da ótica da psicologia evolutiva e, realmente, a religião me parece revelar-se muito mais como um “adereço”, como você mencionou, do que como gatilho para as guerras. Entretanto quando mencionei a religião como fomentadora de algo, a referência era em torno da “violência, de modo geral” (não à guerra em si), me desculpe, não fui claro como gostaria. Violências essas que, sob a minha perspectiva, têm seu principio intimamente ligados a fatos religiosos, como por exemplo, a questão da supressão (muitas vezes fisicamente violenta) de direitos das mulheres no Oriente Médio ou mesmo da discriminação entre religiões, quando há casos de indivíduos não estarem adequados com as crenças “dominantes”, ou ainda o impedimento de um procedimento de transfusão de sangue a um ser humano por questão religiosa, enfim, aspectos que vemos aos montes como estes. Mas muito obrigado pelo esclarecimento, o aspecto da busca pela validação moral que você levantou traz uma grande compreensão sobre a relação da religião com as guerras.

      • Paroni,
        Aí é que está Paroni. A questão da supressão dos direitos das mulheres no Oriente é resultante de fatores evolutivos. O fato é que o patriarcado foi necessário em um período onde a força física era muito mais necessária que hoje. A tecnologia mudou isso radicalmente, e a nossa espécie, mais adaptada, optou por eliminar essa diferenciação entre os sexos. E a partir daí que o grupo islâmico optou por manter mais tempo a cultura de patriarcado, usando como meio, aí sim, a religião. Mas poderiam usar qualquer outra simbologia ou âncora. A questão de exclusão de indivíduos que não estão adequados às crenças dominantes é o gregarismo humano, também explicado biologicamente. Gramsci usa a sua teoria da hegemonia e poder exatamente para isso, sem qualquer conteúdo religioso no método. O gregarismo é, também, outro mecanismo evolutivo. A meu ver, o equívoco em atribuir tanta responsabilidade à religião é fruto da noção de que os animais humanos principalmente dominados pelas crenças. Claro que são, mas são muito mais dominados por seus instintos de sobrevivência e, assim, inconscientemente ou não, eles VÃO SELECIONAR suas crenças.
        Abs,
        LH

    • Não só compreendo como concordo com a ideia da imensa influência de fatores evolutivos, como por exemplo o gregarismo, em maior grau que sociais (não sei o quanto), no decorrer das relações e da existência humana. Confesso não ser um estudioso especialista no tema, porém considero-me um curioso pelo fato de ter realizado algumas leituras e reflexões sobre o assunto, além de perceber a enorme coerência com a realidade, deste tema. Diferente, ao meu ver, das muitas inconsistências dos argumentos de quem percebe “tudo” sob um ponto de vista do social.

      A minha reflexão sobre aspectos como a religião, ou sobre qualquer outro similar que leve o ser humano à ações a que esta mesma acaba levando, é buscar compreender a possibilidade de abolição deste tipo de cultura para transpor atitudes geradoras de malefícios à sociedade (como as anteriormente citadas). É claro que entendo que a raiz da situação localiza-se nos fatores evolutivos, porém não penso ser válido querer refutar ou “enfrentar” estes fatores, pois considero impossível. Entretanto diminuir os efeitos de alguns adereços prejudiciais causados por tais fatores, me parece plausível e importante. Posto isso a dúvida que permanece é que, levando em consideração toda a questão biológica, qual será o grau de influência que o ser humano, diferente dos animais nesse ponto, tem em relação ao controle (NUNCA TOTAL, é claro) de tais aspectos através da sua capacidade racional? E se esse grau de influencia é zero ou baixíssimo (o que eu não acredito apesar de não ter embasamento cientifico para tal afirmação), será possível haver um desenvolvimento nesse aspecto?

      Luciano, muito obrigado pela atenção. Muito enriquecedores os conhecimentos que compartilhou até aqui. Espero ter acrescido algo também, se não através de referências e conhecimentos incisivos como os seus, pelo menos por meio da promoção de reflexões.

      • Paroni, obrigado pelo debate. O desenvolvimento é possível mas ocorrerá de acordo com o AMBIENTE e se esse desenvolvimento for útil em termos evolutivos. Isso não implica que devamos rejeitar a discussão moral sobre as nossas contingências. Mas entender que o domínio destas contingências é limitado a vários fatores, inclusive o fornecimento de poder aos USUÁRIOS destas contingências.

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