O cristianismo e a ausência de uma elite psicopática. Ou: liberdade de expressão violada para quem criticar cultos afro. (excertos do posfácio de “A Urgência de Sermos Charlie”)

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O livro “A Urgência de Sermos Charlie” foi escrito entre 15/01 e 25/03. Com exceção da adição do caso de Levy Fidelix no capítulo 7, todo o conteúdo do livro reflete esses 70 dias. Posteriormente, ocorreram revisões no texto, evidentemente, mas nada de novo foi adicionado. Esta foi a intenção, até por que o meu “caso” a favor da liberdade de expressão se encerrava nos exemplos citados e nos argumentos trazidos. Qualquer coisa adicional foi incluída neste posfácio.

O que mostrarei aqui, é um trecho premonitório, tirado do capítulo 2:

Na prática, o discurso “mas para símbolos religiosos deve existir exceção” significa “somente para símbolos muçulmanos e de religiões afro deve existir exceção”. Motivo: esses dois grupos são usados pela extrema esquerda, precisam de distinções de emergência para violar a liberdade de expressão alheia e vão para a guerra jurídica até onde for necessário.

Dito e feito. Pois o blog de Luis Nassif nos mostrava uma decisão judicial absurda condenando as emissoras TV Record e Rede Mulher por “ofensas às religiões de origem africana”. Como pena, deveriam produzir quatro programas de televisão, cada uma, em direito de resposta. Cada programa, observem, com duração mínima de 1 hora, além das emissoras terem que disponbilizar seus espaços físicos, equipamentos e pessoal técnico.

Leia mais da notícia:

O direito de resposta foi concedido pelo juiz Djalma Moreira Gomes, da 25ª Vara Federal Cível em São Paulo, em ação do Ministério Público Federal (MPF), do Instituto Nacional de Tradição e Cultura Afro-Brasileira (INTECAB) e do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e da Desigualdade (CEERT), que alegava que as citadas religiões vêm sofrendo constantes agressões em programas das emissoras, o que é vedado pela Constituição.  No MPF, a procuradora da República Eugênia Gonzaga foi quem encabeçou a denúncia, continuada pelo procurador Sergio Suyama.
O juiz proferiu que as empresas de radiodifusão são nada menos que um “longa manus (executor de ordens) do Estado” e, como o próprio Estado, “deve se comportar no cumprimento das regras e princípios constitucionais legais”. Entre as obrigatoriedades da nossa Constituição, Djalma Gomes lembrou “a promoção do bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”, além do “pleno exercício dos direitos culturais, protegendo as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras”. Também previsto na Carta Magna, “em caso de ofensa, é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo”.

Em programas mencionados na ação do Ministério Público Federal, pessoas que se converteram à Igreja Universal, mas que antes eram adeptas às religiões afro, foram tratadas como “ex-bruxa”, “ex-mãe de encosto” e acusadas de terem servido aos “espíritos do mal”.

“Os fatos imputados na inicial estão comprovados e são, ademais, incontroversos”, afirmou o juiz, decidindo pela exibição duas vezes de cada um dos quatro programas, totalizando oito transmissões, em horários correspondentes aos em que foram praticadas as ofensas. Os programas deverão ter um espaço de sete dias entre um e outro, e precedido de no mínimo três chamadas aos telespectadores, na véspera ou no próprio dia de exibição – uma pela manhã, outra à tarde e outra à noite.

Chega a dar nojo ver um juiz dizendo que emissoras de TV são executoras de ordens do Estado. Esta é a legítima mentalidade dos “juristas” cubanos e venezuelanos. Que isto tenha ocorrido no Brasil é mais um sinal de alerta.

As críticas religiosas a pessoas pertencentes à outra religião não configuram nenhuma forma de difamação de indivíduos, pois são visões subjetivas que cada religião traz. Quem for em um terreiro, muito provavelmente ouvirá de uma mãe de santo que é preciso “se livrar das forças do mal”, que, obviamente, não estão na religião dela. Cabe processo? É óbvio que não. A ação judicial acima é um exemplo de uso desonesto de distinções de emergência para violar a liberdade de expressão dos evangélicos das emissoras de TV.

Este é um outro argumento em favor de que a direita como um todo (incluindo a direita religiosa) deveria lutar em favor da liberdade de expressão. O discurso de parte da direita religiosa dizendo que “com símbolos religiosos não se mexe” não traz nenhum resultado para a direita pois além de não ter o preparo para a guerra política, lhes falta uma elite psicopática.

Defini o termo elite psicopática para um grupo específico de pessoas que jogam com a dissimulação, o cinismo, o fingimento e o teatro para a obtenção de ganhos políticos. Não significa que essas pessoas sejam clinicamente psicopatas, mas sim que elas encenam e fingem no nível dos mais frios psicopatas. É claro que os grupos que entraram com esta ação tiveram que simular uma ofensa que jamais existiu. Será que os cristãos estariam treinados para entrar em campo enchendo seus adversários de processos simulando terem recebido falsas ofensas? Duvido que fariam isso, até por que a cultura da criação de uma elite psicopática pertence à extrema esquerda, a partir de um sistema moral estabelecido por Lenin e solidificado definitivamente por Trotsky (em sua obra “A Moral deles e a Nossa”).

Então não adianta que religiosos até pensem em jogar os jogos de encenação para usar distinções de emergência na tentativa de violar a liberdade de expressão alheia. Falta a eles não apenas os métodos da guerra política, como também uma elite psicopática. Por isso, o discurso de indignação de alguns religiosos dizendo “não se mexe com a religião” jamais serviu para proteger seus símbolos religiosos. Só servirá para proteger símbolos islâmicos ou afro, pois estes jogam no time da extrema esquerda.

Sendo este jogo desonesto até a medula, e impossível de ser jogado pela direita religiosa (que, como vemos na notícia de Nassif perdeu, como sempre, mais uma na guerra jurídica), não há argumentos para que a direita, incluindo a direita religiosa, não assuma a liberdade de expressão como uma de suas principais bandeiras.

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8 COMMENTS

  1. Gostei! Me considero uma Católica DESBLOQUEADA. Vivo na Cidade Mais Mística do Brasil, SALVADOR – Bahia. Força, Luz, Paz e Bem.

  2. Antigamente meu sonho era trabalhar no Ministério Público. É dose ver os promotores fazendo esse tipo de podreira. E o legal é que não importa o tipo de coisa que a justiça defenda, ela sempre usa as mesmas expressões. “Direitos humanos”, “Defesa da democracia”, “Valores constitucionais”… Tudo para defender as coisas mais aleatórias, e até mesmo ilegais.

    A impressão que dá é que a esquerda funciona em torno da direita, porque a esquerda tem meio que uma vocação a sempre ser a oposição. Então ela espera pra ver o que a direita vai fazer, para depois fazer o contrário. Duvido que se os seguidores de religião africana fossem maioria aqui no Brasil, a esquerda apoiaria eles com tanto afinco.

    Centro de Estudos das Relações de Trabalho e da Desiguladade… Eu costumo falar que os esquerdistas são vitimistas profissionais. Mas em alguns casos, como de escritoras feministas e de certos ongueiros, essa expressão pode ser levada ao pé da letra. Eles literalmente ganham dinheiro para ser vitimistas.

    E o mais irônico disso tudo é que a Igreja Universal é aliada do PT no momento.

  3. Outro caso é o de uma notícia publicada no Pragmatismo Político (outro site chapa-branca): um pastor evangélico foi processado pelo MPF por ter quebrado imagens de santos de religiões afro. O engraçado e revoltante é que eles não tem essa prontidão quando o caso envolve queima da Bíblia; quebra de crucifixos e de imagens de santos, mais realização de atos obscenos com os mesmos; ou quando feministas entram seminuas numa igreja ou um “artista” com uma lingerie fio-dental.

  4. Luciano, você leu o livro Ponerologia: Psicopatas No Poder do Andrew Lobaczewski? A sua “elite psicopática” está toda lá, só que sem a parte do teatro.

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