PSDB decide ajudar o PT a dar mais um golpe político na questão de “mais mulheres na política”. Temos que lutar contra essa aberração.

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Vou deixar claro, mais uma vez, que sou contra o uso do discurso de “empurra”, no caso do PSDB. O que é o discurso de “empurra”? É um comando embutido na linguagem, usando o argumento “PT e PSDB estão mancomunados” feito como forma de liberação de pressão – eu não estou negando as alianças feitas no presente e no passado entre os partidos, mas sim a forma como elas são tratadas. Este comando, então, diz publicamente: “Não pressionemos mais o PSDB, facilitando a vida de todos os políticos do partido no momento deles votarem a favor do PT”. Obviamente, as pessoas não se expressam desta forma, mas lançam comandos como “ah, deixa pra lá o PSDB, ele já fechou com o PT”. Agindo assim, nos “empurramos” o PSDB cada vez mais para os objetivos do PT. Os intervencionistas, e alguns outros direitistas mais puristas, jogam o jogo do “empurra” constantemente, o que jamais vai gerar algum resultado positivo para a direita.

É claro que eu sei que o PSDB é um legítimo partido de esquerda e que já apoiou várias ideias e projetos de lei que só fizeram ajudar a vida do PT. Sem o PSDB, não teríamos tantas facilidades para que o PT executasse seu projeto de poder. O nível de comprometimento geral de todos os políticos do partido com um projeto para entregar todo poder ao PT, no entanto, ainda é questionável. Sabemos que não podemos confiar nem um pouco em FHC. Ao mesmo passo, Carlos Sampaio e Bruno Araújo não parecem tão interessados em nos transformar em escravos do Foro de São Paulo. É por isso que defendo que, em caso de não termos certeza do comprometimento do PSDB com o totalitarismo do PT, sigamos pressionando os tucanos, constrangendo-os moralmente por algumas de suas escolhas que só servem para ajudar o PT, assim como exigindo ações assertivas em vários casos. É o oposto da técnica da liberação de pressão (ou “empurra”).

Mais um exemplo é a tal ideia de “mais mulheres na política”, uma campanha em favor de uma proposta, a PEC 23/2015, criada pela senadora Vanessa Grazziotin, do PCdoB. Para quem não se lembra do caráter de quem nós estamos tratando, basta saber que Vanessa, durante votação da Lei do Calote, em 2 de dezembro de 2014, ouviu manifestantes dizendo “vai para Cuba” e fingiu, com a ajuda de Jandira Feghali, que foi chamada de vagabunda. O objetivo do fingimento foi manipular as emoções no Plenário para validar a agressão violentíssima dos policiais do Congresso contra os manifestantes. Só isso já é suficiente para mostrar que qualquer lei proposta por gente assim assim deveria ser encarada com suspeita.

Mas o que diz essa lei golpista? É simples. Leia:

Esta PEC determinará que metade das vagas na Câmara dos Deputados, Assembleias Legislativas, e Câmaras Municipais, deverão ser ocupadas por mulheres. Se houver um número ímpar de vagas, será permitido que um sexo supere por um o número de eleitos do outro sexo. Na primeira eleição a se realizar após a aprovação desta PEC o percentual será de 30%, aumentado em 5% a cada eleição, até alcançar 50%. Esta regra entrará em vigor na data de sua publicação, aplicando-se às eleições que se realizarem após decorrido um ano de sua vigência. Segundo a senadora, as mulheres constituem a maior parte da população, mas têm pouca representação no legislativo. Por isso, ela defende que as vagas sejam iguais para homens e mulheres para que o parlamento possa ser um retrato mais fiel da sociedade.

E onde está o golpe? É muito fácil de encontrá-lo. O PT sabe que cooptou os sindicatos de professores, uma das profissões mais preferidas por mulheres. É por isso que a doutrinação escolar em marxismo se tornou um dos problemas mais graves de nossa era. Outra profissão preferida pelas mulheres é psicologia, que também possui muito mais mulheres do que homens. E o CFP está completamente aparelhado pelo PT. E não é só isso? Em toda a área de Humanas, há mais mulheres que homens. E todas as áreas de Humanas estão cooptadas por petistas.

Estes números simplesmente mostram que é normal esperar que nas fileiras petistas existam muito mais mulheres do que em outros partidos. Sabendo disso, Vanessa criou um projeto com um único fim: aumentar o número de pessoas do PT, do PCdoB e do PSOL no Congresso, cuspindo nas escolhas dos eleitos. Quer dizer, se uma mulher votou em um deputado homem de partidos não-bolivarianos, o voto dela passa a valer menos do que de um homem que votou em uma deputada mulher bolivariana. O projeto de Vanessa não é para ter mais mulheres em geral no Plenário, mas para inserir mais figuras como Jandira Feghali, Maria do Rosário e ela própria num Legislativo que se tornaria cada vez mais bolivariano.

E o que tem o PSDB a ver com isso? Pois veja a matéria publicada no site do PSDB, destacando a “importância do lançamento da campanha ‘Mais mulheres na política'”. Leia, antes que alguém queira deletar, por vergonha:

A mobilização não para, cientes da oportunidade trazida pela Reforma Política em andamento no Congresso Nacional, segmentos femininos de todos os partidos políticos se unem na tentativa de mudar o índice de participação política da mulher brasileira – o Brasil amarga hoje a 74ª posição no ranking mundial de capacitação política feminina divulgado pelo “Fórum Econômico Mundial”-, e participarão, dia 15 de junho, em Teresina/PI, da abertura oficial da Campanha “Mais Mulheres na Política – A Reforma Que O Brasil Precisa”.

Promovido pela Procuradoria Especial da Mulher no Senado Federal e pela Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados, o esforço concentrado tem uma meta. Nas próximas semanas será votada a Proposta de Emenda Constitucional 23/2015, que defende 30% das vagas no Legislativo por gênero, e a igualmente importante PEC 24/2015, que torna obrigatória uma vaga por gênero, quando da renovação de dois terços do Senado Federal. Para todas as participantes do “Mais Mulheres na Política”, a aprovação das duas matérias é fundamental para o aumento da participação das mulheres na vida pública nacional.

Pela enorme importância das PECs em discussão, por entender que nenhuma reforma política pode responder aos anseios das ruas sem atender à maioria feminina da população brasileira e, principalmente, por acreditar que sociedades que praticam a igualdade de gênero em todos os níveis de sua organização possuem melhor IDH e desenvolvimento, o PSDB-Mulher Nacional vem, desde o início, participando de todas as ações do “Mais Mulheres na Política”.

“O momento é agora, não podemos esperar mais. Os exemplos estão em todo o mundo, da Suécia a Ruanda. Países que deram espaço político a suas mulheres estão construindo sociedades mais justas e prósperas para seu povo. Queremos os homens conosco nessa conquista que será de todos nós”, disse Thelma de Oliveira, vice-presidente do PSDB-Mulher Nacional, para quem a ajuda da bancada masculina do PSDB, na votação das emendas constitucionais, será não só bem-vinda como essencial.

Não há como fugir da realidade. O PSDB está apoiando um projeto totalitário que viola a soberania do voto, com o único fim de ajudar o PT e suas linhas auxiliares a se eternizar no poder, usando com isso o pretexto de que as mulheres “não estão representadas” na política. Aliás, que direitos as mulheres não possuem por causa da “não representação” na política? Eles não conseguem dar uma resposta, pois é golpe.

O que fazer agora? Antes de tudo, ignoremos a turma do “empurra”, pois eles não vai querer que exijamos que o PSDB explique por que está apoiando um projeto petista. Politicamente, a turma do “empurra” não entra em campo. Em seguida, devemos exigir que os deputados tucanos expliquem por que apoiam o golpe petista para violar a soberania do voto. E usem o shaming, sem dó nem piedade.

Isto simplesmente não pode ficar por isso mesmo. Devemos exigir que pessoas como Carlos Sampaio, Bruno Araújo, Aécio Neves e outros expliquem o golpe.

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18 COMMENTS

    • Nós temos que pressionar. As batalhas mais importantes são estas em que o PT mais está focado:
      – reformas políticas para se eternizar no poder (incluindo fim do financiamento empresarial de campanha)
      – controle da mídia
      – controle da Internet
      Depende de nós pressionar.

      • As mulheres já são maioria da população e do eleitorado no Brasil.

        Se votam mal ou mal votam… não é lei que vai resolver esse, digamos, “dilema feminino”…

        Lembro de muitas delas dizendo que iam votar em Collor porque era bonito…

        E taí a Dillma: o poste não se elegeria se não tivesse o barba por trás (ops!)…

        Será essa a tal da “emancipação feminina”?

  1. 2 pontos:
    1º: há algum tempo atrás, o PT mesmo (ou Lula, não lembro) declarou que as cotas de mulheres dentro do PT estava destruindo o desempenho do grupo. Não lembro qual a notícia. Se alguém achar, seria bom colocar ela como anexo a este artigo, Luciano.

    2º: o Dep. Bolsonaro já deu a solução para que tenham mais mulheres: votem em mulheres. Ele estava em discussão com feministas que reclamavam justamente da falta de mulheres. Ele falou algo bem lúcido na cara delas: “Qual o parâmetro pra receber cargo político? Votos. Então votem em mulheres!”. As feministas, quando expostas a essa simples lógica, ligaram o modus operandi natural da esquerda e simplesmente pularam para o próximo embuste lógico delas contra o Bolsonaro (outras ignoraram a sugestão dele e continuaram reclamando da falta de mulheres).

    Este projeto é totalmente anti-democrático. Vai excluir candidatos com mais votos, baseado em cotas. Com esse projeto, é simplesmente fácil tirar o mandato de políticos como Bolsonaro, bastando apenas deixar para chamá-lo após preenchida a cota máxima de homens.

  2. Isso deve ser criticado com muito cuidado, pois tem cheiro de cilada. Se alguém reclamar, acusam de ser machista, de não querer mulheres no poder, representando uma função. Pelo mesmo princípio, criam a pec LGBT, negra, abortista, islâmica e variantes, e se alguém critíca, é acusado pelo mesmo motivo.

  3. Luciano, matou a pau aqui:

    “Quer dizer, se uma mulher votou em um deputado homem de partidos não-bolivarianos, o voto dela passa a valer menos do que de um homem que votou em uma deputada mulher bolivariana.”

    Excelente toda a desmascaração do texto. Que papelão desse PSDBosta.

    Quando terminei o colegial e tava buscando emprego (isso em 2009, poucos anos atrás), lembro de ser sofrível abrir o jornal pra olhar as vagas e encontrar diversas vagas em escritório que eram “apenas mulheres”. Aconteceu duas vezes de ir em entrevista e só ter candidaTAS.
    Mas não me revoltei com o sistema, nem me passou pela cabeça isso. Entendi rápido que era assim. Do mesmo modo que haviam vagas que preferiam homens.

    PSDBundões dão um tiro no próprio pé e na própria moral com esse apoio público.
    Oposição de comadre.
    Até jogar futebol de botão com o avô tem mais oposição do que esse apoio a Jandira Fegalinha, Maria do Corsário e Vanessa GrazzPutin.

    Shaming neles!

  4. Luciano,

    Esquece esse negócio de “empurra”. Os partidos devem ser tratados como eles são. Tanto o PSDB quanto o o PT têm os mesmos objetivos. A diferente é que aquele tem métodos menos radicais que este. Se for pra defender uma oposição de verdade, que seja a bancada evangélica (ainda que você seja um ateu), algumas figuras do DEM, a família Bolsonaro, dentre outros.

    PSDB será util apenas contra radicalismos.

    • Felipe R.

      Mas o problema do “empurra” está no fato de que o discurso de “empurra” DESESTIMULA as pessoas a cobrarem os partidos.

      Ou seja, só o eleitor sai perdendo.

      E mais, vc disse “PSDB será util apenas contra radicalismos”. Se ele será útil, então não pode ser “empurrado”…

      Abs,

      LH

      • Luciano,

        Digitei o texto na pressa, pois estava de saída, e esqueci de revisar o texto. Onde se lê “diferente”, leia-se “diferença”.

        Enfim. O que eu quis dizer (e confesso que me expressei mal) é que devemos ser lúcidos em relação à cartilha e, principalmente, às atitudes dos partidos com os quais lidamos. Devemos contar com o PSDB como oposição “latus sensus” ? Não. Ele pode ser útil? Sim. Não dá pra esperar de um PSDBista ações pró-armamento, reduções permanentes de impostos e da dívida pública, extinção da reforma agrária etc., porém pode ser útil quando o assunto é adoção de empresa estatal em oposição à empresa privada regulada (o segundo é menos pior que o primeiro).

        O fato é que ambos os partidos convergem em muitos pontos. Não sei quantas vezes já acompanhei o PSDB sendo oposição a projeto de lei do PT (e vice-versa), e alguns anos depois observei o opositor apresentando praticamente a mesma proposta no Congresso Nacional (veja um caso recente: fator previdenciário). Aliás, o projeto específico do post em tela é um dos vários pontos em comum entre os dois partidos…

        Sou chato mesmo, mas é porque gosto do seu blog : )

      • Ok… Agora eu entendi o “cobrar os políticos”. A ideia é pressionar, mesmo que saibamos as inclinações e atitudes deles… Deixar de cobrar seria como defender que uma revista fique sem receber verba de estatal (propagandas), conforme tratado em outro post mais antigo.

        Tentarei ser menos realista-pessimista.

  5. O problema é que a OAB está totalmente cooptada pelo PT. A quantidade de advogados é grande, o Congresso está cheio de advogados, que naturalmente, são inscritos na OAB, então está quase tudo dominado, falta pouco, com essa mulherada aí, acabou – se de vez.

  6. Felizmente, essa lei tem poucas chances de passar. Como Eduardo Cunha disse na época da votação da reforma política, os deputados que foram eleitos pelas regras atuais dificilmente votariam por modificá-las, pois estariam colocando em risco suas reeleições.

    Duvido que muitos deputados homens estejam dispostos a ceder a vaga. Isso é completamente contra os interesses pessoais dele. Como são maioria, é quase certo que vão barrar.

    De qualquer forma, é necessário pressionar o PSDB, porque se o partido encampar a bandeira o risco de aprovação aumenta.

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