Os quatro níveis de maturidade na guerra política

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Não podemos negar a guerra política do mesmo modo que não podemos negar a morte, os impostos e o clima. Ela é um fato da vida. Porém, podemos nos posicionar em termos de maturidade em relação à guerra política. A negação à política é apenas conscientização diante do inexorável.

Defini um modelo de quatro níveis para resolver um dos maiores problemas que tenho notado na direita: a incapacidade de comunicação interna. Geralmente o que vemos são pessoas pertencentes a níveis diferentes de maturidade (consciência) na guerra política e, por isso, entrando em conflitos desnecessários. Quando alguns entram com discurso “ó céus, ó vida, está tudo dominado, está tudo acabado”, em alguns casos o faz por desconhecer as regras do jogo.

O modelo que apresentarei abaixo permite um alinhamento em termos de comunicação, pois, ao identificarmos alguém de acordo com o seu nível, podemos explicar melhor as coisas. .

Mais ainda: o nível de alguém nesta escala de maturidade nos permite até prever como essa pessoa irá compreender qualquer informação recebida, e quais suas consequências. Uma vez que você tenha identificado seu público alvo em um nível, o resultado de sua comunicação muda.

Eis abaixo os quatro níveis:

  • 0 = inconsciente
  • 1 = consciente do jogo
  • 2 = consciente das regras do jogo
  • 3 = identidade de jogo

Parece até uma versão “light” de um CMMI, não? [nota: CMMI significa Capability Maturity Model – Integration, e é focado para as empresas de desenvolvimento de software).

Vamos aos níveis

0 – Inconsciente

Imagine que um time esteja em campo jogando para ganhar e outro não saiba sequer o que está fazendo no campo. Imagine que você chega para os “jogadores” deste segundo time e diz: “Ei, você sabe que aquilo que eles estão fazendo são gols? Você sabe o que são os gols? Você sabe que neste campo sai um vencedor e um perdedor? Você sabe que se meter a mão na bola, eles se dão bem?”. Daí recebe como resposta: “É sério isso? Ahh… vê está tirando com a minha cara, mano. Fala sério..”.  É evidente que estamos diante de pessoas inconscientes de que participam de um jogo. Uma pessoa assim não vai entender que bolas na rede significam um gol, e que se ele meter a mão na bola é uma falta para o adversário.

Quase todos intervencionistas e muitos anarcocapitalistas se encaixam neste grupo. Com certeza, o cidadão comum se encaixa aqui. Não estou dizendo que são incapazes para a vida fora da política, pois algumas pessoas podem ser um desastre no pensamento político mas irem muito bem em seus afazeres fora deste escopo. Porém, este método considera como a pessoa se sai na guerra política, independentemente de sua habilidade em outras áreas.

Este é um estágio realmente complicado, pois as pessoas aqui localizadas simplesmente não vão entender o que uma pessoa politizada fala. Eles não tem como entender pois possuem uma estrutura mental completamente diferente. São como dois mundos em choque. A comunicação com eles, neste estágio, depende de muitas metáforas e doses cavalares de paciência.

1 – Consciente do jogo

Neste nível a pessoa já sabe pensar de uma forma mais “maquiavélica” (e isso não é negativo) e possui um certo realismo. Mentes assim já começam a polir melhor o seu vocabulário, para não dizerem besteiras. Elas interagem melhor e reduziram, embora não tanto, sua capacidade de servirem de pretexto para propaganda adversária. O problema é que nessa fase você ainda fala em Saul Alinksy e David Horowitz e elas não dão muita importância. A impressão de que se tem é que elas parecem achar a guerra política algo muito difícil (não é tanto assim), e portanto preferem acompanhar outras pessoas vencendo debates.

Basicamente, pessoas nesse nível entendem, intuitivamente, o que gera ou não um efeito positivo ou negativo. Elas apenas não entendem o porque. Exatamente por isso, esta é uma fase onde vários equívocos são cometidos. A vantagem é que aqui elas já estão abertas aos novos conhecimentos.

No exemplo do futebol, imagine que você seja uma criança perguntando para o pai: “Se o Corinthians perder o título, dá para voltar o jogo?”. Ele vai morrer de rir e dizer, afetuosamente: “Não, filho, não dá para voltar”. Mas ao menos existe a noção de que há um jogo. Daqui para a frente a coisa melhora.

2 – Consciente das regras do jogo

Aqui neste nível a pessoa já conhece as regras fundamentais das guerra política. Já foi atrás de saber o que é controle de frame. Leu o código de David Horowitz. Entende exatamente o que é estratégia gramsciana. É claramente uma pessoa interessada no assunto. Neste ponto, há muita troca de experiências. Já recebi boas dicas de várias pessoas neste estágio.

Como característica fundamental deste estágio temos as típicas confusões, que são plenamente normais. Neste estágio, por exemplo, alguém pode ficar em dúvida com a regra dizendo que “o agressor geralmente prevalece”. Mas daí ele vê uma pesquisa dizendo que Aécio foi “mais agressivo” no segundo turno, e por isso aumentou sua rejeição. Mas alguém mais experiente nessas regras irá notar que ser “mais agressivo”, na visão do público, não significa nada. Na verdade, definir seu adversário como “mais agressivo” e dizer  “mais amor, por favor” é ser o mais agressivo na rotulagem do oponente. Ou seja, Aécio foi rotulado como “mais agressivo” porque, na guerra política, ele foi MENOS agressivo que Dilma.

Voltando ao futebol, quem está neste estágio está pronto para entrar em campo, mas ao mesmo tempo está em fase do aprendizado básico. É fato que aqui alguém está jogando o jogo, mas pode cometer enganos e até equívocos e derrapagens.

3 – Identidade de jogo

Nesta fase, digamos que “o jogo já joga o jogo”, ou seja, sua mente internalizou os conceitos da guerra política da mesma forma que dirigimos. Imagine-se trocando de marcha (isso na hipótese de você não dirigir um carro automático). Você não pensa “ah, agora preciso colocar a marcha 2, ou 3”. Nada disso. Todo o processo já é subconsciente.

A partir deste momento, o “core” das regras políticas não é algo em que você precise pensar. Você já pensa em como combinar as técnicas de diferentes lugares, e até ampliar todo o “core” que você já possui. As técnicas de autores como Gene Sharp, Saul Alinsky e David Horowitz são apenas itens em um catálogo, como se você estivesse se servindo em um restaurante gratuito e você fosse um saco sem fundo. Mas você tende a saber escolher bem o que precisa na hora certa.

Outra vantagem deste estágio é que você adquire sangue frio. Porém, você se torna um tanto cínico, no aspecto positivo. Digamos que nesta fase dificilmente você se decepciona com o ser humano. Até porque você não tem mais tantas ilusões. E, ao mesmo tempo, se torna focado em resultados.

No caso do futebol, imagine-se jogando PRO Evolution Soccer, no Playstation. Você conhece todos os comandos, sabe as regras, e agora quer saber comandos especiais para se diferenciar e pensar em melhoria contínua.

Nota final

Ainda pretendo aprimorar este modelo com checklists, e até compartilhar conteúdos de transição entre os modelos. Da mesma forma, entendo que precisamos avaliar o que ocorre em cada um dos níveis. Por exemplo, se alguém que está no nível 0, mas teimosamente não quer assimilar o jogo, nem mesmo com as boas metáforas, podemos alinhar melhor nossas prioridades em relação a se vale a pena seguir investindo esforço aonde não existirá retorno. Por outro lado, oportunidades podem ser encontradas a partir da tendência de alguém estando em um nível e motivando-se a ir para o outro. Entendo que um bom objetivo é encontrar pessoas de nível 0 e estimulá-las a ir para o nível 1 e 2. E lutar para formar um time de formadores de opinião que esteja no nível 3. Em relação a pessoas do nível 0 e que decididamente não queiram ir para o nível 1 (e muitas teimosamente se recusam, acredite), podemos deixar claro então que temos um objetivo, fazemos parte de um jogo e ela não participa e, portanto, não deve interromper quem joga.

E aí, alguém concorda com os níveis escolhidos? São suficientes? Há mais necessidades? Isto pode ser útil? Comentários e sugestões são bem vindos, até na circunstância de melhorias no método.

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30 COMMENTS

  1. Otimo esta tabela, acreditando ser do nivel 2, me identifiquei quando vc escreveu que, quem nao quer participar do jogo politico, que nao atrapalhe, no dia do programa do pt na tv, minha mulher ficou brava, eu estava na varanda cornetando lula e seus aceclas.

  2. Os intervencionistas com certeza estão no nível 0. Eles não conseguem entender que existe uma diferença na guerra politica entre oque você quer e oque você declara.
    Se a intervenção militar é a meta principal dos intervencionistas, então pedir explicitamente a intervenção em publico é a mesma coisa que entregar o jogo. É querer o fim sem buscar o meio necessário, que é saber lutar na guerra politica.
    Acho que é justamente por essa falta de entendimento da guerra politica que esse pessoal pede intervenção. Para eles é mais fácil serem salvos pelo gongo, pelas forças armadas, do que lutarem eles próprios a guerra politica. É como a batalha em que tudo parece perdido, então aparece do nada a cavalaria amiga para salvar o dia. Esse pessoal acha que numa bela manhã de outono o exercito vai invadir o palácio do planalto, expulsar Dilma e todo mundo vai comemorar jogando flores nos milicos.

  3. Me indentifiquei bastante com o nível 1, infelizmente eu tenho consciência do “jogo” mas eu prefiro “observar os outros vencendo os debates” do que fazer alguma coisa, resumindo, sinto que se eu der a cara a tapa só vou me estressar pois me revolto muito fácil com todos os truques desonestos do time adversário, e sinto que desmascará-los em público e lidar com todos os frames direcionados a mim e ao time que estou jogando é um tanto desgastante e necessita de muuuita inteligência e equilibrio enocional, coisa que eu não tenho.

    Curso o ensino médio e o politicamente correto é predominante na minha escola: a teoria de gênero é algo ensinado como biologia, professores de história fazem o papel da rotulagem associando frames negativos (escravidão, desigualdades sociais, preconceitos) a direita, professores de redação fazem o papel de inserção do politicamanete correto nas mentes dos alunos (tudo isso em uma escola particular) e a única coisa que me deixa tranquilo é o fato de que concordando ou não, vou precisar disso pra passar no vestibular.

    Nesse estágio de imbecilização já há pessoas histéricas que debatem de forma agressiva no nível daqueles militantes do movimento negro que invadiram a sala de aula só pra fazer escandalo, é algo de revirar o estomago, isso me faz pensar como será na faculdade e se eu quero realmente continuar estudando no Brasil.

    • Para quem se comporta assim, ter consciência e observar já é o começo, pois vai percebendo as muitas mentiras de petistas e auxiliares, e enquanto não se acha encorajado a debater, pode ajudar “aplaudindo”, digo no sentido que, por exemplo, num debate frente a frente, quando alguém tira uma onda ou debocha de mentiras de um ptralha a gente pode rir de maneira mais visível, já no caso da web, já que está lendo, uma curtida nos acertos dos aliados ajuda e não tira muito tempo de ninguém, já percebi que os petistas usam muito disso para impressionar, para fazer parecer que as pessoas concordam com eles, e fazem isso até mesmo quando seus companheiros dizem merda. Muitos petistas agem ‘em bando’, já se reconhecem pelo modo de falar, e sabem escolher sua posição de atuação quando percebem um tipo de debate ou situação que possam representar vantagem para o partido, acho que temos que aprender isso.

      • Podiscrê, Lizandro! Por exemplo, na manifestação do dia 15/3, eu vi uns esquerdopatas que conheço escrevendo insanidades do tipo “mas que absurdo toda essa gente pedindo intervenção militar, eles tem ideia do que acontecerá?” e uma cambada toda, uma petistada toda curtindo loucamente. Até gente que não se assume petista, que se diz “sou nulo”, curtindo lá (atestando a petistice).
        A pessoa que escreveu aquilo sabe que era só uma meia dúzia que queria intervenção? SABE!
        As pessoas que curtiram sabem que 99% dos que estavam lá não queriam intervenção? SABEM!

        Mas, como você disse, agem em bando. Aplaudem insanidades, aplaudem queimação de filme.
        Jogo sujo, e que funciona.

        Quanto à direita/oposição aprender isso, acho que quando passarmos a ignorar os conservadores empatadores de foda que pregam a moral e os bons costumes e querem que todo mundo compre os monstros imaginários que eles criam, aí sim, teremos bons resultados.

    • Lima, tenho um irmão de 16 anos e ando bem assustado com as insanidades que o mesmo tem dito, por exemplo, é um defensor ferrenho da não-redução da maioridade penal, e tem todo um discurso facebookzístico a respeito. Vejo que não está doutrinado ainda por completo pois se confunde muito e diz coisas contraditórias, mas está caminhando para tal.
      Também tem pedido tolerância com bandidos, o que me enoja muito.
      Pergunto se é na escola que tá aprendendo essas merdas e ele diz que não, mas creio que é sim. Só não gosta do PT ainda, mas se continuar nesse ritmo, logo gostará.

      Você é de São Paulo capital? Se sim, qual bairro fica a tua escola? A do meu irmão é no Butantã, onde moramos, e achei que pela proximidade com a USP tivesse algo a ver. Mas talvez a coisa já esteja bem espalhada.

  4. Luciano,
    Tenho uma dúvida:Pelo que pude entender o mais importante na guerra política seria uma ”malandragem”,um jogo de cintura aliado a uma compreensão de frames,rótulos e os princípios da guerra politica aplicados á pratica,e que um conhecimento teórico mais rebuscado ficaria em segundo plano.
    Está correto esse meu entendimento?

  5. Bolsonaro e Malafaia estão no nível 0.25 hahahah
    O Feliciano tá quase no 1, mas se queimou basntante quanto tava no 0.

    Ao menos os anarco-capitalistas que estão no nível 0, se fecham em uma bolha, e não enchem muito o saco. Já os intervencionistas são o tipo de pessoa que fica tentando tirar a bola do adversário com a mão kkkkk. Pessoal insuportavel.

    Liberais classicos e conservadores burkeanos, em geral tendem a “nascer” no nível 1, o que é muito bom.
    Caiado no mínimo está no nível 2, mas é um homem sozinho no deserto, ainda.

    E sinceramente o Olavo, por mais que seja inteligente, não tá no nível 3 não, na real acho que nem no 2. Ele da muito pano pra manga para ser atacado, não regula bem o tom, e seu catastrofismo engana tanto pessoas da direita (que acham que está tudo perdido), e pessoa da esquerda até bem intencionadas (que falam, olha, ele ainda está na guerra fria).

    • 0.25? Você foi gentil, rs. Se eu fosse o professor eles estariam devendo nota. Fidélix nem aceito seria. E Feliciano… sei lá, acho esse cara tão irrelevante e tão bosta que tá devendo nota também. Todos no -1.

      E o mesmo para alguns conservadores sujos que se acham limpos que escrevem aqui.
      Estes serem se enquadram nesse trecho:

      “se alguém que está no nível 0, mas teimosamente não quer assimilar o jogo, podemos alinhar melhor nossas prioridades em relação a se vale a pena seguir investindo esforço aonde não existirá retorno.”

      Ê tipo que não entende guerra política!
      Essa porra desse Carlos chega aqui e diz “homossexualidade é contra à moral”. Imoral é essa merda que ele cagou. Esse tipo de frase só gera prejuízo na guerra política.

      Mas como o trecho que destaquei diz, é um povo que não deve ser gasto esforço com eles. Só ridicularização mesmo. Devem ser uns velhos que olham as novinhas no grau passando na rua e dizem em voz alta “olha que absurdo, que imoral”, mas ficam as imaginando na cama.

      O bom é que, por serem velhotes e só uma meia dúzia, logo empacotam e não verão o mundo do jeito que querem, e aí não estarão mais aqui pra atrapalhar quem tá disposto a brigar com o REAL inimigo. Cambada de empata foda. Conservadores nunca mais 🙂

    • Nível 0: Bolsonaro.

      Nível 1: Tucanos em geral.

      Entre o Nível 1 e o Nível 2: Caiado (ele é o melhor nome da direita no Congresso, mas muitas vezes acaba se deixando levar pelo emocional).

      Nível 2: TALVEZ o Marcel van Hattem.

    • Enquanto conservador empata foda fica aqui cagando regra na vida dos outros, esse povo está aí se organizando e até pedindo luta armada, vide o que essa porra desse Sergio Mamberti ordena.

      Obrigado, dr. Victor, por deixar claro que black blocks são parte do braço armado do PT. Raios e trovões…

  6. Luciano, gostaria de saber o que vc acha desse vídeo do Danilo Gentilli:
    https://www.youtube.com/watch?v=X9FteEDSMqM
    Qual foi o propósito político dele?

    Recomendo adicionar na barra lateral o ótimo site: http://thefederalist.com/
    Ele tem um cunho mais conservador, e as suas críticas a esquerda americana são muito boas.

    Lá tem até um ateu, que lembra o vc, Luciano, nas críticas aos esquerdistas e defesa dos religiosos.
    O autor: http://thefederalist.com/author/rtracinski/

  7. Muito instrutivo. Acho que um fator importante a ser desenvolvido é a questão psicológica. Percebo em mim e muitas pessoas em se tratando de guerra política, que ficamos bloqueados com o pensamento de que entrando na luta política nos igualemos à imagem extremamente negativa de que temos dos esquerdistas que já o jogam. Sabe aquele pensamento que emerge sempre que vemos um esquerdista cuspindo “fascista! racista! homofóbico” como frames de que ele não passa de um estúpido burro ou dissimulado e que está passando por vergonha alheia? Há de se ter um nível de confiança e conhecimento que não é fácil trespassar no começo.

  8. Muito bom! eu já tinha notado a dificuldade de comunicação, e a impossibilidade de fazer com que pessoas, que no mais são inteligentes, compreendam o que é revolução cultural e troca de cosmo visão. Esse método talvez permita construir um caminho para mover o entendimento deles.

  9. Luciano, achei o algoritmo interessante, assim como as metáforas. Não entendi a omissão ao Prof. Olavo, no entanto vou ler sobre os autores citados.
    Quanto ao trabalho de crescimento da ideologia de direita, perfeito. Mas acredito precisarmos de atalhos ou teremos um paciente consumido antes que adquira forças para se recuperar.

      • Talvez não Luciano,
        A guerra política, segundo suas próprias convicções vive em dois fronts, no cotidiano e no prático (ou profissional). Não adianta ao Caiado falar com moinhos, por exemplo. Entender o bastidor do marxismo cultural é essencial, donde concluo que sem o Olavo não se galgam níveis. Ou não foi ele quem despertou primeiro por aqui?
        Exemplos práticos:
        1. apesar de conversar muito com pessoas próximas, e ter o aval e concordância delas sobre os recentes fatos políticos, ontem uma delas, que achava já estar esclarecida, me mandou o famoso texto sobre o Cristovam Buarque e a internacionalização da Amazônia. Disse que achou inteligentinho.
        2. mais uma vez o Antagonista Mario Sabino pisou na bola, agora criticando Neymar por rezar, ou uma bobagem sobre o pai dele sonegar.
        Ambos casos denotam falta de base cognitiva (mais no primeiro) e tática (mais no segundo). Mas ambos desconhecem Olavo em essência.
        Vou ler suas sugestões com atenção.

  10. Luciano, o que acha dessa mudança na sua analogia:

    ao invés da categoria 0 não saber das regras do jogo, na verdade, eles sabem, mas só as “oficiais”. O problema é que os jogadores do outro time (a esquerda) não só sabem as regras oficiais como eles a quebram. Colocam a mao na bola, a escondem embaixo da camisa, e fazem gols socando a cara do goleiro. Enquanto isso, o pessoal do nível 1 tenta jogar o jogo pelas regras e, obvio, acaba tomando uma goleada.
    Creio que a maioria não saiba que o jogo hoje é outro.

    Aliás, me considero, por teoria, um anarcocapitalista. Não vi até agora algo superior moralmente. Sei das regras do jogo novo, mas concordo que este purismo pode parecer pouco pratico. Apesar disso, ainda acho que esse purismo teorico é inegociável, e eu acho que é nesse ponto que “nós” somos um pouco impopulares.

  11. O Olavo é um homem de oscilações. Pode alternar do mais astuto estrategista político ao mais caricato dos intervencionistas em questão de segundos.
    Como muitos, fui “despertado” em minha consciência política graças ao Olavo. Foi para mim a influência decisiva, e para sempre sentirei grande consideração por ele. Mesmo assim, creio ser inegável que, muitas vezes, ele falha em aspectos da guerra política.
    Digo isso porque ele realmente pertence, creio, a uma categoria à parte (que acredito que você deve incluir quando for aperfeiçoar esse modelo, Luciano). É o indivíduo que SABE as regras do jogo (nível 3) mas, ao mesmo tempo, parece não fazer questão nenhuma de segui-las (nível 0).
    Seguindo a metáfora futebolística, seria como aqueles grandes craques indisciplinados e displicentes, cujo maior símbolo é o Adriano Imperador. Esbanjam habilidade, têm o dom de jogar como poucos, mas parecem sentir um prazer especial em sujar sua imagem e sua carreira com polêmicas e presepadas desnecessárias.

    Outra categoria que acredito que deva ser contemplada (provavelmente um meio de caminho entre o nível 2 e o nível 3): o indivíduo que conhece as regras perfeitamente, mas esbarra num obstáculo que o nível 3 já superou: o emocional. É o sujeito que SABE reconhecer a dissimulação esquerdista, SABE reconhecer a histeria artificial da esquerda, mas mesmo assim não consegue deixar de ficar impressionado e furioso com aquele teatro todo, o que acaba lhe causando erros em seus julgamentos e atitudes. O pensamento que lhe ocorre é mais ou menos esse: “Sei que o choro desse esquerdista é forçado, sei que ele está dissimulando fragilidade e humanitarismo para convencer o público, sei que isso tudo não passa de fingimento e teatrinho. Dessa forma, sabendo de tudo isso, por que continuo tão irritado e perplexo com isso?”.
    Reproduzo esse pensamento porque essa é EXATAMENTE a categoria em que me encontro, e acredito que estou em companhia de muitos mais. Talvez falte esse “bom cinismo” que você citou (acho que isso seria um bom assunto para um post, aliás).
    Mais uma vez voltando ao futebol, é o caso clássico do craque emocionalmente instável que acaba se queimando por isso. O exemplo mais óbvio é o Zidane brilhando durante toda a Copa de 2006 e, nos minutos finais, metendo uma cabeçada no peito do adversário e bota tudo a perder.

  12. AS BÊNÇÃOS DO ANCIÃO

    “A velhice é santa, pura quanto a primeira infância; por isso, aproxima-se de Deus e vê mais claro e mais longe nas profundezas do Infinito.
    Ela é, em realidade, um começo de desmaterialização. A insônia, característico ordinário dessa idade, disso oferece uma prova material. A velhice assemelha-se à vigília prolongada, à vigília da eternidade, e o velho é uma espécie de sentinela avançada, na extrema fronteira da vida; já tem um pé na terra prometida e vê a outra margem, a segunda vertente do destino. Daí, essas ausências estranhas, essas distrações prolongadas, que costumamos tomar por enfraquecimento mental e que são, em realidade, explorações momentâneas no Além, isto é, fenômenos de extirpação passageira. Eis o que nem sempre se compreende. A velhice, tem-se dito muitas vezes, é a tarde da vida, é a noite. A tarde da vida, em verdade; mas há tardes belas e poentes com reflexos de apoteose.
    É a noite; mas, a noite é tão bela, com o seu ornato de constelações!
    Igual à noite, a velhice tem suas vias-lácteas, suas estradas brancas e luminosas, reflexo esplêndido de longa vida, cheia de virtude, de bondade, de honra! A velhice é visitada pelos Espíritos do Invisível, tem iluminações instintivas; um dom maravilhoso de adivinhação e profecia; é a mediunidade permanente, e seus oráculos são o eco da voz de Deus.
    Eis por que são duplamente santas as bênçãos do ancião.
    Devem-se guardar no coração os últimos transportes do ancião que morre, qual o eco longínquo de uma voz amada de Deus e respeitada pelos homens.”
    (Léon Denis, O grande enigma, 9. ed., p. 209-210).
    O ESPÍRITO NA VELHICE

    “O espírito não envelhece, torna-se experiente. A velhice do espírito é a experiência que ele vem acumulando durante os milênios.
    Todavia, quando estamos reencarnados nosso corpo envelhece, isto é, apresenta os sinais do desgaste próprio das coisas materiais.
    A velhice é a fase gloriosa de nossa vida. Ao relembrarmos o passado distante, vemos que vão longe os trabalhos e as canseiras e próximo vem o dia da alforria, o dia em que voltaremos para nossa colônia espiritual, de onde há tanto tempo partimos. Um misto de esperanças e de receios nos assalta: de esperança pela certeza que temos de nossa imortalidade, da continuação de nossa vida em outros planos luminosos do Universo, na companhia dos entes queridos que nos precederam na partida; e de receio por sentirmos que nos vamos defrontar com algo que nos parece desconhecido.
    A nossa felicidade na velhice não consiste em termos amealhado copiosos bens materiais; ela consiste em possuirmos a tranqüilidade de consciência, a paz interior, a satisfação de nunca termos prejudicado ninguém, de termos vivido uma vida reta, moralizada, honesta; e fossem quais fossem as tempestades e as tentações que nos assaltaram em nossa jornada, sempre soubemos conservar nossa dignidade, nossa honradez e prezar nosso caráter.
    Felizes, três vezes felizes os velhos que possuem uma consciência tranqüila, uma consciência que não os acuse de nada! Que ao recordarem a vida já vivida, verificam que cumpriram nobremente todos os seus deveres, mesmo no meio de circunstâncias penosas! Esse é o maior tesouro; o grande tesouro que levarão consigo para a pátria espiritual; é o tesouro que nem as traças corroem, nem os ladrões roubam.”
    (Eliseu Rigonatti, O espiritismo aplicado, 39

    Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/amizade/as-bencaos-da-velhice/#ixzz3nQ3VHhvu – Set/2015

  13. O SER HUMANO NECESSITA SER…

    “Observa com cuidado e verás a multidão aturdida, agressiva, estremunhada, que te parece antipática e infeliz. Em realidade, é constituída de pessoas como tu mesmo, fugindo para lugar nenhum, sem coragem para o autoenfrentamento.” Joanna de Ângelis/Divaldo Franco
    Conheço pessoas que, apesar de ásperas condições históricas, pela manhã já estão despertas e encorajadas para enfrentar os dilemas cotidianos, confiantes de que viver é um aprendizado contínuo, feito e refeito de erros e avanços. É um ato heroico, elas consideram, viver vivos, dando coerência às suas tarefas de alma, ainda que anônimas.

    Conheço outras, no entanto, e mesmo alguns colegas acadêmicos cum laude, cujas vidas entendem insossas e vazias, atribuído o inquieto temor à nossa época permeada pelos excessos do materialismo/fanatismo, sem ignorar a indiferença, um artefato muito cosmopolita.

    Frequentemente pouco sensibilizada para a importância de dar significado à própria vida, a sociedade contemporânea se espanta quando as boas condições materiais, aliadas a um irracional consumo, possam ser acompanhadas de sensação de insignificação e desespero diante das coisas da vida, sem esquecer o bando invisível de depressivos e infelizes que hoje tingem o mundo de um plúmbeo sofrer crônico.
    É notório que o sofrimento existe…

    Muita gente ainda não entende que somente metas significativas – e portanto a coragem para ser – podem gerar uma pura alegria ou uma satisfação honesta, pois é tão só o dinamismo dialético entre “ser” e “tornar-se” que põe rumo criativo ao caminho individual, algo que necessita muito ser disseminado, desde o primórdio da educação humana, e para manter fecundo o campo das convivências, estruturando então uma maior proximidade com os ditames da saúde do corpo-e-alma.

    É notório que o sofrimento existe e ninguém diria o contrário.

    Mas temos a tendência a intensificar o (mau) sofrer, à medida que, especialmente no Ocidente, somos treinados (e instigados) para não enxergar a impermanência das relações e das coisas, apostando, também por causa deste erro de interpretação, na fruição da felicidade como um “produto” a ser alcançado a qualquer custo e que passa, frente à realidade, a ser fonte de angústias e alvo de uma série de atitudes antissociais.

    Felicidade e sofrimento são experiências transitórias e, como indivíduos, o que de fato nos cabe é a aventura de evoluir, de nos conhecer para pensar/viver/conviver melhor.

    Sem dúvida, e nas dimensões privada e pública, mais e mais o desejo por sabedoria se faz essencial. Pois, para dizer o menos, a sabedoria, relacionada à verdade, logo contrária à mentira e aos enganos, tem o condão de nos afastar das armadilhas de uma vida comandada pelas ilusões.
    O necessário para viver uma vida escolhida

    Além disso, em um mundo que está em duro trânsito, a sabedoria pode nos assegurar a serenidade de reverenciar, aprendendo a agradecer e a saborear, por exemplo, as pequenas coisas do dia a dia: uma boa refeição, um livro edificante, uma companhia agradável, o abraço de um filho, um dia de chuva, um dia ventoso, a franca certeza do devir, da mudança que impregna todas as coisas…

    Embora muitos de nós estejamos afetados por um autoconhecimento superficial, pois largamente dirigidos por comandos materialistas (reducionistas), a qualquer instante podemos decidir por uma vida guiada por significação, portanto rumo à sabedoria.

    Que é necessário, então, para viver uma vida escolhida?

    Uma disposição corajosa para ser e viver, agindo bem, vivendo lucidamente, a despeito de todo mal que ainda permeia o destino humano – individual e coletivo. “Coragem de alma”, como dizia Spinoza.

    “Coragem de alma” para avançar, mas fazendo bem-feito a nossa parte – sob a luz da razão e do coração, porque a coragem, uma entre tantas outras virtudes, se como traço de caráter implica fraca sensibilidade ao medo, como qualidade é sempre generosa e por isso tece a biografia dos heróis. E precisamos de heróis, os heróis anônimos, que vivem todos os dias e, no vasto mundo, lucidamente educam seus filhos, cientes da responsabilidade de contribuir luminosamente com o destino humano.
    “Coragem de alma” para evoluir, pois o ser humano necessita ser…
    Eugênia Pickina – Forum Espírita – Julho/2015

  14. Luciano, para mim existem cinco níveis nessa guerra política. Veja:

    1 = inconsciente
    2 = consciente do jogo
    3 = ferramenta do jogo
    4 = consciente das regras do jogo
    5 = identidade de jogo

    Creio que não mudaria a essência dos demais estágios. Mas acrescentei um, o terceiro, que é a Ferramenta do Jogo. A ferramenta é aquele indivíduo que sabe que existe um jogo, mas ainda não entende totalmente como ele funciona. Entretanto, é alguém que se dispõe a participar dele. Esse é o nível da militância de quarta classe*, do indivíduo que age no jogo apenas como um utensílio nas mãos daqueles que estão nos níveis 4 e 5, e que geralmente é usado para cooptar pessoas ainda nos níveis 1 e 2.

    Considero importante este nível porque muitas pessoas são levemente politizadas, estão no nível 2, mas não possuem o menor interesse em ATUAÇÃO política, enquanto as pessoas que chegam ao nível 3 geralmente estão mais dispostas a gastar energia com isso. E outro ponto importante desse terceiro nível é que ele pode ser pulado, pois a meu ver ele é que é o ponto de equilíbrio. Muitas pessoas poderão, se forem mais capazes, passar do nível 2 direto para o 4, sem chegar ao ponto de se tornar uma ferramenta política.

    O indivíduo que está no terceiro nível geralmente tende a estagnar, é muito mais difícil convencê-lo porque ele atingiu um patamar de comodidade situacional. Para ele é mais fácil e rápido defender aquilo que ele já defende sem o trabalho de maiores reflexões.

    *Divido os militantes políticos em classes. Descrevi isso no meu mais recente texto: http://modoespartano.blogspot.com.br/2015/12/os-degraus-da-militancia.html

  15. Luciano, para mim existem cinco níveis nessa guerra política. Veja:

    1 = inconsciente
    2 = consciente do jogo
    3 = ferramenta do jogo
    4 = consciente das regras do jogo
    5 = identidade de jogo

    Creio que não mudaria a essência dos demais estágios. Mas acrescentei um, o terceiro, que é a Ferramenta do Jogo. A ferramenta é aquele indivíduo que sabe que existe um jogo, mas ainda não entende totalmente como ele funciona. Entretanto, é alguém que se dispõe a participar dele. Esse é o nível da militância de quarta classe*, do indivíduo que age no jogo apenas como um utensílio nas mãos daqueles que estão nos níveis 4 e 5, e que geralmente é usado para cooptar pessoas ainda nos níveis 1 e 2.

    Considero importante este nível porque muitas pessoas são levemente politizadas, estão no nível 2, mas não possuem o menor interesse em ATUAÇÃO política, enquanto as pessoas que chegam ao nível 3 geralmente estão mais dispostas a gastar energia com isso. E outro ponto importante desse terceiro nível é que ele pode ser pulado, pois a meu ver ele é que é o ponto de equilíbrio. Muitas pessoas poderão, se forem mais capazes, passar do nível 2 direto para o 4, sem chegar ao ponto de se tornar uma ferramenta política.

    O indivíduo que está no terceiro nível geralmente tende a estagnar, é muito mais difícil convencê-lo porque ele atingiu um patamar de comodidade situacional. Para ele é mais fácil e rápido defender aquilo que ele já defende sem o trabalho de maiores reflexões.

    *Divido os militantes políticos em classes. Descrevi isso no meu mais recente texto: http://modoespartano.blogspot.com.br/2015/12/os-degraus-da-militancia.html

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