As escolhas que a direita faz na “luta” pelo fim da impunidade de criminosos menores

8
33

ac1c537d6e

Sejamos francos. E claros.

A direita escolhe o seu destino mais uma vez. E por direita me refiro a todo indivíduo que se coadune com o pensamento de direita. Conversinhas dizendo “ah, não temos um partido que nos represente” ou até “que direita?” não me iludem, pois são apenas válvulas de escape para a tradicional fuga da responsabilidade.

É o direitista que escolhe pressionar ou não os 38 deputados não-bolivarianos que ontem optaram pelo ódio, pelo sadismo, pela humilhação das vítimas, pelo cuspe na cara do povo, pela arrogância, pela truculência, pelo fascismo.

Já ouvi muito direitista dizendo “ah, com esse Congresso, melhor deixar pra lá”. Então a tradução é: “não vou pressionar esse Congresso por resultados”. O engraçado é que este mesmo direitista reclama quando o Congresso vota pela barbárie. Ora, se a pessoa escolheu não pressionar por que está reclamando?

Outros direitistas dizem que “a classe política não o representa”, sendo no máximo uma racionalização para não pressionar deputados. E isto também é uma escolha.

Muitos direitistas tem dito lutar “pela redução da maioridade penal”. Mas se estão usando este frame ao invés de “fim da licença para matar” ou “fim da impunidade”, então também fazem uma escolha. Uma escolha por não lutar a guerra de frames.

Direitistas não raro discutem polidamente, focando-se apenas no tema das questões. Enquanto isso, a extrema esquerda rotulou os opositores de “bancada da bala”, de pessoas que “odeiam as criancinhas” e de “inimigos dos direitos humanos”. Não lutar a guerra de rótulos é outra escolha.

Outros direitistas tem afirmado “ah, acabou-se tudo”, com o tradicional discurso conformista. Mas o discurso conformista, em qualquer escopo de qualquer tipo de guerra, só tem  uma única função: desanimar suas tropas. E agir para desanimar suas tropas é também… uma escolha.

O fato é que há 38 deputados não-bolivarianos que não possuem o direito moral de votar em favor da legislação mais sádica, cínica e doentia já criada: o ECA. Em um post que fiz logo nas primeiras horas de hoje é fácil encontrar esses nomes. Decidir fazer uma pressão real sobre estes deputados, especialmente de forma organizada, para variar, é também uma escolha.

Por fim, para que a direita realmente possa pensar em conquistar, se não hoje, mas num futuro breve, o fim da impunidade de menores, terá que escolher lutar por isso.

E você, o que escolhe?

Anúncios

8 COMMENTS

  1. Fiz minha parte, cobrei do deputado que teve meu voto e é assim que temos que fazer. Todos são eleitos com nossos votos, e na hora que precisamos que nos represente, eles fazem isso! 87% do povo brasileiro é a favor da redução, se nós os elegemos, temos O DIREITO de cobra-los

  2. VOCÊ ESTÁ CORRETO E LÚCIDO. ESCOLHO A LUTA, ERRAREI MUITO, MAS BASTA DE NÃO ACREDITAR QUE NÃO SOU CAPAZ. É ISSO: PRESSÃO NO CONGRESSO, PRESSÃO NOS QUE SÃO SEMELHANTES A MIM.
    É ESTUDAR, ENTENDER E IR PRA CIMA.
    FAVOR, MANTER SEU TRABALHO. ELE É MINHA BASE DE ESTUDO. VOU ERRAR, MAS VOU EM FRENTE. TÔ TRABALHANDO NA ÁREA PRÓXIMA A MINHA MORADIA.
    DANILO LIMA, VALIOSSÍMO! HOJE DIVULGUEI COMO UMA LEOA : EXCELÊNCIA! RECADO DE 90% DE ELEITORES QUE SÃO CONTRA A IMPUNIDADE DOS DE MENOR – Para todo crime que um menor entre 16 e 18 anos cometer a partir desta data, deputados COMO VOCÊ que votaram contra a diminuição da maioridade são responsáveis morais e cúmplices do crime infligido à todas as vítimas que surgirem a partir da impunidade pela qual optaram.
    ‪#‎VocêsSãoAVergonhaDoBrasil‬!!!!!!!!!!!!!, EM TODOS OS LINKS QUE ELE DETERMINOU E EM OUTROS
    VOCÊ, FELIPE MOURA DA VEJA E INSTITUTO MISSES FECHAM O MEU ESTUDO.
    VOCÊ TÁ CERTO! ABRAÇOS!

  3. Também creio estar fazendo minha parte. Escrevi aos deputados do PSDB e do DEM uma mensagem para deixar claro que os verei a partir de agora como aliados de menores criminosos. Tenho postado no meu humilde blog Casa Caindo a respeito, com meu jeito que não é elegante como o do Luciano infelizmente, mas creio que possa ajudar a tirar da zona de conforto quem não pensa a respeito do assunto.

    Acho que devemos fazer um manifesto organizado aos deputados não bolivarianos que ficaram ao lado do crime. Como podemos fazer isso? Mandar um e-mail com assinaturas, mandar todos e-mails ao mesmo tempo? Uma manifestação de rua, conversar com o MBL a respeito?

    • Também tenho a mesma dúvida.

      Tenho feito o que posso para deixar claro o que penso, inclusive desfilar com as T-shirts de uma etiqueta da direita. Mas me sinto uma voz gritando no deserto e não tenho lá grande vocação para ser João Batista.

      Sinto falta de uma organização em nossas reivindicações. Na votação do Fachin para o Supremo, mandei mensagens a todos os senadores, a maioria delas retornou para minha caixa postal e me senti um idiota.

      Sózinhos, sem organização, pode não ser impossível, mas é muito difícil fazer alguma coisa.

      • A questão é que “as esquerdas só se encontram na cadeia” mas trabalham juntos pelas suas ideias. Já o que Stálin chamaria de “direita” no Brasil é bastante fragmentada e a maioria desses “direitista” não consegue sequer passar da “centro-direita”.

        Nem mesmo o idealizador desse site é de “direita”, pois se diz liberal clássico, que a grosso modo é o “irmão comportado” do libertarianismo, do socialismo fabiano, do anarquismo e dos gêmeos nazismo e bolchevismo, todos filhos do jacobinismo e netos da Renascença neo-pagã.

  4. A maior pressão que se pode fazer é não votar mais no indivíduo. O problema é que isso não acontece.
    Entra eleição, sai eleição e as mesmas pessoas continuam lá.
    O prefeito do recife, Geraldo Júlio, foi comemorar no Facebook o resultado da votação e foi achincalhado.
    Mas a questão é: ele será reeleito ano que vem?

    Ps. Luciano, você viu que o Eduardo Cunha vai insistir no texto? Estão dizendo que ele não respeita a casa por isso.

  5. parabéns, Luciano, mais um excelente texto informativo e formador de opinião.

    é isso que faltava para que a direita pudesse se organizar, estabelecer e se consolidar no embate das idéias e no cenário político.

    e parabéns por sugerir pautas e estratégias tb, esse seu diferencial é o que faz seu blog e textos estarem entre minhas leituras recomendadas.

    abs,

Deixe uma resposta