O boicote aos livros de autores de direita e o que a Nova Jerusalém tem a ver com isso

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O texto “Muito mais do que apenas boicote”, do sempre lúcido blogueiro Guilherme Macalossi, é vital para o momento. Leia-o abaixo:

O editor Carlos Andreazza​, da Record, apontou para a estranha falta de resenhas de livros que estão sendo lançados com enorme sucesso. É o caso de “Pare de Acreditar no Governo”, do Bruno Garschagen​, que já chegou a 10 mil exemplares vendidos.

Os cadernos culturais das grandes publicações são apinhados, muito mais do que a média da redações em si, de esquerdistas, de progressistas, de gente que vê com medo a ascensão editorial de linha liberal e conservadora. Não se trata, entretanto, de mero boicote: Essas mesmas publicações continuam mantendo gente de uma irrelevância assustadora em seu quadro de colunistas por preconceito com a “direita”.

Uma imprensa mais séria, ou pelo menos uma imprensa mais plural, já teria arrebanhado para suas publicações pessoas que repercutem nas redes sociais e que tem seu trabalho divulgado por meio de livros. É o caso de Alexandre Borges, Flavio Quintela, Bene Barbosa, Flavio Morgenstern, Bruno Garschagen e Rodrigo Gurgel, para ficar apenas entre aqueles que já publicaram obras que foram muito bem vendidas. Por que eles todos, e tantos outros talentos, já não possuem espaço fixo no colunismo político que dá tanto destaque para rematados medíocres como Fábio Porchat e Gregorio Duvivier, ou caquéticos lambedores de botas do governo como Jânio de Freitas? É por suas convicções? É em virtude da linha de pensamento? É por não terem espírito de manada?

A população letrada, que lê jornal, é a mesma que compra livros. O fato é que a explosão dessas publicações no mercado editorial é inversamente proporcional ao abismo da tiragem dos grandes veículos impressos, em continuada queda expressiva. O público está ávido por autores liberais e conservadores. A imprensa de esquerda, firme na sua convicção de esconder do público aquilo que ganha notoriedade nas livrarias, escolheu escrever para ninguém.

A avaliação do contexto é interessante, mas é bom complementar com a causa para o problema. Guilherme está correto ao constatar que a esquerda atual, nos meios de comunicação, resolveu escrever para ninguém. Mas não é só isso. Eles também optaram escrever em nome de suas verbas estatais.

Esta situação aqui trazida por Macalossi, infelizmente, origina-se nas escolhas da direita, que optou por não prestar atenção à questão da luta do PT contra a mídia. Por esta escolha, a direita não fez uma manifestação sequer quando Rachel Sheherazade foi censurada, e muito menos quando o PT resolveu cortar as verbas estatais para a Revista Veja. O Partido Totalitário sabia que, ao fazer isso, lançaria uma espécie de autocensura sobre todo o resto da grande mídia, o que resultaria em cerceamento de espaços para o pensamento de direita nessas publicações.

Eu acho que a pauta do impeachment não pode ser esquecida. Há outras pautas que já não são relevantes, como a questão das urnas eletrônicas, pois um projeto de lei de Jair Bolsonaro garantirá a impressão do voto. Há outros pedidos absurdos e injustificáveis, como os pedidos por intervenção militar. Decerto, a movimentação em favor do direito ao porte de armas, liderada por Bene Barbosa, é muito bem vinda. O mesmo pode ser dito da iniciativa de Miguel Nagib na luta contra a doutrinação escolar. Observe que todas essas frentes tem importância (com exceção do pedido por intervenção militar, que não pode ser levado a sério, em termos políticos). Porém, a questão mais importante de todas, envolvendo a liberdade de imprensa (e a luta para evitar que as verbas estatais de publicidade direcionem tanto o conteúdo), simplesmente foi abandonada pela direita. Não há uma frente sequer dedicada a esta luta.

É preciso primeiro plantar, para depois colher.

P.S.: “Nova Jerusalém” é o termo criado pelo autor deste blog para definir, em termos de guerra política, o ponto mais importante sob disputa para os dois lados da contenda. Nova Jerusalém, desde o advento do Foro de São Paulo, é o controle da mídia (assim como da Internet, e da liberdade de expressão em geral). Assim como nas Cruzadas, o ideal é que as tropas de ambos os lados lutassem por essa posição. Bizarramente, essa posição é disputada unicamente pela esquerda, mas ignorada pela direita.

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45 COMMENTS

  1. Interessante que este sabado fui a FNAC de campinas e fiquei surpreso com a grande quantidade de livros de autores liberais e conservadores. No minimo triplicou, des do mês retrasado. Encontrei até classicos, como “O Caminho da Servidão”. Inclusive o livro “Para de acreditar no governo” estava a mostra como um dos destaques 🙂

    • Encontrei para meu espanto, aqui no Rio, na Livraria Travessa do Barra Shopping, logo na entrada da Travessa, um balcão ocupado apenas com livros de autores comunistas. Havia DVDs de temática comunista também. Pensei que era homenagem da livraria a tantos tristes personagens do Brasil atual que rasgam sêda para os regimes políticos da Rússia e Cuba porém preferem em seu lazer Paris ao invés de Havana. Como esta Senadora Vanessa Grazziotin que não perde de comparecer na tribuna de oradores do Senado Federal para marcar presença e ser lembrada por uma população certamente muito pobre do Norte do Brasil fácilmente manipulável por rostos e fala sagazes de comunistas a mendigar-lhes o voto.

  2. Luciano, acredito que o “em favor do” na frase repetida abaixo pretendia ser um “contra o”:

    “Decerto, a movimentação em favor do desarmamento, liderada por Bene Barbosa, é muito bem vinda”.

  3. OFF:

    Eu nunca vi um governo dá tanto tiro no pé.

    https://www.facebook.com/PalacioDoPlanalto/photos/a.219988344805706.48071.199126586891882/583463938458143/?type=1&theater

    Os caras usaram como imagem um filme que critica as condições de trabalho, para dizer que o trabalhador vai ter seu emprego “garantido” (omitindo que esse trabalhador vai ganhar menos e certamente, vai ter que trabalhar mais -fazendo bicos ou em um segundo emprego- para poder pagar contas que não param de subir).

    Não é nenhuma supresa que até esquerdista está falando que melhor que esse governo caia.Teve um esquerdista que disse que nem a ditadura fez tanta merda como o pt.

    PS:Ao que tudo indica, acaba de estourar uma bolha na China (aquele modelo “maravilhoso” defendido pelos petistas e suas linhas auxiliares).Procurem por “China Meltdown” para mais informações.

  4. Em minha ultima visita a uma livraria folheei o livro O homem que amava cachorros de autor cubano. Lembrei que havia sido recomendado pelo Olavo. Mas me surpreendi com um prefacio do Frei Betto apresentando a obra. Pensei: Porra o professor tá enaltecendo um livro deles?
    Tudo bem que na visão dele nós temos que saber como comunistas pensam, mas achei que o autor fosse um cubano redimido.
    ____
    Mudando o foco, Luciano, em minha área, a saúde, há alguém que proponha uma visão direitista com bom peso crítico? Pergunto isso porque é a pasta com maior investimento estatal e também sujeita a visões coletivistas de enorme impacto no dia-dia da população, vide expansão da estratégia de saude da família e uso de programas politicamente corretos para modular mentes e mercado.
    Vejo também como é forte o progressismo no âmbito da enfermagem e psicologia, ao contrário da medicina, odontologia e fisioterapia.

  5. As duas fontes de busca mais importantes sobre vendagem de livros mais são a Publishnews e Veja.
    Saber como funcionam e o que fazer para melhorar ranking de livros de direita é fundamental.

  6. Luciano, uma pergunta/sugestão de artigo. A despeito da aparente brincadeira da pergunta, ela esconde uma profunda verdade e uma bela reflexão:

    Na sua opinião, a “zueira” salvou a direita?

    Os maiores críticos/oposicionistas do Governo (e os mais efetivos, é bom que se diga), nesse novo levante de direita, não vieram de Brasília e de nenhuma outra Assembleia Legislativa, mas sim da internet, dos memes, “da ‘zueira’ que não tem limites”.

    Gostaria de uma análise sua sobre esse assunto, de um viés mais “guerra política”.

  7. É a famosa espiral do silêncio sendo aplicada pela esquerda contra a direita. Já era de se esperar. Uma frente que poderia existir contra o uso de dinheiro público na BLOSTA seria o ativismo judicial. Como? Petições contra o uso do dinheiro do contribuinte em coisas fúteis, como blogs esquerdistas, enquanto pessoas minguam nos hospitais à espera de atendimento público. Eu só ainda não sei qual tipo de remédio constitucional seria possível contra isso; ação popular ou ação civil pública, talvez?

    De acordo com a Constituição Federal, em seu inciso LXXIII, do art. 5º, CF:

    “Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência.”

    http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=9707&revista_caderno=9

    Que tal um artigo sobre isso, Ayan?

    Abraços.

  8. Luciano, infelizmente a velha geração está acomodada, muitos, ou a maioria, já cansados ou corrompidos demais, acho que não tem jeito, mas a nova geração como você, Katagiri, entre outros, são os que devem dar o tom e guiar o crescimento da direita para os próximos anos, não podem deixar as diferenças se tornarem um percalço, não desanimem. E devem principalmente continuar ensinando aos mais novos, a conscientização contra a esquerda nunca deve parar. E um pouco de zoeira de vez em quando sempre ajuda…

    Parabéns pelo seu trabalho e muito obrigado.

  9. Ué… Você também é mídia, Luciano. Faça sua parte e promova o livro do Bruno, se achar que vale a pena. Outros articulistas notórios, como Felipe Moura e Rodrigo Constantino, fizeram a parte deles.

    #ficadica

  10. Me parece muito complicado fazer uma manifestação do tipo “Governo, volte a fazer propaganda na Veja!”. Isso é fácil de ser ressignificado pela esquerda como “Governo, dê o dinheiro que iria para a educação/saúde/segurança/etc. para a mídia manipuladora”. Me parece que seria mais produtivo organizar frentes para lutar pelo fim da publicidade estatal, por exemplo, mas esta demanda dificilmente seria apoiada por qualquer veículo de mídia (exceto a Veja, que já perdeu sua boca), justamente porque – em maior ou menor grau – todos esses veículos perderiam muito dinheiro. Realmente, precisamos URGENTE de um Think Tank de direita.

    Em tempo, a aposição do termo “Nova” a “Jerusalém” pode trazer confusão à direita religiosa. Na Bíblia, a “Nova Jerusalém” é uma metáfora para a cidade de Deus, o céu, etc. Talvez convenha pensar se o uso do termo “Jerusalém” simples, como você estava utilizando, não seria mais apropriado.

    • Um Think Tank de direita… A ideia é boa mas esbarra no próprio conceito original de “direita” inventado por Stálin.

      No Brasil, o PT é o “Moderno Príncipe” e mesmo as outras vertentes de esquerda são consideradas “de direita” por aqui, como os socialistas fabianos, libertarianos e liberais clássicos. Aí vem a questão: como aliar esses grupos com os conservadores, para não falar de grupos como a TFP, intervencionistas ou mesmo os centristas/patrimonialistas (PMDB, PSD, PP etc.) que ficam em cima do muro?

      Se Dilma cair e Aécio for conduzido à Presidência, a luta será contra o próprio PSDB e o PT. Iríamos ignorar o esquerdismo/globalismo tucano de FHC ou o passado terrorista de Serra e Aloysio Nunes que ainda reflete no esquerdismo professado por eles? Se os criticarmos, estaríamos ajudando ao PT ou coisas piores (PSOL, PSTU etc.)?

      Mesmo em uma hipótese extrema – uma revolução encabeçada por um grande líder tradicionalista como Francisco Franco – estaríamos dispostos a uma guerra civil pela liberdade como os espanhóis dos anos 1930? Combateríamos com os inimigos de nossos inimigos como os diversos voluntários arregimentados pela Waffen-SS por toda a Europa?

      Essas são questões que um Think Tank “de direita” teria que refletir, mas por onde começar?

      • Pedro, atuando como estrategista conservador eu pensaria em metas. Primeiro derrubar o inimigo mais cruel, representado pelo petismo e linhas acessórias. Atingida esta, e contando com um aumento cada vez maior nas linhas conservadoras e desestatizantes, iniciaria uma nova frente de batalha contra os fabianos.
        Penso que hoje ficou muito mais claro os pontos de interseção destes “inimigos” que podem ser trabalhados pelo esclarecimento ideológico crescente.
        Raciocinar em termos de guerra civil, acho excessivo. Com tudo sendo filmado e divulgado ninguém mais pactua com esse tipo de extremismo. Já o terrorismo anònimo pode ser um caminho a ser percorrido pelos extremistas de esquerda banidos do poder. Eu me preocuparia mais com isso. E acredito que mesmo os fabianos também o façam. Nesse ponto seriam aliados.
        Não acho que a extrema direita brasileira tem organização nem para se compor estrategicamente, nem para participar de ações violentas. Eu os vejo como gotas que pulam pra fora da panela em ebulição.
        E no caldo político fervente, não há dúvida que os patrimonialistas estarão do lado mais forte do momento. Contra eles não há luta possível, já que não têm ideologia nem opinião própria. Só duas formas possíveis de moldá-los, dinheiro ou pressão da opinião pública.

  11. Luciano.
    Aos poucos estou lendo os teus posts sobre rotinas esquerdista, jogos bolivarianos, propaganda.
    Aqui no RS temos um jornalista (tem coluna diária no Correio do Povo, que ainda é um dos jornais mais lidos no estado, programa diário na Radio Guaiba em horario nobre, onde são figuras constantes deputados e vereadores do PT, PSOL e membros de coletivos não eleitos e sindicatos), e que também publica livros, que é de um esquerdismo ímpar, mas que tenta se passar por neutro, ou “não tenho partido”, ou Rotina Esquerdista> “Não sou comunista”.
    Confessou ter votado em Luciana Genro no 1º turno…sim. Mas nega veementemente que seja petista ou psolista. Há pouco tempo escreveu uma coluna, justificando-se, por ter passado as férias em Paris..
    Se puder leia (e comente) alguns artigos do sujeito. Obrigado.
    http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/

    • PS: como estão fazendo vários “blogueiros e jornalistas” esquerdistas, ele bloqueou os comentários no blog, pois estava sendo refutado com veemencia por suas teses bolivarianas.

  12. A Direita não tem articulação nenhuma para lutar por qualquer coisa. Os exemplos citados são de lutas individuais travadas por pessoas que na prática estão sozinhas. Nem financeiramente são apoiados.

    a direita não defendeu a Raquel s. Por ela ter cunho conservador e isso pega mau ser defendido. Os liberais estão culturalmente mais próximos do Jean wyllis do que da Raquel.

    Por mais que tentamos colocar liberais e conservadores nas mesmas frases os liberais tem nojinho de não parecerem beatifull perto de “conservas”.

    Bolsonaro pode ser caluniado 100x por dia e os iluminados não levantam um dedo. Vai que o filme do liberal fica queimado com.os amigos da faculdade no face.

    O epl pateticamente promove feminismo entre o seus e outras esquerdices, ou seja já está aparelhado.

    enquanto isso a esquerda vai se unindo e deixando de lado diferenças e garantindo a suas posições.

    • Realmente liberais podem ser tanto de direita quanto de esquerda. Hoje em dia, a maioria deles é de esquerda na área cultural/social, e de direita na área econômica. Pode até parecer uma contradição, mas é isso mesmo.

      O socialismo e o liberalismo econômico são incompatíveis entre si, mas o marxismo cultural pode existir tranquilamente tanto num país comunista, quanto num país capitalista. E é exatamente o que vem ocorrendo. O marxismo cultural está se tornando cada vez mais hegemônico.

      As pessoas têm esse conceito de que liberais e conservadores são aliados naturais, mas não é assim que a banda toca. Inclusive, na política brasileira do século XIX, a principal luta era exatamente esta: entre liberais e conservadores.

  13. O grande problema da mídia é que causa uma certa contradição nos sentimentos de quem é de direita. Por um lado, vemos a grande imprensa agindo de forma completamente desonesta, manipulando notícias de forma contumaz. Por outro, vemos a esquerda ameaçando essa mesma imprensa. A questão é: se defendemos a liberdade de expressão no contexto atual na prática estaremos defendendo um bando de militantes mentirosos contra o ataque organizado da esquerda. Gente que é capaz de recorrer aos expedientes mais baixos para atacar nossas convicções. Com poucas exceções, esses veículos merecem o que estão sofrendo, pois eles mesmos alimentam o monstro que agora os ataca, além de terem perdido completamente a credibilidade por consequência de suas próprias ações.. Quando a esquerda chama a mídia de mentirosa não está falando nada além da verdade.

    Por tudo isso, de certa forma é difícil se animar com essa luta. Mas devemos sim defender a liberdade de expressão por 3 motivos:

    1 Defendemos um princípio, uma idéia, algo maior do que a mera situação momentânea que acontece no país. Censura governamental definitivamente NÃO vai ajudar em nada a melhorar as coisas. Não estamos defendendo Globo, Folha ou Estadão, e sim uma liberdade fundamental, que afeta a nós todos.

    2 Ser omisso ou se filiar a posição esquerdista é um tremendo erro estratégico, já que na prática são eles que possuem os meios para controlar a imprensa. A liberdade de expressão opera ao nosso favor, porque o poder político e econômico está com eles.

    3 Há alguns poucos que são honestos e merecem sim proteção. Talvez o maior erro da direita tenha sido a omissão nos episódios em que eles foram perseguidos, como foi bem lembrado no artigo

  14. Eu comprei a “Revolta de Atlas” de Ayn Rand. Essa livraria que eu frequento coloca os livros não-comunas bem no topo das pilhas de livros, em destaque. Eu acho que a maré está virando.

  15. É quase impossível que o financiamento estatal para a mídia pare. A revista Veja mesmo é apaixonada por uma verba estatal. O Reinaldo Azevedo por exemplo, antes de trabalhar na Veja, trabalhava em outra publicação em São Paulo que recebia altas verbas estatais. Só que era do PSDB, e não do PT.

    Por mim o governo pode fazer propaganda nos meios de comunicação, mas deveria ser de graça. Ou seja, a revista ou canal de TV seriam obrigados a veicular as propagandas, mas sem receber um centavo por isso.

    E esses intervencionistas são um queima-filme total. A esquerda diz que todo mundo de direita é golpista. Até que tem um pouco de verdade nisto. Na década de 1960, os militares deram não um, mas DOIS golpes de estado: um em 1961 e outro em 1964. É justamente por causa da ditadura militar que não temos nenhum partido de direita hoje em dia. Os conservadores brasileiros não aprenderam a conviver com democracia até hoje.

    A própria revista Veja e a Globo apoiavam fortemente a ditadura militar. Na época das passeatas da Diretas Já, a Globo só mostrava a passeata de longe, e noticiava que aquilo era uma passeata para Nossa Senhora da Conceição, ou coisa parecida. Os diretores da Veja até se encontravam com a alta cúpula do governo, davam palestras defendendo o governo, chamavam aquele período de “Época da Revolução”. Falando sério, chamar a ditadura militar de Revolução é pior do que chamar a Dilma de presidenta. E hoje em dia eles fingem que na época eles lutavam contra, só que é a maior mentira.

    E a veia golpista da direita anda firme e forte até hoje. Porque até os que querem o impeachment da Dilma, costumam dar umas justificativas escabrosas. Isso não deixa de ser golpismo também. Mas aí já não seria um golpe militar, e sim um golpe feito pelo Congresso.

    A conclusão que dá pra tirar é que na política só tem cretino. Seja no centro, seja na direita, seja na esquerda, só tem cretino nessa bagaça.

    • Mas os militares não eram “de direita”. Como você pode classificar como de direita um grupo que praticou a política econômica mais estatizante da república?

      Militares foram caracterizados assim unicamente porque perseguiram a esquerda.

    • Quer dizer que você gasta o seu dinheiro montando um jornal e revista e é obrigado pelo governo a ceder de graça o espaço que você poderia usar para ter retorno daquele investimento? O nome disso é expropriação, e continua sendo uma intromissão indevida do governo sobre a imprensa.

      Além de ser imoral, isso não resolve o problema do abuso de poder político do governo nas eleições.

      • Marcos,

        Digamos que temos dois cenários:

        1. Uma mulher é estuprada, tem os olhos vazados, sua espinha partida e ficará a vida tetraplégica
        2. Uma mulher é estuprada, mas você negocia com o bandido para que ele não a agrida a este ponto

        A proposta de ter espaços na mídia, mas sem desembolso financeiro é (2). A situação atual é (1).

        Ainda que exista um estupro, há um atenuante no segundo caso, quando ele é comparado ao primeiro.

        Mesmo que a cessão de espaço em mídia seja IMORAL (e aí eu concordo com você), não tem como ser IMORAL da mesma forma que é hoje.

        Na guerra política, temos que lutar cenários que sejam melhores para nós, em comparação com o atual, mesmo que não sejam “o ideal”.

        Abs,

        LH

      • Então…vc negocia com o estuprador pra ele não furar os olhos e deixar a mulher tetraplégica.
        Como é que vcs fazem isso?
        ‘ow seu estuprador tenha peninha não seja tão mauzinho não’…
        Sério que vcs não vêem o ponto ridículo que chegaram?
        E o pior é que essa situação é a descrição PERFEITA do que é democracia.

      • Slaine,

        Como se faz? Com leis progressivas de acordo com a gravidade do crime.

        O fato é que nos lutamos pelo mal menor. Libertários puristas lutam PELO MAL MAIOR, por não quererem negociação.

        É por isso que você sempre produzirão TOTALITARISMO. Enquanto nós, menos puristas, lutaremos contra o totalitarismo. É uma escolha.

        Aliás, atacar a democracia é o melhor caminho para dar poder a esquerdista que querem produzir TOTALITARISMO. Até porque eles não são tolos de dizer “democracia não funcionou”.

        Abs,

        LH

      • Eu realmente não sei o que o Slaine faz aqui, o cara simplesmente ignora completamente tudo o que o Luciano fala neste blog desde sua fundação.

        Uma coisa que o Luciano falou interessante sobre o Libertarianismo quando eu mostrei uma frase do Kogos falando sobre a superioridade do Libertarianismo:

        “Se são tão superiores, porque ainda não produziram nenhum resultado”

        Sim, o libertarianismo é só abstração, porque na realidade, na política, vocês não produzem quase nada, e o motivo principal é por negar a política, então, querer aplicar seus conceitos em uma sociedade se torna tarefa impossível, a menos que criem um país próprio, como fizeram na Europa, e lá vivam. Mas querer resultados aplicados em uma larga porção de terra, o que eu chamaria de país, é algo utópico demais, se você se nega a jogar o jogo político.

      • Luciano, entendi o seu ponto de vista. Mas vejo um elemento novo a ser considerado na equação: a expropriação sem justa compensação. Se a coisa fica apenas numa página por revista ou jornal eu até concordo com você. Mas isso está abrindo o precedente jurídico para um governo autoritário começar a pegar duas, três, quatro… Ou seja, passa a ser possível estrangular os veículos de comunicação através da ocupação de espaços cada vez maiores na marra, o que não seria possível antes. É um novo nível de intervencionismo.

        Como tenho formação em Direito, me preocupa muito a derrubada de princípios e valores. Se antes a imprensa seria protegida pelo princípio da impossibilidade de expropriação sem justa compensação, nesse novo cenário seria resguardada de ataques maiores apenas por uma regra, que pode ser modificada com muito mais facilidade do que um princípio.

  16. Competente Luciano, com a explosão e capilaridade das mídias sociais, podemos DAR UMA SOLENE BANANA para os resenhadores formais.
    Estou trabalhando numa Tese exatamente sobre esse fenômeno: a desconcertante desintegração do monopólio dos tradicionais formadores de opinião, dos “fazedores de cabeça”. (editores, professores, etc.,etc.)
    Pra resumir: está desabando a até então impertubável HEGEMONIA GRAMSCIANA.

  17. Moro no RJ, e existe uma livraria no shopping Grande Rio, que fica em São João de Meriti, chamada Nobel, eu entrei nela por um acaso, nem tinha lido esse tópico, e fui dar uma olhada nos títulos em destaque, consegui achar apenas uns 5 livros de linha editorial mais a direita, como o Ditadura à Brasileira do Marco Villa. Em contrapartida, tinha uma estante inteira com livros governistas, Florestan Fernandes, PHA, Aquele Privataria Tucana e o Príncipe da Privataria, além de livros daquele pela do Paulo Moreira Leite, como o que ele conta “outra história” do Mensalão, piada pronta.

    Enfim, RJ é isso aí. Elege Bolsonaro e Freixo como mais votados em suas respectivas classes.

  18. Acredito que muita gente, como eu, tem uma dificuldade em escolher e identificar livros e autores, por tal a gente fica pulando na web, assim, talvez algum blogueiro de reconhecimento, como você Luciano, poderia começar com um post citando uns 4 ou 7 livros recomendados(e autores) e no final do post convidar outros blogueiros/colunistas que conhece a fazerem o mesmo, a introdução poderia ser critica e/ou elogio aos livros citados por quem o convidou. O título, poderia ser, “endireita livrarias” ou algo como “liberta a livraria das amarras da esquerda“. A estrutura do post ficaria mais ou menos:

    título
    -Introdução
    -lista dos livros
    -convite aos 3 colunistas de ‘direita’, para que façam o mesmo.

    Porém, acho que possivelmente, o engajamento e continuidade só aconteceria com colunistas/blogueiros de esquerda, a direita odeia ‘jogar em grupo’, mas talvez essa crise e o perigo de virarmos uma ditadura bolivariana tenha lhes ensinado algo.

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