A luta de Ronda e Bethe. E uma lição fundamental para a política.

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Eu não sou de acompanhar esportes competitivos. Nem futebol. Nem lutas. De qualquer tipo. Se for para assistir lutas, aliás, prefiro uns bons filmes de ação, pois ao menos no cinema a pancadaria é coreografada. Por isso mesmo, não sou das melhores pessoas para comentar lutas. E nem é isso que tenciono fazer aqui.

Mas é interessante analisar o comportamento do público brasileiro antes, durante e depois da luta entre Ronda Rousey e a brasileira Bethe Correia, que se engalfinharam no último fim de semana, com vitória de Ronda, em um nocaute com pouco mais de 30 segundos. O detalhe é que muitos brasileiros torceram contra Bethe? A questão é: por quê?

O motivo: Bethe havia usado o suicídio do pai de Ronda a título de provocação. A partir desse momento, o público percebeu a brasileira como “imoral”, cujas declarações deveriam ser motivo de vergonha eterna. Como resultado, temos posts como esse, de Cosme Rímoli: Ronda Rousey levou apenas 34 segundos para mostrar a Bethe Correia. Não se usa suicídio como provocação no UFC. O Rio de Janeiro viu uma surra inesquecível. E aplaudiu de pé a vingança de Ronda…

Existe aqui uma dinâmica, que podemos assimilar para todas as interações na guerra política. Ei-la:

  1. É possível encontrar uma ação imoral do oponente?
  2. Se sim, exponha-a apelando ao recurso do shaming.
  3. Com isso, não apenas toda a raiva do mundo será lançada sobre seu oponente, como também todas suas ações contra ele serão santificadas.

É fato que já estamos fazendo isso contra o PT. Mas ainda economicamente. E não na mesma dimensão que eles fazem contra nós, evidentemente. Mas justamente agora, em que eles foram para as cordas, é momento de lembrarmos da lição aprendida neste fim de semana com Ronda e Bethe: há muito shaming ainda a ser lançado contra o PT. As oportunidades são múltiplas.

Por exemplo, como deve ser tratado um partido que resolveu se fazer de vítima num provável atentado “fake”? Isso é digno de que tipinho de gente? Só uma instância de shaming bem focada já é capaz de gerar motivação contra o PT muito mais do que foi feito com Bethe. É só enfocar os aspectos mais vergonhosos da atuação petista.

O catálogo de oportunidades é riquíssimo. É só aproveitar. Tal como Ronda aproveitou.

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13 COMMENTS

    • Esse é um argumento muito ruim, o do Dinesh.Se o cara é ou não capaz de fazer o troço é irrelevante, o cara está falando da moralidade do negócio e não da praticidade. E o Dinesh não tocou no ponto da moralidade.

    • Esse é um argumento muito ruim, o do Dinesh.Se o cara é ou não capaz de fazer o troço é irrelevante, o cara está falando da moralidade do negócio e não da praticidade. E o Dinesh não tocou no ponto da moralidade.

      • E porque ele deveria? Ele tocou no ponto central da questão, que desmoralizou de forma contundente não só o rapaz, mas todos os que maldosamente estavam tentando encurralar o Dinesh. O argumento foi tão forte que ele teve que se defender dizendo que não era sobre ações afirmativas, porém quanto mais o Dinesh atacava, mas num beco sem saída ele ficava. Foi sim a melhor abordagem, e o embaraço do rapaz mostrou isso claramente, Dinesh cuspiu na cara daquele rapaz e respingou na cara de todos os outros. Se eu fosse ele sairia da faculdade no outro dia.

  1. A Bethe exagerou ao falar do pai dela, mas a Ronda usa geralmente de expediente semelhante, porém não foi tão longe assim

    Esse o o link que a ciborg bagunçou a mãe da RR:

    http://www.oneround.com.br/2015/03/cris-cyborg-quer-alma-de-ronda-rousey/

    http://blogs.oglobo.globo.com/mma/post/ronda-novamente-ofende-cyborg-que-propoe-desafio-em-peso-combinado-555145.html

    http://www.mmaspace.net/ronda-rousey-ofende-cris-cyborg-e-descarta-luta-11566/

    Até o Dana entrou no meio:

    http://mma-warriors.fightingboard.com/t1097-dana-ofende-e-cyborg-responde

    A RR soube aproveitar o momento e capitalizar, como disse nunca jogue uma arma com munição na mão do oponente.

  2. Entendo o ponto levantado, Luciano, mas eu sou fã hardcore de MMA e neste caso há muitas outras nunaces para explicar o que aconteceu. Não existe uma relação direta entre os comentários da Bethe e o apoio a Ronda. Não irei me alongar o assunto, mas, apenas a título informativo, antes mesmo dos comentários já havia uma grande torcida para a Ronda aqui no Brasil.

    • Tem tudo a ver, se você fosse fã de MMA mesmo iria saber que esse expediente é um elemento comum da cultura humana, onde se estabelece um lado mal, o vilão, e um lado bom, o mocinho, daí as pessoas vão optar pelo mocinho. Se vê isso muito no WWE, e o Chael Sonnen introduziu esse elemento com maestria no MMA, porém atualmente o McGregor tem feito isso com mais contundência, já que mostra que sabe lutar também.

      O Luciano não conhece o que seja Trashtalk e seu uso como marketing, mas nós sabemos. De modo que Bethe não merecia lutar contra a Ronda, mas ganhou visibilidade criando a polarização extrema com a Ronda.

  3. São Paulo, 6 de agosto de 2.015

    Prezado Sr. Ayan,

    O problema de se utilizar a tática do shaming contra o PT é a proteção que a mídia oferece a esse ajuntamento de bandidos. O grande público não tem acesso ou os que possuem, não desejam acessar informações verídicas sobre essa gentalha. O efeito “teflon” de Lula só começou a desgastar agora, quarenta anos após seu surgimento na vida pública. E devido a explosão da operação Lava Jato. Muitos falam que os brasileiros são conservadores. Discordo frontalmente dessa posição. Fôssemos de fato conservadores, não teríamos sucessivas administrações esquerdistas. Se o PT cair será bom para a nação. Mas é apenas o começo. Muito trabalho de conscientização deverá ser realizado à respeito do conservadorismo no Brasil.

  4. Sou um grande fã de MMA e acompanhei todo o “trash-talk” (provocações) na preparação para a luta entre a Ronda e a Bethe. Isolando esse caso específico da fala sobre o suicídio do pai da Ronda, podemos sim extrair lições para a guerra política contra o PT. Mas é bom que se diga que a situação é bem mais ampla e que essa fala, por si só, não explica as reações do público brasileiro. Ronda é simplesmente uma Barbie “badass”, que mete a porrada em todo mundo. Trabalhou em Hollywood. Ela tem fãs que transcendem a questão da luta. Era praticamente impossível a Bethe suplantar isso, mesmo dentre o público brasileiro.

    A Bethe era uma lutadora pouco conhecida, com cartel invicto sim, mas sem nenhuma grande vitória, e conseguiu o direito de desafiar aquela que é a mina de ouro do UFC. Ela ganhou mais nessa luta do que provavelmente ganhará em todo o resto de sua carreira. Em termos de auto-promoção, ela é um exemplo extremamente positivo, mesmo que possa ter aparecido como vilã para alguns. Nos EUA, o papel de vilão provocador é muito disputado e sempre rende ótimos dividendos a quem assume a tarefa. Chael Sonnen que o diga. Bethe talvez precise lapidar sua fala, mas a forma como chegou à luta contra a Ronda é um exemplo de sucesso, não o contrário.

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