A direita que “prefere esperar” como um grande flagelo político dos nossos tempos

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Com cada vez mais consternação tenho notado pelas redes sociais um comportamento de direitismo purista que se ampara em uma justificativa: “Prefiro esperar um candidato de direita (no Executivo)”. Variações desse discurso também dizem que “Nada pode ser feito, antes de ter um candidato de direita”. Outros partem para a provocação: “Que direita? Onde você está vendo direita?”.

Neste último caso, o indivíduo provavelmente confunde a existência de partidos de direita com atuação política de direita, mas uma coisa não é diretamente ligada à outra. Por exemplo, a política de extrema esquerda foi executada com maestria por aqueles que hoje estão no poder durante todo o período da ditadura militar, época na qual nenhum político profissional de sua ideologia estava no Congresso. Por que na época do regime militar esta mesma extrema esquerda, que hoje se locupleta no poder, não disse “prefiro esperar um candidato socialista (no Executivo)”? Creio que a busca honesta por esta resposta já desvenda grande parte do mistério.

Tenho uma teoria: embora os adeptos da intervenção militar sejam uma pequena minoria, os filtros mentais criados por eles contaminaram uma boa parte da direita. E o que são esses filtros mentais? No caso dos intervencionistas, são aqueles utilizados para bloquear qualquer ação política, com o fito de permitir a conquista cada vez maior de espaço pela extrema esquerda, para daí surgir um pretexto para dizer “Estão vendo? Só a intervenção militar resolve!”. Logo, a derrota na política seria um benefício para os intervencionistas. Inconscientemente, mesmo sem crer na intervenção militar, muitos que não são intervencionistas assimilaram alguns filtros mentais criados pelos intervencionistas, e então passam a manifestar comportamentos que só servem para causar derrotas políticas: purismo, falta de pragmatismo, derrotismo, etc.

Sendo assim, podemos considerar o discurso dizendo “não há o que fazer antes de ter qualquer candidato de direita no Executivo” como um desses filtros. Como já disse, não digo que os direitistas utilizando este filtro sejam intervencionistas, ou mesmo que queiram conquistar derrotas políticas. Repito que o processo pode ser inconsciente. Porém, os filtros mentais se manifestariam independentemente do direitista estar consciente da utilidade deste filtro.

O filtro purista para a política sempre apelará ao tudo ou nada. E como resultado, conquistará sempre… nada. Mesmo que o usuário deste filtro não tenha noção da finalidade do filtro, é assim que as coisas são.

A eliminação do filtro purista iria tornar a percepção política muito mais fácil, alterando praticamente todas as reações, mesmo aquelas mais automáticas, diante dos eventos do mundo. Sem o purismo, as opções são avaliadas em escalas de “melhor” ou “pior” para a pessoa e seu grupo político. Por exemplo, para qualquer direitista, é melhor ter no poder um governo tucano que não esteja fechado com o Foro de São Paulo, do que um governo que não apenas é parte do Foro de São Paulo, como também seu arquiteto (falo do PT, obviamente). Pelo mesmo prisma, toda e qualquer ação é avaliada nas mesmas escalas de “melhor” ou “pior” de acordo com sua posição. Sendo assim, não é preciso “esperar por um candidato de direita” para exigir que um governo bolivariano como o do PT seja neutralizado. Para o purista a coisa funciona de maneira exatamente oposta: antes de ter “um candidato direitista no Executivo” ou “de ter uma grande liderança política de direita”, não há nada a fazer. Se seguíssemos por esta linha, o resultado sempre seria o desastre.

Vejamos em que pé está a situação: esta direita purista praticamente diz que podemos relaxar por 3 anos, até que políticos como Jair Bolsonaro e Ronaldo Caiado passem a disputar as eleições presidenciais. O ponto de início da política, para eles, passaria a ser as eleições de 2018. Ao mesmo tempo, o PT não esperou que o PMDB virasse um partido de extrema esquerda para se unir a eles. Como resultado, se manteve no poder. Mesmo que o PT não tenha conseguido ainda censurar a mídia, como já fez Cristina Kirchner, conseguiu resultados mais próximos de seus interesses em comparação com quase nada, que é o que teriam se fossem puristas, recusando alianças com PMDB e PP, dentre outros. Acho que não preciso me estender mais para demonstrar que quanto mais purismo, menos resultados, e quanto mais pragmatismo, mais chances de resultados.

Vamos aos fatos. Ações de direita não precisam pedir propostas “de direita”. Bastam que as ações sejam mais prejudiciais que benéficas à extrema esquerda. Já é um começo, e ainda ganhamos tempo antes de ter “o candidato de direita”. Igualmente, não precisamos ter um partido de direita para barrar propostas que levariam a extrema esquerda ao orgasmo. A aliança com partidos de esquerda moderada e centro já nos ajudaria nisso. As vitórias obtidas com Eduardo Cunha atendem a este princípio.

Se há alguns resultados a comemorar, eles se devem aos momentos em que o purismo não conseguiu barrar as ações que interessariam não somente à direita como à qualquer republicano. E a observação dos eventos políticos nos leva a uma conclusão dolorida: com o purismo, a coisa é quase como se abríssemos uma Caixa de Pandora. É tudo de ruim e nada de bom. E para piorar, não sobra nem esperança.

Damos um desconto a boa parte dos puristas porque majoritariamente eles não estão conscientes de seu potencial de construir fracassos. Isto, nem de longe, deve absolvê-los de críticas. Precisamos falar de maneira clara que não é mais justificável, em termos racionais e morais, optar por não conquistar nada em política.

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24 COMMENTS

  1. O purismo é a utopia dos métodos. Como bem já elucidou o autor nesse e em outros artigos, a política se desenvolve gradativamente, não é um jogo de tudo ou nada. A direita deve lançar mão sempre da Janela de Overton para atingir os seus objetivos políticos gradativamente e a longo prazo, quando não for possível de imediato. Ainda temos muito o que fazer até difundir bem esse entendimento entre os militantes de direita.

  2. Apesar de defender a intervenção militar e extinção total do PT como melhor solução, jamais descartei outras possibilidades, ainda que sendo um pouco cético a elas, tanto que apóio Jair Bolsonaro, Levi Fidélix, Denise Abreu e outros que se mostraram defensores das bandeiras direitistas conservadoras e de livre-mercado, e torço para que consigam cada vez mais espaço e meios de ação no plano político. Apesar, também, de considerar a simples renúncia de Dilma, sua cassação eleitoral por irregularidades na campanha/eleição ou seu impeachment insuficientes, não os descarto como pelo menos um pequeno passo para uma solução. Minha única observação a elas é que, apesar das três eliminarem Dilma Rousseff, não desmontam o aparelhamento do PT no Estado e uma intervenção militar ao meu ver teria essa capacidade. Mas dada a situação atual, qualquer vitória é um bom começo.

    • O problema é que soluções rápidas como destruição do PT não resolveria, debandariam e contaminariam outros, melhor um perigo identificado do que um perigo oculto e disperso. O mesmo acontece com a intervenção, aconteceria a limpeza e mas os germes estariam lá e criando uma resistência e prontos para voltar com muito mais força.
      Do mesmo jeito que o PT aparelhou deve ser desaparelhado, e as “instituições” que não pode-se introduzir mecanismos de defesa devem ser substituídas, e usando a justiça e política para tal, para com isso verificar os erros, fazer ajustes observando os ataques e tentativas, é um longo trabalho e requer apoio e participação da sociedade. Já as forças armadas, as medidas tomadas são radicais e não permitem muitos estudos dos problemas, são medidas tomadas com eficácia rápida, mas não permite um aprendizado para depois, foi assim da última vez, e, hoje outros países não aceitam muito bem intervenções militares. Acho que, se militares quisessem, eles fariam, como? Eles sabem.
      Mas a saída do PT do governo é essencial, eles não aceitam mudanças benéficas, só atrapalham, fazem de conta que estão administrando enquanto roubam e manipulam, representam um perigo para a democracia, ou sai ou fica isolado.

  3. Luciano.
    Compreendi o texto, mas acredito q esteja um pouco confuso.
    As ações para q se atrapalhe os trapalhões, quem as tomará e de que modo (campo, instância, etc…) podem ficar mais claras.
    Não é uma reprovação, mais uma dica. Só digo isso pq sei que vc mostra táticas.
    Valeu

    • Agora fiquei curioso Gaspar, pode me esclarecer se tem algo oculto que eu não vi?
      “Basicamente” vi o texto dizendo que as pessoas de direita devem parar de esperar o “salvador da pátria”(de direita) e, enquanto ele não chega, lutar contra a extrema-esquerda(PT) ou a favor de candidatos menos piores, para assim, quando o ‘salvador’ chegar ter um inimigo não tão poderoso quanto o PT é, até por que, a Venezuela esperou tanto que, se o salvador deles der as caras hoje, Maduro manda ele para a cadeia(ops, acho que já está).
      As ações, temos que identificar, no momento ver o que estão fazendo e como ajudar o MBL, Cunha, o site do Luciano a cada dia mostra “campos”, cada um deve achar o seu campo, encontrar a maneira de ajudar.

      Se não for isso, me explica.

  4. O seu texto vale para muitos outros tipos de indecisos que preferem ” esperar”. Para pessoas assim, respondo com uma analogia. Sei que é simplória, mas nem por isso menos verdadeira:
    Estão se portando exatamente igual aquelas pobres coitadas que apanham dos maridos todos os dias , mas se recusam a fazer algo a respeito, porque não acreditam na possibilidade de uma vida melhor, naquele momento. Como não enxergam perspectivas , preferem ficar como estão, na esperança de que alguma coisa se resolva sozinha.
    Em primeiro lugar, futuro incerto não significa necessariamente futuro ruim.
    Em segundo lugar, mesmo que os primeiros momentos sejam difíceis ou insatisfatórios, é o início da construção de uma vida, senão perfeita, mas certamente melhor que a anterior.
    Em terceiro lugar, nem o maior ceticismo ou receio, justificam a aceitação de transgressores. Devem ser punidos e ponto final. E as consequências disso, sejam quais forem, plenamente assumidas. Trata-se de uma questão moral.
    Infelizmente , há os que preferem esperar a vinda de um messias perfeito que lhes estenderá a mão, sem que precisem fazer o menor esforço para isso. Os eternos adolescentes que dormem em berço esplêndido e que não querem se responsabilizar por nada.
    Vivemos um momento ímpar e a história cobrará a covardia.

  5. Muito bom, já percebi muito esse tipo de direitista na Web, a gente deveria favoritar esse artigo, para indicar aos amigos que a gente encontra e tem esse problema, eu costumo colar o endereço num bloco de notas chamado ‘derruba militante’, colocarei esse link no topo com lembrete de destrava Direita-Perdida ou desbloqueia direitista travado, pois o problema(PT) que a inércia deles ajudou causar ao Brasil é sem precedentes(não que sejam únicos culpados).

  6. “Tenho uma teoria: embora os adeptos da intervenção militar sejam uma pequena minoria, os filtros mentais criados por eles contaminaram uma boa parte da direita. E o que são esses filtros mentais? No caso dos intervencionistas, são aqueles utilizados para bloquear qualquer ação política, com o fito de permitir a conquista cada vez maior de espaço pela extrema esquerda, para daí surgir um pretexto para dizer “Estão vendo? Só a intervenção militar resolve!”.

    Interessante essa análise.
    O problema é que a esquerda já conquistou todo o espaço. Portanto, só a intervenção militar resolve!

    • Carlos,

      A intervenção militar é uma forma de tomada de poder pela força. Algo totalmente obsoleto para um mundo com tantos smartphones por aí. Tanto é assim que os modelos de tomada de poder totalitário hoje são por democracia de fachada, NÃO POR intervenção militar.

      Dica de leitura: http://www.amazon.com.br/Dictators-Learning-Curve-Inside-Democracy-ebook/dp/B006V3E1RI/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1439355660&sr=1-1&keywords=dictators+learning+curve

      Abs,

      LH

    • Carlos, não quero pisar na sua janta, mas intervenção militar não vai acontecer!
      Pode esperar sentado.

      A não ser que o PT ataque explicitamente o povo nas ruas no melhor estilo Nicolas Maduro, dúvido, e mesmo assim, a verdade é que tem sim partes do exercito que estão no bolso do PT, só não dá pra saber o quantos.

      Quanto a estar “tudo dominado”, isso não é verdade e mesmo se for existem formas de abrir falhas na armadura dos caras, exemplo: Jornalistas vendidos, passemos a desacredita-los, humilha-los por suas opiniões pró governo, mostre a todos que o cara é uma piada, que o que ele fala não vale nada, que é um vendido, que é hipócrita, etc. Logo o cara vira mais um que tem a mesma credibilidade de uma publicação como a Merda Capital, que só serve para convencer aqueles que já estão convencidos. E hoje isso está muito fácil de se fazer, pois o povo já está predisposto a não acreditar no PT e portanto naqueles que o defendem, fora que muitos estão em pânico e deixando transparecer seus mais molhadinhos sonhos ditatoriais.

      Esse tipo de atitude do tudo ou nada, me parece um cara em uma vila a beira de uma represa, tá cheio de furinhos na represa, mas o cara não faz nada para fecha-los uma a um, ele defende que só vale a pena fechar todos de uma vez, mais furos abrem e advinha, a represa arrebenta, fim da vila.

    • “a esquerda já conquistou todo o espaço”

      Então como é que Eduardo Cunha está lá aterrorizando os petistas?
      Como é que Marcel Van Hattem está eleito?
      Como é que Bolsonaro está eleito?

      “só a intervenção militar resolve”

      Esse tipo de purismo é o daqueles que esperam um salvador, um anjo que venha salvar, um santo que vai curar tudo. Que acreditam que militares tomando o poder seria tudo lindo e que eles largariam o osso logo. Vai nessa!

      Tenho um amigo maluco que quer que os militares ocupem o poder por 2 anos “para arrumar o país”, e depois façam-se novas eleições – como se os militares fossem deixar o poder fácil assim caso tomassem. Intervencionistas estão engatinhando na guerra política.

  7. LUCIANO, Gostaria de ver um comentário seu a respeito da idéia do Parlamento Virtual.

    Seria uma iniciativa na qual qualquer pessoa poderia se candidatar e votar, recebendo votos invioláveis por meio da tecnologia blockchain (P2P).

    Funcionaria exatamente igual ao parlamento real, editando e revogando leis, porém inicialmente sem poder decisório nenhum. Sua função seria apenas estar pronto para ser legitimado em caso de arroubos autoritários de ambos os espectros políticos.

    Claro que seu trabalho estaria sendo constantemente analisado pela população e por especialistas, de forma que poderia até mesmo funcionar como uma alternativa popular real ao atual parlamento, podendo tomar seu lugar por meio de intervenção militar sem ser acusado de golpismo. Seria um legítimo e inédito caso de destruição criativa (Schumpeter) aplicada a política.

  8. Concordo. Não tem que esperar. Aécio, Cunha, Temer, qualquer um será melhor que a incompetenta. Depois, em 2018, que venham Bolsonaro, Caiado, Denise, Donald Trump…

  9. Tenho a impressão de que intervencionistas ficam babando de alegria com notícias sobre vitórias petistas, aumento do totalitarismo petista e por aí vai. Querem que o país se foda cada vez mais pra poder justificar seu clamor bisonho por intervenção. Esse tipo que torce por isso não é aliado.

  10. Luciano, não creio que o problema seja APENAS da “Direita”!

    Eu citaria, primeiramente, o GRAMCISMO PETRALHA, que tomou de assalto TODA a Imprensa e demais Instituições democráticas, deixando pouca ou nenhuma opção para a discussão e informação do público em geral, a não ser através das redes sociais.

    Além disso, existe ainda um outro ENTRAVE, esse, bem mais sério: Falta um LÍDER! Falta alguém carismático assumir essa luta! É preciso se “canalizar” a indignação deste País!

    Eu, em minhas atividades diárias, lido muito com o público e tenho feito a minha parte: Informo as pessoas do que está ocorrendo e escuto bastante também: O sentimento de indignação é geral mas falta um LÍDER para direcionar toda essa revolta.

    Concordo com Você, quando se refere a “inação da direita”, mas observemos que nos próprios EUA o OBAMA e sua “troupe de comunas” também estão deitando e rolando em cima dos Republicanos e de todos os não-comunistas por lá…

    Não precisamos dos militares (e nem eles querem assumir esse ônus novamente) mas, de um LÍDER, precisamos!. Não um “Salvador da Pátria” mas alguém carismático, sabidamente íntegro e bom de Discurso Político. Essa pessoa terá de aparecer ou teremos uma guerra civil muito em breve.

    Ao menos é assim que eu percebo o momento atual.

  11. Luciano, não valeria a pena falar da importantíssima vitória conseguida hoje pelo campo contrário ao marxismo-humanismo-neoateísmo na cidade de São Paulo? Com ajuda de padre Paulo Ricardo e Hermes Rodrigues Nery, conseguiu-se tirar o termo “gênero” do Plano Municipal de Educação da cidade. Como sabemos que São Paulo dita tendências para o resto da Federação, pode aqui haver efeito-dominó dos mais importantes, ainda mais se considerarmos que os marxistas-humanistas-neoateístas estão tentando impor ideologia de gênero via legislações municipais, uma vez que tiveram tal intento derrubado em nível federal.
    Com certeza esta é a direita que resolveu não esperar nem um pouco.

  12. É interessante como essa corrente espera que um candidato perfeito vá cair do céu. Na verdade, a construção de uma candidatura viável é o resultado final de uma longa luta na cultura e na política. A esquerda passou décadas antes de lançar uma candidatura viável. Claro que estávamos no regime militar, e por isso eles demoraram bastante para partir para a via eleitoral, além de terem que trabalhar uma série de conceitos contra intuitivos e opostos ao senso de moral da população. Não creio que o prazo deles sirva como base para a gente, já que as circunstâncias são diferentes. Podemos chegar lá mais rápido, mas isso não significa que podemos deixar de construir as fundações. Felizmente, muitos já vem fazendo isso, mas vejo a ação política como o nosso ponto fraco, já que frequentemente não adotamos estratégias que podem nos levar a uma posição melhor por causa desse discurso purista. Sem essa ação prévia, o máximo que teremos é um candidato que vai participar das eleições só para fazer figuração.

  13. Luciano, o texto não está claro. Afinal, qual é a direita “que prefere esperar”? A foto do deputado Jair Bolsonaro parece sugerir que ele representa esta direita, o que é não apenas um erro, mas uma injustiça que beira a maldade.

    Você considera que o purismo dos intervencionistas é uma causa do comportamento errôneo da tal direita que prefere esperar. Ora, quem defende intervenção não é purista, mas um desiludido com as alternativas políticas _naquele_ momento e que vê a intervenção como uma medida corretiva temporária. Além do mais, purismo pode resultar em sucesso, um exemplo é o próprio PT que construiu a sua imagem de purista para, depois, chegar ao poder.

    A extrema esquerda sofreu uma derrota acachapante durante a ditadura militar. O problema é que ela _sempre_ contou com o apoio da esquerda moderada, que a usava para desmoralizar o regime. Ainda na fase da abertura, por conta deste apoio, a extrema esquerda passou a ocupar espaços nas esferas pública estadual e federal e privada (meios de comunicação). Em seguida, com a fraude da “luta pela democracia”, aceita por direitistas e centristas, aliada a um bom marketing, ela conseguiu votos para conquistar a presidência.

  14. Acho que o avanço liberal e conservador deve ocorrer em todas as frentes.Ter um candidato ou eventual governo naquelas duas linhas não resolve tudo, mas ajuda bastante, principalmente na contenção das agendas esquerdistas, como a destruição de direitos individuais e do livre mercado.

    Você mencionou que a esquerda cresceu, mesmo durante um governo de direita (regime militar), mas foi apenas no campo cultural. As porcarias de fato só aconteceram quando a esquerda assumiu o poder. Em resumo, antes era delírio, gritaria e ameaças, enquanto que agora são ataques físicos reais.

    A batalha cultural já começou, e você contribui bastante com este blog, Luciano, mas espero que saiba que sem um governo querendo censurar trabalhos como o seu, a luta fica mais fácil.

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