O intervencionismo com uma apologia ao estupro em um torneio de sedução

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O filme Namorada de Aluguel, de 1987, era uma comédia mela cueca, mas que fez um baita sucesso. Estrelada por Patrick Dempsey e a lindíssima Amanda Peterson (que lamentavelmente morreu neste ano), o filme mostrava o personagem de Dempsey valendo-se de alguns recursos para conseguir seduzir as garotas de seu colégio, mesmo sem precisar de qualquer tipo de esforço, tudo a partir da fama que ele próprio construíra em torno de si. No filme, ele contratou a personagem de Amanda Petersen, que fingiu ser sua namorada, o que propagou sua fama de garanhão. Como resultado, diversas outras garotas passaram a fazer fila para sair com ele.

O que isso tem a ver com a política? Quase tudo.

Façamos uma extrapolação do argumento do filme e imaginemos um campeonato de sedução, onde pessoas competiriam para ver quem seduz mais pessoas do sexo oposto. Imagine agora que dois candidatos, similares em potencial estético e financeiro, estejam competindo.

É importante notar que a sedução funciona melhor quando o sedutor consegue vender a imagem de ser o “prêmio”, ou seja, alguém que seus alvos tem o privilégio de conquistar. Desta feita, ele não é o “conquistador”, mas aquele a ser conquistado pelos seus alvos. Essa é, pelo menos, a imagem a ser vendida. E o que isso quer dizer? Que seus alvos devem, por livre opção, correrem atrás dele. Assim, a chave da sedução se baseia em convencer seus alvos de que você é o “prêmio”. Isso é o mesmo que convencer todos os seus alvos, para além da sedução sexual, de que irão optar naturalmente por você, e sempre, sempre, sempre pela via da escolha espontânea, não da coerção. (Antes que as mulheres chamem esta análise de “machista”, um alvo do sexo oposto pode ser tanto um homem quanto uma mulher, bem como, por consequência, os sedutores)

Foi exatamente pela noção desta obviedade que a palavra “democracia” se tornou um ícone para todas as pessoas hábeis politicamente. Lutar pela democracia, ao mesmo tempo em que se defende qualquer outra ideia, significa que as pessoas irão espontaneamente escolher sua opção. Ou pelo menos deveriam fazê-lo. Ao saber disso, o PT chama suas propostas totalitárias de “democratização de meios de comunicação” ou “política de participação social”. Isto é, o PT se coloca como o “prêmio”, que seria naturalmente escolhido pelos outros.

Voltemos ao campeonato de sedução, como se fosse uma variação do filme citado no início do texto. Neste campeonato, que tipo de comportamento iria obter maior pontuação? Aquele que se coloca como um prêmio, dando o direito de escolha aos demais, ou aquele que diz, em um vídeo no Youtube: “comigo é assim: se eu não conseguir sexo voluntário em questão de semanas, vou apelar ao estupro”? Aí temos que ser honestos com este último, que acabou de implodir todo seu capital erótico por burrice. Decerto pode não ser agradável ver seu oponente pontuando e pontuando durante semanas, enquanto não se sai do zero. Mas isso não é motivo para, em público, proferir uma frase que irá prejudicá-lo ainda mais em seu ideal.

Política é baseada em conquista de mentes. Logo, a analogia com um campeonato de sedução é muito pertinente.

E, enquanto o PT diz “quero democratizar os meios de comunicação”, o que podemos dizer daqueles direitistas que, em pleno 2015 (ou seja, cinquenta anos depois do advento da psicologia social), afirmam em público “quero intervenção militar”, o que é o mesmo que querer ganhar um torneio de sedução dizendo “se eu não conseguir sexo, vou estuprar”. Observe que estamos olhando além das questões morais e criminais envolvidas. Para além de ser um crime e uma imoralidade, um discurso vangloriando o estupro é um tiro no pé de qualquer participante deste hipotético torneio de sedução. Exatamente por isso, não surpreende que o discurso intervencionista tenha se tornado uma lepra política.

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4 COMMENTS

  1. De estupro da democracia já basta o PT, infelizmente, ele é quem estrupa no escuro e com uso de entorpecente e acusa os outros de seu crime, a ultima foi, mais uma vez, usar impostos para trazer as margaridas ‘cultivadas’ para pedir a cabeça de Cunha e beijar a mão da Dilma, atitude pra lá de anti-democrática e a mídia finge não ver, não o fato delas irem a Brasília e nem de apoiar Dilma ou criticar Cunha, mas, terem recebido ajuda de custo oriundo do governo para tal, já o uso de Levy para Judas, tática ridícula e indigna da parte de PTralhas.
    E reclamamos da Globo ter se vendido ao PT, mas, o SBT acaba de fazer sua parte e deixar um petista entrevistar Dilma, ela mentiu com tanta confiança que quase me convenceu de que ela mesma acredita no que diz, como não gaguejou dá para concluir que deve ter recebido as perguntas antes, claro, o Kennedy é petista, além de ter aceitado tudo como se verdade fosse. E ela fala em cultura do golpe? Mas tiveram três mandatos seguidos do PT e dois do PSDB(são 22 anos sem impeachment de presidente), e vem falar em cultura do golpe, golpe é esse governo federal mexendo os pauzinhos para ajudar derrubar governadores, e cultura que temos é a cultura da tolerância com governantes podres, tolerância que ela quer aumentar para sermos tão estuprados quanto venezuelanos.
    Está difícil lutar contra nossos impostos, vamos precisar diversificar ainda mais as ações, tenho a impressão que as pessoas não estão aderindo o suficiente, pouco boicote, poucos compartilhamentos, pouca pressão, poucos divulgando o dia 16… Espero que seja só impressão minha.

  2. Engraçado, estava conversando com um cara que vive em Paralaxe Cognitiva, se trata de um dos CDCs da Página Bolsonaro Opressor.

    O cara é um intervencionista fanático, na cabeça dele não existe outra solução possível, apenas os militares irão marchar com seus coturnos impecáveis e fuzis em modo “apresentar armas” e, magicamente, fazer uma faxina geral.

    Esse é o famoso Reacionário Revolucionário.

    Mas o curioso é o fato dele ser um agente político ativo, criar memes ridicularizando a esquerda, conhecer uma série de fatos que comprovam o aparelhamento do Estado, militar pelo fim da impunidade (tendo saído vitorioso), enviar e-mails pressionando os políticos, fazer pressão em suas páginas, etc.

    Enfim, ele consegue agir politicamente mesmo não acreditando na ação política, e, no final, acabar jogando toda a sua ação política pedindo Intervenção, já que depois de todo o esforço dele, isso é equivalente a tirar os morões que seguram a casa com Laje recém batida. A casa vai cair.

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