Depois reclamam da zoeira: Beth Carvalho quer dizer quem pode ou não usar sua música

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bethcarvalho

Criei uma tese há uns dois anos (para a qual estou fazendo algumas elaborações) chamada espiral do delírio. Ela se inspira na teoria do duelo cético, que desenvolvi para ampliar o conceito de ceticismo político. De acordo com o ceticismo político, devemos priorizar o questionamento às alegações políticas de nossos oponentes. Já conforme a tese do duelo cético, se somos nós os responsáveis por este questionamento (e não o proponente), é imperativo que criemos uma guerra de questionamentos, onde todas as alegações, rótulos, frames de nossos oponentes são lançados à arena. Uma vez que os dois lados da guerra façam isso, temos um equilíbrio sadio para as sociedades civilizadas. Mas se apenas os esquerdistas nos questionam, e se não fizermos o mesmo em retorno, nossa omissão dá forças ao projeto totalitário do adversário.

A espiral do delírio é uma tese subjacente a esses dois conceitos (ceticismo político e duelo cético), e é inspirada em uma complementação da tese da espiral do silêncio, de Elisabeth Noelle-Neumann. Pelo modelo da espiral do silêncio, os indivíduos tendem a omitir sua opinião quando elas entram em conflito com a opinião dominante, ou, conforme o léxico de Gramsci, hegemônica. Mas aí é que surge o pulo do gato: se nós, que deveríamos questionar nosso oponente (que são os esquerdistas), estivemos em silêncio por décadas (conforme a tese da espiral do silêncio previa), então não tem existido há tempos crivo algum tensionando as ideias alucinadas da esquerda, pois (conforme a análise do duelo cético, derivada do ceticismo político) a missão do questionamento a uma ideia política é do oponente de uma ideia, não de seu proponente. A consequência óbvia é que a extrema esquerda no Brasil encontra-se na espiral do delírio, que é o estágio em que um grupo hegemônico se encontra por não ter o crivo seus oponentes sobre suas ideias. (Agora começaram a ter, e exatamente por estarem há tanto tempo na espiral do delírio estão tomando este baita perrengue que temos visto nas redes sociais)

É isso que explica o fato de Maduro afirmar conversar com passarinhos para receber mensagens de Hugo Chavez, ou Kim Jong-ul garantir que fala com unicórnios. Estão na espiral do delírio, precisamente por terem implementado ditaduras. No Brasil, mesmo que o PT ainda não tenha implementado uma ditadura formal, é fácil perceber muitos de seus adeptos na espiral do delírio (lembre-se de Sibá Machado atribuindo à CIA a culpa pelas manifestações “de direita”). Cynara Menezes, Tico Santa Cruz, Pablo Villaça, Gregório Duvivier e vários outros são exemplos gritantes deste fenômeno.

Beth Carvalho também se mostra mais uma integrante da tropa vitimada pela espiral do delírio. Leia a matéria “Beth Carvalho reclama de uso de sua música em protesto contra Dilma”):

Gostaria de saber de quem foi a INFELIZ ideia de colocar a música “Vou Festejar” (de Jorge Aragão, Neoci Dias e Dida), gravada com a minha voz, em um carro de som da passeata do dia 16/08 organizada pelo movimento #Vem Pra Rua?

Tal movimento está em dissonância absoluta tanto com os meus posicionamentos políticos, como com o que esta música representa historicamente.  Não poderia ser usada em hipótese alguma.

Para que fique bem claro, eu, Beth Carvalho sempre me posicionei ao lado de líderes como Che Guevara, Fidel Castro, Hugo Chavez, Leonel Brizola, João Pedro Stédile. Inclusive, a música “Vou Festejar”, gravada primeiramente em 1978, sempre representou movimentos de esquerda e de abertura política como as Diretas Já e o segundo turno de Lula contra o Collor em 1989.

Para completar a dissonância, os maiores mestres culturais da minha vida são em sua maioria negros e pobres – Nelson Cavaquinho, Cartola, Candeia. E, não tolero a homofobia que vem sendo explicitada nestas passeatas.

Desta forma gostaria de manifestar meu absoluto REPÚDIO e insatisfação.

Acho que o uso de “Vou Festejar” é inclusive uma evidência clara da total despolitização ou intenção de despolitizar do movimento #Vem Pra Rua. Minha voz e meu samba não os representa nem hoje, nem ontem, nem nunca. Tomarei as providências cabíveis e exijo uma retratação pública.

Que circo ridículo é esse? Parece até demência. Além, é claro, de uma ignorância política inaceitável para quem é marxista e vive em um planeta que conheceu há décadas o trabalho de Jacques Derrida, o criador da desconstrução (exatamente um marxista), após a qual acabou essa história de tomar a visão do autor como imaculada. Se combinarmos a desconstrução com a reconstrução (de John Dewey), aí é que podemos instrumentalizar ainda mais o conteúdo até mesmo de nossos oponentes. É por isso que este blogueiro que vos escreve utiliza-se de métodos alinskianos e gramscianos, mesmo que ambos os autores os tenham criado para defender marxismo.

Mas o que dizer para quem choraminga? Para eles, só digo:

Então, Dona Beth Carvalho, só devemos dizer exatamente o mesmo a você: “Dane-se se você gosta ou não de como usam sua música. A expressão ‘Você pagou com traição, a quem sempre lhe deu a mão’ é perfeita para descrever a atitude do PT diante dos pobres (aliás, foram mais de 150.000 demitidos em julho). Não gosta disso? Então aprenda a nutrir a arte da conformação, pois não há nada que a senhora pode fazer. E retratação? Quem se retratar com a senhora por usar sua música deve ser zoado até o fim de seus dias, pois é capitulação diante de quem lança uma proposta delirante. Que vergonha, Beth Carvalho. Que papelão. Que criancice. Teríamos até pena da senhora se não defendesse ideias tão perigosas”.

Enfim, Beth Carvalho está na espiral do delírio. Dica: não percam essa oportunidade de zoá-la sem dó nem piedade. Ela merece, seja por seu delírio, seja por sua arrogância.

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25 COMMENTS

  1. Lembro que você publicou essa tese por ocasião daquele fato ocorrido durante as manifestações de 2013, em que um esquerdista fingiu ter sido atropelado por uma viatura da PM. É uma tese muito boa (e de veracidade inegável), e acredito que você deveria falar mais sobre ela. Já falei isso aqui dezenas de vezes, mas seu livro sobre FENOMENOLOGIA POLÍTICA é algo urgente, e não tenho dúvidas de que será um manual obrigatório para a direita, mais ou menos como é o Rules for Radicals para a esquerda.

  2. Beleza o post. Acho que não é apenas a “madame” que se “acha” de alguma importância. O ar de majestade que alguns intérpretes de música assumem me faz rir. Vários deles levam uma vida sem limites contraindo diabetes, hipertensão, colesterol, dependência química irreversível, e uma pança digna de Rei Momo e só quando aterrisam em UTIs é que baixam a crista e aí percebem que estiveram muito perto da viagem sem retorno para o além e de terem como último troféu uma lápide de granito no Caju ou no São João Batista começando por palavras como “Aqui jaz …”

    • Justamente, imagino a raiva, o ódio espumante que a matrona deve ter sentido, ao ver sendo usada contra os Carniceiros que ela admite e sempre admitiu ser seu ídolo.

      Faço votos para que continuem usando a composição nas passeatas “Fora Dilma”, de preferência cantada por uma verdadeira representante da oposição anticomunista, o que até me permite um certo devaneio: será que a Rachel Sheherazade tem boa voz? Se tivesse seria ideal ouvi-la substituindo a velha comunista e imaginar a “dona” do “Vou Festejar” tendo ataques apopléticos ao ouvir a “sua(dela?) música” interpretada por um ícone da direita! 😀

  3. Mais uma hipócrita da esquerda caviar. Admira Che Guevara, Fidel Castro, Hugo Chavez, Leonel Brizola, João Pedro Stédile e vive de bons cachês e tudo que o capitalismo proporciona. Gostaria de saber como ela se sentiria se o MTST invadisse sua residência ou propriedade. É muito fácil posar de socialista, vivendo com bons cachês.

  4. Fascinante a ideia de que eles não tiveram contrapontos e por isso, na minha opinião, estão “vulnerabiilizáveis” pois não terão defesas pré-fabricadas para utilizarem quando confrontados por ideias contrárias. Acho que isso é uma vantagem grande a nosso favor.

  5. O mais bizarro dessa história é que a autora de uma obra poética pretende regular, controlar e censurar as infinitas inteleccões que podem advir, limitando-as no.tempo e no espaço e, pior ainda, proibindo que determinada categoria de pessoas a intérprete. É o paroxismo do ideal totalitário de dominar corações e mentes.

  6. Uma besta quadrada, que jamais abriu uma p$¨%$rra de um livro na vida e defende tiranos e genocidas! Quem foi que disse que a velhice traz sabedoria? Somente para quem busca sabedoria. Aliás, várias musicas de Chico Buarque parecem ter sido feitas para falar de lula, dilma, pt, psol, jandira, peceedobê, etc.
    Acho excelente! Continuem a usar essas canções pois elas foram feitas para lutar contra a ditadura! Ou só serve quando a ditadura não é a do lado deles?
    .
    Não se deve dar ouvido a atores, cantores, artistas em geral sobre qualquer questão política ou filosófica. Fale de samba, cerveja e feijoada, além de obesidade, diabetes e pressão alta, assuntos que você realmente domina, Beth Carvalho!

  7. Santos Dumont se deprimiu devido uso bélico de aviões. Beth Carvalho se deprime por uso positivo de canções. Que diferença entre o que é um ícone e o que será um mero espectro.

  8. Como rocker convicto nunca gostei da Beth “Caralho” e seus comparsas sambeiros de araque, como CHICO “BUNDARTE”, super valorizados por uma panela elitista e etilíca(mas de bom e capitalista uísque importado) que sempre tentaram passar por povo e fazer sucesso com o povão. Bola fora de quem usa essas merdas de sambinhos que só serve pra dar moral a essa laia de comunas metidos a artistas. Prefiro ouvir os Incríveis com “Eu Te Amo Meu Brasil” ou outras que os esquerdopatas odeiam… Só de deixa-los furiosos ao ouvirem essa música por odiá-la e considerar hino da “dentadura” de 64, já valeria apena , e cá entre nós, eu acho qualquer coisa com cara de rock preferível a samba, que muito idiota, e os cariocas que só veem o próprio umbigo, o ritmo musical nacional… Pura babaquice, quando sertanejo ou sertanojo e até lixos como funk, rap e axé, hoje tem muito mais público, até em território fluminense-carioca…

  9. Atropelei-me pela bronca… Só retificando: “muito idiota e os cariocas, sem querer levantar polemica mas que são narcisistas paca, ainda acreditam que o samba é o estilo musical símbolo e mais popular do Brasil… Pura bobagem que precisa e deve ser derrubada junto com o pt e seus comparsas. Chega de associar Brasil, seleção de futebol em especial, com esse tipo de música! O Brasil é muito maior que essa merda e cabe nele muitos outros gostos e estilos diferentes”…

    • Olha esse excerto do Alcemo Gois desse ano.

      Beth, o musical
      A Prama Comunicação poderá arrecadar R$ 1.831.016,34, via Lei Rouanet, para o espetáculo “Andança. Beth Carvalho, o musical”.
      É uma homenagem à Madrinha do Samba, que acaba de completar 69 anos de vida e está comemorando 50 de carreira.

  10. Pra começo de conversar, como lembrado acima, a autoria dessa música não é dela e, sim, de Jorge Aragão, Neoci Dias e Dida. Ele foi uma intérprete. Tudo bem, foi a intérprete que consagrou esse samba, mas isso não lhe dá subsídio para reclamar de sua utilização. Bem canalha esse “repúdio”, vindo de uma esquerdista hipócrita e fanática.

    Ah, e não poderia faltar a imbecil acusação de racismo e “homofobia”. Esquerda canalha!

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