Janot mostra despreparo e amadorismo na sabatina. Ah, se não fosse o “acordão”…

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Nem estagiários de escritórios de advocacia seriam perdoados por uma declaração tão amadora quanto esta que foi dada por Rodrigo Janot (procurador geral de Dilma, que está sendo reconduzido ao cargo) durante sabatina nesta quarta, 26/08, para justificar a manutenção dos benefícios do delator Júlio Camargo, o qual alegou que Cunha recebeu propina. A única coisa que incidirá sobre Camargo será o agravamento da multa. De resto, os benefícios prosseguem. Mas, como falei, o mais grave está na declaração de Janot. Observem com atenção:

Teve como consequência o agravamento da pena de multa. Não teve nenhuma outra consequência, porque nos convencemos que ele estava em estado de ameaça. Não falou antes porque tinha receio de sua própria vida. Nessa retificação que ele faz, a espontaneidade dele é visível. Eu temo pela minha vida, ele disse. Só voltei agora, porque a investigação chegou a um ponto que minha omissão está clara, mas continuo temendo pela minha vida.

Logo na segunda frase o amadorismo jurídico fica claro: “nos convencemos que ele estava em estado de ameaça”. Se “convenceu” como? Pela fé? Pela leitura na borra do café? Por emanações de espíritos? Isto deveria merecer expulsão de sala, no mínimo…

Se Janot fosse digno de ser levado a sério, diria algo como: “Aqui está a prova de que Júlio Camargo estava sendo ameaçado”. Mas jamais um “nos convencemos”. O tiozinho do sítio também “se convenceu” de que o saci pererê apareceu por lá recentemente. Obviamente, ele não gravou nada em vídeo. Nem Camargo, diga-se. Por que não estou surpreso?

No show de hearsay (“ouvi dizer”, o que é igual a uma evidência inadmissível em corte), Janot endossa a afirmação de Camargo, que afirmou: “continuo temendo pela minha vida”. Mas isso, novamente, não é uma prova. Eu posso dizer que estou temendo pela minha vida, achando que Janot vai me matar. O Nicolas Maduro pode dizer que está com medo de ser fuzilado pelas tropas de Barack Obama na semana que vem. Inventar medos qualquer um consegue fazer. Trazer evidências para os motivos do medo que é bom, por enquanto, nada.

Que lixo, que lixo de atuação de quem vai ser reconduzido via “acordão” ao cargo de procurador geral de Dilma. É neste tipo de gente que devemos confiar?

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9 COMMENTS

  1. E o que me ameaça, não a minha vida, mas a minha inteligência, é saber que o Dallagnol e seus pares confiam nesta “entidade”.
    Como diz O Antagonista agora cedo, o Brasil dos Alckmins, dos Janots, dos TCús, dos Marinhos, morreu.

  2. Por isso que não dá mais pra confiar no governo, somente uma grande desobediência civil, greve geral ou revolução armada poderia dar um fim decente. Se dependermos das bravatas do nosso governo, da nossa justiça e dos partidos de oposição que não são oposição então podemos confiar no que diz Olavo de Carvalho, “Janot não é homem de decepcionar seus chefes”. É hora de formarmos organizações civís fortes, sem auxilio ou participação estatal. Nunca assinei esse tal contrato social, mas certamente se ele existe então já foi quebrado, esmigalhado, comido, arrotado e peidado pelos petistas.

  3. Além de lixo no todo e nos arremates, de maneira maliciosa e ingênua ao citar a frase de “Pau que dá em Chico dá em Francisco”, criou uma intimidade de camaradas e cumpliciosa nos assuntos dos bastidoes, ao chamar o senador Aécio para apoia-lo na confimação de que faz uma “condução firme” contra a corrupção.
    No mais, se diz um coitado trabalhador, incansavel soldado contra o crime, mas com limitações constitucionais, nada do que faz é alheio a vigilância do colegas e está atendo na condução das causas republicanas. Nada disso é verdade, se estivesse mesmo compromissado com a Contituição Federal estaria agindo contra tantos desmandos que faz questão de acobertar possando de ilibado condutor à frente da PGR protegendo uma lista infindavel de criminosos, que provavelmente continuarão protegidos debaixo de sua pelagem expessa.

    Rodrigo Cortes.

  4. Achei que todos os senadores que fizeram perguntas ao Janot, não se prepararam adequadamente para as perguntas e respostas. Foi um vazio total. Não houve uma resposta sequer que pudesse nos “convencer” da lisura dos movimentos da PGR em relação a sequência de denuncias por exemplo. O comportamento circense do Collor também ajudou a criar uma tensão que pode ter amaciado a reação dos senadores de oposição. Enfim,a cara foi de um teatro mambembe.

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