Farinhas do mesmo saco em embate na sabatina. Assim seja!

2
55

alx_collor-janot-20150826-01_original

Não vou aqui defender Fernando Collor. Ele não precisa. E muito menos merece. Dentre muitos pecados, jamais poderemos perdoá-lo pelo confisco da poupança. Esta figura se elegeu presidente ancorado em uma campanha de mentiras, tal qual tem sido a campanha petista das últimas eleições. Não dá para crer em sua honestidade, mas, por enquanto, aguardamos as evidências antes de lacrarmos o caixão. E, como se desonra pouca fosse bobagem, ele jogou a pá de cal em sua reputação ao apoiar o PT. Hoje em dia, no entanto, Collor está sendo tratado pelos petistas como uma camisinha usada.

Vi algumas pessoas ficando do lado de Collor e outras do lado de Janot. A meu ver, em suas principais perfídias, ambos se equiparam. Janot e Collor são farinha do mesmo saco. Ainda que não encontremos casos de corrupção na sacola de Janot (embora Collor ainda não tenha sido condenado, portanto aqui temos quase um empate), ambos andam em par na aliança com tiranias. Porém, a junção de ambos no suporte a qualquer totalitarismo que os beneficie transformou-se atualmente em combate, pois enquanto Janot é hoje instrumento poderoso para a tirania petista, Collor já não serve mais.

No duelo da desonra é bem melhor que ambos saiam manchados. Atualmente, Collor é como se fosse uma ex-amante de mafioso que, ao decidir abandoná-la, deu-lhe uma surra, cortou-lhe o cabelo, tirou-lhe a roupa e colocou-a para andar nua avenida, apenas a título de humilhação e sadismo. É este tipo de descarte humilhante e agressivo que se viu na denúncia de Janot contra o ex-presidente, e ex-saco roxo. Do resto de orgulho ferido que porventura tenha ali sobrado, ele tirou forças para atacar Janot na sabatina de ontem. Que bom.

As respostinhas de Janot se dividiram entre razoáveis e constrangedoras.

Por exemplo, quando Janot citou seu irmão morto, isto não serviu para refutar a afirmação de Collor de que o procurador geral de Dilma havia se reunido com contraventores (e o irmão morto de Janot era apenas um destes contraventores). Após ser acusado de vazar informações sigilosas dos processos, Janot se limitou a negar. Porém, não deu uma explicação racional sequer para o fato de muitas pessoas saberem com antecedência quem seria ou não denunciado. Collor mencionou o aluguel de uma casa no Lago Sul por R$ 46 mil mensais. Janot disse apenas que o imóvel foi alugado para abrigar a recém-criada 7ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público, o que não refuta a acusação de dinheiro do contribuinte jogado no lixo.

Então o saldo foi positivo, pois Collor não tinha mais o que perder. Janot ainda tem.

Anúncios

2 COMMENTS

Deixe uma resposta