Jogo político bem jogado: Guido Mantega força judicialmente pedidos de desculpas de seus ofensores. Vamos aprender?

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Guido-Mantega

Uma frase que passa pela minha cabeça sempre que vejo a direita se comportar politicamente no Brasil é a seguinte: “Putz, o cérebro humano não pode ser só isso”. Outra: “Não é possível que reações tão necessárias quanto óbvias não decorram dos processos cerebrais de tanta gente”. Evidentemente, há exceções, mas em nível geral politicamente ainda estamos na infância. O PT é mais atingido pela devastação econômica e pela ausência de censura de mídia (graças a Eduardo Cunha) do que por nossos ataques políticos.

Antes que eu prossiga, vejamos um texto do jornalista petista Ricardo Kotscho, falando sobre como Guido Mantega forçou judicialmente pessoas que o xingaram a pedir desculpas:

Uma ótima notícia para começarmos esta sexta-feira: “Os dois empresários que gritaram palavrões, em junho, para o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, dizendo que ele era “ladrão”, “palhaço” e “sem-vergonha”, acabam de se retratar”. A informação foi dada na coluna de Mônica Bergamo:

“Diante de queixa-crime por injúria, calúnia e difamação, eles procuraram o advogado do ex-ministro, José Roberto Batochio, e propuseram acordo. Mantega assinou ontem os dois pedidos de desculpas, concedendo aos empresários seu “perdão”, exigência da lei para que a ação judicial seja suspensa.

“Marcelo Melsohn disse na retratação que estava no restaurante Trio, na Vila Olímpia, no dia 28 de junho, quando “irrefletidamente” ofendeu a o ex-ministro. Afirma estar arrependido e diz reconhecer que Mantega é probo, honesto e digno”. João Locoselli afirma que nada sabe sobre o economista que “possa desaboná-lo em sua vida pública”.

Só isso, porém, não basta. As agressões se deram em público, foram gravadas e circularam amplamente por todas as mídias novas e velhas, e agora os agressores pedem desculpas em particular, sem que ao pedido de perdão seja dado o mesmo destaque na divulgação, que só vi na coluna da minha amiga Mônica Bergamo.

Proponho que no acordo celebrado na Justiça seja incluída uma cláusula para intimar os agressores a pedirem  desculpas também publicamente.

Os termos do acordo promovido na ação judicial deveriam ser afixados, em local bem visível, com as fotos dos empresários, nos mesmos locais onde foram feitas as ofensas. Da mesma forma, seria pedagógico que fossem instados a publicar matérias pagas, às suas expensas, nos mesmos veículos que noticiaram os lamentáveis fatos de junho.

Esta me parece ser a melhor forma de evitar que eles se repitam. Afinal, Guido Mantega não foi a única vítima. Episódios semelhantes foram registrados em São Paulo, envolvendo o ex-ministro Alexandre Padilha e o atual ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, entre outros, e não se tem notícia de que os autores dos ataques tenham se retratado.

Pode ser também um meio de frear a escalada da elegante direita black bloc paulistana, não só em locais públicos, mas também em certos veículos de comunicação da grande mídia, um primeiro passo para restabelecermos o mínimo de civilidade e tolerância no nosso país, em meio a este preocupante clima de Alemanha dos anos 30, instalado aqui desde a última campanha eleitoral.

Querem saber o segredo de como resultados políticos assim acontecem? Basta exigirmos que os políticos e formadores de opinião de nosso lado, que tenham sido atingidos, processem seus oponentes também. Guido Mantega estava prestes a “esquecer tudo”. Aos borbotões, petistas surgiram, muitos deles postando na BLOSTA, exigindo que Mantega não deixasse nada passar em branco.

Como bem lembrou o leitor Danilo Lima:

Já o outro lado FAZ A LIÇÃO DE CASA, observe esse processo que Guido Mantega moveu contra dois bunda moles por ocasião de ofensas dirigidas a ele em um restaurante..  Olha só o que depois do processo eles tiveram que escrever publicamente: “Mantega é probo, honesto e digno”.

É este o termo ideal: a direita precisa começar a fazer sua lição de casa.

O momento de sermos tolerantes com a ausência de jogos políticos vindos do nosso lado já cessou. Precisamos criar uma nova era de intolerância à ingenuidade política, assim como de exigência por jogarmos os jogos políticos. O brasileiro sabe cobrar o Felipão por ter escalado o Fred. Sendo assim, é plenamente possível começarmos a fazer o mesmo exigindo que políticos e formadores de opinião do nosso lado sejam obrigados a jogar o jogo político também. Processar o oponente em maior quantidade é parte deste jogo.

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12 COMMENTS

  1. É o fim do mundo ,o melhor seria juntar alguma coisa da lava jato,ir pra cadeia,ou mandar matar o manteiga …rs..mas fazer isto que fizeram diante do quadro que vivemos é impensável!Ter que se desculpar publicamente para um criminoso que ajudou essa organização criminosa a destroçar o brasil ?Nem morta!

  2. Pois é, man. To tentando fazer a minha parte, fazer a minha lição. Falta indignação.

    Lembram quando Manuela D’Ávilla e uns outros políticos do Sul inventaram PASSE LIVRE PARA BANDIDOS? Isso assustou tanto a população que fizeram um ataque delicioso nas páginas de facebook deles, dizendo que era um absurdo, que nunca mais teriam o voto, que isso era ser inimigo, colocar a população em perigo.
    O que aconteceu?
    Não passou nem 24 horas, já estavam todos os deputados se desculpando e rasgando o projeto, queimando, implorando pra que a gente fingisse que nunca tivesse visto.

    Óbvio que isso nunca vai acontecer. Jamais esqueceremos:

    https://casacaindo.wordpress.com/2015/06/19/jamais-esquecer-os-deputados-que-sugeriram-o-mplb-movimento-passe-livre-para-bandidos/

    E jamais devemos esquecer também o quanto esse tipo de pressão pode funcionar. PRESSIONEM, molengas.

    • PS: são esses os nomes dos deputados do RS que quiserem passe livre para bandidos:

      Manuela D’Ávila (PCdoB)
      Pedro Ruas (PSOL)
      Miriam Marroni (PT)
      Jeferson Fernandes (PT)
      Catarina Paladini (PSB)

      Sempre lembrar, principalmente porque eles ficaram com o cu na mão ao ver que ninguém gostou da ideia deles, e tão torcendo pra que isso caia no esquecimento. JAMAIS CAIRÁ! Pra sempre esses cinco nomes de BOSTA, desses imbecis defensores de bandido do caralho, devem ser lembrados como nossos inimigos que quiseram nos colocar em perigo.
      Algum deles que apronte, que venha aparecer na mídia por algum motivo, pra ver o quanto encherei lembrando o tempo todo o quanto já quiseram amedrontar a população colocando bandidos dentro dos ônibus.

  3. Não entendo nada de legislação.

    Em todo caso, por mais que os totalitários queiram, eles não podem controlar os pensamentos das pessoas (caso cheguem ao poder, podem controlar suas ações e palavras, de certo modo).

    Num caso como o citado, como “se retratar” com Guido Mantega? Afinal, o juiz não pode determinar a alteração das opiniões de alguém com relação a ele.

    Mas o juiz poderia determinar o que quem deverá se retratar deve dizer?

    Por exemplo, seria possível se retratar fazendo um vídeo no Youtube, explicando a situação toda?

    Primeiro, mostrando o vídeo do restaurante (afinal, não temos aqui a totalitária “lei do esquecimento”), então este vídeo é um fato histórico que deve estar disponível a todos.

    Em seguida, contar que se foi processado pelo Guido Mantega.

    Então, dizer que, por determinação judicial, uma retratação deveria ser feita, exibindo o documento no vídeo.

    Após isso, seguindo a determinação, falar o pedido de desculpas exigido.

    Por fim, mostrar, por exemplo, a ordem judicial emoldurada e pendurada na parede da sala, como um troféu, como um símbolo de que se lutou verdadeiramente contra um governo totalitário, inclusive sofrendo consequências pessoais (mas sem explicar isso no vídeo de forma nenhuma, para se evitar novos problemas judiciais).

    Acredito que isso transformaria uma derrota em vitória, em termos de guerra política, não?

    Mas esse tipo de coisa poderia ser feita? Como não entendo nada de legislação, não sei a resposta…

    Exibiu-se um vídeo de um fato histórico, mostrou-se um documento, em seguida cumpriu-se a determinação judicial, e por fim se exibiu somente um quadro numa parede… Será que teria como os bolivarianos conseguirem criar mais complicações judiciais assim?

    Se não tivessem, e se cada um dos processados fizesse algo assim, suponho que os processos terminariam, não?

    • Gustavo, eles foram dois borra-botas ao aceitar de cabeça baixa a ordem judicial de retratação. Eu, além de não me retratar, DOBRARIA A DOSE do ataque contra o Mantega. Sabe o que aconteceria de prático contra mim? NADA!!! Juiz nenhum me obriga a fazer o que eu não quero fazer e que vá contra os meus princípios.

      • Andy, você preferia ser obrigado a pagar indenização e fazer parte de “reportagens” parecidas com esta, dizendo algo como “O borra bosta que hostilizou Guido Mantega foi condenado pela justiça a pagar R$ XXX.000,00 de indenização por danos morais. É bom para essa ralé aprender a largar de ser o bando de otários que é.”, que talvez tivesse um efeito político ainda maior?

        Acho que a idéia do Gustavo é boa. Assim que eu li a notícia, a primeira coisa que me passou pela cabeça foi “o que pode ser feito para reverter esse dano político e, se possível, transformá-lo num revide?”, e provavelmente a idéia dele abrange bem isso. Talvez até seja possível melhorá-la, mas seria bom se alguém que tivesse o contato dos caras que passaram por isso, e eles recebessem diretamente essa sugestão para avaliarem com seus advogados. Ser obrigado a se retratar por falar a verdade é coisa do nível de ditaduras mesmo.

    • Perfeito Gustavo.Concordo contigo. Temos ainda que o vídeo rodou o Brasil e a notícia das desculpas ficou basicamente na esgotosfera. Assim não me parece que a direita perdeu tanto assim. Eu mesmo que rodo os bons blogs destros, só fiquei sabendo desse pedido de desculpas aqui nesse blog.

  4. Esse jogo de censurar opiniões, por mais ofensivas que sejam, manifestações contrárias e mesmo ofensas injuriosas é nojento! Tentei me expressar em outra ocasião e fui mal interpretado, talvez por culpa minha… Essa prática é meio caminho para a ditadura da censura de idéias e liberdade de expressão… É a materialização tipificada em lei da ditadura do politicamente correto, e a direita não deve aceitar esse jogo que só beneficia os destituídos de idéias e principalmente de razão… Em suma, só favorece a canalha idiota esquerdopata! Eles por orientação de seus mestres, os senhores do mundo, usam e abusam de rótulos e termos falaciosos criados artificialmebnte para desqualificar seus oponentes ou valorizar e polir seus argumentos e projetos ridículos que não se manteriam por si sós… É o caso de racismo, antissemitismo, xenofobia, islamofobia, machismo, homofobia e outroas babaquices do tipo, e que muitos que transitam aqui caem na armadilha de utilizarem-nos, como já me chamaram de homofóbico, se não me engano. Só um aviso: cago um monte para rótulos! Daí para tipificarem em leis como uma tal acusação muito usada e apreciada pelos cretinos esquerdopatas de “discurso de ódio”, expressão ridícula e idiota por tão subjetiva, que só pode ser levado a sério por ingênuos, idiotas ou covardes… Mas volto a dizer, mesmo correndo risco do tiro sair pula culatra, a canalha comuno-socialista precisa provar de seu veneno para serem desarmados desse instrumento que é o único que dominam e possuem. Mas que se use bem e com precisão para não se acertar o próprio pé, que seria cair como otário no único jogo que dominam, por enquanto… O que não se deve é fazendo esse jogo sujo atarmos as nossas mãos por regras impostas pelo inimigo e muito menos termos a boca calada por censuras por nós aprovadas…

  5. É foda escrever já com sono e com pressa de dormir…Só concluindo o pensamento que me escapou por muito discorrer: daí para ser tipificado em lei o tal “discurso de ódio”, é um pulo, ou bote do predador da democracia, se é que existe isso fora dos EUA, e da plena liberdade de expressão…

  6. Tenho uma sugestão: Daqui pra frente, sempre que alguém encontrar Mantega em algum local público, como um restaurante, anuncie sua presença dizendo a todos que “o ministro Mantega é probo, honesto e digno”.
    Ninguém poderá ser processado só porque todo mundo cai na gargalhada, certo?

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