Depois do golpe jurídico do STF, juízes de Dilma perdem legitimidade. Mas a direita precisa se redimir.

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Boa parte da direita teve uma atuação vergonhosa na questão do financiamento empresarial de campanha. Muitos recusaram-se a sair do “gugu dadá” na hora de falar sobre o assunto.

Olhem que absurdo no caso do parlamentar Mendonça Filho, que seria um centrista: “A conclusão é inevitável: essa decisão do Supremo estimula o caixa dois. Longe de resolver, vai agravar as distorções do financiamento eleitoral.”

É isto que significa não sair do “gugu dadá” nesta questão. E a maior parte dos direitistas, centristas e outros republicanos que vemos por aí vão no mesmo caminho. Abaixo os pontos que eles não conseguem nem falar sobre a proibição de financiamento empresarial de campanha:

  • é golpe
  • o PT sempre usou e sua mudança de direção é cinismo
  • financiamento privado existe em qualquer país civilizado do mundo
  • empresas são formadas por pessoas físicas
  • quem rouba é porque é safado e não porque “recebeu doação”
  • o PT quer limitar a verba de empresas nas mãos dos partidos, pois quer saber antecipadamente quanto cada um recebe, para depois usar a verba pública de forma ilimitada
  • dinheiro do povo não tem que ser usado para financiar política. só dinheiro de pessoas físicas e empresas
  • é preciso proibir que estatais invistam em anúncios, pois isso já é financiamento público de campanha
  • e daí por diante

Ao invés disso, ficam só naquela punhetação de “olha, o problema é que vai virar caixa 2” ou “não vai resolver”. Vergonhoso.

Com isso, o STF votou facilmente e sem pressão uma lei ditatorial. Pelo menos ontem Gilmar Mendes ensinou como falar sobre o assunto. Antes de Gilmar, só víamos análises ingênuas, beirando a catatonia. Para que a direita se redima, só mesmo exigindo o fim do financiamento público de campanha em todos os níveis, com o fim da publicidade institucional, com o fim de publicidade de empresas monopolistas, com o fim da Lei Rouanet, etc.

Enfim, o STF deu um golpe judiciário, que não pode ficar barato. Isto tem que ser encarado como uma afronta gravíssima à democracia.

Convém lembrar também que hoje ocorre uma ruptura, e qualquer ministro do STF que votou pelo golpe de Dilma é suspeito à partida. Logo, o STF perdeu sua legitimidade, tornando-se uma corte bolivariana, que a partir de agora só vai funcionar com um nível de pressão que ainda não acostumamos a fazer. Precisamos acostumar.

Cabe à direita pressionar e decidir quais vão ser as consequências do golpe de hoje. É tempo de se redimir por terem ignorado tão levianamente esta batalha política.

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10 COMMENTS

  1. O segundo golpe do STF ja está sendo gestado : toda e qualquer abertura de processo de impeachment na Camara será liquidada pela suprema corte bolivariana do PT/OAB

    • Leonardo, O processo de impeachment é político e só compete ao congresso a decisão. Não pode haver a interferência do STF se o rito no congresso for seguido conforme o regimento interno. Caso tentem será uma quebra institucional e aí, será um convite aos militares.

  2. Luciano,

    Não estaria a oposição (ao insistir no “gugu dadá”) admitindo que partirá para o caixa 2?
    Será que este é um caminho para pressioná-los e fazê-los se envergonharem do discurso que utilizam?

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