Eduardo Cunha denuncia perseguição política em nota. A guerra política precisa começar…

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A nota à imprensa divulgada pela Assessoria de Imprensa Presidência da Câmara dos Deputados, por causa do comportamento repulsivo e bolivariano do PGR (Passador Geral de Régua), é bastante interessante:

Tendo em vista a estratégia ardilosa adotada pelo procurador-geral da República de vazar maciçamente supostos trechos de investigação e movimentações financeiras, atribuídas ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, com o único objetivo de desestabilizar sua gestão e atingir sua imagem de homem público; Considerando ainda que há uma omissão proposital sobre outros personagens da investigação em curso; Considerando que a espetacularização adotada pelo procurador-geral da República coloca em xeque a respeitabilidade de um processo que deveria ser sério – de combate à corrupção –, denigre as instituições e seus líderes e evidencia a perseguição política contra o presidente da Câmara dos Deputados; Considerando ainda o objetivo maldoso de desviar o interesse geral dos reais responsáveis pelos malfeitos e tornar o Presidente da Câmara o foco principal de todo o noticiário a respeito da operação sobre os desvios na Petrobrás, destacamos:

1) O presidente da Câmara nunca recebeu qualquer vantagem de qualquer natureza, de quem quer que seja, referente à Petrobras ou a qualquer outra empresa, órgão público ou instituição do gênero. Ele refuta com veemência a declaração de que compartilhou qualquer vantagem, com quem quer que seja, e tampouco se utilizou de benefícios para cobrir gasto de qualquer natureza, incluindo pessoal.

2) Os seus advogados terão agora, finalmente, a oportunidade de conhecer os supostos dados e documentos alardeados pela mídia ao longo das duas últimas semanas, em uma tentativa de constranger e desgastar politicamente o presidente da Câmara. Trata-se de uma clara perseguição movida pelo procurador-geral da República. É muito estranha essa aceleração de procedimentos às vésperas da divulgação de decisões sobre pedidos de abertura de processo de impeachment, procurando desqualificar eventuais decisões, seja de aceitação ou de rejeição, do presidente da Câmara.

3) Os seus advogados, tão logo tenham acesso aos documentos e ao inquérito, darão resposta precisa aos fatos existentes.

4) Durante esse período, foram divulgados dados que deveriam, em tese, ser protegidos por sigilo, sem permitir ao presidente da Câmara o direito de ampla defesa e ao contraditório, garantido pela nossa Constituição. Essa divulgação foi feita, estranhamente, de forma ostensiva e fatiada em dias diferentes e para veículos de imprensa variados. O fato de esses vazamentos, costumeiramente, ocorrerem às vésperas de finais de semanas ou feriados é outro indicativo de seus objetivos persecutórios.

5) A propositura de inquérito sem preservação de sigilo, em oposição a outros que contenham dados que a lei protege o sigilo, evidencia a diferenciação do tratamento dispensado ao presidente da Câmara. Provavelmente, essa forma busca dar um verniz de legalidade aos vazamentos ocorridos, preservando-os de possíveis consequências. Por exemplo: os inquéritos propostos contra os ministros Aloizio Mercadante e Edinho Silva foram, a pedido do PGR, com sigilo. Por que a diferença?

6) O presidente da Câmara reitera o que disse, de forma espontânea, à CPI da Petrobrás, e está seguro de que o curso do inquérito o provará.

7) Por várias vezes, desde o início desse processo, o presidente da Câmara tem alertado para a atuação política do PGR, que o escolheu para investigar, depois o escolheu para denunciar e, agora, o escolhe como alvo de vazamentos absurdos e ilegais, que impõem o constrangimento de ser incluído em tudo que se refere à apuração de responsabilidades nesse processo de corrupção na Petrobras, que tanto envergonha o Brasil e está muito distante dele. Parece que a única atribuição que resta ao PGR é acusar o presidente da Câmara.

8) Em relação ao aditamento da denúncia já existente, o presidente e seus advogados ainda não tiveram acesso ao conteúdo, que será contestado nos autos, dentro do novo prazo legal. É de se estranhar, novamente, que passados 60 dias da primeira denúncia, ela precisasse ser aditada, reiterando que aquela denúncia foi mais uma escolha do PGR.

9) O presidente volta a formular as perguntas que não querem calar: onde estão as demais denúncias? Cadê os dados dos demais investigados? Como estão os demais inquéritos? Por que o PGR tem essa obstinação pelo presidente da Câmara, agora, covardemente, extensiva a sua família? Alguma vez na história do Ministério Público um procurador-geral respondeu a ofício de partido político da forma como foi respondido com relação ao presidente da Câmara, em tempo recorde para ser usado em uma representação ao Conselho de Ética? A quem interessa essa atuação parcial do PGR? Onde está a responsabilização dos verdadeiros culpados pela corrupção da Petrobras? A sociedade brasileira gostaria de conhecer essas respostas.

10) A Constituição assegura o amplo direito de defesa e a presunção da inocência, e o presidente pede que esse seu direito, como o de todo cidadão, seja respeitado. Não se pode cobrar explicação sobre supostos fatos aos quais não lhe foi dado o acesso para uma digna contestação, já que a ele, até o momento, só restava acompanhar o noticiário para conhecer as acusações.

11) O presidente da Câmara reitera sua confiança no Supremo Tribunal Federal, que certamente fará justiça ao apreciar os fatos imparcialmente e anulando essa perseguição ao presidente da Câmara.

Assessoria de Imprensa Presidência da Câmara dos Deputados

É bom lembrar que todo dilema oposicionista em relação ao “fico ou não do lado de Cunha” é sintoma de uma deficiência cognitiva política. Eis a regra ignorada por muitos: na guerra política o agressor geralmente prevalece. Ou seja,a questão não deveria ser nem comentar sobre “ficar ou não” do lado de Cunha. O momento requer que toda a artilharia política seja disparada contra o partido inimigo do Brasil – e a própria atuação de Janot demonstra que é prioridade atacá-los.

Ao ignorar esta obviedade, os republicanos mais uma vez em entraram em colapso. Cunha jamais precisou de defensores. Se há um lado a ser metralhado politicamente, este é o PT.  Embora fizesse algumas defesas de Lula e Dilma aqui e ali, os petistas, priorizaram o ataque. Com isso, fizeram o óbvio, e deram sustentação à sua conquista de resultados, que só podem ser respondidos por uma priorização de ataques ao PT. 

Que não venham os espertinhos dizer “ah, mas o PT tem o STF e o PGR”. Claro que tem, mas só pôde utilizá-los de forma tão desavergonhada por que a mente da patuleia ficou nublada pelo ataque contínuo feito pelo PT contra seu alvo preferido.

Essa é a parte mais dolorida (e que gera mais aprendizados) na política: tudo o que fazemos em política contém escolhas. Quem escolheu ainda ficar pensando se “fica ou não do lado de Cunha”, quando na verdade deveria se preocupar em atacar o PT suficientemente, escolheu cavar a própria cova. Que nela tirem um descanso, não muito demorado, para refletir sobre suas escolhas.

Vale também lembrar que não é missão de Eduardo Cunha atacar o STF. Cabe à sociedade civil desconstruir o Puxadinho de Dilma e exigir a renúncia dos “cinco ministros de Dilma”.

Eduardo Cunha ainda pegou leve em sua nota. É preciso começar a descarregar a artilharia pesada. Esperamos que pelo lado de Cunha, a guerra política finalmente comece, pois o PT está no campo de batalha há meses. Do lado dos republicanos, sejam eles formadores de opinião ou políticos, é preciso começar a pelo menos entender o que é importante.

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7 COMMENTS

  1. Luciano, comente o caso envolvendo o jornalista petralha José Roberto Burnier, que apagou suas contas nas redes sociais – graças a pressão do MBL e dos republicanos, diga-se- depois daquela atuação canalha contra Hélio Bicudo no Congresso nesta semana. Eu penso que, segundo a dinâmica da guerra política, os republicanos fizeram um golaço, que merece um crédito da sua parte.

  2. Me senti um pouco aliviada ao ler a nota do deputado Eduardo Cunha.A despeito da gravidade das denúncias, o comportamento do PGR nas investigações da Lava Jato tem sido inaceitável, ao retardar a investigação dos aliados do governo e transformá-lo no principal alvo da corrupção na Petrobras. Que vergonha para o Ministério Público Federal essa postura do chefe da instituição, revelando conduta indigna do cargo.

  3. Salve.
    Mas está claro que para uns e outros ilustres membros da oposicinha o Eduardo Cunha passou a ser um inimigo à destruir quando surgiu a sugestão de que seu nome não só poderia unir o PMDB, como ainda empolgar o voto conservador em 2018… agora devem estar satisfeitos:
    Queimaram o possível candidato PMDBista, então, se o impeachment da búlgara não sair, no problem!
    Para o tucanato a opção de deixar o PTista da vez sangrar até as eleições agora vai funcionar, desde que não apareça nenhum outsider para atrapalhar ao “candidato natural da oposição” ou os candidatos à candidato… sei lá… que tucanos se empenham mais trocando bicadas entre si do que servindo ao País.

  4. Acho que os republicanos estão perdendo a oportunidade de bater no PT com o pretenso acordo com o Cunha, acusando-os de traíras, medrosos e mafiosos.
    Além disso, poderiam aproveitar a história dos cinco juízes do STF de Dilma a disposição do Cunha (se é verdade, não sei e não importa) para realizar shaming.

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