O socialismo como ele é, não como a direita condescendente imagina ser

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Dentre os aspectos mais desanimadores da direita atual, encontra-se a arrogância de compreender seu oponente de esquerda não como um implementador de totalitarismo, mas como um “coitadinho enganado”. A ilusão, criada desde os tempos de Ludwig Von Mises – quando ele escreveu a Mentalidade Anticapitalista, com uma condescendência infantil com os doutrinadores socialistas -, também se deve em parte a Michael Oakeshott. (São autores com ideias muito interessantes, mas jamais conseguiram se livrar desse lapso mental imperdoável)

Criando em sua mente um socialista que não existe na realidade, um direitista desde tipo não entra em embate com adversários reais, mas com projeções de si próprio. Assim, como ele está interessado em discutir “teses sobre economia”, mente para si próprio ao achar que seu oponente tem a mesma intenção. Na realidade, ele quer unicamente o poder totalitário para seus líderes, sabendo que os mais espertos deles receberão uns bons trocados.

Este tipo de direita parece acreditar lutar contra a esquerda, mas na verdade a auxilia. Neste ponto, vale ler o ótimo texto de Octávio Henrique, “O comunismo não é uma utopia: ensaio sobre mais uma cegueira direitista”.

Não é difícil encontrar, internet afora, páginas e indivíduos declaradamente de direita que, ao terem de entrar na arena da política contra a esquerda, se embananam e, seja por excesso de bom mocismo artificial, seja por preciosismo petulante, acabam por perderem excelentes chances de desferirem bons golpes na esquerda e, ao invés de atacarem-na sem dó, incorporam um tom arrogante e partem para a discussão quase abstrata de conceitos pelos quais a população tem, na realidade, zero de interesse.

Um caso marcante é quando o direitista médio, do alto de sua aparente falta de sangue nas veias, passa a discursar longa e insossamente sobre como as ideias estatizantes vendidas pelos esquerdistas, isto é, o socialismo e o comunismo, não passam de utopias baseadas em abstrações acerca de um ser humano ideal ainda por vir.

Chamam, pois, os esquerdistas de “utópicos”. Chamam, pois, o ideário esquerdista de “utopia”. Mal sabem, porém, o serviço que prestam à esquerda, visto que, no fundo, o comunismo NÃO É uma utopia.

Se formos às origens do significado de utopia, inevitavelmente temos de encarar Utopia, obra em que o renomado filósofo inglês Thomas Morus se utiliza de um duplo literário para misturar coerentes críticas ao absolutismo inglês de sua época (século XVI) com a desonesta proposição de um sistema de sociedade aparentemente perfeito baseado na coerção estatal, na regulamentação extrema da vida privada e na manipulação descarada dos padrões de moralidade pública por parte do Estado, tratado por Morus, ainda que lateralmente, como uma espécie de Deus, posto que não há qualquer resquício de crítica séria à sociedade de Utopia na obra em si (i.e., mais de 100 páginas de louvor a fantasias estatizantes).

Com isso, e com a contribuição de vários pensadores de alto calibre, “utopia” deixa de significar apenas “não lugar/ lugar impossível” e passa a ter como significado, no inconsciente coletivo, “sociedade ideal, mas impossível, proposta por alguns inocentes iludidos”.

Chamar esquerdistas de “utópicos” é, portanto, o mesmo que dizer que são idealistas, no sentido de que, apesar de incorrerem em erro, são apenas pobres bem intencionados que não querem o mal a ninguém. Que esquerdista, em sã consciência, teria a mesma piedade arrogante com o ideário “liberal-conservative”, por exemplo?

Além disso, se uma utopia é uma impossibilidade lógica, dar ao comunismo esse rótulo é jogar com, e não contra, o discurso da esquerda. Se o comunismo, segundo esses direitistas, é mera utopia, que razão teriam para negar o discurso esquerdista padrão  de que URSS, China, Coreia do Norte, Iugoslávia, Checoslováquia, Alemanha Oriental, Vietnã, Camboja e outros não experimentaram “socialismo de verdade”?

Deve-se, sendo de direita ou não, ter muito claro em mente que o socialismo não foi ficção, mas realidade, e das mais distópicas, isto é, daquelas que mostram que o fim de toda Utopia, que teria sido o fim do living hell imaginado por Morus, é a perpetuação do morticínio nefasto em nome de ficções mais nefastas ainda.

Óbvio que qualquer estudioso de política sabe de tudo o que aqui foi registrado, mas o fato é exatamente que os alvos mais numerosos do discurso político não estudam política a ponto de enxergarem a pilantragem total dos utópicos. O que o cidadão comum que discute política quer, na verdade e no fundo, é um discurso fácil de entender e mais fácil ainda de reproduzir para aqueles que tentará convencer de suas ideias.

Negar essa essência do homem-massa para posar de superior perante “tudo isso que está aí” não é ter boas ideias. Entrar no jogo linguístico da esquerda ao discutir política e discursar com insuportável arrogância para as massas também não. Tais comportamentos devem ser descritos com apenas duas palavras: burrice criminosa.

Eu já utilizei este exemplo várias vezes, mas vamos a ele de novo.

Imagine que você é um gerente de segurança da informação querendo proteger sua organização de phishing, um método de roubar informações falsas a partir do envio de emails falsos que, se clicados, levarão o usuário a um site suspeito. Queira ou não, você possui dois inimigos na organização: os fraudadores, que utilizam o email de phishing, e pessoas de sua própria organização que não saibam compreender que o phishing é uma fraude. O pior é quando estes últimos continuam insistindo na tese de que o phishing, se chegou à sua caixa de email, provavelmente veio “por engano”, mesmo que já tenham sido alertado disso.

Pessoas assim serão incapazes de criar uma precaução mental para não clicar no email fraudulento. Com isso, seus cérebros não terão a condição de apreender as noções básicas de conscientização sobre segurança. O resultado não é apenas “teórico”, mas prático: essas pessoas serão fontes úteis para que os hackers invadam sua rede a partir do envio do email de phishing. Os fraudadores contarão com a incapacidade mental criada por esta própria pessoa. Geralmente o fazem por teimosia e arrogância. Leia mais sobre o phishing:

Phishing é um tipo de golpe eletrônico cujo objetivo é o furto de dados pessoais, tais como número de CPF e dados bancários. E-mails estranhos com mensagem de depósitos ou de sorteios de prêmios são muito comuns hoje em dia. Geralmente, esses e-mails contam com um link malicioso que leva a uma página sem sentido.

No mundo corporativo, não há outra solução que não exigir que as pessoas mudem suas próprias mentes. Caso contrário, a demissão é inevitável. Na ocasião em que isso acontece nas corporações, o gerente de segurança da informação implicitamente deixará claro: “Você está realmente querendo levar a frente a ideia de que estes emails de phishing são reais e que as pessoas devem clicar neles e até tomá-los como ‘emails que vieram por engano’? Vamos ver então quem vence esta contenda: se nós, da segurança, ou se você.”

Como não podemos tomar essa providência no debate público, poderíamos dizer que aqueles que chamam o socialismo de “engano” ou “tese que fracassou” são mentirosos. É certo que muitos não mentem intencionalmente, mas reproduzem as mentiras inseridas em suas mentes por ideólogos socialistas que morrem de rir de sua ingenuidade.

Uma sugestão para tratamento deste problema é adotar, em qualquer interação, ou participação nas redes sociais, o constrangimento do formador de opinião que trate o opositor como coitadinho enganado.

Exemplo de diálogo:

X: A Dilma é uma trapalhona na economia!
Y: Deixe de ser hipócrita!
X: O que?
Y: Você sabe que ela detonou a economia intencionalmente. Está querendo enganar a quem?
X: É por isso que ela errou…
Y: Mentira tua! Ela fez certinho o que ela devia fazer. Ela não é “trapalhona”. O projeto de poder dela está indo conforme os planos. Está querendo escondê-los?

Enfim, nitidamente muitos da direita não são desonestos, mas compraram as ilusões de desonestos como se fossem reais. Assim, deveriam pagar o preço. Este é um primeiro ponto para a pressão, começando pelos formadores de opinião republicanos em geral. Pode parecer radical? Sim. Estamos rotulando essas pessoas em seu caráter? Não. Mas esta teimosia não pode ficar barata. Toda pessoa de direita que possui uma crença inserida em sua mente por esquerdistas desonestos é como se fosse um fiador, e deve ser responsabilizado pelo que propaga.

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36 COMMENTS

  1. Mas há um argumento que poder-se-ia chamar de misto, que funciona: “o socialismo teórico não deu certo em nenhum lugar do mundo e jamais dará, pois é contrário à natureza humana. Os próprios socialistas são a prova concreta disso, pois matam-se uns aos outros pelo poder, depois de terem matado os considerados direitistas. Portanto, não engane os incautos com essa doutrina irrealizável. Como todos os demais, você sabe muito bem que só quer o poder, a menos que você seja um otário que ainda acredita na história da carochinha socialista”.

  2. A tal massa de manobra até pode servir de inocente útil para a corja. Mas quem realmente articula, que é protagonista da coisa, sabe MUITO BEM o que está fazendo e onde quer chegar..

  3. Eu achei bem interessante os comentários no Brasil 171 “Dilma está rindo à toa e eu também”
    “Renan Calheiros é um verdadeiro democrata apesar de ter tido problemas no passado”

  4. É bem simples.

    Defensores do socialismo são utópicos sim. A não ser que sejam defensores que têm algo a ganhar com o sistema. Estes discursam por este motivo apenas.

    No mais, texto importantíssimo, Luciano!

  5. Falar em “condescendência infantil” da obra de Mises (Mentalidade Anticapitalista) é, no mínimo, piada de mal gosto. Sugiro que você releia o livro e atente para o principal diagnóstico que ele aponta logo no primeiro capítulo.

    As características lá apontadas são as que levam tanto a atitudes burras, como os idiotas úteis socialistas, quanto a atitudes maléficas, a exemplo dos totalitários.

    Aliás, ele chama esse povo de tolo, preguiçoso, invejoso, arrogante, ressentido, dentre outros. O que exatamente tem de “coitadinho enganado” nessas descrições?

    • Se ele não estivesse tratando de “coitadinhos enganados”, os chamaria de cruéis, vis, totalitários, víboras, espertalhões, embusteiros, fascistas e coisas do tipo. E, especialmente, JOGADORES na política. Observe que as visões são DÍSPARES.

      • Ele não usou adjetivos pesados, mas certamente os que estão no livro não os tornam “coitados”, muito menos “enganados”.

        Será que Mises acha que essa gente não é jogadora na política? Vejamos alguns trechos:

        – “O tolo libera esses sentimentos através da calúnia e da difamação. Os mais sofisticados não descambam para a calúnia pessoal. sublimam seu ódio numa filosofia, a filosofia do anticapitalismo… ” pagina 21

        – ” Quando se compara a eles, sente-se humilhado. Mas deve policiar-se com cuidado a fim de que ninguém perceba seu ressentimento e inveja. Mesmo a mais leve indicação de tais sentimentos seria considerada como péssimas maneiras e o depreciaria aos olhos de todos. deve dominar esse aborrecimento e desviar sua indignação para um outro alvo…” pagina 22

        – “esses autores não são sinceros quando adotam em seus livros as homilias pró-socialistas. seus romances e peças são inverídicos e, portanto, não passam de lixo…” pagina 54

        Em seguida, o trecho que melhor demonstra que Mises sabe que os defensores da servidão/escravidão (socialistas/comunistas/totalitários) são manipuladores, ou seja, jogadores políticos:

        – ” nenhuma pessoa inteligente deixaria de perceber que o que socialistas, comunistas e planejadores almejavam era a mais radical abolição da liberdade dos indivíduos e a instalação da onipotência do governo. não obstante, a grande maioria dos intelectuais socialistas estava convencida de que, ao lutar pelo socialismo, lutava pela liberdade. eles se denominaram ala esquerda e democratas e, hoje em dia, reivindicam até o adjetivo “liberal”.
        Já tratamos aqui dos fatores psicológicos que prejudicaram o raciocínio desses intelectuais e das massas que os seguiram. tinham no subconsciente a noção exata de que o insucesso em atingir os desmesurados objetivos para os quais os impelia sua ambição era devido apenas às suas próprias deficiências. sabiam muito bem que não eram suficientemente brilhantes ou diligentes. Mas lutaram para esconder sua inferioridade aos próprios olhos e aos de seus semelhantes e para achar um bode expiatório. procuraram desculpas e tentaram convencer outras pessoas de que o motivo de sua falha não estava na própria inferioridade, mas sim na injustiça da organização econômica da sociedade. declararam que, sob o capitalismo, a autorrealização somente é possível para uns poucos. “A liberdade numa sociedade laissez-faire só é atingida por quem possui riqueza ou a oportunidade de obtê-la.”5 daí, concluíram, o estado deve interferir a fim de efetuar a “justiça social” — o que realmente queriam dizer era: a fim de presentear a mediocridade frustrada “de acordo com as suas necessidades”. enquanto os problemas do socialismo não passavam de debates, as pessoas com menos raciocínio e compreensão poderiam ser vítimas da ilusão de que a liberdade pudesse ser preservada sob um regime socialista. engano que não pode mais ser mantido, desde que a experiência soviética mostrou a todos quais são as condições numa comunidade socialista.

        Hoje em dia, os defensores do socialismo são forçados a distorcer os fatos e a deturpar o verdadeiro significado das palavras quando pretendem fazer com que as pessoas acreditem na compatibilidade do socialismo com a liberdade”

        Acho vale uma releitura do livro, Luciano ; )

  6. Caro Luciano Henrique, pelo visto você nunca leu Mises. Portanto você não deveria falar com afetação de autoridade sobre o que desconhece. É questão de honestidade intelectual.

    O que você disse: “Dentre os aspectos mais desanimadores da direita atual, encontra-se a arrogância de compreender seu oponente de esquerda não como um implementador de totalitarismo, mas como um “coitadinho enganado”. A ilusão, criada desde os tempos de Ludwig Von Mises – quando ele escreveu a Mentalidade Anticapitalista, com uma condescendência infantil com os doutrinadores socialistas -, também se deve em parte a Michael Oakeshott. (São autores com ideias muito interessantes, mas jamais conseguiram se livrar desse lapso mental imperdoável)

    A realidade:

    Mises em “A Mentalidade anticapitalista” (Cap. V) ( http://www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=275 ):

    “Existe hoje uma falsa frente anticomunista. O que as pessoas — que se denominam “liberais anticomunistas” e que mais corretamente são chamadas de “anti-anticomunistas” pelas pessoas sensatas — estão desejando é o comunismo sem as características inerentes e necessárias ao comunismo, que ainda são insuportáveis para os norte-americanos. Elas fazem uma distinção ilusória entre comunismo e socialismo e — bem paradoxalmente — procuram reforçar sua escolha de socialismo não comunista com base no documento que seu autor chamou Manifesto Comunista. Julgam terem autenticado sua afirmação ao apelidarem o socialismo de planejamento ou de estado previdenciário. Fingem rejeitar as aspirações revolucionárias e ditatoriais dos “vermelhos” e, ao mesmo tempo, enaltecem em livros e revistas, escolas e universidades, Karl Marx, o líder da revolução comunista e da ditadura do proletariado, como um dos maiores economistas, filósofos e sociólogos, como eminente benfeitor e libertador da humanidade. Querem levar-nos a crer que o totalitarismo não totalitário, uma espécie de quadrado triangular, é o remédio reconhecido para todas as doenças. Sempre que levantam uma leve objeção ao comunismo, são levadas a insultar o capitalismo, usando termos tirados do injuriante vocabulário de Marx e de Lenin. Elas insistem em abominar o capitalismo de forma muito mais veemente do que o comunismo e justificam todos os atos indecentes dos comunistas com base nos horrores indescritíveis do capitalismo. Em resumo: Fingem lutar contra o comunismo ao tentarem converter as pessoas às ideias do Manifesto Comunista.”

    “Tais “liberais anticomunistas” não lutam contra o comunismo em si, mas contra um sistema comunista no qual eles não são responsáveis. Estão à procura de um sistema socialista, isto é, comunista, no qual eles mesmos ou os seus amigos mais próximos detenham as rédeas do governo. Talvez seja exagero dizer que estão ardendo de vontade de liquidar outras pessoas. Simplesmente desejam não ser liquidadas. Numa comunidade socialista, apenas o chefe supremo e seus cúmplices têm essa segurança.’

    Aí ele se refere aos “liberais” que na verdade são comunistas disfarçados e até hoje abundam nas fileiras do partido democrata americano.

    • Caro Luciano Henrique, dei uma olhada em seu blog e vi que você faz um importante trabalho, portanto é uma pessoa claramente bem intencionada.

      Assim, peço que desconsidere os trechos iniciais do meu outro comentário, mas sugiro que você corrija a referência feita a Mises.

      Vale a pena, entretanto, publicar estes trechos de Mises a fim de esclarecimento e correção:

      Mises em “A Mentalidade anticapitalista” (Cap. V) ( http://www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=275 )

      “Existe hoje uma falsa frente anticomunista. O que as pessoas — que se denominam “liberais anticomunistas” e que mais corretamente são chamadas de “anti-anticomunistas” pelas pessoas sensatas — estão desejando é o comunismo sem as características inerentes e necessárias ao comunismo, que ainda são insuportáveis para os norte-americanos. Elas fazem uma distinção ilusória entre comunismo e socialismo e — bem paradoxalmente — procuram reforçar sua escolha de socialismo não comunista com base no documento que seu autor chamou Manifesto Comunista. Julgam terem autenticado sua afirmação ao apelidarem o socialismo de planejamento ou de estado previdenciário. Fingem rejeitar as aspirações revolucionárias e ditatoriais dos “vermelhos” e, ao mesmo tempo, enaltecem em livros e revistas, escolas e universidades, Karl Marx, o líder da revolução comunista e da ditadura do proletariado, como um dos maiores economistas, filósofos e sociólogos, como eminente benfeitor e libertador da humanidade. Querem levar-nos a crer que o totalitarismo não totalitário, uma espécie de quadrado triangular, é o remédio reconhecido para todas as doenças. Sempre que levantam uma leve objeção ao comunismo, são levadas a insultar o capitalismo, usando termos tirados do injuriante vocabulário de Marx e de Lenin. Elas insistem em abominar o capitalismo de forma muito mais veemente do que o comunismo e justificam todos os atos indecentes dos comunistas com base nos horrores indescritíveis do capitalismo. Em resumo: Fingem lutar contra o comunismo ao tentarem converter as pessoas às ideias do Manifesto Comunista.”

      “Tais “liberais anticomunistas” não lutam contra o comunismo em si, mas contra um sistema comunista no qual eles não são responsáveis. Estão à procura de um sistema socialista, isto é, comunista, no qual eles mesmos ou os seus amigos mais próximos detenham as rédeas do governo. Talvez seja exagero dizer que estão ardendo de vontade de liquidar outras pessoas. Simplesmente desejam não ser liquidadas. Numa comunidade socialista, apenas o chefe supremo e seus cúmplices têm essa segurança.’

      Aí ele se refere aos “liberais” que na verdade são comunistas disfarçados e até hoje abundam nas fileiras do partido democrata americano.

      Abraços e continue se aprimorando.

      Mantenha-se firme em seu belo trabalho.

      William

      • O trecho está aí. Você disse que Mises foi condescendente com os doutrinadores socialistas – infantilmente condescendente aliás . E deixou claro que o livro “A Mentalidade Anticapitalista” de Mises seria uma das causas da condescendência dos direitistas atuais para com estes doutrinadores, sendo esse livro responsável pela ilusão de que o oponente esquerdista seria um coitadinho enganado e não alguém com mentalidade totalitária.

        No parágrafo que transcrevi de “A Mentalidade Anticapitalista”, porém – e também em outros trabalhos, aliás – ele deixa bem claro que socialismo/comunismo equivalem a totalitarismo, mesmo quando se tenta travesti-los de outra coisa.

        Ali Mises critica os ‘liberais” norte-americanos, que tentam se fazer de anticomunistas usando eufemismos como “planejamento” e “estado previdenciário” para defender, na verdade, o mesmo de sempre: socialismo/comunismo, com todas as suas implicações – inclusive seu caráter inerentemente totalitário.

        Consta do parágrafo citado: “…fazem uma distinção ilusória entre comunismo e socialismo … Julgam terem autenticado sua afirmação ao apelidarem o socialismo de planejamento ou de estado previdenciário. FINGEM REJEITAR AS ASPIRAÇÕES REVOLUCIONÁRIAS E DITATORIAIS DOS “VERMELHOS” e, ao mesmo tempo, enaltecem … o líder da REVOLUÇÃO COMUNISTA E DA DITADURA DO PROLETARIADO, … QUEREM LEVAR-NOS A CRER QUE O TOTALITARISMO NÃO TOTALITÁRIO, UMA ESPÉCIE DE QUADRADO TRIANGULAR, é o remédio reconhecido para todas as doenças.”

        Portanto, Mises nunca foi condescendente com o pensamento esquerdista. Nunca fez parecer que este pensamento, em qualquer de suas formas, fosse desvinculado do totalitarismo. Outras obras suas e também passagens de sua vida comprovam isso. Mas você mencionou especificamente o livro “A Mentalidade Anticapitalista”. E bem se vê, pelo conteúdo do próprio livro, que a acusação que você imputou ao mesmo e a Mises não é cabível.

        No parágrafo que transcrevi Mises desmascarava esquerdistas que se faziam de “bonzinhos”. Portanto, muito antes de você, ele desmascarava falsos inocentes de esquerda.

        Mises foi um dos primeiros a mostrar que socialismo e comunismo têm o totalitarismo em sua essência e o implicam necessariamente. Ele foi um dos autores que expressou isso de modo mais claro e mais consistente. Ele nunca deu a entender o contrário.

        Dito isto, que haja também pessoas que defendem o “esquerdismo” sem bem compreender do que se trata é evidente. Lênin sabia bem disto e sempre procurou aproveitá-lo. Foi ele que cunhou a expressão: “idiota útil”.

        Abraço

      • Luciano, é bom lembrar que o livro foi originalmente publicado nos anos 1950 (salvo engano), portanto, querer que ele use a linguagem que nós usamos hoje é se recusar a entender o contexto da linguagem utilizada. Concordo com o William e o Felipe que ele usou sim termos fortes, embora esses termos na nossa linguagem contemporânea, em que se está acostumado a xingar as mães de amigos como forma de cumprimento, soem como infantis, mas se concluir que ele foi fraco em suas palavras, nem que ele tratou os comunistas como “coitadinhos” somente a partir disso é sim desonestidade intelectual.

        Por mais que Mises realmente não seja um exemplo de jogador político para os dias de hoje (e acredito que ninguém ou quase ninguém, mesmo da direita, o tome como tal), ele ainda é, e vai continuar sendo, uma grande força transformadora de mentes de muitos esquerdistas e centristas funcionais. Tentar desmerecê-lo é prestar um serviço à esquerda.

      • Jeferson,

        Eu não tento desmerecer o Mises. Eu acho que a refutação dele à TESE do socialismo é no mínimo brilhante. Porém, precisamos citar os pontos de autores que devemos REVISAR (e aprimorar seu conteúdo), sob o risco de não deixar claro a diferença do comportamento desejado daquele que se tinha.

        ABs,

        LH

  7. POEMA SILOGISTA DO FIM DO MUNDO

    O comunismo não é uma utopia
    Para criar um outro mundo de paz e de amor,
    Mas uma orgia
    A deixar o nosso mundo incapaz e com dor!

    Logo, o socialismo não é uma ação
    Para tornar a sociedade mais justa e calma,
    Mas uma revolução
    Para roubar o seu corpo e matar a sua alma!

  8. Muito bom o texto. Eu não vou mentir. Por um bom tempo eu fiquei como um leigo em questões políticas e sei bem que hoje preciso aprender bastante. Não me recordo de ter dado as mancadas que o texto expõe, mas certamente não tinha consciência política para sequer defender um ponto de vista e provavelmente como o texto coloca, perdi muitas chances de dar umas boas bordoadas na esquerda.

    Se eu fosse fazer uma comparação do que aconteceu com minha mudança repentina em relação à política depois de assistir ao vídeo do Yuri Bezmenov sobre a subversão dos países alvos da antiga URSS; seria a mudança da minha visão sobre dinheiro após ler Pai Rico Pai Pobre.

    Há nesses materiais elementos muito simples:

    – Eles mostram como você se enfiou em um problema e que há formas de você sair dele. Nada mais desanimador do que autores catastróficos que não apontam nenhum caminho.

    – Os autores tiveram participação direta na história contada. Nada melhor do que ouvir a história de quem conseguiu fazer ao invés de dar crédito a qualquer um que filosofou a respeito.

    – E por último, ambos apresentam suas táticas de maneira objetiva.

    O grande mérito do vídeo na minha opinião, é que; ao apresentar todas as frentes de batalha no processo de subversão e todas as etapas encadeadas em um vídeo de uma hora, fica difícil por mais leigo que seja de não ver o retrato do Brasil nas últimas décadas.

    Há uma massa de leigos e uma massa gigantesca com total desconhecimento do que para muitos dos leitores desse site já é senso comum. Não quero me rogar ao direito de dizer o que é melhor para cada um, mas entendo que esse vídeo pode ser um excelente ponto de partida para entender que toda ação do PT e dos seus braços políticos não foram equívocos, foram sim premeditados, são imorais e só possuem o objetivo final de implantação de um regime totalitário.

    Não quero também por em discussão quem foi o bandeirante da ideia até porque se fôssemos nessa linha todo mundo aqui ( e do lado da esquerda também) teriam que pagar pau para Sun Tzu.

    Como já tem um post aqui então segue o link.

    http://lucianoayan.com/2014/08/31/yuri-bezmenov-fala-sobre-os-sovietes-e-nos-ajuda-a-entender-por-que-o-pt-e-a-maior-ameaca-a-democracia-hoje-no-pais/

  9. A primeira coisa q vc precisa e` tomar tapas na cara para se acordar seu filha da puta, COMUNISTAS SAO BANDIDOS, a menos q vc seja um, vc tem que falar com um comunista como se trata um criminoso perigoso, fiz-me entender???

  10. Se estiver errado por favor me corrija. Então, aplicando ao Brasil, essa crise econômica não é mero produto de decisões mal tomadas, de burradas de ministros capengas e da “tentativa de governar um país capitalista usando modelo socialista” como diz o A. Jabor? Jogar o país na lama foi premeditado e serve a algum projeto, é isso mesmo? Mas se é assim, qual seria o real interesse do Foro de São Paulo no Brasil haja vista, como você sabe, termos “financiado” as ditaduras latino americanas (e africanas) por meio do BNDES e do perdão de dívidas?

    • A pergunta seria diferente. Imagine que você tem uma criação de porcos e galinhas e surge um “raio laser” que pode dar mais opções a essa criação, a ponto de elas correrem o risco de fugir de você? Qual seria seu interesse? Evitar essas opções para manter sua criação ou perdê-las? Bem, você vai definir o risco de acordo com a vontade de continuar sendo DONO desses porcos e galinhas.

      O socialismo é isto: a transformação de uma nação em um curral de pessoas, de propriedade de um dono. Se PARA ISSO for necessário destruir a economia, TANTO MELHOR.

      Os países socialistas precisam atuar coordenadamente, pois, nesse processo de saqueamento estatal, um vai ajudando um outro, como se fosse um cartel de tráfico.

  11. Hein Luciano, o relator das contas públicas de 2014 do governo Dilma dep. Acir Gurgacz do PDT RO tem 5 contratos federais (empresas de transportes, radio, televisão e mineração). Vocês acham que ele será justo na avaliação dessas contas públicas do PT ?

  12. Hein Luciano, o relator das contas públicas de 2014 do governo Dilma será o Dep. Acir Gurgacz do PDT RO, ele tem 5 contratos federais ( transportes, radio, televisão, se me engano de extração mineral). Vocês acreditam que ele será justo como relator das contas do governo federal ?

  13. Perfeito. Percebi o meu erro como direitista, mas também percebi um enorme potencial em mim. Muitas vezes me peguei co esquerdistas no Facebook e outras redes sociais com esse ar de superioridade, querendo discutir economia, ciência política e até filosofia, crendo que estava abafando, embora eu nunca os tenha visto como coitados enganados, mas como crias de satã e o mal a ser combatido. Percebi que não se deve usar de nenhum respeito nem bondade com eles , mas em certos momentos não se deve exagerar para não causar um choque negativo demais na audiência, pois eu tenho um jeito forte de me posicionar. Percebi que o povão precisa mesmo é de palavras simples e diretas em combinação com a arma principal: o sarcasmo. Sarcasmo intenso. Poderemos fazer um jogo aqui para que todos nós nos ajudemos : consiste na reflexão e elaboração por cada um aqui , de frases sarcásticas , de forte efeito no senso de humor das pessoas comuns , que depreciem fortemente a esquerda. Eu sei que os caras aqui podem ser bem criativos, portanto vamos lá. Se possível, frases curtas que sejam ditas em modo stand- up ! Sabe- se que as melhores piadas são as curtas , portanto poderemos alternar entre dar uma sério desmascarada no esquerdista e uma piada que faça a plateia rir. Começo meio destreinado e sem jeito com um slogan que eu posso dizer a um militante como ” vote no Psol, nós sabemos te explorar melhor que os empresários !” Ou falar pro militante bem no meio da Rua ” se eu entrar pro Psol vou poder botar uma boca de fumo ?” ou ” se eu entrar pro Psol vou ter que dar a rosquinha também ou o Jean me representa na hora H ?” Vamos lá ajudem com dicas, poderemos internalizar e daí criarmos na hora, vai ficar automático.

  14. Todo comunista é mentiroso consciente; muitos são ladrões; alguns, assassinos!!! Utopia? Puro engodo para desviar a atenção dos incautos!! Comunista só quer poder! Rouba e mata milhões, se preciso, para obtê-lo e mantê-lo!!! O resto é conversa fiada!!!

  15. Sem querer ofender, mas falando a pura VERDADE, todo SOCIALISTA/COMUNISTA é LADRÃO. LADRÃO DE SONHOS, LADRÃO DO FUTURO, LADRÃO DA LIBERDADE, LADRÃO DE DINHEIRO, LADRÃO DE CONSCIÊNCIAS. Enfim, todo ladrão tem que ser PRESO. GULAG nessa quadrilha…………..

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