Rotina de negação: Você é um crente nas instituições

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Extensão da rotina anterior, esta também visa desestimular aquelas pessoas que participam dos movimentos de rua e/ou requisitam demandas para candidatos. Como esses radicais já teriam convencido seu público de que a luta democrática acabou – pois, segundo eles, não há mais democracia de forma alguma no Brasil -, então aqueles que continuam lutando são rotulados como “crédulos” nas instituições.

O padrão não é diferente daquele executando por céticos combativos, pois apontar alguém como crédulo em algo para o qual não tem evidências – e às vezes existem evidências em contrário – é uma forma de desqualificação. Assim, eles dividiriam as pessoas em dois tipos: os “racionais”, a serem ouvidos – ou seja, eles, pois não acreditarem nas instituições – e os “irracionais”, que não merecem receptividade, pois acreditarem nas instituições.

O problema é que o jogo é não apenas sujo, como falso em todos os sentidos.

A começar, temos o fato de que não é preciso acreditar nas instituições para jogar o jogo político. Logo, quem não está disposto a ações violentas não necessariamente escolheu suas opções por “crer nas instituições”. Melhor lembrarmos uma passagem do essencial livro Escola de Ditadores, de William J. Dobson:

Nenhum desses advogados ou ativistas tem qualquer ilusão sobre a corrupção dos tribunais ou a integridade dos sistemas políticos que eles procuram mudar. Todavia, trabalham pacientemente, tijolo por tijolo, para expor as inconsistências e simulações, conseguindo pequenas vitórias que pululam pelo sistema. Yevgenia Chirikova, uma das mais atuantes e famosas ativistas do meio ambiente, explicou-me sua visão. No seu ponto de vista, ganhando ou perdendo, não faria diferença. Poderia usar qualquer resultado a seu favor num sistema autoritário. ‘Algumas vezes, as perdas produzem maiores efeitos na sociedade. Aceito qualquer um dos resultados, pois ambos seriam igualmente bons para mim. Queremos mostrar que nosso governo mente’.

Por outro lado, para os autoritários ávidos pela legitimidade que só a lei pode oferecer, essa (a lei) – até mesmo em sua visão distorcida – pode fazer com que eles pareçam nus e totalmente ilegítimos. E de fato, não seria muito diferente disto”.

Como se nota, não é preciso “crer em instituições” para jogar o jogo político sem utilizar recursos violentos. Na verdade, a vontade de jogar o jogo político é típica daqueles que acreditam no jogo, e não nas instituições, até porque seria irracional esperar a existência de egrégoras ou espíritos por trás das instituições. Todos sabem que, na ausência de jogo por um dos lados, há riscos de que o outro tome conta das instituições.

Quando algumas pessoas afirmam “temos que valorizar as instituições”, isto é apenas um frame querendo dizer: “não vou quebrar as regras, deixarei isso para meu adversário”.

Enfim, já transformamos em pó o truque do “crente nas instituições”. Eles não existem. Tudo não passa de burla.

Todavia, o que querem os radicais pedindo o fim “da crença nas instituições”? Aí a resposta é óbvia demais: geralmente eles pedem ação violenta, por intervenção militar ou o que definem como “intervenção civil”, que no fundo é apenas uma forma de legitimar uma posterior ação militar.

Mas há vários fatos mostrando como eles são contraditórios.

Por exemplo, muitos deles hoje apoiam Jair Bolsonaro como candidato a presidente em 2018. Mas como podem fazer isso sem o que definem como “crença nas instituições”?

Outros pressionam pela libertação de Leopoldo Lopez na Venezuela. Mas se as instituições podem ser pressionadas para libertá-lo, então isso também seria o que definem como “crença nas instituições”.

Como se percebe, a expressão “crente nas instituições” não significa nada. No máximo, é uma forma de racionalizar o uso da violência em detrimento da ação política. Mas, constrangedoramente, nem os próprios radicais acusando os outros de “crentes nas instituições” comportam-se diferentemente dos que acusam, pois, no fundo são obrigados a “crer nas instituições” quando conveniente.

Em suma, “crentes nas instituições” não existem. No fim das contas não precisamos acreditar nas instituições, mas sim no jogo político que pode ser útil para as instituições não serem usadas contra nós. E devemos acreditar muito menos nos negacionistas, incapazes de consolidar reais resultados políticos.

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8 COMMENTS

  1. O jogo é jogado, cego não joga, vende vassoura. O jogo Político jogado falso e democraticamente funciona da seguinte maneira: trucooo-xeque mate, matei seu rei-quantas casas avanço nessa jogada desse jogo-bingooo- 3 palitos-opa fiz uma dama-pifei- e eu bati-próxima jogada-real-uma linha-eu mato sua dama-seiisss papudo-nada de palitos-outra rodada-etc-etc-etc, não há disciplina, não há regras, não há respeitos institucionais a muito tempo. Não nos preocupemos fazemos parte de todos estes jogos Políticos, de todos ao mesmo tempo, mas nunca chegamos a entrar em nenhum jogo. Quem poderá estar a frente das Instituições senão estes próprios jogadores falsos indisciplinados e descrentes em tudo que se passa nesse jogo de Políticos. Certa vez estava em uma churrasco, em determinada cidade, juntamente estava lá o chefe máximo desta cidade rodeado de puxa sacos atras de cargos e holofotes, de repente este foi levado para a capital máxima ocupar alguma coisa lá, de repente decretou-se sua prisão. Olha que um sujeito bem visto e bem falado na região com inúmeros prêmios por reconhecimentos, mas preso, e um jogador nato deste jogo de conhecidos jogadores falsos. Crer acho que só nos resta em Deus. Maldito do homem que confia no homem. Conhece-te a ti mesmo. Em quem poderíamos acreditar senão na própria Institucionalização para uma governabilidade decente. O homem é mau, neste não podemos crer em nenhuma hipótese.

  2. Não só querer o Bolsonaro como presidente em 2018 mostra uma confiança mesmo que abalada nas instituições mas também já tendo eleito ele como deputado que defende ideais de direita em um cenário político e cultural ocupado pela esquerda há décadas. Entendo que não precisa fazer voto de fé. É uma decisão baseada em fatos.

    Tá tudo dominado e um pedido de impeachment do criador do PT corre em Brasília tirando o sono PETISTA. Que merda de dominação é essa? O alcance da ocupação PETISTA é amplo mas dominação requer poder de arbitrar sem oposição e isso o PT ainda não tem. Ou seja; nessa equação temos uma variável que está em nossas mãos – a oposição. Não estamos em uma ditadura. Podemos dizer que o governo PETISTA vale menos que um balde de merda subtraindo o balde e estaremos vivos amanhã para contar a história e ainda compartilhar o post em redes sociais. Experimenta isso em Cuba ou na Coreia do Norte…

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