Executiva demitida por ditadura petista recebe R$ 450 mil. Merecia muitos milhões.

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Se a oposição – toda ela, prestem atenção – soubesse fazer política, o caso da demissão da executiva do Santander seria suficiente para aumentar a taxa de rejeição do PT em uns 3% a 4%, pois ali vimos de tudo: (1) táticas sádicas para esconder uma crise, (2) totalitarismo para atacar quem dizia a verdade, (3) covardia e fascismo levados ao extremo. Recentemente, a executiva venceu uma ação judicial na qual o Santander foi condenado a pagar R$ 450.000,00. Leia mais, a partir de Augusto Nunes, em reportagem de Naomi Matsui:

Há duas semanas ─ um ano, cinco meses e vinte dias depois de perder por ordem de Lula o emprego no Santander ─, Sinara Polycarpo Figueiredo ganhou a segunda etapa da batalha judicial travada contra o banco que a demitiu. Neste 21 de janeiro, a juíza Cynthia Gomes Rosa, do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, manteve a sentença expedida em agosto de 2015 pela juíza Lúcia Toledo Silva Pinto Rodrigues, que condenou a instituição financeira a pagar uma indenização de R$ 450 mil por danos morais infligidos à funcionária castigada por ser honesta.

Ao recorrer da decisão em primeira instância, o Santander apenas adiou a consumação da derrota. Não há como inocentar o comando do banco, grita a reconstituição do monumento à subserviência que começou em 10 de julho de 2014, quando um documento produzido pela área chefiada por Sinara foi distribuído entre um grupo de clientes com renda mensal superior a R$ 10 mil. Na sentença, a juíza Lúcia registrou que o texto se limitara a endossar “constatações uníssonas entre os analistas do mercado financeiro e nas diversas mídias independentes sobre investimentos”.

A fúria da seita lulopetista foi desencadeada pelo trecho do documento segundo o qual “a economia brasileira continua apresentando baixo crescimento, inflação alta e déficit em conta-corrente”. Linhas adiante, o diagnóstico nada empolgante observa que a onda de previsões sombrias se adensava sempre que Dilma subia nas pesquisas.  Neste início de 2016, passados dezoito meses, a releitura da análise demonstra que a equipe de Sinara se excedeu na timidez. As coisas estavam muito piores. Era questão de tempo o naufrágio consumado em 2015.

Lula e seus sequazes acham que, numa campanha eleitoral, o único crime é perder. O resto pode. Matar a mãe, por exemplo. Ou afanar a poupança da avó. Previsivelmente, o chefão fingiu enxergar num papelório inofensivo a prova material de que até bancos estrangeiros estavam envolvidos na conspiração urdida para encerrar a supremacia do PT. A ofensiva contra o diagnóstico do Santander começou assim que cópias do documento chegaram à imprensa. E atingiu o climax com o ataque em pinça executado por Dilma e Lula em 28 de julho de 2014.

Numa sabatina na Folha, transmitida pelo SBT e pela rádio Jovem Pan, Dilma puxou o trabuco do coldre: “Sempre que especularam não se deram bem”, apertou o gatilho ao responder a uma pergunta sobre a análise do Santander. “Acho inadmissível um país que está entre as maiores economias aceitar qualquer interferência externa. A pessoa que escreveu a mensagem fez isso sim, e isso é lamentável, é inadmissível”. Os disparos precipitaram a entrada no saloon de Lula, o pistoleiro que primeiro atira e depois pergunta. Quando pergunta.

No mesmo dia, num encontro noturno organizado pela CUT em Guarulhos, Lula acionou o tresoitão. No vídeo, andando de um lado para o outro, o copo até aqui de cólera abre o numerito repulsivo cobrando gratidão do banco presidido pelo amigo Emílio Botín. “Não tem lugar no mundo onde o Santander esteja ganhando mais dinheiro que no Brasil”, rosna o animador de comício, que em seguida recorda conversas e episódios que reduziam o banqueiro espanhol a um bajulador grávido de admiração pelo Lincoln de galinheiro. Por isso mesmo merecia o benefício da dúvida, informa a continuação do palavrório.

“Ô Botín, é o seguinte, querido: olha, eu tenho consciência que não foi você que falô”, concede Lula na abertura do mais sórdido momento de uma trajetória atulhada de infâmias: o antigo líder sindicalista vai ordenar ao dono do Santander que demita uma trabalhadora cujo único pecado fora contar a verdade aos clientes. “Mas essa moça tua que falô, ô, essa moça não entende porra nenhuma de Brasil e não entende nada de governo Dilma. Me desculpe… Mantê… mantê uma mulher dessa num cargo de chefia é, sinceramente… Pode mandar ela embora e dar o bônus dela para mim que eu sei como é que eu falo”.

Assim se fez. Dois dias depois de formulada a exigência, Sinara foi demitida com outras duas pessoas de sua equipe. “Enviamos uma carta à presidente”, rastejou Botín em 30 de julho. “A pessoa tinha que ser demitida porque fez coisa errada”. O banqueiro espanhol não viveu para festejar a reeleição de Dilma. Morreu em setembro, um mês antes de completar 28 anos no cargo. Substituído pela filha e herdeira Ana Botín, o campeão da sabujice escapou de ler as considerações incluídas na sentença exarada em primeira instância e agora ratificada pelo Tribunal Regional do Trabalho.

A juíza Lúcia Toledo Silva Pinto Rodrigues entendeu que o banco maculou a carreira profissional de Sinara ao retratar-se publicamente pelo ocorrido. Concluiu, também, que o Santander foi longe demais ao agachar-se diante de Lula. Confira um trecho da sentença:

“O Banco reclamado foi sim submisso às forças políticas ao demitir a reclamante. Somente demonstrou a parcialidade da instituição em atender os interesses políticos que estavam em jogo na época por conta da eleição e a falta de comprometimento perante seus clientes investidores que, se acreditassem na assertiva de que a economia seguiria a ‘bem-sucedida trajetória de desenvolvimento’, fatalmente amargariam prejuízos financeiros, dada a retração da economia e a desvalorização do nosso câmbio e dos ativos negociados na bolsa de valores”.

Nesta primeira semana de fevereiro, o documento que resultou na degola da analista foi transformado num monumento ao otimismo pelas apavorantes dimensões da crise econômica. Isolada em seu labirinto, Dilma Rousseff luta para adiar o enterro em cova rasa. Emilio Botín é só um quadro nas paredes do Santander. Lula, enredado em maracutaias urbanas e rurais, caminha para a morte política. Apenas Sinara está liberada para divertir-se no Carnaval. Ela derrotou seus algozes. O banqueiro poltrão e o reizinho prepotente perderam.

Lembremos de quando Lula expeliu seus detritos contra Sinara:

É uma coisa psicótica: Sinara trabalhou honestamente por toda sua vida, e não tem em seu histórico a mamação criminosa de verbas estatais. Ela é uma pessoa digna, que pode encarar os outros de frente. Lula coordena um esquema criminoso que já tem vários “parças” na prisão, lugar onde ele deveria estar. Que um sujeitinho destes tenha pressionado o Santander a demitir Sinara é uma das coisas mais vergonhosas da história política nacional. Lula não tem moral nem para apertar a mão de Sinara.

Lembremos dos avisos de Reinaldo Azevedo:

No ataque ditatorial e imperdoável à Sinara, não vimos apenas a censura de um discordante. Vimos a tentativa de calar uma pessoa digna que avisava o povo brasileiro a respeito do desastre causado intencionalmente pelo PT. Na verdade, R$ 450.000,00 foi pouco. Ela merecia vários milhões de indenização.

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7 COMMENTS

  1. Luciano, no dia em que Lula irá depor no Fórum da Barra Funda, os “movimentos sociais” estão preparando manifestações a favor do canalhão. Não seria bom alerta a oposição, o MBL, o Revoltados On Line e os demais movimentos organizados anti-petistas para fazer um contra-ponto a essa aberração?

    • Prefiro “estratégia das tesouras” mesmo. Tanto que é aparecer um diferente que Reinaldo Azevedo surta (como Datena e Bolsonaro) ou o Rodrigo Constantino se filiar ao Partido Novo e perder o emprego na Veja (revista esquerdista não-petista).

  2. Eis o grande mistério, entender o motivo da oposição se recusar a fazer política. Um caso que ainda acho pior do que o da Executiva do banco demitida foi o caso dos mais médicos. O PT partiu pra cima da classe médica brasileira na época da implantação do programa “mais médicos” e um pouco antes das eleições, transferindo para a classe médica a responsabilidade pelos problemas com a saúde pública. E ninguém, mas ninguém da oposição saiu em defesa dos médicos demonizados pelo PT.

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