Está na hora de tirarmos o ursinho de pelúcia da FÉ CEGA NA CRENÇA de muitos direitistas

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ursinho

Leio o seguinte na página de Rodrigo Constantino, que merece muita admiração, mas também não pode ficar ileso de críticas:

Fui ver o Super Bowl 50 na casa do meu simpático vizinho, que é de El Salvador. Foi uma grande festa latino-americana, com cubanos, venezuelanos, colombianos. Tinha até americano! Só não tinha argentino. E quando a conversa se encaminhou na direção de criticar “los hermanos”, porque acham que são europeus, tive que lembrar de Mauricio Macri. Disse para maneirarmos nos ataques, pois eles ao menos tinham um presidente decente e liberal agora, enquanto nós tínhamos trastes. Foi quando perguntaram: “Como uma mulher tão estúpida, aliás, foi parar no poder no Brasil?” Sim, estávamos todos espantados, e eles mais ainda, pois simplesmente não acreditavam nas besteiras que viam saindo da boca de Dilma. Como já disse, que vergonha de ser brasileiro nessas horas. Que época terrível para ser brasileiro. Mudei logo de assunto, e passei a falar de Peyton Manning…

Como já disse, respeito muito o trabalho de Rodrigo Constantino, e entendo que a maioria de seus leitores são pessoas civilizadas e compreendem a noção de que a divergência em argumentos é saudável. Aqui vemos que hoje podemos criar uma contestação sadia. Assim como em um certo período histórico desenvolveu-se o ateísmo, criticando a crença em Deus (e isso não implica a inexistência de crentes, que hoje são a maioria), precisamos desenvolver na direita a crítica à FÉ CEGA NA CRENÇA. (E quem sabe podemos torcer para que esses últimos crentes sejam uma minoria no futuro?)

Aqui fica a percepção de que ele acredita mais na “incompetência” do governo petista, do que nas más intenções (embora as evidências completas apontem para o último caso, mas jamais para sua hipótese), e daí cria-se aquilo que podemos observar: a crítica não consegue ser assertiva, mas uma mistura de compaixão com suporte, misturada a um pouco de sátira e um tanto de criticismo diluído. O inimigo real – ou seja, o totalitário que tem um projeto de poder que o satisfaz plenamente – não é mais percebido. E nem combatido adequadamente.

Ele ainda comenta se envergonhar das “besteiras” que Dilma tem dito, mas sabemos que não são besteiras, mas simulações de falsa incompetência. Igualmente são planejadas para fazer as pessoas misturarem compaixão com sátira e leve criticismo na hora da crítica, mas jamais conseguirem precaução e a assertividade suficientes para lidar com uma totalitária.

Em suma, Dilma é espertíssima e está passando o rodo em muita gente (assim como Lula fez). Assim como Maduro faz e Cristina Kirchner fez. Aproveitaram-se do poder como nenhum outro. Conquistaram um poder que muitos daqueles que os acham “coitadinhos enganados” jamais conquistarão. E, em troca, muitos adeptos da FÉ CEGA NA CRENÇA os presentearão com expressões absurdas como “oh, como ele é incompetente” ou “oh, como ele fala besteira”.

Há 300 anos os iluministas não tiveram medo de desafiar a crença em Deus. Hoje vivemos em um estado laico. Precisamos agora desafiar várias fés políticas, mas uma das mais perigosas é a FÉ CEGA NA CRENÇA. Alias, se alguns conservadores true (não são todos os conservadores) ficaram meio bravos comigo, já digo: a FÉ CEGA NA CRENÇA acomete mais os liberais que os conservadores.

Está na hora de tirar esse ursinho de pelúcia da mão dos liberais a partir da crítica assertiva, embora respeitosa. Pode até ser reconfortante achar que seus totalitários são “um bando de desastrados que só falam besteiras”. Reconfortante mas inútil. E falso.

Em tempo: por questões culturais e vários hábitos, muitos de nós mantemos até no subconsciente a FÉ CEGA NA CRENÇA. Até há alguns meses atrás tinha que revisar meus textos, pois de vez em quando eu me pegava chamando os petistas de “desastrados”. Agora, creio que meu subconsciente já está livre deste tipo de crença ilusória. Este texto é uma forma de tratar mitos em que costumamos acreditar durante muito tempo, mas que podemos questionar, e, é claro, viver sem eles.

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34 COMMENTS

  1. Que o Lula desempenhava o papel de tonto mas que na realidade é um cara para lá de esperto eu sempre achei, mas confesso que a Dilma, segundo o seu ponto de vista, está se saindo muito melhor. É unanimidade a estupidez e ignorância dela, todos nós achamos que ela não passa de uma criatura autoritária e sem noção. Estamos muito bem arranjados, de qualquer maneira, não é mesmo?

    • Que o Lula e a Dilma são pessoas com inteligência muito acima da média muita gente no Brasil já sabia. A maior parte, na verdade. Só um parte da direita continua acreditando na incompetência deles. Será por acaso que os dois ganharam quatro eleições consecutivas para a Presidência da República? Quem conseguiu um feito destes antes no país? Enquanto a direita não pensar concretamente em um projeto de país que inclua a maioria do povo e não repense a escolha dos seus representantes, vai continuar levando chumbo grosso. Não vai adiantar continuar colocando sub-celebridades no carnaval fazendo protesto com xereka pois o povão já aprendeu como é o gosto do Danone e não vai mais abrir mão disto.

  2. Luciano, tenho uma dúvida, a direita rotulou o Lula de apedeuta e para mim me parece que é um tiro no pé, visto que para o povão em geral não sabe o que é um apedeuta e a direita acaba tratando ele assim como um ignorante que erra nas suas decisões?

  3. Entendi, e gostei. Não é preciso ser muito espertão pra reconhecer que Dilma usa exatamente a mesma técnica de Lula de subir no palanque e falar um monte de merda pra parecer engraçado, parecer ingênua, inocente, e aí o povo esquecer do real PERIGO (perigo, e não azar, não palhaçada) que representa uma pessoa como ela no poder.

    Falar que petistas são incompetentes é o mesmo que dizer que bandidos são vítimas coitadinhas. Você livra-os da acusação e os inocenta, e eles só tem a ganhar com isso.

  4. Luciano, eu compreendo o que você diz e concordo plenamente que é um erro dizer que os grandes líderes do socialismo/comunismo estão enganados ou que são apenas ineptos.

    A ressalva é que é perfeitamente possível possuir grandes capacidades em alguns aspectos e ao mesmo tempo ser subdesenvolvido ou mesmo estúpido em outros. A psicologia de modo geral, a neuropsicologia, a ciência cognitiva, a teoria das inteligência múltiplas (e seu corolário, a teoria da inteligência emocional) e a programação neurolinguística mostram isso.

    A mente humana é composta pela integração de inúmeros processos cognitivos que interpretam as informações do ambiente e da memória. Para alguém acreditar em tantas mentiras sabendo que são mentiras, se dispor a prejudicar tanto a terceiros em nome de uma fantasia sem fundamento e renegar continuamente os fatos que contradizem sua cosmovisão partindo da premissa de que é a realidade que está errada em não concordar com a teoria… esse alguém só pode possuir algumas funções cognitivas seriamente defeituosas – até que ponto isso é congênito ou desenvolvido no decorrer da vida não vem ao caso aqui.

    A Dilma, entre inúmeros outros defeitos, é extremamente arrogante, o que induz qualquer pessoa a muitos erros cognitivos de processamento de informações. Ela mantém crenças mutuamente contraditórias (dissonância cognitiva), rejeita informações que não condizem com o que ela quer acreditar, assume tarefas além de sua capacidade (desde discursar de improviso sobre o que não compreende até a presidência da República).

    Assim, não se trata de ela ser uma sociopata deliberada OU um ser uma pessoa disracional. Ela é um tremendo exemplo das duas categorias. Dizer que ela é tola não quer dizer que seja uma pobre iludida que pensa estar agindo certo e que tenha qualquer sinceridade. Mas realmente muitos podem pensar que sim, então de fato precisamos enfatizar sua psicopatia.

    * * *

  5. Talento é uma coisa. Esperteza é outra.

    No Brasil você pode chegar ao topo só com a última. Você pode não ter carisma, competência administrativa e nem liderança nenhuma. Mas se puxar o saco das pessoas certas, se entender as regras do jogo e tirar proveito do poder que tem nas mãos, se tiver poucos escrúpulos, se estiver no lugar certo na hora certa… Você se dá bem. Especialmente no serviço público de onde ela emergiu.

    Dilma não tem vocação política (no sentido weberiano) alguma. Mas isso não quer dizer que ela não possa usar efetivamente o poder que tem. De fato, depois que Lula expandiu as fronteiras do PT com populismo e chegou ao poder o projeto do PT passa a precisar muito menos de comunicação eleitoral e muito mais de usar efetivamente esquemas mafiosos dentro do Estado.

    Se fôssemos uma democracia aberta com real distribuição de poderes e um eleitor mais atento, alguém como Dilma jamais seria eleita pra qualquer cargo. A carreira dela acabaria numa debate como aquele contra Aécio. Mas a verdade é que somos uma União Soviética que compra oligarcas a cada five year plan e isso pouco importa.

      • Mas isso concorda com meu segundo parágrafo. Ela usa efetivamente o poder que tem. O que fez com Cunha foi usando esquemas mafiosos dentro do Estado (ter o Renan no anzol por exemplo – provavelmente usando da PF pra isso).

        Agora, talento clássico de um líder político/estadista? Pessoa pública que vai pra TV, inspira e convence pessoas, que líderes de outros países param pra ouvir, etc? Ou mesmo a capacidade de articulação e negociação de um Zé Dirceu? Ela não tem nada disso.

        Claro, isso não é razão pra subestimar. Mesmo porque o projeto do PT está num estágio que nem sequer precisa necessariamente de alguém competente no topo pra funcionar. A essência do poder está no aparelho – na máquina estatal, e na sociedade civil/sindicatos/imprensa/universidades. Esses não dependem dela em nada.

      • Allure,

        Agora, talento clássico de um líder político/estadista?

        Mas quem disse que esse era o objetivo? Esse é o TEU OBJETIVO. Desculpe-me, mas é um lapso cognitivo julgar os outros por objetivos que VOCÊ tem. Não é assim que analisamos o mundo. Temos que avaliar as pessoas pelos OBJETIVOS DELA, não dos seus.

        Pessoa pública que vai pra TV, inspira e convence pessoas, que líderes de outros países param pra ouvir, etc? Ou mesmo a capacidade de articulação e negociação de um Zé Dirceu? Ela não tem nada disso.

        Ele está na cadeia, e ela não… hehehehe….

        Claro, isso não é razão pra subestimar. Mesmo porque o projeto do PT está num estágio que nem sequer precisa necessariamente de alguém competente no topo pra funcionar. A essência do poder está no aparelho – na máquina estatal, e na sociedade civil/sindicatos/imprensa/universidades. Esses não dependem dela em nada.

        Ela me parece talentosa para ocupar a posição que ocupa, por ter dado vareios em muita gente e saído de situações bem complicadas.

        Ela também tem um talento que quase ninguém tem: O DOMÍNIO do uso de técnicas de sadismo.

        A Dilma consegue cuspir na sua cara em um dia, e obter sua fidelidade no próximo. Isso é TALENTO.

        Abs,

        LH

  6. Luciano, desculpe-me, mas acho que você está se deixando levar por uma teoria da conspiração. Às vezes também me pergunto se os desacertos dos governos esquerdistas, principalmente na economia, são propositais ou não. Cheguei à conclusão de que não são intencionais, mas consequência de incompetência mesmo. E não se trata de uma crença minha.

    Tão somente a esquerda insiste em aplicar teorias que não funcionam na prática, como gostaria. Simples assim. Já fui de esquerda e sei. Ou você acha que o PT gerou esta crise que está levando-o para as cordas deliberadamente? É óbvio que não. O mesmo ocorre na Venezuela (que elegeu uma maioria oposicionista em razão da crise).

    Contudo, totalitária que é, a esquerda marxista entende que não deve deixar o poder em nenhuma hipótese, pois, a seu juízo, a perda do poder seria um retrocesso do processo revolucionário. Sendo assim, sem crise ou com crise, a palavra de ordem é “fazer o diabo” para não sair do poder. Se a situação está sobre controle e se tem o apoio de grande parcela da população, ótimo para a esquerda revolucionária; caso contrário, procurará ela fazer do limão uma limonada, de acordo com sua capacidade política, econômica, militar, etc.

    No caso da Dilma, ela é sim incompetente em variadas matérias e faz jus a ser chamada “poste” do Lula, este sim muito mais esperto que ela, politicamente. Mas também é autoritária, totalitária, esquerdista revolucionária, enfim.

    Dizer que Dilma é incompetente na linguagem, no raciocínio, em economia, em administração e até mesmo na política (o que ela já demonstrou ao gratuitamente agir reiteradamente de modo a perder apoios no Congresso e em outras instâncias da República), não significa em hipótese alguma vê-la como uma coitada bem intencionada.

    Dilma é incompetente e mal intencionada. Diria até que ela seria bem pior para os adversários se, além de mal intencionada, fosse dotada de mais competência.

    • Otimista

      Luciano, desculpe-me, mas acho que você está se deixando levar por uma teoria da conspiração.

      Não é teoria. É uma análise FACTUAL…

      Às vezes também me pergunto se os desacertos dos governos esquerdistas, principalmente na economia, são propositais ou não. Cheguei à conclusão de que não são intencionais, mas consequência de incompetência mesmo.

      Vamos testar… eu duvido que seja incompetência.

      E não se trata de uma crença minha.

      Calma, vamos testar…

      Tão somente a esquerda insiste em aplicar teorias que não funcionam na prática, como gostaria. Simples assim. Já fui de esquerda e sei.

      Você não pode saber. A questão é: VOCÊ GANHOU GRANA A PARTIR DE INCHAÇOS ESTATAIS DE ESQUERDA? Ganhou alguma noite com alguma modelo de 30.000 reais tipo a Antonella? Ganhou contratos? Ganhou alguma ilha? Se não, você “não sabe como é o esquema”.

      Talvez você tenha sido esquerdista FUNCIONAL, não BENEFICIÁRIO, mas só esses últimos que contam. O julgamento só pode ser feito por eles.

      Só julgamos uma fraude pela ação do fraudador, não dos que acreditaram nela…

      Ou você acha que o PT gerou esta crise que está levando-o para as cordas deliberadamente? É óbvio que não.

      É óbvio que sim. O PT não está nas cordas. Ele planejava censurar a mídia para viverem feito NABABOS.

      Eles PRECISARAM saquear o país em nome de um projeto de poder. Só erraram por não terem conseguido censurar a mídia antes…

      A crise é irrelevante.

      O mesmo ocorre na Venezuela (que elegeu uma maioria oposicionista em razão da crise).

      Só te contar uma historinha: o Nicolas Maduro tem uma vida de muito mais fartura do que a Dilma. Você realmente acha que o socialismo “deu errado por lá”? Deu nada! Foi é um sucesso…

      Contudo, totalitária que é, a esquerda marxista entende que não deve deixar o poder em nenhuma hipótese, pois, a seu juízo, a perda do poder seria um retrocesso do processo revolucionário.

      Seria um retrocesso do PODER OBTIDO e só. Eles nem acreditam nisso de “processo revolucionário”. Morrem de rir com o poder e pensam só em verbas estatais…

      Sendo assim, sem crise ou com crise, a palavra de ordem é “fazer o diabo” para não sair do poder.

      Será que fazem isso pela “causa” ou porque o poder é bom demais? rs.

      Por favor, essa fé cega na crença é carente de provas…

      Se a situação está sobre controle e se tem o apoio de grande parcela da população, ótimo para a esquerda revolucionária; caso contrário, procurará ela fazer do limão uma limonada, de acordo com sua capacidade política, econômica, militar, etc.

      Eu já fui esquerdista funcional também. Dá para notar que os líderes estão mentindo. Eles morrem de rir dos funcionais que acreditam…
      No caso da Dilma, ela é sim incompetente em variadas matérias e faz jus a ser chamada “poste” do Lula, este sim muito mais esperto que ela, politicamente. Mas também é autoritária, totalitária, esquerdista revolucionária, enfim.

      Ela é extremamente competente, habilidosa, ardilosa, de raciocínio rápido e ainda passa o rodo em todo o PMDB conforme a vontade…

      Dizer que Dilma é incompetente na linguagem, no raciocínio, em economia, em administração e até mesmo na política (o que ela já demonstrou ao gratuitamente agir reiteradamente de modo a perder apoios no Congresso e em outras instâncias da República), não significa em hipótese alguma vê-la como uma coitada bem intencionada.

      Ela pode não ser tão competente QUANTO a Cristina Kirchner e o Nicolas Maduro. Mas é muito competente. Não dá para notar essas “incompetências” apontadas por você. Ela hoje consegue rotular um oponente e DESLIGAR o cérebro deste, de modo que esse fique no “bá bá bá” (gaguejando feito criança).

      É uma dura realidade…

      Dilma é incompetente e mal intencionada. Diria até que ela seria bem pior para os adversários se, além de mal intencionada, fosse dotada de mais competência.

      Ela tem a competência suficiente para o projeto de poder do PT. Para tirá-la, devemos nos preparar para derrotar uma mente ardilosa e ágil. Sem isso, a vitória dela estará garantida.

      A crença na “incompetência da Dilma” é apenas uma forma de buscar conforto inútil, desnecessário para o momento.

      • Luciano, você não entendeu o que escrevi. Em nenhum momento eu afirmei que os esquerdistas e Dilma lutam apenas pela “causa”. Há basicamente três tipos de militantes de esquerda: os idiotas úteis tarefeiros (que estão na base), os idealistas revolucionários profissionais e os revolucionários estritamente profissionais.

        O inocente (idiota) útil é o idealista revolucionário ainda repleto de freios morais convencionais. É aquele que está no partido revolucionário por idealismo e concordância com os objetivos declarados internamente nas reuniões partidárias abertas a todos os militantes, até o de que luta pelo socialismo marxista, mas que ainda conserva valores éticos e morais comuns aos membros da sociedade civil. São os que efetivamente se desiludem e mesmo deixam o partido quando percebem que seus valores morais foram abandonados pela legenda. Esses somente servem à revolução como massa de manobra e propagandistas da causa. Quando sobrevivem à revolução e passam a questionar os métodos dos demais companheiros revolucionários, costumam ser calados por estes (mediante intimidação, prisão e até execução), a menos que mudem para o grau seguinte.

        O de segundo grau, ou seja, o idealista revolucionário profissional (profissional aqui no sentido de dedicação à causa acima de tudo), é o ex-inocente útil que já superou, em nome da causa, os valores morais convencionais, e se tornou, assim, capaz de tudo pela revolução socialista. Se preciso, mentirá, roubará, matará, enganará, trairá (não a causa), etc. Para ele, o fim sempre justificará os meios.

        O de terceiro grau, revolucionário estritamente profissional, visará acima de tudo o poder, a qualquer custo. É uma fase em que até poderá se conservar idealista em pensamento, mas que na prática terá o poder como meta central, essencial, ainda que no fundo veja o ideal inicial como inviável. Sua desculpa para o poder e sua conservação passa a ser a promessa de um dia (talvez após 200 anos…hehe) realizar o ideal. Em regra, são estes que chegam às mais elevadas lideranças do processo revolucionário. Muitos deles já foram um dia inocentes (idiotas) úteis.

        Quando deixei de ser esquerdista, estava entre o inocente (idiota) útil e o idealista revolucionário profissional. Mais para este que para aquele.

        Para o esquerdista de alto coturno, portanto, o poder é fundamental, até porque é através dele que a máfia ganha o poder econômico, o capital alheio (público).

        E quem foi que lhe disse haver incompatibilidade entre lutar pela causa socialista e ao mesmo tempo para se tornar um burguês do capital alheio? Muito pelo contrário! O que a liderança estritamente profissional anseia é justamente suceder o capitalista privado no poder, tanto no poder político como no econômico.

        Para que fique mais claro o meu pensamento, o que eu digo é que a esquerda costuma ser, sim, incompetente, por ignorar as leis econômicas em razão da sede de poder. Quer, sim, se lambuzar de poder e de dinheiro para si e para corromper aliados de ocasião em função daqueles, e por isso mesmo acaba gerando crises que não gostaria de gerar.

        No melhor dos mundos para a liderança da esquerda marxista, esta teria o poder político total, o controle absoluto da economia e das riquezas (também para viver como magnata). Ocorre, porém, que as leis econômicas não permitem isso ad aeternum, a despeito do seu desejo. Simples assim.

        É óbvio que as crises econômicas e, em consequência destas, as crises políticas do Brasil e da Venezuela não eram previstas e tampouco desejadas pelos seus causadores. Até porque ainda não adquiriram o poder total nesses países. Nisso também você se equivoca, a meu ver.

        Mesmo se já detivessem o poder total, a crise não seria provocada intencionalmente. Tão somente, por se estar numa ditadura, seu prejuízo político para a esquerda marxista seria bem menor ou nenhum (Cuba que o diga).

        Mas nem sempre é assim. Economias socialistas em frangalhos já derrubaram regimes marxistas totalitários, como aconteceu no leste europeu e na própria URSS. Em suma, mesmo que num primeiro momento a crise econômica não abale a realidade política e econômica da nomenklatura, a persistência daquela poderá acarretar derrubada desta.

      • Otimista

        O de terceiro grau, revolucionário estritamente profissional, visará acima de tudo o poder, a qualquer custo. É uma fase em que até poderá se conservar idealista em pensamento, mas que na prática terá o poder como meta central, essencial, ainda que no fundo veja o ideal inicial como inviável. Sua desculpa para o poder e sua conservação passa a ser a promessa de um dia (talvez após 200 anos…hehe) realizar o ideal. Em regra, são estes que chegam às mais elevadas lideranças do processo revolucionário. Muitos deles já foram um dia inocentes (idiotas) úteis.

        A avaliação é feita SÓ POR ESSES, pois os outros não importam, já que são massa de manobra na mão dos últimos.

        Quando deixei de ser esquerdista, estava entre o inocente (idiota) útil e o idealista revolucionário profissional. Mais para este que para aquele.

        Então você não foi o de “terceiro grau”, que é o único que importa para avaliação nesta equação. Tudo é feito para estes últimos.

        Para o esquerdista de alto coturno, portanto, o poder é fundamental, até porque é através dele que a máfia ganha o poder econômico, o capital alheio (público).

        É esta a única análise a ser feita. Não consideramos um “idealismo” na compra de falsos cartões de Mega-Sena apenas porque os fraudadores fazem muitas pessoas os considerarem verdadeiros ENQUANTO estão comprando, certo? Por que temos que criar essa “brecha” bizarra SÓ PARA tratar o socialismo?

        E quem foi que lhe disse haver incompatibilidade entre lutar pela causa socialista e ao mesmo tempo para se tornar um burguês do capital alheio? Muito pelo contrário!

        Eles FIZERAM seus funcionais acreditarem não haver incompatibilidade. Fraudadores sempre fazem isso…

        O que a liderança estritamente profissional anseia é justamente suceder o capitalista privado no poder, tanto no poder político como no econômico.

        Mas o socialismo é SÓ ISSO e NADA MAIS. Obter poder totalitário. Se isto acontecer às custas da devastação do estado, TANTO FAZ.

        Para que fique mais claro o meu pensamento, o que eu digo é que a esquerda costuma ser, sim, incompetente, por ignorar as leis econômicas em razão da sede de poder.

        Isso é ilusão reconfortante. Eles não ignoram. Eles PRIORIZAM o que deve ser feito para OBTER o poder. Se isto incluir destruir a economia, tanto melhor. O nível de vida deles NÃO DIMINUI. Eles “não ignoram leis econômicas”. Elas as UTILIZAM para conseguir o poder. Na verdade tua crença busca um conforto para você não se sentir tão enganado quanto realmente foi. Eu fui esquerdista, como você, e não preciso deste tipo de ursinho de pelúcia. Jogue fora que não vai te fazer falta.

        Quer, sim, se lambuzar de poder e de dinheiro para si e para corromper aliados de ocasião em função daqueles, e por isso mesmo acaba gerando crises que não gostaria de gerar.

        Totalmente ao contrário: ele sabe que vai gerar crises que ele TERÁ QUE GERAR para CONSEGUIR O PODER. Se não afastar investidores, como ele vai aumentar o poder? Se não concentrar empresas no estado, como vai aumentar o poder?

        No melhor dos mundos para a liderança da esquerda marxista, esta teria o poder político total, o controle absoluto da economia e das riquezas (também para viver como magnata). Ocorre, porém, que as leis econômicas não permitem isso ad aeternum, a despeito do seu desejo. Simples assim.

        Claro, claro…

        E no mundo perfeito as vítimas de estupro seriam felizes. Mas essa NÃO É A REALIDADE. Quando o estuprador decide estuprar sua vítima e traumatiza-la não podemos chama-lo de “idealista que queria, no mundo ideal, a satisfação de sua vítima”.

        Ele FEZ UMA TROCA. Como o socialista faz.

        É óbvio que as crises econômicas e, em consequência destas, as crises políticas do Brasil e da Venezuela não eram previstas e tampouco desejadas pelos seus causadores.

        Claro que são previstas e INEVITÁVEIS como parte do processo de conquistar. Eu sei que é duro se visualizar como nada além de GADO na mão dessa gente. Mas foi assim que eles sempre te trataram. O resto é ilusão reconfortante que você mantém em mente para se sentir bem. Mas é falso.

        Até porque ainda não adquiriram o poder total nesses países. Nisso também você se equivoca, a meu ver.

        Hoje, Maduro custa 2,5 milhões de dólares por dia para a Venezuela. Quando sair do poder, vai viver em ilhas, como um sultão. Hehehe….

        Vocês não se sentem mal em manter a fé cega na crença mesmo assim?

        Mesmo se já detivessem o poder total, a crise não seria provocada intencionalmente.

        Acho que você não entendeu o “intencional”. Imagine que você esteja sendo assassinado, certo? E que o assassino invente o mito de que pessoas assassinadas depois vão ressuscitar. E daí ele convença as pessoas de que suas vítimas “deveriam, no melhor dos mundos, ressuscitar”. O que ele quer é vender ao público a ideia de que lutou para que suas VÍTIMAS FICASSEM VIVAS, mas COMO AS LEIS DA NATUREZA NÃO PERMITEM, ele é apenas um INCOMPETENTE em seu belo ideal.

        Claro que tudo é um truque. Ele inventou isso para dar um adorno ao seu ato de assassinato.
        Quando alguém opta por matar alguém, faz uma TROCA. Da mesma maneira, quando opta por estuprar, ou assaltar… Existem TROCAS. E não adianta fantasiar realidades para adornar os atos e colapsar cérebros alheios.

        Quando o líder socialista diz “quero poder”, ele faz A TROCA, e escolhe então destruir o país em nome do projeto de poder.

        Dizer que
        1- O líder socialista preferia que tudo não envolvesse a destruição do país
        2- É igual a dizer que o “assassino preferia que suas vítimas se ressuscitassem”
        3- Assim como dizer que “o estuprador preferia que suas vítimas não tivessem traumas”

        Mas nos três casos eles fizeram UMA TROCA.

        Tão somente, por se estar numa ditadura, seu prejuízo político para a esquerda marxista seria bem menor ou nenhum (Cuba que o diga).

        Estão cagando e andando para isso, desde que censurem a mídia.

        Economias socialistas em frangalhos já derrubaram regimes marxistas totalitários, como aconteceu no leste europeu e na própria URSS. Em suma, mesmo que num primeiro momento a crise econômica não abale a realidade política e econômica da nomenklatura, a persistência daquela poderá acarretar derrubada desta.

        Claro. E estupradores já foram presos, e assassinos também. Isso não muda o fato de que eles fizeram uma TROCA. E não adianta criar ursinhos de pelúcia para se agarrar para fingir quer eles tinham “um belo ideal” quando jamais tiveram isso, salvo em fases em que não eram assassinos, estupradores ou mesmo eram apenas socialistas FUNCIONAIS.

        Dica. Largue o ursinho de pelúcia. Já passou da idade.

      • Para a liderança revolucionária, é o seguinte, em apertadíssima síntese: “Queremos o comunismo. Até lá, preservemos o poder e nos locupletemos”. Hehe

      • Luciano, é exatamente POR ISSO que eu critico o seu frame de “a crise foi criada intencionalmente”. Até hoje eu não consegui convencer ninguém disso, e SEMPRE tenho que explicar que quando eu digo “intencionalmente”, eu quero dizer “conscientemente”. Eles não QUEREM criar crise, eles SABEM MAS NÃO SE IMPORTAM, tudo o que querem é o poder e os lucros – de diversas modalidades, como você bem apontou – advindos deste. Criar a crise é só um… contratempo inevitável na obtenção desse objetivo.

        Quando você lança um frame radical como este, você está forçando a pessoa a pensar que eles querem fazer o que você sugere, têm isso como objetivo, o que não só não é verdade, como é difícil de engolir para a maioria das pessoas, justamente porque soa como teoria da conspiração. Não sei qual tem sido o seu índice de sucesso em convencer as pessoas de que o PT QUER criar a crise, mas o meu tem sido nulo. Tanto que já mudei o meu para “o PT SABIA que ia criar a crise, mas criou assim mesmo”. Fica ainda mais fácil explicar para todos aliado ao fato de que Dilma é economista e fez mestrado na Unicamp, e associado ao frame “as merdas que a Dilma fala não são burrice, são uma tentativa dela parecer com o Lula para ganhar a simpatia do povo”.

      • Jeferson,

        Quando eu escrevo que a crise foi criada intencionalmente, é exatamente porque o PT “sabia das consequencias inevitáveis e só se importou com o projeto de poder”. Basta falar neste frames, que já reduzimos a compaixão indevida no tratamento ao PT. A mudança é: nunca tratá-los como “desastrados” e “enganados”, mas como perversos e mal intencionados que são. Mas até mesmo no caso da intencionalidade, já consegui sucesso várias vezes. Basta citar a noite com a Antonella, que Dirceu teve, e que custou R$ 30.000,00 reais. E dizer que isso é nada perto do que eles ambicionam. E daí lembrar que eles estão “morrendo de rir” enquanto os empregos somem. Enfim, em todo momento, a cada instante, jamais baixar a guarda e cair no frame dos “coitadinhos enganados”.

        Abs,

        LHciano, é exatamente POR ISSO que eu critico o seu frame de “a crise foi criada intencionalmente”. Até hoje eu não consegui convencer ninguém disso, e SEMPRE tenho que explicar que quando eu digo “intencionalmente”, eu quero dizer “conscientemente”. Eles não QUEREM criar crise, eles SABEM MAS NÃO SE IMPORTAM, tudo o que querem é o poder e os lucros – de diversas modalidades, como você bem apontou – advindos deste. Criar a crise é só um… contratempo inevitável na obtenção desse objetivo.

        Quando você lança um frame radical como este, você está forçando a pessoa a pensar que eles querem fazer o que você sugere, têm isso como objetivo, o que não só não é verdade, como é difícil de engolir para a maioria das pessoas, justamente porque soa como teoria da conspiração. Não sei qual tem sido o seu índice de sucesso em convencer as pessoas de que o PT QUER criar a crise, mas o meu tem sido nulo. Tanto que já mudei o meu para “o PT SABIA que ia criar a crise, mas criou assim mesmo”. Fica ainda mais fácil explicar para todos aliado ao fato de que Dilma é economista e fez mestrado na Unicamp, e associado ao frame “as merdas que a Dilma fala não são burrice, são uma tentativa dela parecer com o Lula para ganhar a simpatia do povo”.

  7. Lembrei-me agora de uma passagem de um livro que li há muitos anos sobre o regime socialista de um país do leste europeu. Não me ocorre agora qual. Dizia da teimosia e intransigência de uma autoridade do partido que queria por que queria construir uma obra de engenharia. Fora advertido por especialistas de que o local escolhido não reunia as condições necessárias, mas mesmo assim foi avante em nome do interesse público. A obra, como esperado, foi um fiasco. Sabe qual foi a sua explicação para o fracasso? Tachou o terreno de contrarrevolucionário. Hehe

    Essa gente acha que pode fazer com que a realidade se curve às suas teorias. Pensa que tudo é questão de “vontade política”.

    O esquerdismo em si é a recusa de aceitar a realidade e natureza humana como elas são. Como precisa do poder para tanto, faz de tudo para alcançá-lo e para não perdê-lo.

  8. “Há 300 anos os iluministas não tiveram medo de desafiar a crença em Deus. Hoje vivemos em um estado laico.” Liberais…

    Nessas horas eu faço a pergunta que os liberais nunca me respondem: se o estado é laico e não deve ser regido por crença religiosa, vocês são a favor da descriminalização da pedofilia por exemplo?

      • Pergunto porque proibições desse tipo são oriundas de nossa herança cultural cristã. O liberalismo defende o indiferentismo religioso (pode-se seguir ou não uma ou qualquer crença religiosa), mas nesse caso, como um governo/sociedade liberal pode condenar a pedofilia perante um japonês ou um zulu, por exemplo, cujas culturas originalmente não possuem essa proibição?

        Peguei um exemplo mais extremo, mas perguntas semelhantes poderiam ser elaboradas para outros temas morais, como homicídio em defesa da honra, homossexualismo, incesto, poligamia, discriminação racial, roubo etc..

      • Er… podemos chegar à conclusão de que a pedofilia é errada por prejudicar crianças em situação de vulnerabilidade. Qual o argumento dizendo que só punimos pedofilia “em razão da religião”?

      • Acompanhe por obséquio a conversa acima. Estou sendo “provocativo” no bom sentido.

        Por sinal, já que minha posição política foi questionada, posso dizer que penso “fora das caixinhas” ideológicas, pois defendo um estado mínimo ainda menor que muitos liberais (como policiamento ostensivo misto, com empresas de segurança como polícia auxiliar junto à PM), mas acho que ele deve ser forte na aplicação de leis, inclusive de defesa de nossa herança cultural cristã, cada vez mais atacada. Resumindo: estado mínimo, porém confessional católico.

  9. Magnifico texto, para não variar.
    Mas um porém… parte dos iluministas pode até ter chegado a negar Deus, só que não foi exatamente este o objetivo de todos iluministas.
    O absolutismo monárquico e o catolicismo, com seus excessos sobre a liberdade dos indivíduos, foram, estes sim, os maiores afetados por este movimento.
    Se o discurso de Constantino lhe provoca um ruído, também este enaltecimento ateísta soa dissonante. Nem pela negação a Deus em si, que não afeta nem incomoda a crentes esclarecidos. Mas, porquê parece induzir o ateísmo como uma mera questão de evolução natural.

  10. A conversa estava boa aí em cima, mas não passa da tréplica. Já pensaram em implantar o Intense Debate ou o Disqus por aqui?

    Continuando a conversa, a “situação de vulnerabilidade” da criança também é relativa de acordo com cada cultura. O Japão hoje está fazendo um grande esforço para combater a pedofilia com base nos padrões ocidentais, pois os costumes deles permitem até mesmo o pagamento de acompanhantes menores de idade, ainda que não tenham relação carnal, algo como “gueixas modernas”. Li em um site que essa denúncia foi feita por um professor estrangeiro (salvo engano, era inglês) que lecionava em uma escola japonesa e ficou horrorizado com essa “renda extra” que suas alunas adolescentes (por volta de 14 anos) faziam.

    Se fôssemos instalar um Estado liberal no Paquistão, onde os casamentos de homens adultos com meninas até menores de 10 anos são culturalmente aceitos, esse padrão seria respeitado ou a situação exigiria uma padronização comportamental diferente do costume local, como ocorre no Japão atualmente, que desde a 2ª Guerra passa por um processo de “ocidentalização”? Como comentei anteriormente, estou provocando essa discussão não por animosidade, mas para obter respostas, pois esse é o cerne da incompatibilidade entre liberais e conservadores, pois no âmbito da intromissão do Estado na economia as diferenças são negociáveis porque não envolvem valores fundamentais, por assim dizer.

    Sobre o estado confessional católico, na minha visão o Estado deve preservar nossa herança moral e cultural, mas deve em nome da paz social tolerar práticas diferentes desde que não firam ou ofendam “a moral e os bons costumes”. Pode parecer autoritário, mas hoje nosso Estado ainda protege costumes católicos, pois é impossível dissociar a Religião, que é o aspecto cultural mais forte de um povo, dos códigos legais, fenômeno sociológico que vemos mesmo em países de culturas distintas. Simplificando, se tirarmos o Catolicismo de nosso Código Penal, sobraria muito pouco e teríamos apenas uma “Lei de Talião” mais complexa.

    Conservadores têm restrições aos socialistas fabianos, liberais, libertários e anarcocapitalistas por essas e por outras, por conta de conflito de premissas, o que ocorre menos entre os filhos e netos da Revolução Francesa, que divergem mais nos meios do que nos fins.

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