Rotina de negação: Negar a alternativa violenta é “bom-mocismo”

3
57

leao-gato-studio-prototipo-1

Uma parte dos recursos negacionistas – especialmente enquanto eles estão defendendo alternativas extremas e violentas, como intervenção militar – é chamar seus divergentes táticos de “bons moços”. (Um divergente tático é aquele que não necessariamente possui doutrina diferente ou se posiciona em pólo oposto, mas diverge do outro quanto às táticas a serem utilizadas para obtenção de poder)

O truque é simples e é baseado em um ditado popular: “os bons rapazes terminam por último”. Daí é só convencer que seu oponente é um “bom rapaz” e que, portanto, vai terminar por último. O gancho se conclui com “então fique com minha opção, que está longe do bom-mocismo”. Tudo jogo de cena.

Pode parecer coisa de criança, mas muita gente ainda cai neste truque, só que ele é mais falso que menstruação de travesti.

Para início de conversa, optar pelas vias democráticas não significa “bom-mocismo”, mas uma alternativa mais inteligente, racional e moral, sob todos os aspectos. Alguém pode lutar unicamente pelas vias democráticas e fazer seu adversário político urinar de tanto tomar rotulagens. Assim, a acusação de “bom mocismo” tende a ser falsa quando se menciona alguém defendendo alternativas democráticas.

A alternativa ao “bom mocismo” seria o comportamento do “fortão”. Segundo essa gente, pedir intervenção militar seria agir como “o fortão” em contraposição ao “bom-mocismo” dos adeptos da democracia. Isso vale para também para pedidos por “revolução civil” ou qualquer outra alternativa mais extrema que a busca por obter vitórias em eleições ou eleger seus candidatos.

Mas novamente isto é um truque psicológico até infantil, pois uma pessoa não se define como “o fortão” só por pedir uma revolução violenta. O “fortão” – se é que poderíamos estabelecer as coisas nestes termos – é definido pelos resultados conquistados, não pela violência requisitada. A própria violência solicitada pode ser uma forma de transferência de responsabilidade ou até mesmo da manifestação do processo vicário (algo similar a “fazer as vezes do outro”, não muito diferente de matar pessoas em um videogame e se achar “o violento”). Sair pedindo para que outras pessoas saiam à ruas e morram por ela não é coisa de “fortão”. Pode ser também um ato de covardia.

Na verdade, não existe isso de “bom moço” e “fortão” na guerra política quando avaliamos a questão basicamente pelas demandas requisitadas. O melhor é observar a atitude demonstrada. Se formos encontrar os “fortões” no debate político, não os encontraremos se pinçarmos quem pede “intervenção militar”, mas se elencarmos quem entra em um confronto político e o compreende como uma guerra de nervos, ao fim da qual o nível de rotulagem, shaming e outros recursos decidirá os resultados. E nisto, muitos adeptos da intervenção militar dizem que rugem mas no fundo só miam. E bem fraquinho.

Aliás, se for para brincar desse joguinho, um cínico poderia responder: “Ah, você se acha o fortão por pedir a intervenção militar? Pois eu peço a intervenção do Godzilla…”.

Ou então satirizar, dizendo: “Hmm… franga, quer dizer que tu é o ‘fortão’ só por pedir intervenção militar? Sei, sei…”. (E, como já disse, você pode trocar “intervenção militar” por “revolução civil” ou qualquer outra solução apontada como “algo diferente do bom-mocismo”).

Melhor do que tratar as pessoas como “bons moços contra fortões” é contrapor aqueles que conquistam e não conquistam resultados na guerra política. E os que ficam na última posição não são “fortões” ou “bons moços”. São “losers” na guerra política. De nada adianta chamar os outros de “bons moços”, falsamente, e viver como “loser” no confronto mais importante.

O melhor, no fim, é avaliar as pessoas por resultados, e não pelo gogó. E já saímos do jardim da infância para cair nessas trucagens.

Anúncios

3 COMMENTS

  1. Nao existe a possibilidade de guerra politica. Todo o Estado brasileiro foi preparado para sucumbir sem nenhuma chance de defesa. A unica reacao democratica que vemos hoje e a operacao Lavajato e o combate incessante de gente, como eu, que esta neuroticamente combatendo pela internete e midias sociais. Gracas a esses dois ferrenhos combatentes, inesperados e nao previstos, a nacao brasileira ainda nao sucumbiu ao fortissimo golpe comunista, alias muito bem engendrado, Nao vejo nenhum mal em desejar e pedir a Intervencao dos militares (JA DEVIA TER OCORRIDO), afinal para que servem os militares?
    Quando o cidadao se ve ameacado e atacado por bandidos ele necessariamente e forcado a recorrer ao socorro da Policia. Por que a Nacao que esta sendo alvo de assalto massivo em conjunto por todas as ditas “instituicoes democraticas” nao deve e nao pode recorrer ao socorro de suas Forcas Armadas?

    • Nao existe a possibilidade de guerra politica.

      Isso. Em qualquer país do mundo existe, menos na Coreia do Norte… e no Brasil. Mas vocês acham que alguém aqui cai nisso ainda?

      Todo o Estado brasileiro foi preparado para sucumbir sem nenhuma chance de defesa.

      Lá vamos ao truque do “tá tudo dominado”….

      A unica reacao democratica que vemos hoje e a operacao Lavajato e o combate incessante de gente, como eu, que esta neuroticamente combatendo pela internete e midias sociais. Gracas a esses dois ferrenhos combatentes, inesperados e nao previstos, a nacao brasileira ainda nao sucumbiu ao fortissimo golpe comunista, alias muito bem engendrado, Nao vejo nenhum mal em desejar e pedir a Intervencao dos militares (JA DEVIA TER OCORRIDO), afinal para que servem os militares?

      Você pedir qualquer barbaridade, é da democracia. Mas pode ser zoado por isso. E hoje em dia é um presente para a extrema-esquerda que você ainda não tenha entendido que faz o jogo deles. Dá até dó…

      Quando o cidadao se ve ameacado e atacado por bandidos ele necessariamente e forcado a recorrer ao socorro da Policia. Por que a Nacao que esta sendo alvo de assalto massivo em conjunto por todas as ditas “instituicoes democraticas” nao deve e nao pode recorrer ao socorro de suas Forcas Armadas?

      Recorra, ué!

      E vamos ver os esquerdistas dando risada de você. Parece até coisa de maluco…

  2. Concordo que o importante é o resultado prático alcançado. Mas que seria bom se aparecesse um maluco e fizesse uma maluquice, seria. Ah, como seria!!! Hehe

    Desde que a (ir)responsabilidade ou a (in)imputabilidade) fosse exclusivamente do maluco, por óbvio. Hehe

Deixe uma resposta