A direita e as bolas quadradas

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Ja tive meus entreveros com Roger Scar no passado, todos eles resolvidos por vários motivos, especialmente pelo compartilhamento de várias ideias em comum, pela resolução de julgamentos apressados feitos no passado, além do fato de termos vários adversários em comum (em especial a extrema-esquerda). Alias, tenho acompanhado com cada vez maior atenção seu blog Modo Espartano, que tem dado boas dicas sobre guerra política.

Há um mês soube que Roger estava preparando um guia (ou cartilha) sobre guerra política e já me interessei pelo conteúdo. Nesta sexta-feira, 26/2, o material foi divulgado na forma de um ensaio de 50 páginas que assim Roger apresenta:

Hoje publico meu primeiro “livro”, entre aspas mesmo. Não se trata realmente de um livro. Ele tem apenas cinquenta páginas e é, na realidade, um ensaio sobre política. Abaixo vou resumir um pouco da essência deste ensaio para que você o veja e, se achar bom, compartilhe por aí. A publicação dele é gratuita por ser a primeira coisa que publiquei nesse sentido, então quero medir o efeito disso.

“Bolas Quadradas” pode parecer um nome estranho, mas já no início você entenderá a razão dessa escolha. De fato, a principal intenção desse ensaio é instruir politicamente os liberais e libertários para que eles se tornem mais eficientes em suas abordagens e projetos. Os princípios, táticas e ideias expostos aí, entretanto, servem bem a qualquer ideologia. Não há nada que impeça um conservador ou mesmo um socialista de usá-los.

Ao longo do ensaio abordo questões que são centrais, sem me preocupar muito com o que é tangente. Um dos melhores capítulos, a meu ver, é o que fala sobre as Janelas de Overton. Também recomendo fortemente a leitura do capítulo “Forma e Conteúdo”, onde explica conceitos de publicidade política, semiótica e linguagem.

Como a maioria de meus seguidores sabe, defendo uma fragmentação da “direita”, que no livro está definida como a oposição à esquerda. É claro que liberais e libertários entendem que não somos realmente de direita ou de esquerda, mas o uso desse conceito, nessa forma, serve ao propósito do raciocínio aí inserido. Para outros contextos, considere o Diagrama de Nolan.

Agradeço especialmente ao meu colega Octávio Henrique, tanto pela revisão textual quanto por ter me ensinado que o uso de ponto final antes do “mas” é indesejável.

Leia com carinho.

E é isso que igualmente recomendo. Leia cuidadosamente, pois vale o tempo despendido.

Entre os temas abordados, está a Janela de Overton, solenemente ignorada por muitos direitistas. Mas em particular minhas partes preferidas ficam em relação à constatação de que a noção defendendo que “a direita precisa se unir” é falida. Na verdade, assim como tenho defendido neste blog desde 2014, não precisamos buscar uma “união de direita”, mas a compreensão de alguns objetivos em comum, para, enfim, atuar tendo em mente a pulverização.

Você quer mais detalhes das razões para isso e de como uma divisão consciente da direita funcionaria? Então clique aqui para baixar “Bolas Quadradas”, o ensaio de Roger Scar. Concordo com a abordagem dele.

No dia em que publico um belo texto de Alexandre Borges sobre guerra política, é uma satisfação divulgar esse ótimo trabalho de Roger. Que bom que conteúdo assim esteja sendo produzido por pessoas de direita.

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5 COMMENTS

  1. Luciano, uma pergunta que é mais dirigida ao Roger.
    No caso das Janelas de Overton, especialmente aquelas ridicularizadas. Não seria o caso de colocá-las no debate público, para ao menos deixar “a marca” conhecida do povo, para, passada a fase do ridículo, voltar a ela numa forma mais “ponderada”, facilitando a aceitação? Ou é exatamente isso e eu entendi diferente?

    • Paulo, na realidade se trata mais ou menos disso aí. A questão é que se você tiver a possibilidade de trabalhar uma ideia antes, de modo que ela “pule” a fase de negação, ou então se você puder usá-la de maneira mais discreta, esperando que se torne algo mais digerível, é muito mais fácil não queimar a pauta.

      O que pode acontecer com alguma ideia considerada “ridícula” ou “absurda” pelo público, se ela for simplesmente jogada a esmo, é que o proponente da ideia fique queimado. A menção que faço neste capítulo sobre a pedofilia é um caso em que a esquerda introduz devagar, pois sabe que se chegar escancarando a pauta vai ter pancadaria pra cima dela. Mesmo assim, há vinte anos só ter escrito que isso existe num pedaço de guardanapo já seria motivo pra apanhar, enquanto hoje já se encontra com relativa facilidade defensores desta ideia.

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