Noblat, quer realmente saber onde o PT “se perdeu”?

4
110

noblat

Leio na página de Rodrigo Constantino uma resposta a Ricardo Noblat. Este último questionava: “onde o PT se perdeu?”. Veja o que diz Noblat:

Em que momento de sua história o PT se perdeu? Foi quando Lula, depois de três derrotas consecutivas, achou que para vencer em 2002 deveria “jogar o jogo”? Foi quando a governar com partidos, ele preferiu aliciar o apoio individual de deputados e senadores? Ou foi quando ele, uma vez superada a fogueira do mensalão, convidou o PMDB para ser o principal parceiro do PT no seu segundo governo? Escolha o momento que lhe pareça o mais significativo. Existem outros.

O meu preferido é o primeiro – aquele de “jogar o jogo”. Dirão os pragmáticos inescrupulosos: sem jogar conforme as regras usuais, Lula e o PT jamais teriam chegado ao poder.  Pergunto: valeu a pena ter chegado desprezando os valores e princípios que pareciam distingui-los de outros políticos e partidos?

Apenas pareciam, como ficou demonstrado nos últimos 13 anos. Lula e o PT governaram sem dispor de ideias para o país. Favorecidos por uma conjuntura econômica mundial positiva, improvisaram o quanto deu. Quando não deu mais, viram no aparelhamento do Estado e na corrupção os únicos meios de se sustentar no poder. Deu no que vemos.

[…] Lula não passa, nunca passou de um malandro esperto e carismático que concordou em ser cavalgado por parte da esquerda – e que acabou por cavalgá-la.

[…] A opção por “jogar o jogo”, que empurrou Lula e o PT rampa acima do Palácio do Planalto, empurrará Dilma, Lula e o PT ladeira abaixo em 2018 – ou mesmo antes.

Simplesmente, a maioria esmagadora dos brasileiros quer vê-los pelas costas. A incompetência e a corrupção exauriram o país. Ele não pode continuar mais se arrastando sem direção. Chega! Basta!

Constantino diz:

O PT nunca lutou pelas causas certas. Quem tenta aliviar o partido, os “intelectuais” socialistas que ajudaram em sua criação, os comunistas da Teologia da Libertação, um casamento forçado entre Marx e Cristo com clara predominância do primeiro, está tentando preservar uma ideologia nefasta e culpar o “pragmatismo” por toda a desgraça. Nada mais falso. O PT não ferrou o Brasil quando casou com o PMDB. Sem os fisiológicos do partidão de “centro”, o Brasil seria uma Venezuela! Era isso, afinal, que o PT desejava, conforme o próprio Lula alegava.

Noblat presta um desserviço ao repetir essa ladainha de que o PT “se perdeu”, traiu sua história, sua trajetória. Sua trajetória sempre foi de luta pelas causas erradas, esquerdistas, antidemocráticas, populistas. O PT é o câncer da política nacional. Ele e suas “linhas auxiliares”, como o PSOL. Esse discurso serve apenas para deixar o caminho livre para que a esquerda radical tente outra vez levar o país na direção errada.

Eu discordo especialmente de Noblat, e parcialmente de Constantino.

O PT sempre lutou pelas causas certas. De acordo com seus objetivos, é claro: conquistar o poder totalitário. Todavia, Constantino acerta bem ao dizer: “Sem os fisiológicos do partidão de “centro”, o Brasil seria uma Venezuela! Era isso, afinal, que o PT desejava, conforme o próprio Lula alegava.” Mas vale de novo ressaltar: o país, nas mãos do PT, vai na direção certa… a caminho do totalitarismo.

Mas existe um ponto onde o PT errou. O partido de fato fez uma política econômica e de poder acertadíssima em relação aos seus objetivos totalitários. Neste ponto, não cometeu erros, mas acertou. Tudo funcionava conforme o script, mas aí surgiu uma cunha no meio do caminho: o presidente da Câmara.

Logo após a vitória de Dilma, os planos petistas tinham como pilar a censura de mídia. Cunha barrou este jogo. Ele selaria o pleno sucesso do plano totalitário. Com a mídia censurada, é fácil esconder por vários anos os escândalos de corrupção e a destruição da economia. E mesmo que o povo sofra com o colapso econômico, uma mídia controlada poderia colocar a culpa, por exemplo, “no imperialismo ianque”. Eduardo Galeano já tem os frames prontos para a jogada funcionar.

As explicações dadas por Noblat são infantis e apaziguadoras. São baseadas em fantasias de jardim da infância que insistem em imaginar o PT como um partido de anjinhos que “se perderam” e viraram demônios. Acho que ele já passou da idade de crer nessas tolices, Noblat. Por favor, vamos parar com isso. Sejamos adultos.

Assim, a resposta à Noblat é simples: o PT “se perdeu” ao não conseguir censurar a mídia em tempo. No resto, estava no caminho previsto.

Em tempo: existe uma forma de censura sutil hoje em dia, mas não há nada como uma “Ley de Medios”. Esse era o ouro que iria emoldurar o sucesso do projeto socialista do PT.

Anúncios

4 COMMENTS

  1. Luciano, em economia, e apenas em economia, as lideranças esquerdistas são burras mesmo. Não é “fé cega” (nossa) na “crença” (deles). Eles de fato acreditam no neo-keinesianismo em economias capitalistas; acreditam no capitalismo de Estado. assim como antes acreditavam no planejamento centralizado; acreditam que a economia é apenas uma questão de vontade política.

    Aliás, para o esquerdista, e de todos os tipos, tudo seria questão de vontade política. Para eles, as leis de mercado não seriam naturais (decorrentes da natureza humana), mas um arranjo concebido no interesse da burguesia.

    As propostas econômicas do PT o atestam. Veja este artigo do Nivaldo Cordeiro sobre as sandices dos economistas do PT:

    http://www.midiasemmascara.org/artigos/governo-do-pt/16370-2016-02-29-06-39-22.html

    • Os economistas esquerdistas não participantes da política ou participantes de baixo, talvez até o médio escalão realmente acredita. Os intelectuais orgânicos presentes nas universidades, majoritariamente acreditam. Meus professores na pós-graduação se dividiam entre neo-keynesianos e monetaristas com uma espécie de casinho de amor mal resolvido pelo keynesianismo.

      No entanto, o alto escalão, aqueles que definem políticas públicas, gosta do keynesianismo porque sim, acredita nele… acredita naquilo que o próprio Keynes disse: “a inflação é a melhor maneira de se extrair riqueza das pessoas sem que elas percebam”. Note o alinhamento entre o fim das idéias de Keynes e os objetivos deles. Eles não acreditam que “o governo é a principal alavanca que movimenta a economia”, eles não acreditam que o gasto estatal pode gerar desenvolvimento, eles simplesmente SABEM que Keynes deu a eles justificativas pseudo-intelectuais com apelo forte o suficiente para que eles consigam ludibriar a população enquanto enriquecem a eles próprios e a seus parceiros, às custas da miséria alheia… tudo com a devida justificativa “intelectual”.

  2. Gerar submissão a um Estado gigantesco foi uma estratégia muito bem pensada.
    Além disso, inventar um inimigo estrangeiro também funcionou. Com um candidato frouxo e em conluio com as mesmas políticas (Aécio) não havia como evitar a catástrofe.
    Para onde vai a situação? Como existem vários níveis de relações econômicas no país, o povo sobreviverá mas com um espírito de vingança que poderá ser ou não capitalizado por alguém. Agora, a pergunta: quem?

Deixe uma resposta