Globo usa editorial desonesto para desestimular pressão sobre ministro de Dilma e Wagner

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Nos últimos meses, o principal trabalho da Rede Globo tem sido mentir a favor do PT. Sabe como é: milhões e milhões de verbas estatais de publicidade são instrumento de chantagem bolivariana. De fato publicam notícias sobre o sítio de Lula e algumas outras barbáries petistas, mas só porque escondê-las daria muito na cara. Em relação a Eduardo Cunha, citam seus crimes de forma ampliada, mas escondem as investigações feitas sobre Renan. Valeria até a pena providenciar um estudo estatístico com os frames negativos lançados sobre Cunha e sobre Renan para evidenciar a picaretagem.

Notícias publicadas por toda mídia mostram que Cardozo efetivamente tentou pressionar a PF. Foi ameaçado de prisão se continuasse. Pressionado pelo PT para ser competente em sua intervenção, “abendou”. Não falávamos de “risco da tentativa de intervenção”, mas de intervencionismo frustrado. O que aumentou a pressão sobre ele.

Em um editorial intitulado “São nítidos os limites do ministro da justiça”, o Globo apela ao cinismo:

Ex- deputado federal pelo PT de São Paulo, Cardozo explicava ser impossível o ministro da Justiça intervir em operações. Cabe a ele zelar por direitos constitucionais, e não favorecer ou prejudicar alguém por meio da PF, algo digno de velhas ditaduras latino- americanas.

Engodo. O governo petista não é muito diferente das atuais ditaduras latino-americanas – como as da Bolivia e da Venezuela -, logo este discurso de redução de danos não cola.

Até que, no início da semana passada, um grupo de deputados do PT — entre eles, Wadih Damous (RJ), ex- presidente da OAB- RJ, ativo militante do lulopetismo — foi ao gabinete de Cardozo preocupado com rumores de que o juiz Sérgio Moro estaria prestes a decretar a quebra de sigilo de Lula. Pressionaram novamente para o ministro controlar a PF, reivindicação repetida algumas vezes pelo próprio Lula. No fim de semana, Cardozo acertou a saída com Dilma, e esta, para mantê- lo por perto, transferiu-o para a Advocacia- Geral da União ( AGU), onde continuará com o status de ministro.

Resumo da ópera: todos já sabiam que o discurso dizendo “antes não investigava, agora investiga” é mais falso que propaganda dublada. Na verdade, hoje se investiga como antes e se tenta intervir mais do que em qualquer outro período. Foi a partir do rebate da PF – noticiado na semana passada – que a casa de Cardozo começou a cair. Diante da imprensa, Cardozo agia meramente como advogado do PT, mesmo que recebesse como ministro. Agora, finalmente vai fazer o que sabe: advogar para o PT.

Herda o Ministério da Justiça, o qual o lulopetismo quer aparelhar, o baiano Wellington Cesar Lima e Silva, procurador- geral de Justiça da Bahia no governo de Jaques Wagner, chefe da Casa Civil de Dilma. Terá um trabalho árduo para, com a ajuda de Wagner, conter o avanço lulopetista a fim de tentar barrar investigações sobre Lula e, certamente, a própria Lava- Jato.

Isto é o mesmo que dizer que o assaltante do banco terá um árduo trabalho para evitar que o dinheiro seja roubado. Pura palhaçada. O único trabalho árduo que existe é da oposição (e do povo em geral) pressionando-o para que ele não consiga barrar investigações sobre Lula e a Lava Jato. Inventar “boas intenções” para Wagner, Lula e sua tropa é um abuso.

Se for leniente, será centro de novo escândalo, também com repercussões internacionais. Porque não seria notícia trivial que o PT conseguiu induzir o novo ministro da Justiça de Dilma a manietar a PF, num caso acompanhado de perto pela grande imprensa estrangeira.

O Globo diz: “Se for leniente, será centro de novo escândalo, também com repercussões internacionais.” Errado: se o povo for displicente na pressão, a PF será barrada em seus trabalhos.

Mas Wellington, por óbvio, não poderá agir sem o aval da presidente, porque, nessa história, estará em questão a própria autoridade dela sobre seu governo. A última palavra terá de ser de Dilma, sobre se ela aceita correr o risco de ser considerada um fantoche de Lula para abafar investigações da PF.

Se não pressionarmos Wellington e a PF, é isso que irá acontecer. Acreditar que Dilma está “escolhendo opções” neste momento é viver de ilusão. Ou pressionamos antecipadamente ou assistiremos intervenção nas investigações.

É sintomático que ontem mesmo a Associação dos Delegados da Polícia Federal tenha divulgado nota preocupada com o risco de intervenções espúrias na PF e pedindo “apoio do povo brasileiro” à instituição. Pode ser um exagero, porque a atuação da PF não é um caso isolado. Vem dentro de um movimento histórico de consolidação de instituições republicanas, como a Justiça e o Ministério Público. Daí as cabeças lulopetistas precisarem refletir com equilíbrio se compensa arriscarem- se numa manobra que pode causar ainda mais dissabores.

Nós é que precisamos refletir se vamos pressioná-los antecipadamente ou se assistiremos de novo uma intervenção tirânica no sistema jurídico por “fé no novo ministro”. Mas essa seria uma fé cega, injustificada e imperdoável. Pedir o apoio do povo brasileiro não é um exagero, mas a única medida aceitável neste momento. Que o Globo se preocupe com a mera solicitação de apoio da PF é mais um sinal de má-fé, presente na maioria da palavras do editorial.

Aliás, até mesmo Kennedy Alencar confessa que o novo ministro da justiça entrou mesmo para enquadrar a PF:

Apesar das negativas iniciais do governo, a presidente Dilma Rousseff quer que o novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, enquadre a Polícia Federal e troque, no médio prazo, o diretor-geral, Leandro Daiello.

As pressões do PT e do ex-presidente Lula pesaram a favor da queda de José Eduardo Cardozo. Contribuíram para a presidente admitir a troca, a que resistia havia tempo. Mas houve um fator adicional: a prisão do marqueteiro João Santana gerou na presidente a percepção de que o mandato dela está em risco. Em resumo, a prisão de Santana minou Cardozo.

Dilma vem alterando o discurso em relação à Lava Jato. Primeiro, disse que Lula estaria sendo vítima de injustiça. Na mensagem ao encontro do PT ao qual faltou, ela afirmou que haveria uma tentativa de criminalizar o partido.

É uma mudança clara em relação ao bordão de que o PT aperfeiçoou as condições do país para investigar corrupção.

Dilma aceitou trocar Cardozo de função porque está preocupada em perder o mandato. E ela passou a compartilhar da tese petista de que faltaria mais pulso no comando da Polícia Federal.

Nesse contexto, a troca do diretor-geral da Polícia Federal é, sim, uma das tarefas do ministro. No entanto, não dá para trocar Leandro Daiello na largada, porque houve uma reação negativa dos delegados federais à queda de Cardozo.
Mas é uma orientação que foi dada ao novo ministro e que seria implementada no médio prazo. No curto prazo, haverá cobranças sobre eventuais abusos da Polícia Federal em investigações.

Integrantes do Ministério Público elogiaram a escolha de Wellington César, tido como preparado tecnicamente e hábil politicamente. No entanto, ele não tem peso político. Atuará à sombra do ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, de quem foi auxiliar no governo da Bahia. A troca é um fortalecimento de Wagner, mas há limites para atuação eficiente de um ministro da Justiça que seja visto como teleguiado.

Apesar de policiais e procuradores terem uma boa parceria na força-tarefa da Operação Lava Jato, há um histórico de disputa entre a PF e o Ministério Público a respeito dos poderes de investigação de cada órgão. Portanto, o novo ministro não terá vida fácil. A PF se acostumou ao estilo Cardozo, de maior liberdade. Será difícil enquadrá-la.

Como tudo que Kennedy escreve, sempre há um componente de dissimulação. O que importa para nós é apenas uma coisa: a confissão de que a intenção de Dilma é “enquadrar” a PF. Enquanto o Globo sugere que “devemos um voto de confiança” ao novo ministro, fica claro que, sem pressão, eles vão fazer a festa.

Em tempo: a pressão sobre a PF já começou, como lemos no Radar Online:

Assim como fizera com Aloizio Mercadante, Dilma tirou Cardozo da linha de tiro, colocando-o em uma pasta de menor visibilidade.

O problema é que, se recrudescer a pressão pelo seu afastamento, Dilma talvez precise capitular ainda mais ao PT para manter o pescoço.

Isso pode implicar em uma intervenção mais explícita na PF e em tentações populistas na economia.

Aliados do diretor-geral da PF, Leandro Daiello, dizem que ele permanece no cargo, mas já começam a pipocar nomes nos bastidores para substituir o comandante do órgão.

Um deles é Mauricio Barbosa, delegado da própria PF que é secretário de Segurança Pública na Bahia — portanto, ligado ao ministro Jaques Wagner e ao novo titular da Justiça, Wellington Cesar, indicado pelo chefe da Casa Civil.

Depois disso tudo fica claro que se algum formador de opinião de direita – seja ele quem for, e a que espectro político pertencer, podendo ser liberal, libertário ou conservador – resolver dar o “voto de confiança”, estará assumindo um risco gravíssimo.

Enquanto isso, como diz o leitor Cauê, devemos rir da cara e constranger qualquer pessoa dizendo que “”Nunca se investigou tanto” ou que “o PT deixa investigar”.

O leitor Cauê segue com bastante racionalidade: “Wellington Cesar tem que entrar com a nossa artilharia de pressões, constrangimentos e xingamentos postos a tona.”

É mais uma escolha que temos que tomar. Ou nós pressionamos essa gente, ou eles pressionam a PF…

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5 COMMENTS

  1. Luciano , Belo Post Parabéns , Deputado de Oposição tem que ir a tribuna com argumento e clareza, dando nome de jornalista ou colega mentiroso , apontando o dedo na cara se preciso, mais a oposição frouxa começa assim : “o nobre colega/jornalista , o qual admiro muito pela sua competência serenidade …blablabla vamos debater com serenidade …debruçar sobre a pauta etc….” e as baboseiras de sempre , certa feita um Senador do pt destruiu o FHC/psdb falou mau e mentiu sobre compra de votos releição, privatização , que a extinção cpmf acabou com a saudê no Brasil …etc, logo em seguida sobe um senador do psdb , pensei comigo agora ele arrebenta este petista, mas ele resolveu falar coisas mais importantes , discursou sobre a vida do Nelson Mandela , isso que é oposição .
    Abraço

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