Começa a cair a ficha para a direita: Odebrecht, o PT e o controle bolivariano de campanhas

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Ver a análise que muitos direitistas fizeram do golpe do STF aplicando o controle bolivariano de campanhas, em 17/9/2015, sempre foi como assistir uma grande tragicomédia. Algumas pessoas chegaram a dizer que “o problema é que isso vai gerar mais caixa dois”. É como dizer que o problema do estupro é o cabelo desarrumado da vítima, ou que o problema do homicídio é a camisa manchada de sangue. Cognitivamente em colapso, muitos nem sequer perceberam que a Odebrecht, empresa inimiga do Brasil, é mais perigosa do que parece.

Observe uma declaração contida na nota da Odebrecht:

Apesar de todas as dificuldades e da consciência de não termos responsabilidade dominante sobre os fatos apurados na Operação Lava Jato – que revela na verdade a existência de um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país – seguimos acreditando no Brasil.

Me parece um comando textual muito claro, orientado a um jogo político, alinhado com uma estratégia de poder totalitário – muito clara, por sinal – mas que, curiosamente, passou batida nos comentários deste 24/3. Estranho, não?

Podemos hoje dizer que a Odebrecht é uma empresa inimiga do Brasil. Mas quando começou essa relação entre grupos venenosos e os governos? A história de empreiteiras vivendo de dinheiro sujo data de uma ditadura militar. E seguiu em aliança com vários governos da redemocratização. Banhou-se em dinheiro molhado de sangue de várias outras ditaduras aliadas ao PT (basta estudar vários contratos com as tiranias associadas ao partido). E agora tem um projeto: ajudar o PT a criar sua ditadura bolivariana, onde mais dinheiro sangrento pode jorrar para as contas da empresa.

Leia a análise do ILISP, onde vemos com satisfação a direita saindo da espiral do silêncio quanto ao controle bolivariano de campanhas, que tanto interessa ao PT e à Odebrecht:

Com o “vazamento” da lista da Odebrecht contendo o nome de inúmeros políticos brasileiros que receberam verba da empresa para suas campanhas, muitas questões vêm à tona. Por um lado vemos a oposição real ao governo e ao establishment comemorando a quantidade de políticos de todos os partidos listados e do outro lado os governistas comemoram de maneira frenética o fato de nomes como Aécio Neves e companhia estarem na lista. Analiso de uma maneira mais pragmática e ampla. Vejo três tipos de políticos listados ali.

Primeiro, o político que recebeu verba para campanha ilegalmente e isso deve ser investigado, independente do partido. Depois, uma leva de políticos que se defendem dizendo que as doações listadas foram todas declaradas e, portanto, estão dentro da legalidade. Como sou favorável ao financiamento privado de campanha, não coloco objeções e isento esses de culpa caso não façam parte também do primeiro grupo. E temos o pior tipo, o mal caráter e hipócrita, aquele que recebeu legalmente e é a favor do financiamento público de campanha como Maria do Rosário, a rainha da hipocrisia.

Esse tipo de acontecimento deve trazer à tona novamente a discussão sobre o tipo de financiamento das campanhas políticas no Brasil e vejo mesmo entre militantes de direita e alguns liberais uma divisão ideológica neste sentido. No meu caso, sou totalmente contra o financiamento público e explicito aqui o motivo.

O principal argumento utilizado a favor do financiamento exclusivamente estatal é o combate à corrupção – e acredito que essa medida vai fazer justamente o contrário, vai incentivar a corrupção.Imagine que você é um político corrupto que precisa de dinheiro para sua campanha e para viver em seu sítio em Atibaia ou gastar 20 mil reais em um restaurante em Paris. Hoje a Lava Jato está basicamente rastreando todos os recursos ilícitos desviados para as campanhas dos políticos porque este dinheiro tem que ficar ou ser utilizado dentro do país que é aonde a Polícia Federal tem agilidade e legalidade para atuar. Sendo esses recursos provenientes de empreiteiras ou de estatais, o caminho que dinheiro percorre é longo e a estrutura para burlar a lei é complexa, exigindo muitas pessoas e empresas, o que permite que a Polícia Federal puxe o fio da meada e consiga delações, por exemplo. Por outro lado, o dinheiro do exterior é usado para construir patrimônio.

O governo – com apoio maciço do Congresso –  aumentou no ano passado o fundo partidário para quase 1 bilhão de reais. Isso irá acabar com a corrupção? Claro que não. Os partidos no governo ainda terão como meter a mão na cumbuca do estado para financiar suas campanhas. Os empreiteiros deste cartel maligno que se formou no Brasil desde a redemocratização vão continuar pagando para ganhar contratos de maneira mais segura e simples, pagando fora do Brasil. Aonde a Polícia Federal não tem acesso sem ajuda estrangeira.

O empresário, como parte ativa da economia e gerador de empregos, tem que ter o direito e o poder de influenciar a política abertamente assim como qualquer cidadão comum. Mas para eliminar o conflito de interesses, os doadores devem ser proibidos de participar de contratos públicos e empresas com contratos ativos devem ser impedidas de doar. Enquanto isso não acontecer, eles vão continuar se sentando em volta de uma mesa para lotear obras públicas e “ajeitar o edital”, com a diferença que agora os 3% pro partido serão enviados via Suíça, Ilhas Cayman etc.

Com financiamento público o partido no poder sempre terá mais dinheiro para suas campanhas, diminuindo a chance de alternância ou evolução de pensamento. Lembrem-se que existe algo mais sedutor do que dinheiro: o poder.

Quanto ao nome de Lula e Dilma não constarem da lista… Os donos da festa não precisam de nome na lista, não é verdade?

Este texto já demonstra uma evolução de consciência, mas precisamos avançar mais.

O financiamento público de campanhas é um problema, mas ainda pior é o financiamento privado individual, desde que possam doar membros de sindicatos, recebedores de Lei Rouanet, participantes de ONG’s e diversos outros perfis de indivíduos que recebam dinheiro público – ou, melhor dizendo, financiamento público clandestino. Há uma diferença entre financiamento público (oficial) e financiamento público clandestino, que é o maior problema, derivado de outros seríssimos problemas, como a alta taxa de publicidade institucional, a existência da BLOSTA – que recebe cerca de 10 milhões por ano -, o excesso de anúncios estatais para as empresas de mídia, os “pontos de cultura” do MinC e daí por diante. Todos estes fatores em conjunto tornam uma das maiores aberrações de nossa história a proibição do financiamento empresarial de campanhas.

O argumento do ILISP está certíssimo: “com financiamento público o partido no poder sempre terá mais dinheiro para suas campanhas”. Mas é importante dizer que há um problema maior que o financiamento público oficial. É o financiamento público clandestino. Em um mundo sadio, podemos até discutir a questão do financiamento empresarial, mas jamais antes de eliminar o financiamento público clandestino (o que é mais grave de tudo) e o financiamento público oficial.

A simples existência do controle bolivariano de campanhas – que proíbe financiamentos empresariais, mas mantém financiamentos públicos oficiais e clandestinos, e aí é que está o pulo do gato para a tirania – serve para comprovar que o discurso dizendo que “o problema nasce no financiamento de campanhas por empresas” é desonestíssimo. Ao lançar este discurso, a Odebrecht se mostra uma empresa cujo objetivo é financiar a construção de uma ditadura, que vai abastecê-los de dinheiro sujo de sangue assim como aconteceu na época da ditadura militar.

O PT é um partido inimigo do Brasil, mas a Odebrecht também é. A queda da tirania petista deve também ser seguida por sanções à Odebrecht.

Fonte: A lista da Odebrecht e a armadilha chamada financiamento público de campanha – ILISP

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6 COMMENTS

  1. Luciano, as grandes empreiteiras se firmaram durante os governos militares devido ao positivismo e à noção de pátria forte que os militares tinham. Mas nenhum dos generais desviou dinheiro para si mesmo.
    Porque você disse que as empreiteiras viviam de “dinheiro sujo” desde a ditadura militar? Você tem algum exemplo disso?

      • Meu caro LucianoHenrique, sou de 1952 e tive o privilégio de viver o período quando nossos honrados militares governaram. Não chame este período de paz, segurança e de plena democracia de DITATURA. Se houve DITADURA foi para bandidos e terroristas, os mesmos que hoje estão nos impondo a ditadura bolivariana do proletariado. Os atuais governantes eram os terroristas daquela época, criminosos que assaltavam bancos, cargas, explodiam aeroportos, você já viu bandido cantando musicas de elogio ao policial?

      • Graciano,

        Deixe de conversa.

        Quando a ditadura militar impos a CENSURA, o fez sobre TODOS os brasileiros. Eles traíram o povo com a censura, com a ditadura, com o fim das eleições diretas.

        Não há perdão para isso.

        Abs,

        LH

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