O que Lobão e Márcia Tiburi tem em comum?

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Fiz o post Lobão escreve carta aberta para Caetano, Gil e Chico, e o deixei aberto para interpretações, pois compreendi que ali havia uma ótima jogada política. Momento de explicá-la.

Para começo de conversa, eu não considero Lobão um bom jogador político. Ele gera um bom conteúdo, é verdade, além de ser um ótimo músico. Mas, assim como Luis Felipe Pondé, ele não é bom de jogo. Todavia, entendo que nesse caso ele surpreendeu e saiu do marasmo.

Quem sabe executar este tipo de jogada maravilhosamente, pelo lado da extrema-esquerda, é Márcia Tiburi, autora do livro “Como falar com um fascista?”. Um exemplo está aqui:

Observe como a pose de “amiga da paz”, junto a uma série de ataques fortíssimos, é um verdadeiro espetáculo em termos de guerra política. O final do vídeo é simplesmente épico.

É preciso entender quais os frames que se busca obter com essa jogada. Alguns deles:

  • Eu sou a pessoa da paz
  • Meu oponente é a pessoa do ódio
  • Eu estou aqui querendo a paz, a lucidez e a ideia mais serena
  • Sou do lado do “mais amor, por favor”
  • Será que meu oponente vai topar essa conversa civilizada?
  • Regra indizível, para ficar na manga: [se for dito, implicitamente, que o oponente não vai topar, aí é goleada]

Eu não considero que Lobão teve a mesma contundência de Márcia Tiburi, mas entendo que é um avanço neste sentido.

Saber rotular um oponente enquanto se diz “mais amor, por favor” é uma habilidade a ser desenvolvida.

Obviamente, não recomendo este tipo de jogo para todos, apenas para as pessoas públicas, e especialmente as do meio cultural e artístico em geral. Mas o que importa, nesse caso, são os frames.

Se ao final da comunicação as pessoas – especialmente neutras – tiverem percebido o comunicador como “do lado da paz, da lucidez, da serenidade” e seus respectivos oponentes como “do lado do ódio, da insensatez e da fúria” o jogo terá obtido sucesso.

Como já disse, Lobão precisa comer muito feijão com arroz para ser uma Márcia Tiburi. É preciso criar uma estrutura mental ágil focada em jogos e pensando sempre por frames. Não é algo que se consiga do dia para a noite. Mas elogio Lobão por ter demonstrado uma evolução neste sentido.

A pergunta é: quando teremos jogadores no nosso meio como Márcia Tiburi?

Em tempo: Já ouvi argumentos dizendo “de que adianta escrever uma carta assim se o seu alvo não vai dar a mínima?”. Mas cartas abertas não são feitas para os interlocutores. São feitas para o público. Caso contrário, não seriam cartas abertas.

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27 COMMENTS

  1. A moça não fez mais do que repetir clichês do lixo “freudomarxês” com que Adorno e congêneres assentaram as bases do politicamente correto no mundo ocidental; O final do vídeo é épico na medida em que descortina a pulsão que está por trás do seu discurso. Poderia, com grande economia de ideias e palavras, ter começado por onde terminou, e parado aí, Seria apoteótico.

      • Eu entendo, Luciano. Mas é óbvio que a moça não passa de um caso dos mais banais da Lei de Godwin. Sugiro, como resposta ao seu discursozinho mambembe, o conteúdo do post “Cansado de ver a esquerda usar o rótulo ‘fascisrta’ indevidamente? Que tal se divertir um pouco?”, publicado por você em 2014. Concluída a leitura do post, se alguém quiser rotular outrem de “fascista”, talvez seja o caso de rotular a moça, ela
        própria, de Mácia, a “Fascistinha”.

        Digamos, para abusar da metáfora que ela usou, que não estamos nem um pouco preocupados com o “beijo em alguém do mesmo sexo”, que parece ser o leitmotiv da fala dela, mas, sim, com o assalto aos cofres públicos e a devastação das instituições democráticas protagonizadas pelos bandidos que ela defende, sinuosamente, com o seu discurso “freudmarxês”.

  2. Eu esperava ouvir ideias mais inteligentes, mas confesso a minha grande decepção. Uma penca de platitudes e opiniões preconceituosas parece assaltar Márcia e ao invés de uma filósofa parece que me encontro face a uma fofoqueira: ” O fascista é aquele com quem a gente não consegue conversar (!!!), não gosta de ampliar os horizontes, tem ódio do Jean Willys, não gosta de alguém feliz, corajoso. Paranoico, fascista é louco por sexo,odeia tudo aquilo que não se encaixa dentro da brutalidade dos seus padrões, não gosta de arte . Fascista é inabordável” e blá, blá blá. Pegar carona em Freud, Lacan , Roland Barthes, Hanna Arendt e torcer seus conceitos em favor de seus preconceitos ideológicos pode até épater les bourgeois, mas é desonesto e não convence os mais lúcidos. Não é nada científico atribuir apenas a um segmento político todas as taras e desvios que são comuns à toda a humanidade. Márcia, ao agir assim, comporta-se mais como uma militante esquerdista do que uma pesquisadora séria.

  3. Acuse-os pelo o que vc faz e xingue-os pelo o que vc é, seguem a máxima de Lenin, infelizmente a maioria dos alunos, espectadores ali presentes, não acordaram ainda para esse fato.

  4. Eu sempre achei que a direita tem que ir mais pelo lado “conversa dos amigos” que aquela coisa Olavesca eu debato com mil esquerdistas e provo que eles não sabem nem limpar a bunda. Isso é muito hardcore, não funciona, só pros mais ligados nisso. A direita tem que procurar mais a conversa, explicar quase como um jornalista da rede Globo falando do aumento do preço do pãozinho e falar porque a política tal é ERRADA, que tira dinheiro do bolso do trabalador e produz desemprego. O que vier de ataques a imoralidade, improbidade fará um suporte, é uma cavalaria que entra pra aniquilar o oponente, e aí sim precisa ser agressivo. De qualquer maneira, a Marcia Tiburi já esgotou a cota de honestidade intelectual dela e só esquerdas ou desatentos prestam atenção nela, porque ela se tornou tão insuportável quanto esse fascista hipotético que ela descreve.

  5. Ha algum tempo passei a perceber a existencia desse ser menosprezavel,chamado Marcia Tiburi mas nao conseguia abrir para ler seus textos ou ouvir seus comentarios. Agora, com este post,fui la ouvir o que ela tinha a dizer e fiquei muito decepcionado pelo vazio e total desconexão com a realidade. Ela inverte totalmente os personagens dentro de seus conceitos,chamando uns pelo que seriam outros. Lamentavel é que existam pessoas que dão credito a tantas imbecilidades

  6. Que fofinha!!! Pede aos “fascistas” que se abram a novos horizontes, mas ela própria se fecha nos seus preconceitos ideológicos; pede aos “fascistas” que relativizem suas posições, mas ela própria não relativiza as suas; pede aos “fascistas” que aceitem as minorias, mas não cobra destas que ouçam e respeitem os argumentos que lhe são contrários. Enfim, diálogo para ela é aceitar suas imposições ideológicas passivamente.

    Moral da história: a fascista é ela!!!

  7. O que o pessoal não está entendo é que o discurso dessa comunista não é para convencer seu oponente mas o público que assiste ao debate. Se ela convencer uma pessoa que as ideias delas são razoáveis ou pelo menos, menos nocivas do que seu oponente; ela já sai no lucro. Recomendo assistir o filme “Obrigado por Fumar”.

  8. Telefonema hipotético de um liberal para Márcia Tiburi

    Alô, é a Márcia Tiburi na linha? Tá bom, Márcia. Eu sou liberal-conservador, mas a desculpo por rotular-me a priori de fascista, o que não sou. E estou aberto ao diálogo, a mudar de posições políticas se convencido for do seu erro, mas numa condição: se você também estiver disposta ao diálogo e a rever posições, se persuadida for a fazê-lo.

    Alô, alô!

    É. Acho que a ligação caiu.

  9. Luciano, você se equivoca inteiramente quando legitima esse frame “sou da paz” da esquerda. Esta só o utiliza quando está enfraquecida, justamente para conter o ímpeto dos adversários. Deixar-se pautar pelo discurso de “paz” quando se está por cima é fazer o jogo dos esquerdistas. Devemos, isto sim, é assumir um discurso de ódio mesmo. O momento é este. É de partir pra cima com fúria. O povo está de acordo com o ódio aos esquerdistas, e é isso que importa.

    • Otimista,

      De jeito algum. Quando o PT lançou o Humaniza Redes, isto era uma ação política e um FRAME. Não estavam enfraquecidos na época. Saber AGREDIR enquanto se declara “mais favor, por favor” é um arte poplítica.

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