PT faz a mesma política que as demais ditaduras bolivarianas

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Como sempre dissemos por aqui, o PT representa o típico socialismo bolivariano, autoritário, fascista, psicopático, dissimulado e totalitário. Tal como na Venezuela. A diferença é que Dilma e o PT ainda não censuraram a mídia, caso contrário estaríamos vivendo horrores ainda maiores, os quais estão no plano da escória.

O historiador argentino Carlos Malamud, do Real Instituto Elcano de Madri, mostra todas essas semelhanças em uma entrevista à Folha:

Folha – Como vê a agressividade do embate político no Brasil?

Carlos Malamud – Esse radicalismo é parecido com os da Bolívia, da Venezuela e da Argentina. Seguidores do PT, de Evo Morales, do chavismo e do kirchnerismo defendiam a ideia de chegar ao poder para se instalar de vez, sob pretexto de serem os únicos representantes legítimos da soberania popular.

O radicalismo é resposta a esse comportamento. Para [Hugo] Chávez e Cristina Kirchner, o fato de a oposição querer ganhar eleições era por si só um esforço golpista. E a ideia de golpe alardeada por Dilma e Lula ecoa o discurso bolivariano –do qual o Brasil se mantinha à distância. Hoje, o governo petista aderiu a essa retórica populista.

Não é pertinente debater se há um golpe em curso no Brasil?

Uma coisa é a conveniência de Dilma ficar no poder. Outra é argumentar que a marcha constitucional é fruto de manobra golpista. A Constituição é clara: alguns crimes cometidos pelo Presidente da República devem ser julgados pelo STF. No caso do crime de responsabilidade, o julgamento cabe ao Senado.

Pensar que isso é golpismo equivale a desqualificar o remoção do então presidente paraguaio, Fernando Lugo [em 2012]. No fundo, o grande tema é a legitimidade democrática, e os membros do Parlamento também foram eleitos pelo povo.

Críticos dizem que a Justiça brasileira não investiga com o mesmo empenho a oposição.

É preciso pressionar todos os suspeitos de terem cometido crimes e punir os responsáveis por corrupção em empresas públicas. Mas o grau de cumplicidade do governo é maior. Se o Parlamento tivesse cumprido sua função de fiscalização, o que não fez, não haveria sido necessária tamanha atuação da Justiça.

O que opina sobre o argumento pelo qual o cerco ao PT seria fruto de revanche da classe média e da direita?

É pura propaganda. Pretender que tudo são manobras da direita contra a esquerda não condiz com a história recente. A Fiesp apoia o impeachment, mas até pouco tempo era aliada incondicional de Lula. De repente a questão é um embate entre direita e esquerda? Isso não tem sentido.

Qual seria o impacto regional da destituição de Dilma?

A saída do PT seria brutal para a Alba [Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América] e os governos populistas da região. A Alba já havia sentido o baque com o fim do governo Kirchner e a crise venezuelana. O motivo pelo qual a cláusula democrática do Mercosul não foi aplicada contra a Venezuela foi o apoio do Brasil a Maduro. Sem esse apoio, o cenário ficaria catastrófico para ele.

O Mercosul poderia aplicar a cláusula democrática contra o Brasil em caso de impeachment de Dilma?

O Paraguai não se esquece do que aconteceu em 2012, quando foi suspenso do Mercosul em grande medida pela posição de Dilma. Era esperado que quisesse que aconteça algo parecido com o Brasil.

Já a posição argentina leva em conta o fato de que o Brasil é seu principal sócio comercial e que qualquer turbulência brasileira pode afetá-la. Mas a Argentina nunca falou em “golpe” no Brasil.

A Venezuela está num impasse desde a vitória da oposição na eleição parlamentar.

As coisas parecem não mudar na superfície, mas a crise não para de se aprofundar. As pesquisas mostram que a perda de confiança no governo é absoluta. Maduro não permite troca de guarda nem dentro do chavismo. A solução dos problemas é cada vez mais complicada e há risco real de desfecho sangrento.

A América Latina está vivendo a reversão do ciclo dos governos de esquerda?

A democracia na região vive uma crise de maturidade. Estamos mudando, mas o futuro ainda pode ser complicado. Não está escrito que tudo será apagado e haverá um novo começo. Mas nos últimos 15 anos houve pouca alternância, e isso gerou muito desgaste. A alternância deve ser valorizada.

Agora é muito simples: os deputados que resolverem votar contra o impeachment – ou, pior ainda, faltarem de forma dissimulada em nome de verbas e carguinhos – estão deliberadamente nos condenando a viver sob uma ditadura. A história cobrará o preço dessas pessoas, consigam eles manter Dilma no cargo ou não.

Fonte: Folha

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