Por que devemos contestar a expectativa de negação da política de Constantino?

17
171

Nós últimos tempos, devemos reconhecer em Rodrigo Constantino um lutador pela democracia. Muito mais do que fazia no passado (e ele sempre lutou pela democracia), andou usando terminologias politicamente adultas recentemente. Assertivo, fez potentes ataques ao petismo. Exatamente por isso é desanimador vê-lo escrever o texto abaixo, intitulado “Quero voltar a ser eu mesmo”:

“Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.” – Nietzsche

Algumas pessoas que me conhecem há tempos estranham meu comportamento recente nas redes sociais. Não me reconhecem no tom mais agressivo, em algumas postagens com termos mais chulos ou mesmo xingamentos. Entendo a crítica, e vou além: concordo com ela!

Quem me conhece melhor sabe que sou uma pessoa educada e bastante tolerante com as divergências. Na época da VEJA, cheguei a escrever um texto explicando que o PT me faz ser uma pessoa pior. É exatamente isso. Precisamos controlar as emoções para não descermos no baixo nível deles.

Mas não é tarefa fácil. Exige um controle e tanto, uma postura contida e elegante com quem, definitivamente, não a merece. O grau de cinismo dos petistas é de embrulhar o estômago de qualquer um. Como ver esses golpistas comprando votos e destruindo o país, enquanto bancam os democratas, e manter a calma?

Não tenho sangue de barata. Mas não ganhamos muito ao chafurdarmos na lama petista para atacá-los. É o que querem: levar todos ao mesmo patamar baixo. Como escrevi recentemente na Gazeta do Povo, precisamos subir o nível dos debates. Isso só será possível com a saída do PT do poder.

Como ler o artigo publicado por Rui Falcão hoje na Folha e não ser dominado pelos instintos mais primitivos, como diria Roberto Jefferson? O sujeito fala em golpe dos que não tiveram votos para defender um eventual governo Lula, que sequer foi eleito. É muita cara de pau, muita inversão.

O que dizer do enorme texto assinado pela própria presidente Dilma no mesmo jornal? Ela posa de super-democrata, ela, que foi comunista e defensora do regime cubano, e continua extremamente autoritária e corroendo nossas instituições democráticas no presente. Como ler tais palavras e não se revoltar, não ficar indignado?

Talvez o problema da “oposição” tenha sido manter elegância demais diante de bandoleiros, de psicopatas e golpistas. Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, sempre foi um gentleman com os petistas. De que adiantou tanta gentileza?

Ninguém precisa desejar que um tucano que foi presidente passe a xingar para entender que um pouco mais de estamina e combatividade seriam fundamentais. FHC não precisa ser um Olavo de Carvalho, mas também não pode confundir educação com covardia. Nem mesmo uns adjetivos mais pesados fariam mal no caso.O PT rebaixou tudo no Brasil. As instituições foram enfraquecidas, os valores subvertidos, os debates foram substituídos por rótulos e slogans vazios. As redes sociais colaboram para a subida de tom, alimentadas pela revolta legítima em meio a essa crise sem fim. A turma do CAPS LOCK quer ver o circo pegar fogo, tem sangue nos olhos, e o risco é ser pautado por esses sentimentos mais destrutivos.

Em algum momento será preciso voltar a debater de forma civilizada, pensando o futuro do Brasil. Teremos de resgatar os bons debates calcados em sólidos argumentos, sem xingamentos e sem a baba de ódio escorrendo pelo canto da boca. Não somos assim; estamos assim! E a culpa disso é também do PT.

Qualquer discussão civilizada parte da premissa de honestidade intelectual e respeito pelo adversário. São coisas inviáveis com petistas no meio. São mentirosos demais, cínicos demais, e já se mostraram dispostos a tudo, a “fazer o diabo” para ficar no poder, mesmo que afundando nosso país no processo. São canalhas da pior espécie, e com tipos assim não há diálogo.Mas as pessoas decentes estão cansadas disso. Tenho certeza de que não sou apenas eu a cometer excessos que trazem algum arrependimento ou vergonha depois. Na ausência de uma oposição mais organizada e combativa, muitos se viram na necessária função de “bucha de canhão”, comprando as brigas com os delinquentes petistas. É briga de rua, sem regras, com dedo nos olhos e chute no saco. Não dá para reagir com flores.

Também não dá para manter para sempre esse clima. Por isso não vejo a hora de colocar um ponto final nesse capítulo sombrio de nossa democracia. O PT fez muito mal ao Brasil, muito mesmo, em todos os sentidos. E ninguém aguenta mais viver assim. Teremos uma definição em breve: ou vamos derrotar finalmente essa quadrilha de péssimo nível, ou seremos como a Venezuela, e as pessoas decentes vão entrar em depressão, enojadas com o destino da nação.

Estou confiante de que vamos vencer essa corja, de que nem a compra escancarada de votos irá salvar esse desgoverno corrupto, incompetente e antidemocrático. E poderemos celebrar, então, não “apenas” o fim desse ciclo terrível e o começo do resgate econômico, como, principalmente, a elevação moral dos debates em prol de nosso futuro.

O PT estará lá, como um câncer que sempre foi, na oposição, criando obstáculos para impedir qualquer avanço, tocando o terror, fazendo ameaças e tentando “incendiar” o país. Mas, longe do poder, sua capacidade de estrago será reduzida, e poderemos desprezá-los como seres insignificantes, ainda que barulhentos, passando a debater de verdade com foco nos argumentos e respeito aos adversários intelectuais, dentro de um limite aceitável (o que exclui petistas).

Confesso ao leitor: estou um pouco cansado de mim mesmo nesses últimos meses de combate intensivo. Mas não se entra num “vale-tudo” com um troglodita disposto a bancar o bonzinho, como se fosse a virgem vestal num bordel. É hora de concentrar as últimas energias para derrotar o PT e, depois de respirar aliviado, recarregar as baterias para construir um país melhor. Ficarei feliz de voltar a ser eu mesmo.

Quero ressaltar que não me sinto confortável em criticar alguém que, como Constantino, tem lutado tão bravamente pela liberdade. Infelizmente, o texto parece-se com o de uma criança que vivenciou a fase adulta e anseia mais do que tudo por voltar à fase infantil.

Quando alguém utiliza rotulagens agressivas na guerra política, está apenas aceitando a política como ela é em uma visão adulta. Pois, como Horowitz bem lembrou, “na guerra política, o agressor geralmente prevalece”. Isto não é baixo nível, mas a única postura aceitável. A Alemanha é elogiada até hoje por ter metido 7×1 no Brasil. Foi muito mais agressiva no jogo.

Constantino reclama do “grau de cinismo dos petistas”, que, “é de embrulhar o estômago de qualquer um”. Mas eles só conseguiram chegar a expor tal grau de cinismo porque historicamente fomos frouxos no momento de rotulá-los. A história nos mostrou recusando a agressividade verbal na política.

Ele afirma que “precisamos subir o nível dos debates”. Pois foi assim que Ciro Gomes o atacou violentamente em um debate na TV. Na era dos adultos em política, não temos mais “debates”, mas combates de frames. Aquele que rotular o adversário mais fortemente irá vencer. Decerto que enquanto vamos prioritariamente para a guerra de frames, temos que dizer que queremos “mais amor por favor”. Isto é parte do jogo. E mais: não é que “descemos ao nível dos petistas”. Na verdade, temos que subir ao nível deles em termos de guerra política. Aquilo que Constantino chama de “muita agressividade” é na verdade “agressividade insuficiente” em termos de guerra política. Basta lembrar que hoje em plenário Silvio Costa disse que Temer merece “nojo”. Ou seja, de novo os petistas usaram os rótulos mais agressivos. Isso não pode continuar.

Constantino fala que isso é “ser dominado pelos instintos mais primitivos”. De jeito algum. Chamar Stalin e Hitler de genocidas não é “apelar a instintos primitivos”. É falar a verdade. Constantino recentemente apenas tem falado a verdade em uma visão politicamente adulta.

É esquisito que Constantino reconheça: “um pouco mais de estamina e combatividade seriam fundamentais”. Nisso ele está certo. Mas, deprimentemente, em seguida ele afirma: “os debates foram substituídos por rótulos e slogans vazios”. Ok, isso significa que se o PT for vencido na batalha do impeachment, Constantino não irá priorizar a rotulagens e os slogans? Isso quer dizer que ele vai optar ficar no time dos que escolhem a derrota política.

Certo momento, ele diz que “em algum momento será preciso voltar a debater de forma civilizada”. Ao contrário. Se olharmos a política como adultos, saberemos que precisamos redobrar e até triplicar a agressividade na rotulagem do oponente. Claro que tudo com posicionamentos estratégicos e frames bem colocados.

Ao afirmar que “qualquer discussão civilizada parte da premissa de honestidade intelectual e respeito pelo adversário”. Nada disso. A guerra política depende de perdermos boa parte do que respeito que temos pelo adversário. Respeitamos demais aquilo que não pode ser respeitado. Foi pelo excesso de respeito que ofertamos ao PT que os estimulamos ao barbarismo. Ora, hoje em dia temos gente de direita que se recusa até a rotular o PT de extrema-esquerda. Isso é excesso de respeito, e não falta dele.

Segundo Constantino, “as pessoas decentes estão cansadas disso”. Mas nem começamos a debater feito adultos ainda. Estamos em um momento onde o petista chama ele de golpista em maior quantidade do que ele enfia este rótulo na fuça deles de volta. Como alguém pode “cansar de agressividade” na política se ainda estamos mansos demais?

Ele afirma que “não dá para manter para sempre esse clima”. Mas que clima? Nós não sabemos nem sequer criar um clima de indignação adequado em relação às piores afrontas. O clima de indignação precisa aumentar, caso contrário estimularemos o barbarismo de novo. Totalitários como os petistas precisam da passividade adversária para voltarem e criarem seus reinados de horror.

Esta afirmação é reveladora: “não vejo a hora de colocar um ponto final nesse capítulo sombrio de nossa democracia”. Ué, mas se ele propõe que baixemos o tom, então isso vai atrair de novo os totalitários.

Mais: “Teremos uma definição em breve: ou vamos derrotar finalmente essa quadrilha de péssimo nível, ou seremos como a Venezuela, e as pessoas decentes vão entrar em depressão, enojadas com o destino da nação.” Mas, Constatino, como podemos evitar nos tornarmos uma Venezuela se você já está propondo que baixemos o tom no combate a essa gente?

É exatamente isto que está escrito aqui: “[…] poderemos celebrar, então, não ‘apenas’ o fim desse ciclo terrível e o começo do resgate econômico, como, principalmente, a elevação moral dos debates em prol de nosso futuro.”

É o contrário que irá acontecer se seguirmos a dica de Constantino. Se entrarmos para debater com a extrema-esquerda como se estivéssemos em Oxford, eles vão retomar o poder de novo – e virão com ainda mais violência – com uma facilidade impressionante.

Não dá para constatar algo além disso: quando Constantino diz “quero voltar a ser eu mesmo”, ele pede um retorno à infância política. Devemos elogiar aquilo que Constantino tem feito nos últimos meses. Mas repudiarmos esse possível retorno à infância política.

Se há um mérito no período em que os petistas dominaram a política foi este: nos ensinar que entrarmos em uma fase onde as pessoas republicanas – especialmente de direita – devem reconhecer a política como ela é, em uma visão adulta. Se Constantino quiser voltar à era da infância política, será uma escolha dele. Mas deveremos já ter aprendido a reconhecer quem está vendo a política de forma adulta e os que se recusam a ela.

Como Constantino ultimamente tem feito um belíssimo trabalho, só posso torcer para que ele se arrependa dos absurdos que escreveu nesse texto. Em tempo: um lutador político jamais diz que “está apelando aos sentimentos primitivos”. Ele deve afirmar que “suas posições resultam de reflexão e moderação”. Mas, enfim, tudo isso cai naquilo que é a essência da política: a escolha.

Quanto mais pessoas de direita escolherem ver a política como adultos, melhor.

Anúncios

17 COMMENTS

    • Constantino é PÉSSIMO, MUITO FRACO!

      Lembram da carta em inglês (terrível, por sinal) que ele mandou para o Ted Cruz? Pois bem, foi devidamente ridicularizado nas redes sociais. O cara é aquele típico soldado valente mas burro, que numa guerra pode botar tudo a perder. Sem contar
      que os textos dele são simplórios e cheios de chavões.

      • Constantino em 2010 já vinha criticando sabiamente as políticas fiscais e econômicas dos governos Lula e Dilma e descreveu em detalhes o que aconteceria em um então futuro próximo. Não errou uma vírgula. Até entendo que haja críticas ao que ele fala, mas dizer que ele é “péssimo e muito fraco” é um absurdo.

  1. Melhor post de todos! É exatamente isso! Não dá para ser tolerante com os intolerantes e baixar a guarda. Chegamos ao dia de hoje por causa da guerra travada nas redes sociais e não por debates cordiais. Bolsonaro cresceu como cresceu por ser mais assertivo que outros políticos, por botar o dedo na ferida e não se render ao politicamente correto, que serve apenas para cercear a direita. Que o Constantino faça esse discurso para agradar meia dúzia, mas que mantenha a “pegada” no dia a dia, conforme temos visto nos últimos tempos.

  2. Muito bom o texto. Acho mesmo que depois de hoje, depois do impeachment, o mundo não será um paraíso e nem melhor do que o de hoje. Os facínoras de esquerda se reorganizarão para partirem com mais força e ódio para tentar retomar o território que nós conquistamos. E pensando nisso, não será possível voltarmos a ser o que fomos pelos próximos 10 anos, no mínimo. O Brasil precisa desse Rodrigo Constantino politicamente adulto, guerreiro, ousado, agressivo. Não é possível batalhas com flores…

  3. Agora não dá mais para desistir. É pra frente e avante.

    petista é igual terrorista, não tem conversa, não tem acordo: a policia quando vai combater o terrorista, fala para se entregar ou vai morrer…. o terrorista ja tem a morte a seu favor.

    Com petista/esquerdistas em geral é a mesma coisa. Eles atropelam qualquer lei, qualquer regra e codigo. Entao quando a oposião fala que vai usar as leis contra eles, eles riem e defecam na face de quem falou e de toda a sociedade.

  4. Eu sou exatamente igual a todos os que aqui fazem comentarios. Sou um homem comum,do povo,gosto de politica bem feita e acima de tudo,decente. Não sou politico profissional,jamais tive qualquer função ligada à politica, mas neste momento, vejo o artigo de Constantino como um desabafo de um homem cansado de lutar contra coisas tão absurdas que o PT faz e quer continuar a fazer. Sinto-me igual a ele, tambem estou cansado de ver essa nojeira toda tomando conta de nossas vidas e estou aguardando o fim dessa guerra suja para poder descansar meus olhos e ouvidos. Mas nem por isso deixo de ter nojo do PT e dos petistas ,nem por isto deixarei de ser radicalmente contra o PT e demonstrar a todos eles o quanto eu os odeio e o quanto estou disposto a continuar na luta ate que sejam eliminados da vida do nosso Pais. E digo isso a quantos quiserem ouvir minha opinião. Entendo e concordo plenamente com o que disse Rodrigo Constantino e nada a comparar com os comentario de Felipe Moura Brasil.Ambos são excelentes guerreiros,conscientes da situação real do Brasil e seus comentarios,de ambos, tem nos ajudado muito a compreender o momento que vivemos.

  5. Que idiota útil. Só fortalece quem lhe oprime. Tem que comer muito feijão com arroz pra enfrentar um Ciro da vida em qualquer embate.

  6. Creio que tive um entendimento completamente diferente do seu em relação a esse texto de Constantino. Trata-se, a meu ver, de um dos mais impressionantes libelos que já li, dirigidos ao partido-seita. Ele não nega a necessidade da guerra política, apenas deixa claro que, mesmo travando-a, não somos nem seremos iguais àqueles a quem nos opomos, pois não nos
    comprazemos nela nem a exercemos como se fosse uma epifania. Eles o fazem e é por isso que são os monstros que são.

    • Temos que ser iguais ou SUPERIORES àqueles a quem opomos em termos de ASSERTIVIDADE, USO DE MÉTODOS E TÉCNICAS.

      Caso contrário, eles tomam o poder de novo quando escolherem e do jeito que escolherem.

      Ou seja, se eu estiver em guerra contra teu exército, e eu descobrir que vocês tem armas potentes e BOM TREINAMENTO e BOA MIRA, vou tentar superar teu exército em “potencial de armamento”, “capacidade de mirar” e “treinamento bélico”.

      E se você for “um monstro”, eu não me tornarei um monstro por isso. Eu estarei pronto, finalmente, para interromper as ações de um monstro.

      Acreditar que se equiparar em TÉCNICAS E MÉTODOS (MAS NÃO EM MORAL) ao inimigo é “se tornar um monstro” é uma técnica de autosabotagem que a direita aprendeu a desenvolver para negar a guerra política.

      É isso que quis dizer.

      Sim, temos que ROTULAR FORTE NO MESMO TOM QUE ELES, mas usando rótulos verdadeiros. Ou é isso ou seremos sempre patrocinadores de monstros.

      Abs,

      LH

  7. Dá para ser adulto, sem ser grosseiro. Dá para ser assertivo, sem se rebaixar ao nível de esgoto. Dá para rotular – e muito bem – o oponente, sem faltar com a verdade e sem quebrar as regras.

    Mas quem disse que é fácil?

    Acho que uma dica que tenho aprendido, e se especializar em um rótulo por vez. Um exemplo pessoal: estudei muito as questões de impeachment nos últimos dias e soube derrubar cada falácia que tem aparecido na minha TL. tenho deixado muita gente sem resposta e até convencido alguns bolivarianos da legalidade do processo. Mas ainda não me sinto pronto a debater, por exemplo, controle estatal dos meios de comunicações. Sei que é terrível e sei porque é terrível. Mas daí para um embate adulto e efetivo ainda há um longo caminho. Sigo lendo,estudando e testando alguns argumentos. Assim que o discurso estiver pronto, sairei atirando. Mas até lá é treino, treino e treino.

    Obviamente, não dá para passar a vida toda treinando. Mas é importante se preparar bem antes de querer ir para o embate contra essa gente. Até porque muitos são amigos, colegas, gente que nos é querida. Então temos de ser cirúrgicos nos argumentos e só o treino e a sensibilidade para guiarem as palavras nesses momentos.

  8. Ficou um pouco estranho mesmo. Nem tudo no mundo dos negócios é prazeroso ou nobre. Os ossos do ofício estão aí para todas as profissões. Ele como um empreendedor deveria entender isso. Na política não é diferente.

  9. Eu entendo perfeitamente o sentimento do Constantino. Guerra política é pra ser usada na seara política, quando se aplica as técnicas fora dela, você atrai rejeição pra si mesmo, e pelo menos em parte, é disso que ele está falando. O grande problema é você aprender a “ligar” e “desligar” o botão “Political War” no seu cérebro depois que começa a aprender a falar politicamente, e o problema se intensifica quando você tenta desenvolver agilidade mental para o processo, e você começa a ter que se policiar pra não usar frames negativos contra familiares próximos. Por fim, guerra política é guerra, e como tal, exige o domínio de diversas habilidades e disciplinas, e enquanto se tem maestria de todas, é extremamente difícil ser combativo sem parecer agressivo, demonstrar fibra, firmeza e indignação, sem parecer alguém que quer se impôr aos outros. E tanto o processo de aprendizado quanto os resultados dele cansam muito, tanto intelectual quanto emocionalmente.

    No entanto, não consigo discordar de uma palavra que você disse neste artigo. No livreto “Como debater com esquerdistas”, Ben Shapiro começa com a frase “ande em direção ao fogo”. De fato, ser adulto é saber que há lutas que precisam ser travadas, e que quem foge delas é um covarde e não merece respeito. Lutas geram ferimentos, isso é o que é de se esperar delas, e não é diferente em combates ideológicos. Mas, nesse quesito, a diferença entre um adulto e uma criança é justamente reconhecer que, parafraseando uns 300 deputados, pelos nossos filhos, pelas nossas famílias, pela nossa sociedade, devemos nos levantar e lutar, ou seremos dominados por tiranos, teremos nossa liberdade destruída, e seremos feitos novamente escravos, jogando no lixo as conquistas que custaram suor e sangue de muitos de nossos ancestrais e antecessores.

    Então, não há o que se discutir. O artigo dele serve como desabafo, mas, felizmente, ainda assim ele conseguiu lançar alguns frames contra os petistas e a esquerda em geral, o que sugere que nem tudo está perdido pra ele. Mas, independente de como se sinta, enquanto houver pessoas querendo destruir a liberdade dos indivíduos do nosso país, pessoas querendo subverter a lei para controlar a vida alheia, pessoas, nós temos a obrigação moral de sermos adultos e combatê-los. Qualquer postura contrária a isso é uma postura de inimigo da liberdade e da democracia, e é esse o tratamento que merece.

Deixe uma resposta