A mesquinharia do PSDB ao se recusar a participar do governo Temer

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No dia 3 de maio, o partido mais pusilânime da política nacional (o PSDB) pretende fechar questão, em reunião da Executiva Nacional, contra a participação do partido nos quadros de um possível governo Temer. Eles até dariam apoio ao governo, mas não aceitariam cargos. A argumentação é a seguinte: um possível fracasso do novo governo os atrapalharia nas eleições de 2018. Reinaldo Azevedo comenta:

A prevalecer essa decisão, que contaria com a simpatia dos governadores Beto Richa (PR), Geraldo Alckmin (SP) e Pedro Taques (MT), só me resta observar: está tudo errado. E por um conjunto de motivos combinados.

Em primeiro lugar, observo: quem ajuda a derrubar tem de ajudar a governar, a menos que o PSDB de 2016 queira repetir o PT de 1992. Lula foi um dos líderes da deposição de Fernando Collor, mas decidiu que o seu partido não integraria o novo governo. Também os petistas estavam de olho nas eleições presidenciais, a exemplo dos tucanos agora.

Parecia que tudo caminhava para que a Presidência caísse no colo de Lula em 1994. Quando alguém falou que FHC, ministro da Fazenda, poderia se candidatar, os petistas caíram na gargalhada, e os petralhas das redações perguntavam se ele faria campanha em francês. Foi eleito e reeleito no primeiro turno, em 1994 e 1998, respectivamente. O excesso de esperteza engoliu o PT.

E o que significa “fechar questão”? Se Temer convidar um tucano para o governo, ainda que não em nome do partido, o PSDB faria o que o PT fez com Luíza Erundina, que foi expulsa da legenda por ter aceitado o cargo de ministra da Administração de Itamar? Se, sei lá, Temer oferecer o Ministério da Saúde para José Serra, por exemplo, os tucanos dirão algo como: “Se aceitar, está fora” — embora o partido continuasse a apoiar o governo no Congresso?

Faz sentido? Não faz.

Em segundo lugar, pergunto: então o PSDB não poderia se arriscar apoiando um governo Temer, mas o Brasil, nessa hipótese, com a ajuda dos tucanos, pode “correr o risco”? Os peessedebistas não querem arcar com o peso da aposta, mas convidam o brasileiro a fazê-lo? Não parece muito honesto intelectualmente. Não se trata de “ajudar o Temer”, mas de ajudar o país.

Uma decisão como essa parece estar mais inclinada a não criar fatos novos na fila dos pré-candidatos tucanos à Presidência do que a dar uma resposta a uma das maiores crises da história do país.Em terceiro lugar, noto que o PSDB deveria fazer uma única exigência a Temer: o envio de uma emenda parlamentarista, com posterior referendo, já para 2018, não para 2022 — até lá, daria tempo de um presidente, qualquer que seja, bombardear a ideia. E os tucanos têm obrigação moral de apresentar essa proposta porque o PSDB é o único partido programaticamente parlamentarista.

A crise que aí está representa também uma chance imensa de mudar a qualidade do debate. Mas, para tanto, convém pensar primeiro no país. Mesmo! E esse é um bom jeito de pensar nos interesses do partido. De resto, acreditem em mim: no dia em que não houver mais fila no PSDB para disputar a Presidência, todos ficarão mais leves e poderão emprestar aos brasileiros os seus melhores talentos.

Eu acho que o PSDB realmente está com um projeto de auto-sabotagem. Só isso explica o investimento em tanta mesquinharia difícil de ser escondida em uma era de comunicações fluidas como aquelas das redes sociais. Todos já estão percebendo o partido frouxo e oportunista. A extrema-direita até já os rotula de “oposição de fachada”. Mesmo que isso não seja verdade, conseguem coerência no frame por causa da pusilanimidade.

Já conseguiram a proeza de se tornar o quarto partido em número de deputados (atrás do PT, PMDB e PP). Nas últimas pesquisas ficaram bem atrás até de Marina Silva. O que eles querem mais? Fazer Aécio Neves e Geraldo Alckmin ficarem abaixo de 10% nas pesquisas? Se esse é o objetivo, vamos ajudá-los no abalo de suas reputações até que decidam ficar do lado do Brasil e apoiar quem quer que substitua a tirania de Dilma Rousseff.

Fonte: PSDB não quer participar do governo Temer: erro ou oportunismo? | Reinaldo Azevedo | VEJA.com

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8 COMMENTS

  1. O problema aí é um pouco mais complicado! É que o PSDB é o autor da ação que tramita no TSE e que pede a cassação de Dilma e Temer. Sabe-se que existe um caminhão de provas irrefutáveis de uso de recursos roubados do Erário na campanha, e, sendo assim, o TSE VAI CASSAR A CHAPA DILMA/TEMER, no máximo até abril de 2017!! Logo, o PSDB, além de entrar num governo CUJA CASSAÇÃO REQUEREU JUNTO AO TSE, sabe que esse eventual governo Temer NÃO TERÁ VIDA LONGA, no máximo 1 ano, se tanto!!! O PSDB está, a rigor, numa sinuca de bico!!!

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