Lembrando outra surra: 7×1 na guerra de rótulos do impeachment

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Em uma excelente análise de todos os votos na sessão do impeachment do último domingo, 17/4, Marlos Apyus nos mostra dados que deveriam ser percebidos como estarrecedores, mas servem como um alerta:

O que deveria preocupar de verdade? Os 11 parlamentares que, a essa altura do campeonato, defenderam que a presidente seria uma gestora honesta. Ou ainda as 64 oportunidades em que o microfone seria usado para gritar que o Brasil sofria ali um golpe de Estado, enquanto os desmentidos da oposição não passariam de nove, deixando ecoar, sem obstáculos, a versão que interessa aos criminosos no alvo do impeachment.

E isso tudo com 367 votos pelo impeachment, dos quais boa parte vinha de uma oposição real. E mesmo assim, tomaram de 7×1 só na rotulagem de “golpe”. É isto que precisamos corrigir.

Segue o alerta final:

A oposição segue achando que discurso no jogo político não passa de um detalhe. O PT estava ciente da derrota quando seis dezenas de apoiadores foram ao microfone pagar o mico de chamar de golpe o mesmo processo que pediram contra todos os ex-presidentes que antecederam os petistas. O opositor, mesmo ciente da vitória, e mesmo porque estava em número muito maior, deveria ter usado o microfone ainda mais vezes para desmentir um governo desacreditado. Apoio público não faltava.

Tirar o PT da presidência é uma luta tão complexa quanto mantê-lo fora. O petista sabe disso. A oposição ignora. E a guerra está apenas começando.

Eu entendo que isto dá uma pista do que devemos ter para o futuro.

Assim como pressionamos deputados para votarem a favor do impeachment, teremos que pressioná-los – assim como devemos fazer com os formadores de opinião – a parar de apanhar na guerra de rótulos.

Como diria Jó, na Bíblia: “a vida do homem sobre a terra é uma guerra”. (Eu sou ateu, mas não posso negar alguns bons ensinamentos deste livro)

Para um político, a vida dele sobre a terra deveria ser a guerra política. Para estimulá-los a vencer a guerra de rótulos, podemos utilizar uma lição muito boa da infância. É esta: “Se apanhar na escola, apanha em casa também”.

Podemos adaptá-la para um método na política: “Se apanhar na guerra de rótulos para a extrema-esquerda, você vai ter a imagem desgastada pela gente também até aprender a falar como adulto na política”.

Creio que isso é estímulo suficiente para começarmos a falar em mudança.

Fonte: Durante a votação, por 64 oportunidades governistas chamaram de golpe o impeachment de Dilma – ÁpyusCom

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5 COMMENTS

  1. Luciano!
    Existem milhares de pessoas que são de direita, se entendem assim sem que jamais tenham lido algo a respeito, querem o livre comercio, instituições fortes, porém menos Estado, mais liberdade, livre inciativa e livre da corrupção governamental.
    Apesar de tudo isso ser uma verdade nas proximas eleições votarão em qquer um sem considerar o objetivo real do candidato até pq isso ele nunca revelará.
    Por essa razão pessoas como vc, e tantos outros, preocupados e bem informados deveria orientar, indicar canditatos serios, enfim, bons cantidados, seria uma ajuda enorme.

  2. Uma das mais mais claras e convincentes explicações que vi sobre as pedaladas de Dilma, foi a do senador Caiado. Vale a pena conferir e divulgar. Caiado conhece a linguagem do adversário e sabe usar isso.

  3. Você é tão ateu quanto eu que não sou. Parece que fazer questão de dizer que é ateu é questão de se colocar ao lado daqueles que se julgam superiores. Hoje parece com aqueles que fazem questão de dizer eu sou gay.

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