As consequências econômicas da crueldade de Dilma

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Como vimos ontem, Dilma Rousseff tentou lançar as culpas pela devastação econômica na oposição. Truque bem típico de gente como Nicolas Maduro (que lança mão do mesmo estratagema na Venezuela). Mas o economista Alexandre Schwartsman não caiu na conversa e transformou as burlas dilmescas em pó:

O governo Dilma é o pior da República, talvez o pior da história. Não é fácil receber um país crescendo decentemente, contas públicas razoavelmente em ordem (com tarefas a cumprir, registre-se), histórico de inflação ao redor da meta, contas externas controladas e, em meros quatro anos, demolir esse legado, construído ao longo de mais de uma década por vários governos.

Não é por outro motivo que sua administração, assim como seus cúmplices, tem imensa dificuldade para assumir a responsabilidade pelo desastre. Originalmente a desculpa era a crise externa, convenientemente deixando de lado que o crescimento mundial de 2011 a 2014 foi igual ao registrado nos quatro anos anteriores, enquanto a relação entre os preços das coisas que exportamos e as que importamos (os termos de troca) foi a melhor da história recente, algo como 24% superior à sua média de 38 anos.

A desculpa agora é a oposição, que não teria compactuado com “as propostas de ajuste das contas públicas”, eufemismo para aumento de impostos, em particular a CPMF. Nas palavras da presidente, os opositores “são responsáveis pela economia brasileira estar passando por uma grande crise”.

Nada é dito, claro, sobre o aumento dos gastos observado sob seu governo, muito menos sobre seu papel no extermínio (em 2005, ainda no governo Lula) da proposta de ajuste fiscal de longo prazo, formulada pela equipe de Antonio Palocci e fulminada por ela como se fosse uma “proposta rudimentar” sob o argumento de que “gasto corrente é vida”.

Pelo que me lembro, também não foi a oposição quem baixou, na marra, as tarifas de energia, medida elogiada à época por ninguém menos que Delfim Netto, o mesmo que hoje reconhece o erro da política, apenas se esquecendo de dizer que estava entre os que a aplaudiram.

Desconheço também qualquer papel da oposição na decisão de aumentar o volume de crédito do BNDES em R$ 212 bilhões (a preços de hoje) entre 2010 e 2014, valor integralmente financiado por créditos do Tesouro Nacional, que se endividou no mesmo montante para beneficiar um punhado de setores e empresas selecionadas por critérios muito pouco transparentes.

Da mesma forma, a oposição não parece ter sido ouvida quando o governo decidiu segurar artificialmente os preços dos combustíveis, levando não apenas a Petrobras a uma situação delicada do ponto de vista de seu endividamento (limitando assim sua capacidade de investimento) como também, de quebra, desarticulando o setor sucroalcooleiro.

A lista poderia se estender ainda mais, tendo como fator comum a ausência de deliberação da oposição em decisões que, ao final das contas, caíam todas na esfera governamental. Não deve restar dúvida de que há um único responsável pelo desastre econômico em que o país se encontra: o governo federal, sob comando da presidente Dilma Rousseff.

E que não se exima o PT, que apoiou entusiasticamente a política econômica (assim como os keynesianos de quermesse que hoje fingem não ter nada a ver com assunto), mas se opõe ferozmente às tentativas de corrigir a Previdência ou atacar vinculações orçamentárias.

A oposição não é grande coisa, mas há apenas um culpado pela crise: o atual governo, presidente à frente e PT no apoio. O resto é apenas covardia e (mais) mentira para a campanha de 2018.

Aliás, a oposição tem uma única culpa e uma culpa única apenas neste processo: foi frouxa demais e demorou para desmascarar essa psicopata que ocupa (por mais uma semana) a cadeira presidencial.

Fonte: Folha

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3 COMMENTS

  1. obrigado por colocar o texto.
    eu não tinha conseguido ler.
    há algum tempo leio de tudo, Luciano, da esquerda à direita.
    na juventude fui esquerdista, já a partir dos 30 me considerava central, e ainda me considero.
    mas guardava certo respeito por partidos da esquerda, como o PT.
    gostei do governo Lula, penso que ele segurou as pontas com um bom ministério, superavit fiscal, redução das dívidas…
    mas faltou o investimento em infraestrutura, reformas pertinentes.
    Dilma veio e massacrou tudo. tive a sorte de não ter coragem de votar nessa senhora.
    ela fodeu o país. para se manter no poder.
    hoje eu posso dizer com tranquilidade que PT nunca mais.
    não apoio, não ajudo, faço campanha contrária.

  2. Ué, até pouco tempo atrás a culpa era dos outros países.

    Agora, a culpa é da oposição.

    Nunca a culpa é de quem está sentada naquela cadeira. Engraçado.

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