Aliado de Dilma, Waldir Maranhão é flagrado negociando com doleiro

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Eduardo Cunha foi aliado do PT por doze anos. O casamento acabou, mas não o de Waldir Maranhão (que também já fora aliado de Cunha) com o PT. Maranhão foi visto negociando votos contra o impeachment no bunker de Lula. É só ler a matéria Vice-presidente da Câmara muda voto após ser filmado entrando no hotel em que Lula está hospedado, do Extra. Há fotos e vídeos. Caso encerrado.

Maranhão está em um dos inquéritos abertos da Operação Lava Jato, o que investiga o crime de formação de quadrilha.

Lula não foi o único investigado pela justiça visitado por Maranhão (sempre envolvido em situações constrangedoras), como também visitou o doleiro Alberto Yousseff em São Paulo. Tudo registrado pelo sistema de identificação de visitantes do prédio. Parece que Maranhão não dá sorte com câmeras e registros eletrônicos. Sempre acaba sendo pego.

Um pouco mais da ficha de Waldir Maranhão, por Josias de Souza:

Waldir Maranhão responde a um par de inquéritos no STF —ambos por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro. Num esquema, revelado pela Lava Jato, o substituto de Cunha foi citado pelo doleiro-delator Alberto Yousseff, preso em Curitiba, como um dos parlamentares do PP “cuja posição era de menor relevância dentro do partido e que recebiam entre R$ 30 mil e R$ 150 mil por mês” de mesada proveniente do petrolão.

Noutro esquema, desbaratado pela Operação Miqueias, uma parceria da Polícia Federal com o Ministério Público do Distrito Federal, o substituto interino de Cunha foi pilhado relacionando-se com outro doleiro: Fayed Traboulsi, preso em 2013 sob a suspeita de fraudar fundos de pensão de Estados e municípios em mais de R$ 300 milhões por meio da venda de títulos podres. A voz do deputado soou em interceptações telefônicas feitas com autorização judicial. Nelas, Maranhão conversa com o doleiro sobre os negócios tachados pela PF de ilegais.

Com visto no site da Veja, três áudios apareceram mostrando diálogos do deputado com o doleiro, todos capturados em 2012.

Mais:

Quem ouve fica com a sensação de que Waldir Maranhão, agora no comando da Câmara, agia como um funcionário subalterno de Fayed Traboulsi. Ele marca encontros do doleiro com prefeitos. Opera como farejador de oportunidades para a quadrilha de Fayed aproveitar. O deputado era remunerado pela quadrilha.

Num dos diálogos, de 8 de novembro de 2012, Waldir Maranhão promove a aproximação de Fayed Traboulsi com o então prefeito eleito de Campo Grande (MS), Alcides Bernal (PP). O doleiro mirava o fechamento de negócios com a prefeitura.

Ouça:

Doleiro – Fala, meu querido!

Deputado – Meu irmão!

Doleiro – Tudo bem, irmão?

Deputado – Veja só: o Bernal está em Brasília e deixei o Luís Carlos aí com a missão de levá-lo ao seu encontrou, viu?

Doleiro – Pois é, estou aguardando eles, inclusive. O Luís Carlos disse que tá com ele aí, né?

Deputado – Como eu vim para o Tocantins, eu tratei só por telefone, mas tá caminhando, viu?

Doleiro – Tá. Então eu fico no aguardo. Eles vêm agora à tarde, né

Deputado – É interessante a sua conversa.

Foram passadas duas semanas do encontro entre o prefeito de Campo Grande e o doleiro quando o deputado voltou a intermediar um encontro entre os dois. É nessa mesma conversa que Waldir avisa ao doleiro que o negócio estava “ok” na cidade de Marabá (PA).

Doleiro – Fala, chefe.

Deputado – Meu irmão, tudo bem?

Doleiro – Tudo.

(…)

Deputado – Deixa eu lhe dizer: amanhã quem vai estar aqui é o Bernal, lá de Campo Grande. Já teve com ele, né?

Doleiro – Já, sim. Eu já estive conversando da outra vez com ele. Mas eu tô indo pra São Paulo às oito horas da manhã e volto às duas da tarde.

Deputado – Eu acho assim: se você tiver um tempinho, à noite, eu acho que vale a pena convidá-lo para ter uma conversa social, tá? Uma sugestão, uma sugestão, tá?

Doleiro – Claro, claro (…) Amanhã eu vou te ligar assim que eu chegar aqui em Brasília eu te ligo para você ou fazer contato com ele ou me dar o telefone dele pra mim falar com ele, tá?

Deputado – Eu vou te passar logo o telefone dele porque um convite seu é diferente, viu?

Doleiro – Pois eu estou sem poder anotar aqui.

Deputado – De manhã eu te passo, então. Outra coisa: Marabá ok, fechado.

Doleiro – Beleza. O meu pessoal tá lá já.

Deputado – Tá fechado lá. Agora, só as providências

Como lembra Josias, “noutro grampo, gravado em 26 de novembro de 2012, o agora presidente da Câmara soa como se fizesse as vezes de secretário do doleiro.” Fayed cobra encontro que Maranhão se comprometera a providenciar.

Doleiro – Fala meu deputado, tudo bem?

Deputado – Oi meu irmão! Tudo bem?

Doleiro – Confirmou para amanhã a nossa reunião?

Deputado – Nós estamos trabalhando…

Doleiro – Porque você tinha me falado que seria amanhã.

Deputado – Eu tô aí amanhã. Ele me disse que ‘taria’ amanhã aí, viu? Eu vou checar. Ele me disse que estaria aí amanhã.

Doleiro – Dá uma checada que eu já tô aqui de prontidão para conversar com ele.

Deputado – Tranquilo, viu? Eu amanheço aí. Mas eu confirmo com ele.

Doleiro – Se eu tiver que voltar lá eu volto. Não tem problema, não, também.

Deputado – Tranquilo, eu tô antenado.

Até aqui o diálogo falava da venda de títulos podres para o faturamento do bando. Em outro diálogo, de 6 de dezembro de 2012, o doleiro Fayed entra em contato com Maranhão afim de convencer um prefeito aliado a liberar um polpudo pagamento. A questão era relacionada à merenda escolar.

Doleiro – Você tava com o prefeito Maurinho?

Deputado – É. Deixa eu te dizer: ele vai estar comigo. Eu estive com ele ontem. E ele vai estar hoje à noite aí. Eu vim a São Paulo.

Doleiro – Eu precisava me encontrar com você e com ele.

Deputado – Ok, eu organizo.

Doleiro – Mas você organiza para hoje à noite sem falta?

Deputado – Eu ligo. Ok. Eu saio daqui a umas três horas. Ao chegar eu te ligo pra gente articular. Viu?

Doleiro – Eu estou com uma pessoa que tem um negócio pra receber lá e parece que o negócio é grande e a gente consegue fazer um negócio bom aí.

Deputado – Ok.

Doleiro – É uma merenda que o cara fornece lá. Uma merenda escolar. Você tá sabendo?

Deputado – Eu tô sabendo. Aí, chegando a gente articula.

Doleiro – O cara tá na minha mão. A gente consegue resolver isso.

Deputado – Tranquilo, viu?

Decididamente, a presidência da Câmara está emporcalhada com sua presença. Para piorar, ele não tem sequer potencial de liderar coisíssima alguma. Saímos da situação de um gangster que ao menos organizava os trabalhos para a de outro gangster que não tem sequer estatura de líder. Waldir Maranhão é uma vergonha. Para que ninguém jamais esqueça o quanto ele é vergonhoso, basta lembrar o discurso “confiante” que ele fez usando as fraudes petistas de sempre para justificar seu voto traindo o povo e ficando contra o impeachment (e ainda mentindo dizendo ter votos que não tinha):

É, realmente Waldir Maranhão não dá sorte com o que é gravado em vídeos…

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