Dilma se isola em seus últimos dias

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Nós últimos dias de Dilma, ela resolveu se encastelar e mandar as relações sociais para as cucuias, como diz a Veja:

A poucos dias da votação no Senado que deve determinar seu afastamento provavelmente sem volta, Dilma está mais isolada do que nunca. No Palácio da Alvorada, recolhida aos aposentos privativos no 2º andar, evita até mesmo lidar com os servidores, que trata como espiões ou espectadores incômodos do seu calvário. Na hora das refeições, a comida sai da cozinha e é enviada às dependências presidenciais por um elevador. Os servidores só ficam sabendo como anda o humor da chefe quando ela liga para a cozinha reclamando de algo (o fracasso em servir ovos cozidos no “ponto Dilma” – gema mole e clara dura – já derrubou ao menos um taifeiro).

Todos os presidentes da República padecem de solidão, mas é certo que Dilma é uma presidente mais sozinha do que foram seus antecessores. No Alvorada, mora só com a mãe. Dilma Jane, de 92 anos, é assistida diariamente por três enfermeiras, locomove-se em cadeira de rodas e, por causa dos lapsos de memória, já não é capaz de fazer companhia à filha. Recentemente, Dilma chamou um deputado petista, que é também advogado, para ir ao Alvorada num sábado discutir estratégias de defesa. O deputado chegou no meio da tarde e permaneceu a seu lado por duas horas e meia. Na saída, espantou-se ao perceber que, durante todo esse tempo, o celular de Dilma não tocara nenhuma vez – ninguém havia procurado a presidente.

Circunstâncias pessoais e políticas ajudaram Dilma a erguer seu próprio muro. Tendo ocupado cargos gerenciais na maior parte da vida, aprendeu sobretudo a mandar. Subordinados conhecem bem o seu estilo. A presidente quer tudo para ontem (“Te dou meio segundo pra me trazer essa informação”). Acha que entende de qualquer assunto (“O que ocê tá falando é uma besteira. Olha aqui, lição de casa pra você”). Impacienta-se diante de um trabalho que considera malfeito (“Ocês só fazem porcaria, só fazem m., pô”). Quando está exasperada, não deixa o interlocutor terminar as frases (“Ô… ô… ô, querido: negativo. Pode parar já”). Por fim, nos momentos de grande fúria, pode mesmo lançar objetos sobre o seu interlocutor (grampeadores de seu gabinete já tiveram de ser repostos mais de uma vez).

Pouco empenhada na arte de agradar, frequentemente frustra aliados carentes de afagos. No último dia 14, por exemplo, às vésperas da votação da Câmara que decidiu pela abertura do impeachment, convidou ministros e deputados da base para um café da manhã no Alvorada. Muitos dos parlamentares, governistas de primeira hora, nunca haviam pisado no palácio antes. Um deles, do PR mineiro, ao passar ao lado da piscina de 50 metros de comprimento onde Dilma entrou apenas duas vezes em seus seis anos como presidente, comentou com assessores palacianos: “Bem que ela poderia convidar a gente para nadar aqui um dia”. Esse tipo de coisa nunca passou pela cabeça da petista. Pelo contrário, Dilma se notabilizou por gestos bem menos simpáticos, como riscar na última hora da lista de passageiros do avião presidencial parlamentares previamente convidados a viajar com ela.

Se nunca se deu ao trabalho de distribuir os pequenos mimos que tanto aquecem o coração dos políticos, não foi apenas porque isso não é do seu feitio, mas porque os atalhos que a levaram à Presidência permitiram-lhe pular certas etapas. “Dilma nunca disputou uma prévia nem tinha enfrentado uma campanha antes de virar presidente da República. Recebeu o cargo numa bandeja. Não teve de aprender a seduzir”, afirma um de seus ministros mais próximos.

Em suma Dilma é uma tirana em essência. Está perdendo o poder não apenas por ter destruído a economia do Brasil intencionalmente e cometido diversos crimes de responsabilidade. Seu poder está se esvaindo porque ela não conseguiu censurar completamente a imprensa, como já fizeram Nicolas Maduro e Evo Morales, e, parcialmente, Cristina Kirchner.

Mas se já é difícil aturar as barbáries de Dilma em uma democracia sutil imagine como seria aturá-la em uma democracia mais descarada? Em suma, chega de Dilma. Precisamos de um pouco de civilização.

Fonte: Os últimos dias de Dilma Rousseff | Brasil | Notícias | VEJA.com

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2 COMMENTS

  1. Que coisa melancólica! Mas eu não chamaria Dilma de ditadora. Ditadores costumam ser pessoas que acreditam em algo e o defendem a todo custo, até o final. Tem a sua substância, apesar de tudo. Para o mal, mas tem. Dilma não tem nada, é uma farsa: ignorante, incompetente, vazia e arrogante. Um dia ainda vamos nos perguntar como foi que deixamos uma pessoa dessas assumir a direção do país.

  2. Débora, eu já me perguntava como deixaram uma pessoa como Lula chegar à presidência, e na verdade também FHC, Itamar e Sarney…

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