Que tal falarmos de um marxismo político?

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Calma lá, não estou dizendo que as ideias de Marx são válidas. Muito pelo contrário. Sua fórmula se baseou em uma fraude a respeito das condições econômicas e da própria relação humana em questões relacionadas ao trabalho.

Na verdade, Marx nunca teve uma teoria de fato, mas um modelo mental que – conforme sua aplicação original – foi útil unicamente para ajudar socialistas a conquistar poder totalitário. No fundo, esta foi a essência de seu método.

Marx mentiu ao abordar a existência de um “conflito de classes”, entre proletários e burgueses. Mas ele só fez isso para simular que a os representantes da “classe proletária” teriam autoridade moral para – através do totalitarismo – subjugar os representantes da “classe burguesa”. Evidentemente, tudo seria decidido na guerra de rotulagens. A partir daí, o totalitarismo seria o resultado inexorável e a verdadeira “classe proletária” receberia a condenação de viver como cães.

Assim, o marxismo original não está sendo apoiado por aqui. Ele está sendo completamente rejeitado. Assim como estão sendo rejeitados os modelos do marxismo da Escola de Frankfurt, que conseguem a proeza de serem ainda mais fraudulentos que a versão original.

Se já deixamos claro esse ponto, passemos então à proposta do marxismo político.

Para início de conversa, o termo marxismo não tem a ver com as ideias de Marx, mas com uma desconstrução dessas ideias, bem como uma posterior reconstrução. Desconstrução é um método criado por Jacques Derrida e a reconstrução por John Dewey. Ambos eram esquerdistas, decerto, e o primeiro inclusive representava o marxismo. Por ambos os modelos, ideias e métodos podem servir como meras técnicas e reutilizadas conforme a conveniência. (E neste caso não há nenhum impeditivo lógico ou moral para fazê-lo)

Daí surge a primeira objeção: “Mas como você faria uma versão do marxismo que desagradaria muito Karl Marx?”. Por que eu estou desconstruindo Marx, e assim utilizando a ideia dele muitas vezes contra ele próprio. Não há motivo algum para não fazermos isso. E no fim é até mais divertido.

Em seguida, podemos ouvir: “O marxismo sempre serviu ao totalitarismo, então você não deve utilizá-lo”. Mas estou falando do marxismo reconstruído, e, então utilizado para nos livrar do totalitarismo. Uma vez que eu tenha desconstruído o marxismo, temos uma readaptação. Uma vez que tenhamos reconstruído este modelo, basta adaptá-lo para uma função moral muito mais defensável.

E assim chegamos ao marxismo político, uma readaptação do marxismo feita especialmente para irritar o fantasma de Karl Marx e todos os marxistas, bem como todos os totalitários da atualidade.

O marxismo político, então se constitui de algumas bases:

  1. Existe uma guerra de classes, e as classes envolvidas aqui não foram aquelas definidas por Marx, muito menos por seus seguidores.
  2. As classes são: os alfabetizados politicamente e os analfabetos políticos, ou então em outros termos, adultos políticos e crianças políticas.
  3. A disparidade nesses termos se traduz na seguinte situação: a esquerda joga a guerra política e a direita não. (Lembre-se que em uma nação dominada pela extrema-esquerda, esta acaba monopolizando os jogos, enquanto até a esquerda moderada aí parece apanhar tanto quanto os direitistas já apanham da extrema-esquerda)
  4. O esquerdista pertence a uma classe opressora. A direita compreende a classe oprimida. Esta opressão é definida em termos políticos.
  5. Em consequência disso, o totalitarismo historicamente tem encontrado seu lar nos discursos da esquerda. O resultado é sempre o barbarismo. Os genocídios do século XX são causados, então, pela relação de opressão exercida pelo esquerdismo.
  6. Esta relação de opressão só acontece por que a esquerda é a única possuidora dos meios de confecção e utilização de jogos políticos.
  7. A resolução desta contradição passa pela busca de uma sociedade sem classes (e desta vez, ao contrário do que Marx propôs, perfeitamente possível): não deve existir disparidade na utilização dos meios de confecção e utilização de jogos políticos entre esquerda e direita, ou mesmo pelos diversos participantes do jogo político
  8. Uma vez que tivermos superado essa condição abominável (de disparidade no jogo), teremos uma sociedade mais civilizada e provavelmente até mesmo o retorno dos debates (hoje inviabilizados pelo fato de apenas um dos lados jogar a guerra política)
  9. Só há um caminho de resolvermos essa contradição anticivilizatória: fazer com que ambos os lados dos principais conflitos centrais da política joguem igualmente os jogos políticos na mesma intensidade (e isso não significa, vale ressaltar, jogar sujo, mas sim jogar)
  10. É imperativo, por fim, criarmos uma sociedade sem classes políticas, principalmente se falamos dos principais grupos políticos em conflito (esquerda e direita).

Em uma casca de noz, isto é o marxismo político. O marxismo, conforme o conhecemos, só conseguiu causar tantas vítimas porque eles jogaram um jogo e seus adversários não. E a partir daí, aplicamos o marxismo político para lutar contra todas as chagas do marxismo tradicional, ou até do marxismo frankfurtiano. Ou de qualquer grupo esquerdista.

Que tal aplicarmos o modelo na prática? Basta testarmos para várias situações de nosso dia a dia.

Recentemente, as feministas capitalizaram com o discurso da “cultura do estupro” e distorceram várias questões. Assim, elas conseguiram oprimir os oponentes. Isso só aconteceu por que elas jogaram a guerra política em quantidade muito maior que a de seus adversários.

Atualmente, vemos vários correligionários de Donald Trump sendo agredidos pela esquerda norte-americana. A violência é covarde e assustadora. Mas eles só conseguem ir para esse nível de violência, impunemente por que jogam o jogo político que seus oponentes não jogam. Mas ao que parece os conservadores dos Estados Unidos começaram a expor a barbárie e assim danificar a reputação da esquerda. Isso ainda está engatinhando, é claro. Mas ao agirem assim, os conservadores começam, ainda que economicamente, a jogar um jogo. E isso pode fazer com que a esquerda pare com a violência, que só chegou neste estágio por – de novo – que eles jogaram o jogo sozinhos.

E por que é fácil para um islâmico estuprar impunemente uma mulher europeia em plena Europa? De novo a regra se aplica: a esquerda, que simula representar os islâmicos, capitaliza por utilizar sozinha jogos políticos que a direita – posicionada contra o multiculturalismo – se recusa a jogar. Assim, os estupros não punidos são produzidos por essa disparidade na guerra política.

Se adotarmos a visão de uma guerra de classes, sabemos que as principais classes políticas são esquerda e direita. A superação das classes não significa uma superação entre esquerda e direita, mas uma superação da disparidade no uso dos métodos da guerra política entre esquerda e direita. Não há utopia alguma em imaginar um mundo onde esquerda e direita se equiparem no uso destes métodos. A partir daí, não existirão mais classes políticas. Este é um mundo pelo qual devemos lutar.

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6 COMMENTS

  1. Eu trocaria o termo “jogadores e não jogadores” por “recebedores de impostos e pagadores de impostos”. Se conseguirmos que cada centavo público seja cobrado politicamente, a esquerda inteira acaba em 6 meses.

  2. O socialismo “científico” de Marx é tão cheio de buracos, que surpreende o seu sucesso acadêmico, o que só foi possível mediante o fanatismo de seus seguidores, que transformaram em tabus o questionamento dos pontos básicos de sua teoria. Vou citar aqui dois singelos exemplos, da “teoria do valor” de Marx, que é o alicerce básico de suas teorias políticas:

    1) A “mais-valia”: para Marx, o valor dos bens era o trabalho materializado dos trabalhadores. Ocorre que, segundo Marx, o quantum ou o tempo de trabalho ali materializado era superior ao necessário para o capitalista devolver ao trabalhador na forma de salário. Ou em outras palavras: se um bem chega custando R$10 no mercado, para Marx o capitalista era malvado porque ele só devolvia R$6 aos trabalhadores, embolsando como lucro os R$4 restantes, sem ter despendido uma gota de suor. O que Marx ignora – propositadamente, porque ele não era besta, apenas queria a todo custo criar uma teoria que justificasse a luta de classes – é que o valor do bem do mercado é dado objetivamente no mercado. O salário do trabalhador é previamente negociado em contrato, mas o valor do bem se dá em tempo real, pela lei da oferta e procura. Então se o trabalhador receberá R$6, pode ser que o bem fabricado, ao chegar no mercado, não valha R$10, mas valha R$5, mesmo com o salário de R$6. Onde está a mais-valia expropriada dos pobres trabalhadores? Na verdade, neste exemplo, quem extraiu mais-valia foram os trabalhadores. É uma teoria feita exclusivamente para dizer que os trabalhadores são escravos de capitalistas gordos e inúteis.

    2) Este “valor” materializado nos bens mediante o trabalho (o que não é nenhuma novidade na teoria econômica, a novidade é a coloração exploradora que Marx dá) Marx denomina de “trabalho médio abstrato”, fruto, segundo suas palavras, de “nervos, músculos e tendões”. Não existe o trabalho individualizado. Não existe o trabalho do padeiro, do artista, do médico, do advogado, do funileiro, do pedreiro. Existe trabalho, energia abstrata materializada em bens. Por isso Marx despreza o indivíduo e a individualidade, e tudo que decorra daí: os talentos, a inteligência, as capacidade e virtudes individuais. Desprezando o indivíduo, Marx despreza a sociedade civil e a gama de indivíduos únicos que constitui a sociedade política numa democracia. Marx faz tábula rasa do universo civil. Da mesma forma que os capitalistas são apenas “gordos opressores”, qualquer assalariado é “trabalhador oprimido”, e com isso se fecha o falso desenho de uma sociedade política dividida em apenas dois grupos, opressores e oprimidos – e tem-se a famigerada luta de classes.

    Para Marx, o indivíduo é irrelevante. Ele deve ser destruído em nome do que interessa – a classe do qual faz parte. Não é difícil perceber porque sua teoria se casa tão bem com totalitarismos. Não é difícil entender como se justificam gullags em nome de um suposto “destino” ou “fatalismo” históricos – tema, aliás, compartilhado por comunistas e fascistas.

  3. Quando pela primeira vez vi a foto de um travesti masculino em nú frontal, meu cérebro quase entrou em curto com o paradoxo. Ainda hoje luto um pouco comigo mesmo para não ficar confuso com um ser que, da cintura para cima é mulher e da cintura para baixo é um homem.

    É mais ou menos assim que me senti ao ler o artigo e entender que a intenção do autor foi recriar o uso do termo “Marxismo político”, transformando-o numa espécie de travesti do original. Em minha opinião, com esse nome, a ideia só veio para confundir, não para mudar. Em resumo, embora tenha gostado das colocações a matéria, não achei legal o resultado final (conforme o entendi)!.

  4. Para que a direita entre nessa guerra política, primeiramente, é necessário que haja organização. Não temos lideranças na direita capazes de começar essa mobilização. A ideologia da direita nem sequer é conhecida pois parece que os direitistas, no Brasil, têm vergonha de seus ideais. Tudo precisa ser mudado. Precisamos formar grupos de pensadores que divulguem suas idéias através das mídias, de fóruns, etc. Este é o momento ideal.

  5. Uma interpretação que fiz sobre o Marxismo durante a faculdade foi que na verdade é uma doutrina religiosa disfarçada de ideologia política.
    Existe um messianismo, a sociedade é dividida em duas classes, dos bons(proletários e explorados) e dos maus(burguesia e exploradores) e há uma luta dos bons contra os maus onde tudo é permitido desde que vc lute pelos bons e no fim, o paraíso, só que sem as 60 virgens 🙂

    Tive este lampejo numa aula sobre antropologia das religiões.
    O que me chamou a atenção na época é que para se ter uma religião não era preciso uma deidade.
    Por exemplo o Budismo, não existe um Deus no Budismo e o próprio Buda não é visto como uma divindade.

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