A direita estaria errada taticamente em rejeitar Cunha?

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A estrutura da argumentação olavística – me refiro à direita que segue Olavo de Carvalho – sempre costuma se referir às outras direitas como “pessoas enganadas pelas narrativas da esquerda”. Em seguida, se colocam na posição de “orientadores” desta direita. Obviamente, cada vez menos pessoas estão caindo nesse tipo de recurso retórico. Podemos observar este tipo de narrativa no texto Eventual Cassação de Eduardo Cunha: Vitória da Esquerda e da Burrice Política, publicado no site Critica Nacional.

Segundo Eneas, existe uma “direita burra” – e ele cita como exemplo O Antagonista, que, de fato comete alguns deslizes, mas não é o caso aqui – que “cairia na lábia da esquerda” (aliás, é algo engraçado que os olavetes não sabem usar o rótulo extrema-esquerda para definir os petistas e ainda querem ensinar os outros a “fazer política”). Eneas argumenta que Eduardo Dunha “foi o principal responsável, no âmbito institucional, pelas mais importantes derrotas da agenda ideológica da esquerda na era petista”. Também lembra que Cunha “foi figura chave na reversão de rumos no confronto político que teve início há mais de dois anos no núcleo duro do então governo petista, quando este tentou se livrar de uma parcela do aliado incômodo representado pelos peemedebistas que, ainda que sendo fisiológicos, não eram aderentes o bastante às ambições socialistas autoritárias e hegemônicas de longo prazo do petismo.”

Em cima disso, Eneas lança sua lição:

A esquerda e muitas pessoas ingênuas do campo antipetista criaram a expressão Eu não tenho corrupto de estimação, como se a mesma fosse a expressão máxima da inteligência política, quando na verdade ela servia apenas para reconfortar e desobrigar os isentos de qualquer esforço para compreender a real natureza intrínseca da disputa de poder que ocorreu no país nos últimos dois anos e meio. Tal expressão significa exatamente nada. O que realmente importa dizer, e já dissemos aqui nesse Crítica Nacional e reiteramos, é que se Eduardo Cunha de fato cometeu os crimes de que é acusado, é óbvio que ele deverá responder pelos mesmos na forma da lei. Mas o que é preciso entender é que ele não está sendo julgado por estes supostos crimes.

Eduardo Cunha está sendo julgado, e já foi condenado por antecipação, por ter sido a figura central no âmbito institucional para a derrota do projeto socialista e criminoso de poder representado pelo petismo. Se ele será formalmente condenado e se terá seu mandato cassado, não sabemos. Mas não será surpresa alguma para nós, e já estamos dizendo isso há meses aqui nesse veículo, se grande parte das acusações que lhe imputam se mostrarem falsas e se ele se livrar da cassação. Caso isso ocorra, será apenas a evidência de que a burrice e o cinismo presentes no parlamento são de menor escala do que a burrice e o cinismo das sacripantas da imprensa, incluindo seu segmento não petista.

A ingenuidade, porém, está do lado da extrema-direita neste caso. A expressão “Eu não tenho corrupto de estimação” é não apenas moralmente urgente, como estrategicamente essencial. Claro que poderíamos aumentar o tom e dizer “são os petistas que tem bandidos de estimação”, e em seguida demonstrar nossa superioridade moral. Muitos, aliás, já estão usando tais frames.

Na verdade, Eduardo Cunha é apenas mais um investigado por corrupção, dentre tantos outros. Porém, construiu para si próprio a desconstrução que o PT lançou sobre ele.

Cunha hoje é rejeitado não por conta de seus escândalos de corrupção, mas por que o PT organizou uma artilharia de rotulagens para cima dele. Porém, arrogantemente – como sempre acontece com políticos tradicionais ainda não preparados para a era da guerra de narrativas – , ele optou por não combater fogo com fogo. Eis que Eduardo Cunha, mestre na articulação política, se expôs como mais um político de discurso frouxo. Todavia, a política é a arte mais bela da humanidade por ser inteiramente baseada em escolhas: assim como Aécio teve a oportunidade de aumentar o tom de discurso nas eleições de 2014, e não quis (e por isso perdeu), Cunha teve vários meses para iniciar uma verdadeira campanha de desconstrução e constrangimento sobre o PT. Igualmente, não quis, e por isso conquistou uma altíssima taxa de rejeição.

Cunha hoje serve como mais um exemplo de como não devemos entrar na guerra política verbal, e seus resultados (em termos de rejeição) estão aí para todos verem. Precisamos abandonar essa visão reconfortante sobre política de achar que o mal é baseado puramente na existência dos vilões. Na verdade, o mal se baseia na conivência entre a ação dos vilões e a omissão dos que podem combate-lo. No fundo, é apenas a lição de Edmund Burke, exatamente um autor conservador geralmente ignorado por muitos direitistas: “para que o mal prevaleça, é preciso que os homens de bem não façam nada”.

Não cairia no exagero de dizer que Eduardo Cunha representou o “bem contra o mal”. Na verdade, foi um sujeito cujas práticas de corrupção aparentemente são modestas – na comparação com as lideranças do PT investigadas – e que se colocou como obstáculo de uma verdadeira organização criminosa travestida de partido político. Mas aí é que a porca torceu o rabo: Cunha não está sendo “julgado pelos seus crimes”, mas por uma imagem que foi construída sobre ele. Enquanto isso, cansamos de dizer “por favor, Cunha, responda o PT à altura, por favor”. Ele fez uma escolha ao usar o discurso aecista no combate ao PT.

Com isso, Eduardo Cunha escolheu a posição em que se colocou atualmente. Moralmente, já era difícil defendê-lo, ainda que tivesse sido apenas um juvenile quando comparado à senioridade criminal do PT. Politicamente, no entanto, ele se tornou um zumbi político ao ter escolhido a frouxidão como forma de discurso. Cunha escolheu ficar em uma posição indefensável por não ter ido para a guerra política.

Paulo Enéas está errado ao dizer que Cunha foi “abandonado pela direita”. Ele foi abandonado por si próprio. Talvez no futuro podemos estabelecer uma “regra dos três meses para o jogo”. Funcionaria assim: qualquer político que nós apoiarmos e que porventura se torne alvo de desconstrução de um partido de extrema-esquerda deve ter três meses de prazo para treinar e adaptar seu vocabulário para a guerra política, e com isso transformar seus discursos em metralhadoras de rótulos, shamings, desconstruções, desmascaramentos e ridicularizações do adversário. Se ele não fizer isso, será desconstruído e politicamente escolherá sua própria morte. Caso ele tenha sido arrogante o suficiente para não jogar o jogo no momento certo, deverá ser abandonado.

Cunha caiu em parte por seus crimes sim. Mas principalmente nos não ter ido para a guerra verbal. Teve em mãos oportunidades infinitas para fazer Dilma e os petistas urinarem sob seus ataques verbais. Infelizmente, assistimos longos meses de discurso frouxo. Ele escolheu discursar assim. Ele escolheu não mais merecer qualquer defesa. Prestemos atenção ao próximo político sob “alvo” do PT. É dele que devemos exigir contundência na postura de ataque aos petistas. Hoje já temos um nome: Michel Temer, cujo histórico é menos “atacável” que o de Cunha. Temer tem a obrigação moral de jogar a guerra política. É ele que precisa escolher não dar tantas facilidades para o PT desconstrui-lo. Aliás, a dica é que Temer não vá diretamente para o combate verbal, mas conte com seus aliados para partir para o massacre no jogo de rótulos e no controle de frame. O que importa é que Temer ainda tem a chance de escolher jogar o jogo e, com isso, merecer apoio. Cunha já não pode mais ter essa escolha. Fiquemos de olho em Temer, o “próximo da lista” – e que, se reagir em tempo, pode desconstruir o  PT -, e deixemos Cunha pra lá.

Tchau, Cunha!

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12 COMMENTS

  1. Eu concordo em número gênero e grau com o texto. O problema do Eduardo Cunha com o governo do PT começou quando na sua posse ele declarou que o Legislativo voltava a ser independente. O governo do PT não gostou dessa declaração dele na sua pose e aí começou a perseguição, só que ele não se intimidou com os ataques do governo petista e continuo até aprovar o impeachment na Câmara. Por isso, eu concordo e venho falando nos meus comentários pelas redes sociais de que quem derrotou o governo corruPTo e comunista do PT, foi justamente o deputado Eduardo Cunha. Agora, como diz dito popular não vamos confundir alho com bugalho, no caso do Eduardo Cunha, sim ele é acusado de ter enviado dinheiro de propina para Suíça e ele vai ter de prestar contas com a Justiça. Se for comprovado que realmente ele enviou esse dinheiro e ele devolvesse esse dinheiro que ele desviou, ele não merecia perder o seu mandato, só por ele ter feito um grande bem para o país que foi derrotar este governo corruPTo e comunista do PT.

  2. E você acha que o Temer vai saber jogar o jogo? Duvido. Temer e seus aliados têm mostrado bastante fragilidade no discurso e nas ações. Creio que a rejeição dele será pior que a da Dilma, infelizmente.

  3. Acredito que o Dep. Cunha se concentre mais na articulação política com seus pares do que na batalha de imagem ou ideias. Grande parte de seus eleitores nao se prendem ao ‘politicamente correto’ e sabem no que votam.
    Hoje eh o único político verdadeiramente conservador que detém ainda um grande poder, este que, nao importando a origem, beneficiou enormemente o Brasil batendo de frente com os projetos dos criminosos petistas.
    Prefiro mil vezes ter em meu time um Cunha sozinho apenas com uma faca, do que um Aecio e todos os tucanos de metralhadora e granada.

  4. Comentário muito bom colocado no site http://libertoprometheo.blogspot.com.br/2016/05/por-favor-nao-se-deixem-iludir-por.html definindo o que é Olavo de Carvalho:

    “O Olavo é tão burro que fica falando o nome dos irmãos Velasco, Mirian Macedo e outros, ajudando assim a divulgar quem está desmascarando ele.

    Quando ele faz isto, ele faz propaganda gratuita para os adversários, e seus alunos acabam por descobrir quem seu professor realmente é.

    O Olavo é o típico cara que tem a boca maior do que a cabeça, gosta de falar de tudo e de todos, ai toma um cacete, dai se faz de coitado. Não se espantem se ele vir a confessar todos os erros e pecados dele publicamente e após uma semana estiver se batizando em Jerusalém, pelas mãos do Feliciano ou do Malafaia, tornando-se protestante, como o Bolsobunda.”

  5. E exatamente aquilo que penso, ver Cunha sendo massacrado todos os dias pelos teles jornais que ao mesmo tempo silenciam as falcatruas de LULA E DILMA e enojante , ele esta sendo julgado e levado a público como vilão por ter enfrentado esse partido criminoso que e o PT, e de resvalo enredaram sua esposa. Agora pq os tele jornais n falam dos roubos feito por LULA e sua esposa as relíquias que surrupiaram do Planalto, que além do valor monetário e de gde valor histórico, como por ex, entre muitos, o faqueiro de OURO que a RAINHA DA INGLATERRA nos presenteou através do governo, na época de sua visita ao Brasil, e que esta até hj em poder desses dois larápios, eles n devolveram e n foram ainda processados apropriação indébita como deveria ser.

  6. Nunca fiquei contra o Cunha, não me importa se ele desviou ou não, sei sim que não fosse ele o projeto de poder do PT teria dado certo..
    Mil vivas para o Cunha

  7. Atualmente, o único integrante do governo Temer que parece estar fazendo o mínimo de dever de casa é, pasmem, José Serra. Seu discurso assertivo está conseguindo minar a ofensiva petista (ou melhor dizendo, do Foro de São Paulo) no campo internacional. Talvez possa estar errando em um ponto ou outro, mas a estratégia geral é positiva. Sempre se defende rapidamente das acusações, aproveitando para acusar de volta a extrema-esquerda bolivariana por seus muitos crimes.

    Acho que o governo Temer ganharia muito se adotasse essa estratégia em todos os níveis.Quem diria que chegaria o dia em que o José Serra seria considerado algo melhor do que um exemplo de frouxidão… Acho que o homem quer aproveitar de qualquer jeito a última chance que vai ter de chegar a presidência

    • Realmente, eu nunca gostei do Serra, mas ultimamente ele tem prendido minha atenção positivamente. Aonde estava ESSE Serra nos últimos anos?

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