Por que a ditadura de Maduro está cada vez mais forte?

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Algumas pessoas no Brasil parecem acreditar que a ditadura de Nicolas Maduro está “para cair”. Na verdade, nunca esteve tão forte. Esse equívoco de análise se deve ao fato de muita agente ainda acreditar no lema “é a economia, estúpido”, o qual define que se a economia de um país vai mal o candidato no poder também cai pelas tabelas. Essas pessoas ignoram a variável mais importante de todas: o controle do fluxo de informações. Uma vez que uma ditadura moderna consiga censurar a mídia, a economia já não é tão relevante assim para derrubar um governo. As pessoas podem até reclamar desesperadamente da crise, mas será possível enganá-las em relação à causa de sua situação. Isto é o que acontece hoje na Venezuela.

Uma matéria da Folha de São Paulo mostra como Maduro está cada vez mais sólido no poder mesmo com toda a crise:

Ameaçado pela crise econômica e social que está devastando a Venezuela, o chavismo manobra para se manter no poder. Mesmo quebrado, endividado e impopular, o governo de Nicolás Maduro resiste a investidas internas e externas.

Chavistas perderam o domínio da Assembleia Nacional para a oposição em janeiro, mas ainda controlam três instituições-chave: o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ, corte suprema), o Conselho Nacional Eleitoral (CNE, órgão eleitoral) e as Forças Armadas.

“Engana-se quem pensa que o governo está morto. Pelo contrário, ainda detém o monopólio do poder no país”, diz um importante estrategista da oposição. “O governo de Cuba esteve em situação muito pior e não caiu.”

No plano interno, Maduro neutralizou a Assembleia graças ao TSJ. Nenhuma lei aprovada pelo Legislativo entrou em vigor —muito menos a que visava desaparelhar a Corte.

Vetos parlamentares a iniciativas presidenciais, incluindo controversas medidas econômicas, foram contornados graças ao TSJ, que valida tudo do Executivo.

O governo também se blinda contra um projeto de referendo revogatório para abreviar a presidência de Maduro, eleito em 2013 para um mandato de seis anos. O mecanismo está previsto na Constituição, mas novas eleições só ocorrerão se Maduro for destituído até o fim deste ano. Se isso ocorrer em 2017, o vice-presidente assumiria até o fim do mandato.

Por isso, o CNE atravanca a ativação do referendo revogatório, que depende de sucessivas coletas e verificações de assinaturas. Protestos pela aceleração dos trâmites foram reprimidos. Na semana passada, um deputado opositor teve o nariz fraturado por militantes chavistas. Ninguém foi preso.

Apesar de recorrentes relatos de insatisfação nas forças de segurança, o alto comando militar e policial continua aplacando com eficiência protestos e saques contra a falta de alimentos e remédios.

“Se houver convulsão social, não seria a oposição quem se beneficiaria, pois ela está desorganizada, não tem lideres nem armas. Quem se beneficiaria seriam o Exército e o governo”, diz o analista Luis Vicente León.

Os indicadores econômicos são desastrosos, mas o governo tomou medidas capazes de ao menos atenuar a espiral negativa. O dólar turismo foi desvalorizado em 180% nos últimos dois meses, o que ajuda a diluir dívidas do Estado em bolívares.

Importações foram cortadas em 50% para economizar dólares, cada vez mais escassos devido à queda do preço do petróleo.

O governo também flexibilizou preços de alimentos básicos, como a farinha de milho. O vice-presidente para a área econômica, Miguel Pérez Abad, disse que as medidas surtirão efeito no dia a dia da população em seis meses.

A Venezuela obteve da China empréstimo adicional de US$ 5 bilhões e renegociou velhas dívidas. Somado à venda dos estoques de ouro do Banco Central, isso deverá ajudar a Venezuela a honrar o pagamento de US$ 10 bilhões em títulos da dívida soberana até o fim do ano.

Maduro reverteu parte da pressão externa graças à vitória diplomática contra o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), Luis Almagro, que havia endossado pedido da oposição venezuelana para aplicar a Carta Democrática contra a Venezuela e expulsá-la do órgão.

A iniciativa até agora foi freada pela diplomacia venezuelana, que costurou apoios suficientes para evitar sanções. O assunto voltará a ser debatido em 23 de junho, mas diplomatas veem poucas chances de sanções.

Críticos dizem, porém, que a situação é tão crítica que as medidas podem permitir ao governo, no máximo, uma sobrevida. Para a socióloga Margarita López Maya, parte do futuro reside na capacidade da oposição. “Se atuarem mal, é possível que ajudem o governo a ressuscitar.”

A Argentina estava quase se tornando uma Venezuela. Tiraram Cristina Kirchner. O Brasil estava nesse caminho aceleradamente. Dilma Rousseff foi afastada. Argentina e Brasil são nações pelas quais ainda vale a pena lutar. Na Venezuela, o jogo já acabou. O próximo passo para eles será viver como cubanos. Pessoas formadas em Economia, Engenharia e Direito terão cada vez mais se prostituir para sobreviver. Muitos morrerão de fome. Ou irão para as prisões se reclamarem. Como tenho dito por aqui, a Venezuela deve sempre ser lembrada, mas como exemplo do que é o projeto bolivariano levado ao seu fim. Se Nicolas Maduro cair, será apenas por acidente, pois seu povo está mais subjugado do que nunca.

E isto é apenas um trailer do que está por vir para os venezuelanos.

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11 COMMENTS

  1. Uma das piores análises que já li. Maduro se sustenta através da corrupção dos três grupos que controla. E o dinheiro sai do narcotrafico. O controle da mídia é apenas mais um fator, mas a internet é livre e grupos de mídia como NTN ainda produzem material fazendo oposição a Maduro.

  2. Quem sustenta a ditadura de Maduro são os militares!! Maduro só cairá através de um golpe militar!!! Hoje já há muitos militares de alta patente fazendo aberta oposição a Maduro, acusando-o de ter se desviado das diretrizes traçadas por Chaves.

  3. E qual seria a única saída ? Quando as Forças Armadas apoiam os governos tiranos, só uma intervenção externa pode desequilibrar o poder ditatorial. O Egito, por exemplo, só interrompeu um governo teocrático com as próprias FAs. O mesmo ocorre no Paquistão e na Turquia. Cuba não foi invadida devido à guerra fria, mas a Venezuela por vir a chamar o Trump.

    • Triste ver tudo isso. Parece um cenário de algum filme de terror ou apocalíptico.
      O socialismo levou a Venezuela a esse estado de coisas, a esse caos generalizado. E ainda tem gente por aqui que pede a volta de Dilma com as mesmas políticas de Maduro e Chavez.

  4. Lula = Chaves/ dilma=maduro/ venezuela destruida e Brasil ainda respira/ esquerdismo radical= doenca!
    America Latina e’ um bom exemplo. Argentina acordou, Peru idem, Bolivia se livrando do indio e milhoes de ‘brasidiotas’ querendo de volta a estocadora de ar e o chefao.

  5. Libertários precisam começar a se interessar por política e aceitar que economia é apenas um dos fatores que fazem parte de uma sociedade.

  6. Ora O Ayan tem razão todos sabemos que os regimes Comunistas ao redor do mundo como Cuba Coréia do Norte Venezuela se sustentam no poder porque controlam a mídia e enganam a população com discursos kkkkkkkkkkk
    Não tem nada a ver com o controle das Forças Armadas contra a população desarmada kkkkkkkkkkkk
    publica esse ai ze kkkkkkkkkkkkkkkkkk

    • É engraçado como tem gente que recusa a lógica mais básica. A afirmação dizendo que “a censura é decisiva” não implica a afirmação “não há controle das Forças Armadas”.

      Que palhaçada, Luzardo.

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