Por que precisamos abandonar a fé cega na crença para lutar contra o jihadismo assassino?

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Eu admiro o trabalho de vários autores que possuem fé cega na crença. Meu preferido é John Gray, que listei no meu top 15 de autores recentemente. Assim, definir alguém como detentor da fé cega na crença não significa repudiar seu trabalho, mas identificar um padrão de narrativa que pode ser desconstruído e reconstruído.

Em seu texto “Quando os progressistas vão acorda para o fato de que o Islã Radical está em guerra conta o Ocidente?” Rodrigo Constantino claramente demonstra aspectos da fé cega na crença, que se baseia em – sem qualquer tipo de evidência para tal, e por isso é uma fé cega – acreditar que seu oponente de esquerda realmente acredita naquilo que diz acreditar. Como resultado, alguém deixa de atuar contra o que o esquerdista é, mas contra aquilo que o esquerdista diz de si próprio. As respostas políticas tendem a ser ineficientes, pois se ataca basicamente uma miragem.

Em tempo: espero que nenhum leitor de Constantino (e nem o próprio) se ofenda com a identificação do componente de fé cega na crença. Eu mesmo rejeito meus antigos por às vezes ter deixado escapar tais componentes. Vez por outra podemos cair neste tipo de armadilha, por isso sempre temos que ficar precavidos.

Volto a citar o exemplo do phishing, em um vídeo muito intuitivo feito pela McAfee. O objetivo do vídeo não é fazer qualquer anúncio do produto (até porque o software de segurança da McAfee não é meu preferido), mas utilizar o conteúdo. Observe:

Quando você se desprende da fé cega na crença, entende o phishing como ele é: uma fraude para roubar seus dados. Ninguém “errou” ao lhe enviar este link. Por trás deste envio existem bandidos mal-intencionados querendo roubar seus dados. A fé cega na crença vai em direção oposta: ela começaria a teorizar com argumentos como “quando será que esses caras aprenderão que esses links foram enviados errados?” ou “o phishing fracassou”. Na verdade, os links foram enviados para o local certinho (bobo foi quem clicou no link), bem como o phishing não fracassou (o fracasso foi de quem clicou no link). Observe que há uma espécie de colapso cerebral aqui, e isso acontece quando alguém não avalia o comportamento do outro (neste caso), mas toma como premissa que o argumento utilizado pelo fraudador era algo no que ele acreditava sinceramente.

Como exemplo, transmita esse vídeo para algumas pessoas e faça o seguinte teste: após as pessoas assistirem o vídeo, peça para elas se imaginarem como pessoas tendo clicado no link enviado via email de phishing e então enviando erradamente suas senhas para alguém que roubou sua grana. Em seguida faça a pergunta: “O resultado do email de phishing é um fracasso ou sucesso?”. Quando alguém entende que o resultado é o sucesso, então compreendeu a relação entre o fraudador e sua vítima. Ficou claro na mente da pessoa que perdeu o dinheiro que ela deve ser mais precavida da próxima vez, para não deixar que outro fraudador tenha o mesmo sucesso anterior. É assim que as mentes são treinadas em segurança da informação nas organizações. Para essa pessoa, os próximos passos são apenas compreender a evolução das técnicas de phishing e ir se prevenindo.

Porém, se a pessoa disse que o email de phishing é um fracasso, então provavelmente não conseguiu assimilar mentalmente ter sido vítima de um fraudador. Esta mente, portanto, irá criar teorias para explicar “o envio do link para o local errado” ou “as ilusões de quem enviou o link”. Ela se sentirá bem ter “algo a ensinar” para quem enviou o link. Esta visão é reconfortante, mas possui um seríssimo problema: não prepara a mente da pessoa para se precaver de fraudes, e nem identificar os perigos que se avizinham.

Ter a capacidade de entender a origem real do e-mail de phishing – a intenção de um fraudador em roubar seus dados – é tão importante quanto compreender a real intenção por trás das implementações esquerdistas.

Assim, vamos contrapor a visão adotada por Constantino de fé cega na crença – ou seja, acreditar que os esquerdistas realmente tinham boas intenções ao criar suas narrativas e projetos multiculturalistas – com uma análise mais crítica em relação ao esquerdismo.

O título do texto de Constantino, como já vimos, diz: “Quando os progressistas vão acordar para o fato de que o Islã Radical está em guerra contra o Ocidente?”. A resposta é clara: eles já acordaram faz muito tempo e sabem que jogam um jogo sujo focado unicamente na aquisição de poder pelas vias do inchaço estatal. A tal “guerra contra o Ocidente” é apenas um efeito colateral esperado, que justifica os benefícios recebidos. Com mais islâmicos vindo – em nome da campanha multiculturalista -, mais oportunidades de inchaço estatal surgem, bem como de discursos justificando as narrativas de “mais welfare state”.

Em tempo: não existem “progressistas”. Esse foi um único inventado por essa turma. Melhor chamá-los de esquerdistas ou fascistas culturais, mas jamais pelos rótulos propagandísticos que eles adotaram.

Constantino afirma:

Como fica claro o tempo todo, ainda que os ‘progressistas’ se recusem a enxergar, os inimigos mortais dessas “minorias” estão bem longe do conservadorismo ocidental.

Mas eles não estão se “recusando” a enxergar nada. Eles estão omitindo seletivamente informações em nome de seus projetos de poder.

Outra pergunta de Constantino:

E quando esses “progressistas” vão acordar para o fato de que os bárbaros são outros?

Mas eles estão muito bem acordados. E sabem que dependem do barbarismo para capitalização. Na verdade, eles tem produzido ao longo do tempo discursos para justificar o barbarismo. É por isso que eles acusarão Constantino de “islamofóbico”. Fazem isso por estarem cientes de defender o barbarismo com táticas de jogos psicológicos.

Há uma certeza no texto de Constantino:

Tenho certeza de que, na cabeça de muito ‘progressista’, já surge um elo automático da direita conservadora a esse tipo de tragédia, assim que a notícia é lida.

Na verdade, não surge nenhum elo automático deste tipo. Surge apenas a oportunidade de criar uma propaganda falsa para que os esquerdistas se livrem das culpas pelos crimes que eles sabem ter promovido. Eles são muito mais malandros do que se pensa.

O interessante nos textos embebidos de fé cega na crença é que muitas vezes eles já trazem as respostas para suas próprias questões. Assim, Constantino questiona:

Por que os ‘progressistas’ sempre fogem do cerne da questão para culpar bodes expiatórios, as armas, a cultura ocidental, o capitalismo?

Ora, eles fogem sempre do cerne da questão por que estão cientes de estarem mentindo. Todo fraudador precisa encontrar formas de esconder suas próprias culpas. Os estudos da dinâmica social ou da engenharia social não se cansam de nos dar lições deste tipo.

E aqui, felizmente, a fé cega na crença parece se esvair um pouco:

Mas não podemos permitir o desvio da atenção para inimigos fantasmas criados pela esquerda.

Certinho. Mas o importante é lembrar que os inimigos fantasmas criados pela esquerda são parte de uma fraude, e não de “erros de julgamento”. Eles sabem exatamente o que estão fazendo durante seus embustes.

Mais de Constantino:

Não foi culpa da arma, como não foi culpa de Trump.

Sim, mas eles sabem tanto disso quando um fraudador que enviou o email de phishing para sua vítima sabe que não está enviando o link para o site real. Mas quem disse que o fraudador se preocupa com isso?

Perto do fim, a fé cega na crença aparece feito um rojão de novo:

A tolerância para com o homossexualismo não chega a ser um grande problema ocidental. Mas é, sem dúvida, intolerável para a imensa maioria dos muçulmanos. Da mesma forma que as feministas erram feio o alvo quando atacam padres velhinhos, em vez de enfrentar os aiatolás barbudos que acham que homem pode mandar e desmandar em mulher.

Mas eles não erraram o alvo. Eles acertaram ao enganar suas vítimas. As feministas estão cientes de que ao atacarem padres velhinhos estão despistando suas vítimas intencionalmente da causa real: os aiatolás barbudos que acham que homem pode mandar e desmandar em mulher. Em suma, as feministas não estão enganadas, mas dissimuladas em seu intento.

Constantino comenta sobre dicas de sono:

Que o Ocidente como um todo acorde, de uma vez por todas, de seu sonambulismo ideológico.

Mas o inimigo já está acordado faz tempo. Nós, adeptos da liberdade, precisamos acordar de uma vez por todas de nossa vulnerabilidade aos jogos sujos da esquerda. Só isso. A luta é nossa. Contra eles.

Sigamos:

Enquanto os ‘progressistas’ bem-intencionados não acordarem para isso, demagogos como Donald Trump vão decolar nas pesquisas e chegar ao poder.

Mas eles já acordaram faz muito, muito tempo. O pior é que além de acordados, eles são muito mal-intencionados. Eles estão jogando o jogo sujo deles conforme seus projetos assim requerem. Nós é que temos que acordar para os jogos deles. Se quisermos afundar Trump, temos também que antes afundar a esquerda norte-americana, hoje cada vez mais radical.

Constantino conclui:

Eles falam, ao menos, a língua que a maioria entende, uma gente cansada do politicamente correto e das desculpas esfarrapadas daqueles que se recusam a constatar o óbvio: o Ocidente está em guerra, e está perdendo.

Sim, o Ocidente está em guerra, e está perdendo, mas não é para o Islã, mas é para uma esquerda que nada tem de “equivocada” ou “enganada”, mas sim de dissimulada e sórdida.

Em suma, precisamos lutar contra o que os fascistas culturais – que se definem como progressistas, o que é quase tão verdadeiro quanto um petista se definir como um “lutador contra a corrupção” – querem nos enfiar goela abaixo: seu amontoado de truques. Que eles sabem serem truques. Eles não estão nem um pouco comovidos com as mortes em Orlando. Sabem que isso tudo é um efeito colateral de seu projeto. A luta contra o multiculturalismo é uma luta contra pessoas sórdidas que sabem das consequências do que defendem. É assim que precisamos visualizá-los, mesmo que seja inicialmente dolorido abandonar a fé cega na crença.

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6 COMMENTS

  1. Aproveitando esse artigo para deixar um exemplo claro de como há uma ingenuidade (ou mal caratismo mesmo, desconsiderando a fé cega) por parte dos jornalistas Caio Blinder e Joseval Peixoto da Jovem Pan. Ambos endossaram no jornal da manhã a afirmação feita, segundo eles, por George W. Bush na qual ele diz que os terroristas e radicais islâmicos – como o autor do atentado na boate gay – são lobos solitários e que a luta não é contra o Islã, mas contra tais radicais fanáticos.
    Partindo dessa premissa, pode-se considerar que tais jornalistas tem um fé cega no islã. Mas, por outro lado, o professor Marco Antonio Villa já havia dito anteriormente no mesmo jornal, com embasamento histórico – falando sobre origem do islamismo -, que o Islã é um sistema político/religioso incompatível com os valores do ocidente. E deixou um questionamento que nem Joseval e ou Caio Blinder souberam responder: Ele pediu que alguém aponte um único país islâmico no mundo que seja democrático. Diante dessa argumentação do professor Villa, fica difícil acreditar que tanto Joseval como Caio Blinder sejam ingênuos e realmente acreditem que o islã é uma religião de paz com apenas alguns fanáticos e radicais. Parecem mesmo que são canalhas e desonestos, assim como aqueles idiotas da Globo News.

  2. Concordo que os grandes líderes esquerdistas são sociopatas que fingem (talvez até para si próprios) acreditar no que pregam e que o mesmo vale para muitos médios e pequenos líderes.

    Mas também existem muitas pessoas que, em maior ou menor grau e de uma forma ou de outra, ainda acreditam sinceramente nestes líderes e nas ideias que defendem. Parece-me que é para estes indivíduos que o Constantino escreve – e principalmente para quem é mais esclarecido e convive com pessoas ainda iludidas. O objeto dele é proporcionar argumentos pra seus leitores libercons.

    Claro que o seu artigo complementa o dele e corrige um mal entendimento que muitos ainda têm.

    .* * *

    • Concordo. Mas discordo que seja preto no branco. Há uma escala de cinza, de um extremo a outro.

      No nível mais branco, temos os “iludidos”, em geral pessoas que estudaram menos, e simplesmente são idiotas uteis ludibriados pelo que acreditam ser justiça social. São a base da piramide, e portanto proporcionalmente mais numerosos. E esses que o constantino se refere.
      No meio intermediario, como um cinza 50%, teriamos o baixo clero dos partidos, intelectuais de esquerda e movientos sociais. Nesse nível, eles já tem plena consiência do que estão fazendo, estão deliberadamente criando métodos para destruir a civilização ocidental, pois é a enchergam como um mal em si mesmo. Possuem ódio ao bem estar alheio, e veem nisso um mal a ser destruido. No entanto, são idiotas no que tange ao poder. Acreditam, que se a civilização for destruida, poderão construir das cinzas a utopias que eles possuem em sua cabeça. Tem plena consiência do mal e da desgraça que estão fazendo no presente, mas acreditam que isso, de alguma forma, possa valer a pena no futuro. Via de regra, quando conseguem destruir o sistema, são os primeiros a levar tiro de fuzil na cabeça. No topo da piramide, está a cupula do partido. Esta tem a mais perfeita consiência do passado presente e futuro. Tudo, se resume a um judo de centralização de poder autoritário. Estes também são responsáveis por criar toda a agenda, e repassa-la para seus pares de niveis superiores. São os psicopatas.

      • Mas aí fica a pergunta: enquanto isso, ficamos na dúvida se clicamos no email de phishing? Ou ficamos na dúvida se estabelecemos medidas de contenção aos fraudadores? Acho que na dúvida vale tratar a fraude como fraude.

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