Exoneração de Adolfo Sachsida implode crença “no debate” com a extrema-esquerda

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Joel Pinheiro da Fonseca tem atuado como um formador de opinião de direita na Internet (e a foto acima é de Adolfo Sachsida, não de Joel). Assim como eu, Joel parece ficar em um meio termo entre liberal e libertário (não tenho certeza das perspectivas adotadas por ele), mas, no que diz respeito ao pragmatismo, há uma considerável distância entre nós. A quantidade de fé que ele deposita no “debate” com a extrema-esquerda é da mesma proporção de meu ceticismo. É o momento de tratar de uma discordância em relação a perspectiva de Joel sobre “debates” políticos.

Joel lançou  um vídeo de 23 minutos no qual critica o programa Escola sem Partido:

No vídeo, a lógica é até interessante e a crítica seria até construtiva. Mas não para o mundo que vivemos, mas sim em um mundo existente apenas na imaginação de Joel. É um mundo onde os socialistas doutrinadores entram em campo para “debater” suas ideias. Nesse mundo imaginário, os alunos poderiam fazer uma reflexão a partir do “debate” (algo que ele acredita acontecer no território de interação com socialistas).

Pois no mesmo dia todo o argumento de Joel foi implodido com um exemplo do mundo real, onde o conservador Adolfo Sachsida foi vítima de constrangimento unicamente por divergir da visão de mundo da extrema-esquerda. Leia matéria do Estadão, intitulada “Em um dia, MEC nomeia e exonera apoiador do Escola sem Partido”:

Em um dia o Ministério da Educação (MEC) nomeou e, horas depois, decidiu exonerar o doutor em Economia e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Adolfo Sachsida. Ele  exerceria o cargo de assessor especial do ministro Mendonça Filho, de diálogo direto com o chefe da pasta, mas sua nomeação, que saiu noDiário Oficial da União de segunda-feira, 11, acabou sendo cancelada nesta terça-feira, 12. O caso foi informado pelo jornal Valor Econômico.

Sachsida é apoiador do projeto “Escola Sem Partido”, movimento que diz defender a “neutralidade do ensino” por meio da proibição de “doutrinação ideológica” nas escolas, ideia que o próprio ministro já disse ser contra.  Em uma das publicações de seu blog, o economista, que se diz conservador, divulga um vídeo em que entrevista o procurador paulista Miguel Nagib, idealizador do texto original do projeto em 2004. Em sua página no Facebook, ele diz ser “pró vida, propriedade privada, conservadorismo moral e liberdade econômica”.

Em nota, o Ministério da Educação não confirma a relação do recuo com o apoio do economista ao “Escola Sem Partido”. “O MEC e o economista concluíram não ser necessária tal colaboração.” De acordo com a pasta, a nomeação de Sachsida tinha como objetivo analisar o impacto da macroeconomia no financiamento de políticas públicas da educação, função agora delegada à Subsecretaria de Orçamento e Planejamento.

A pasta disse ainda que o ministro “não discute a educação sob o ponto de vista político ideológico” e defende que a bandeira da educação deve ser “estritamente técnica, acima de qualquer disputa política, ideológica ou partidária”.

Nas redes sociais, no entanto, apoiadores do economista dizem que o motivo para o recuo do MEC é sua convicção ideológica. “Estamos vivendo um momento em que está havendo um patrulhamento enorme e qualquer pessoa que seja reconhecida como de direita não pode assumir cargos no governo porque a petralhada inferniza. Não basta tirar a Dilma, tem que desratizar o Ministério da Educação, da Cultura”, diz a advogada Beatriz Kicis em vídeo no Facebook. A publicação já teve mais de 450 compartilhamentos e 5 mil visualizações.

Eis o mundo real, em completa contradição com o mundo imaginado por Joel. No mundo real, não há “debates” com doutrinadores marxistas, mas ação política para atacar opositores, especialmente em seus meios de vida. Isso inclui buscar demitir um opositor. Ou, no caso de um aluno, fazer com que ele perca um ano letivo apenas por discordância ideológica. No mundo imaginário idealizado por Joel, os socialistas querem “debater” suas ideias. No mundo real, os socialistas querem apenas uma coisa: destruir aqueles que se interponham em seu projeto de poder. Muito provavelmente alguém de extrema-esquerda pressionou por sua demissão.

Mas o que importa para o momento é a prova que temos em mãos: no mundo real, os socialistas não vão “debater” suas ideias. Os professores doutrinadores vão praticar violência e abuso contra discordantes. Se fizeram isso com Sachsida (exigindo sua demissão), basta imaginar o que eles fazem com alunos discordantes.

Eu também possuo minhas discordâncias em relação ao projeto Escola sem Partido. Eu preferiria um projeto que não focasse em tratar o conteúdo propagado pelo professor (seja um doutrinador marxista ou não). A meu ver, um projeto para tratar a questão do estelionato educacional deveria proteger os alunos de qualquer tipo de coerção, coação, bullying, intimidação ou retaliação que porventura possa ser praticada por um professor. Deveríamos garantir o direito pleno de filmagem de aulas, bem como até de direitos de resposta e exposição de conteúdo polêmico nas redes sociais, para que o aluno possa contar com aliados na refutação. Com tudo sendo filmado, o professor perderia o direito a ter o poder de “ficar fechado em sala de aula com alunos”, e isso contaria a favor dos alunos que desafiassem o professor.

Assim, eu discordo do Escola sem Partido em alguns pontos. Mas no momento em que não temos esse programa alternativo, o Escola sem Partido é uma opção que merece apoio com certeza.

Em seu vídeo, Joel demonstra até certo grau de crueldade ao ignorar o sofrimento de muitos pais de alunos, impotentes diante do que tem sido praticado contra seus filhos em salas de aula pública. Ao responder a esse problema real, Joel adota a crença do mundo imaginário onde os socialistas colocam suas ideias “em debate”. Mas no mundo real, as pessoas que discordam da extrema-esquerda são vítima de violência fascista. Alguns são ameaçados de perder o emprego. Outros tomam cuspe no rosto. Algumas vezes são intimidadas por legiões de alunos socialistas, aliados do professor. Este é o mundo real, completamente oposto do mundo imaginado por Joel, claramente uma obra de ficção.

Como disse Saul Alinsky, o primeiro princípio para uma ação política efetiva é tratar o mundo como ele é, não como imaginamos que seja. Assim como devemos olhar para o ser humano como ele é, não como sonhamos que ele seja. Esse é o equívoco de Joel ao criticar o Escola sem Partido. Com isso, ele não dá resposta alguma aos problemas reais (e gravíssimos) relacionados à doutrinação socialista em salas de aula. Nisto, o Escola sem Partido, mesmo com suas contradições, é o primeiro passo na busca de uma resposta ao abuso praticado nas escolas. Joel não dá resposta alguma para esses problemas.

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