Lula pode reverter sua alta taxa de rejeição. Mas há como impedi-lo…

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O presidente Lula está estacionado com uma altíssima taxa de rejeição popular há muito tempo. Na última pesquisa da Datafolha ele é o mais rejeitado, com os seguintes números:

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Embora esses números sejam animadores para todos nós que nos opomos ao totalitarismo petista, eles trazem em si um risco geralmente pouco identificado pelos republicanos: o PT é o único grande partido que hoje em dia entende a lógica da guerra política. Isto significa que eles encontram-se em situação de vulnerabilidade, mas podem reviver se não prestarmos atenção em seus padrões.

Desde que decidi levar a reconstrução do material de David Horowitz e Saul Alinsky a um estágio que os próprios nem sequer pensaram em alcançar, resolvi codificar alguns métodos, e mudar a forma de avaliação da política. Não mais eu avaliava os eventos pela ótica da ciência política tradicional, mas da guerra política. Segundo Horowitz, o “agressor geralmente prevalece”. E conforme Alinsky, é preciso, diante do adversário, “selecioná-lo, congelá-lo, personalizá-lo e polarizá-lo”.

Basicamente, o procedimento é simples. Escolher um alvo é o começo de tudo. Mas em seguida é preciso “congelá-lo”. Ou seja, mantê-lo como um alvo fixo por um bom período de tempo. A palavra chave aqui é “foco”. Mas isso não é suficiente: é preciso selecionar uma pessoa que receberá os ataques. Nada de entidades despersonalizadas, como “a prefeitura” ou “o Foro de São Paulo”, mas sim “o Lula” ou “o Cunha”.E, enfim, jogue forte nos ataques, em ritmo de polarização contínua.

Foi exatamente isso que o PT fez com Marina e Aécio, nas eleições de 2014, e depois com Cunha em 2015 e 2016. Desde as eleições de 2014, o padrão de comportamento é facilmente mapeável. Dilma sempre começava com uma taxa de rejeição de 40%, com seus adversários ficando pela metade disso. E daí a esteira de ataques direcionados e focados (em um alvo “congelado” e personalizado) seguiam. Enquanto a taxa de rejeição de Dilma permanecia fixa, a de seus adversários aumentava na taxa de 3% a 4% por semana. Ao final de um mês e meio, era possível prever que Dilma ultrapassaria cada um de seus competidores diretos.

Foi exatamente o que ocorreu com Eduardo Cunha. Como o período de desconstrução foi mais longo, a rejeição do ex-aliado (e atual inimigo) de Dilma chegou a estratosféricos 90% em alguns momentos. A esteira de ataque do PT funcionou mais uma vez.

Para entender a importância do ataque ao outro na política a coisa é bem simples. Imagine a situação de dois irmãos no tempo da escolinha. O primeiro é pego com várias notas vermelhas. O que pode restar a ele? Convencer seus pais de que o irmão além de ter notas vermelhas, ainda passou a mão na bunda da professora. Resultado: ele pode estar mal, mas o outro poderá ficar com imagem ainda pior. Não estou entrando no mérito de se as acusações são verdadeiras ou não (logo, nem sei se o outro irmão tirou notas piores ou passou a mão na bunda da professora). Mas é assim que a coisa funciona.

Geralmente ouço pessoas dizendo que tucanos não batem no PT porque “estão com rabo preso”. Isso não faz sentido, pois o “rabo preso” é uma situação de dano, o que os obrigaria a atacar o oponente em dobro. Logo, ninguém tem desculpa para não atacar. Horowitz dizia, em Take no Prisoners: “Quando você está mal, o negócio é envenenar a reputação do outro a ponto de que os eleitores não tenham uma alternativa a não ser você.”  Logo, se Lula é rejeitado por 46%, enquanto Aécio por 29%, é preciso que o PT ligue sua esteira de desconstrução pelo período de quatro semanas, suficientes para fazer seu “alvo congelado” ser mais rejeitado que Lula.

Claro que existe a grande chance de Lula ser preso e não concorrer em 2018. Mas mesmo assim é possível que os petistas escolham outro candidato, ou se infiltrem em  um partido “esconderijo”. E isso quer dizer que o processo da esteira pode ser utilizado de novo contra um adversário da extrema-esquerda. Ademais, não devemos contar com a prisão de Lula como uma certeza, mas uma possibilidade. Devemos nos preparar para todos os cenários.

No que surge a pergunta: se o PT “liga a esteira”, isso significa que eles podem aumentar a taxa de rejeição de seus adversários e superá-los sempre que quiserem? Na verdade não, mas isso depende de nós. Temos que exigir que os adversários do PT passem a aumentar o tom e adotar os princípios da guerra política. Não mais por “pedidos”, mas por exigência. Precisamos transformar em inaceitável que um adversário do PT venha dizendo “para cada mentira contra nós, traremos uma proposta”, enquanto estão apanhando feito cachorro ladrão.

Podemos até usar aquele princípio que nossos pais ensinam: “Se apanhar na escola, apanha quando chegar em casa também”. Vale o mesmo para os políticos que escolhemos para votar: “Se continuar apanhando do PT, sem bater em retorno, vai apanhar da gente também”. E o “apanhar”, neste caso, é metafórico, sem nada de violência física.

Fomos capazes de exigir que deputados votassem a favor do impeachment. Aprendemos o poder da pressão política e conseguimos compreender que resultados decorrem de sua utilização. Agora é hora de subir a barra: não queremos mais que os políticos votem conforme desejamos, mas também que eles se comportem de forma adequadamente ofensiva diante de nossos maiores adversários. Os políticos republicanos devem começar a ter medo de usar discurso frouxo diante da extrema-esquerda. Eles precisam nos temer, pois deixaríamos de aceitar a frouxidão na política. Devemos exigir que os políticos apoiados por nossos tomem a dianteira do ataque político.

Com isso, a rejeição de Lula não apenas seguirá sendo a maior de todas, como pode até aumentar.

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