Após censura na Internet, conservadores dos EUA partiram para a luta política

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Essa notícia foi publicada em 15 de maio deste ano na Folha e merece ser revista aqui:

O Facebook anunciou neste domingo (15) que seu executivo-chefe, Mark Zuckerberg, vai se reunir com líderes conservadores ligados à mídia para tratar da suspeita de que a rede social estaria alterando sua lista de notícias mais lidas para favorecer veículos e notícias à esquerda.

O encontro, planejado para quarta-feira (18), deve incluir “12 formadores de opinião conservadores”, incluindo o apresentador e comentarista Glenn Beck, a apresentadora da Fox News Dana Perino e Zac Moffatt, cofundador da empresa de tecnologia Targeted Victory, que busca promover mais transparência nos negócios de mídia.

Na última semana, o Facebook se tornou alvo de acusações de falta de equilíbrio depois que uma reportagem do site especializado em notícias de tecnologia Gizmodo citou um suposto ex-funcionário da empresa segundo o qual a rede social distorceria seus rankings de notícias mais lidas e omitiria textos de inclinação conservadora.

Zuckerberg afirmou que sua empresa não encontrou “nenhuma prova de que o relato seja verdadeiro”, mas continuará a investigar o caso. Uma comissão do Senado americano também abriu inquérito sobre o episódio.

O Facebook, empresa avaliada em cerca de US$ 350 bilhões, se tornou uma fonte de informação para seus usuários -mais de 1 bilhão de pessoas, atualmente, das quais 63% dizem ler notícias diariamente no site, segundo pesquisa do Centro de Pesquisa Pew e da Fundação Knight.

O que temos aqui? Simplesmente o Facebook tendo que se explicar ao Senado norte-americano a respeito de censura a conservadores. Enquanto isso, no Brasil, várias páginas de direita foram banidas em um único dia pelo Facebook, como lembra o ILISP:

Em uma curiosa orquestração, a rede social Facebook baniu arbitrariamente ao menos 19 páginas anti-esquerda na data de ontem (20). Foram banidas as páginas Faca na Caveira (1,9 milhão de seguidores), Loira Opressora (262 mil seguidores), Ter Opinião Não é Crime (510 mil seguidores), Bolsonaro Opressor 2.0 (963 mil seguidores), Desquebrando o Tabu (356 mil seguidores), Moça, Não Sou Obrigada a Ser Feminista (611 mil seguidores), Sargento Fahur (1,5 milhão de seguidores), Memes da Direita (111 mil seguidores), Orgulho em Ser de Direita (191 mil seguidores), South America Memes (541 mil seguidores), Incorretos (802 mil seguidores), Memeguy (285 mil seguidores), Editora Humanas (126 mil), Conservadorismo do Brasil (165 mil seguidores), Go Tropa (517 mil seguidores), Jessicão, a Feminista (123 mil seguidores), Vitimismo Bolsonete (38 mil seguidores), Papo de Polícia (245 mil seguidores) e Sou Nordestino da Gema (838 mil seguidores). Até o momento nenhuma das páginas retornou ao ar e o Facebook não apresentou justificativas para o banimento da página.

Mesmo discordando do conteúdo veiculado por boa parte das páginas banidas – lembrando que liberais não são de direita – somos defensores da ampla liberdade de expressão. Logo, nos causa estranheza que o Facebook aplique seus termos de serviço praticamente apenas a páginas anti-esquerda – no mesmo dia, de forma aleatória e sem justificativa plausível – quando há dezenas de páginas que violam os termos de serviço da rede social de forma constante. A rede social já foi inclusive acusada por ex-funcionários nos EUA de influenciar os posts que aparecem na timeline para favorecer posts de esquerda. Estaria o mesmo acontecendo no Brasil ou teria sido um ataque orquestrado?

O que aconteceu até o momento? Nada. Nem mesmo uma ação focada de pressão sobre o Parlamento, exigindo uma ação direcionada que impeça o Facebook de agir com preconceito e censura contra os conservadores (e, como os leitores sabem, eu não sou um conservador, mas liberal). Assim fica fácil para os censores. (Lembre-se que o governo brasileiro gasta mais de 40 milhões de reais por ano com anúncios no Facebook, logo, eles tem motivos para temer punições)

Uma das manias que a direita brasileira precisa perder é a de adotar a “estrutura de narração”. Ou seja, contar os eventos do mundo praticados por seus inimigos como se fossem histórias tristes. Esse tipo de mensagem sub-comunica para a plateia a rendição. Na verdade, é preciso adotar a retórica de combate.

Sair dizendo “nossa página foi censurada” é apenas a “narração” de um evento. Não serve para mobilizar ninguém. Por outro lado, entrar em contato com deputados e senadores e iniciar uma CPI da Mordaça seria uma ação fora da esfera baseada unicamente em contar historinhas tristes. Seria o início de um efetivo combate político.

Já se passou quase uma semana desde que as páginas foram derrubadas, e até agora nenhuma iniciativa de guerra política foi iniciada pelas partes lesadas (ao menos uma iniciativa que tenha sido noticiada). Tamanha passividade resultará em aumento do desrespeito e da imposição de censura por parte da extrema-esquerda. Em tempo, há uma petição requisitando uma CPI da Mordaça no Facebook. É preciso começar a bombá-la.

Tocqueville dizia que o preço da liberdade é a eterna vigilância. Ele estava parcialmente certo. O preço da liberdade é a eterna luta política contra os censores e demais fascistas. Os norte-americanos ao menos começaram o combate. Quando este tipo de luta se iniciará por aqui?

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2 COMMENTS

  1. Não acho que CPI funciona. Creio ser melhor incluir no Marco Civil da Internet dispositivos que punam a censura imotivada de páginas, punição esta a ser aplicada à rede social e também aos autores de denúncias caluniosas.

  2. Uma CPI pode ser o início e acréscimos no marco regulatório uma consequência dela. De qualquer modo, penso que os primeiros a se mexer devem ser os dono das páginas censuradas, que contarão, certamente, com o apoio dos seus leitores.

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