Desestatizações: o debate não é sobre "eficiência", mas sobre corrupção e tirania

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Há diversos tipos de liberais no debate público. Alguns deles (talvez a maioria) tendem a defender as privatizações pela ótica da “eficiência”. Sem as estatais nas mãos do estado, elas seriam mais eficientes, dizem. Isto é claramente uma verdade, mas nem de longe a questão é essa. Debater eficiência quanto às estatais é como debater o código penal com um assaltante que está empunhando a arma contra você. Chega a ser cômico.

No filme Scarface, o personagem Tony Montana diz: “Primeiro você consegue o dinheiro, depois consegue o poder, e depois consegue as mulheres”. Na política bolivariana, isso pode ser facilmente adaptado para: “Primeiro você consegue o dinheiro das estatais, depois consegue o poder comprado com esse dinheiro, e depois consegue barbarizar a vida de seus adversários à vontade”. Eis a fórmula que deu certo na Venezuela. Nesta discussão, a “eficiência” das estatais passava ao largo. Só interessava o dinheiro e o poder advindo de se comandar estatais.

No mundo real, a extrema-esquerda jamais pensou nas estatais como forma de “entregar valor ao povo”, mas como meio de obter verba para conquistar e manter poder. Combater a estatização não é apenas combater o totalitarismo, como também combater a corrupção, pois desta corrupção endêmica nas estatais surge o poder para… se obter o totalitarismo.

A corrupção de fato é generalizada em um país tão corroído pela estatização como o Brasil. A corrupção se vê por praticamente todos os partidos. Mas é um fato que sob o governo do PT a corrupção alcançou patamares inéditos. Se quisermos fazer algo duradouro contra a corrupção, devemos buscar as causas para um vírus infestando sua vítima nas vulnerabilidades pelas quais este vírus se prolifera, bem como nas oportunidades que ele encontra. A vulnerabilidade se encontra na falta de transparência e de controles. A oportunidade, por sua vez, fica no excesso de empresas estatais, principalmente as desnecessárias para o atendimento da população em serviços básicos (segurança, saúde, educação).

Não temos transparência. É claro que temos que lutar para conquistá-la, mas mas de nada isso adiantará se não reduzirmos as oportunidades para corrupção. Isso passa passa pela redução de empresas estatais. A cada estatal privatizada, mais postos utilizados para aparelhamento são perdidos. Em consequência, mais oportunidades de obter propinas estatais somem. Com a desestatização de empresas não essenciais para o público, a corrupção se reduz.

É enganoso achar que a corrupção atual se traduz apenas em perda de dinheiro. Na verdade, especialmente nos governos do PT, se converteu uso de verba estatal para construir totalitarismo. Exatamente por esse motivo, a corrupção do PT é inédita, dado servir a um projeto para nos escravizar a todos. Nesse contexto, as estatais são instrumentos de tirania, pois fornecem recursos para corrupção em larga escala, a qual serve ao principal fim de implementar uma ditadura. Não falamos mais de “dinheirinho no bolso” de alguns políticos espertalhões. Falamos de corrupção organizada a partir dos “cabeças” de um partido com um fim claro.

Uma Venezuela não se constrói por “erros de governo”, como alguns iludidos insistem em falar. Um horror deste tipo se constrói a partir do uso torrencial de verbas do estado para comprar um país. Ou seja, a corrupção fica na escala russa ou chinesa. Na Rússia, um quilômetro de estrada custa 30 vezes mais do que custaria nos estados unidos. Não surpreende que eles odeiem falar em desestatizações. Por isso pessoas assim mentem para dizer que “o petróleo é nosso”. Isso nunca é verdade. Com a Petrobrás dos tempos do PT, o petróleo servia a um partido. Poucas coisas são mais injustas do que essa.

Quem fala em lutar contra a corrupção mas não luta contra os meios para os principais canais de corrupção está apenas jogando com as palavras. Se você quiser tirar a oportunidade para que empresas como Correios, Petrobrás e demais outras sejam utilizadas para corrupção, só há um meio: tirem as empresas das mãos do estado. Com menos empresas nas mãos do estado (ficando ali somente as essenciais), é possível implementar mais transparência e controles.

Desestatizações decerto aumentam a eficiência da administração das empresas que saem das mãos do estado. Mas o centro do debate está em outro lugar: na luta para eliminarmos os principais mananciais de corrupção, que, infelizmente, no caso da América Latina, estão servindo a projetos totalitários de poder. É aí que empresas como Petrobrás e Correios não podem mais apenas ser chamadas de “ineficientes”. Pelo contrário, são eficientes até demais em se converterem em instrumentos de corrupção para nos transformar em escravos de uma ditadura.

A luta pela desestatização não é contra “administradores ineficientes”. Mas contra administradores eficientíssimos do uso do poder estatal para trazer o horror para suas nações a partir da tirania.

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2 COMMENTS

  1. Corrupção sempre houve e haverá. Mas fazer da corrupção ferramenta de poder,no Brasil,é inovação de Lula. Assim, o maior ladrão politico do país-Sarney-(opinião de lula antes), ficou um homem que merece nosso respeito, (Lula depois). Assim viraram Aliados Jader Barbalho ( que vimos ser preso e conduzido no avião da PF), Collor, Maluf et catervas. Ocorreu o inverso do que dizia Zé Dirceu: “este governo rouba e deixa roubar” desde que apoiem o governo petista.

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